标题上

"“Não Beba!” A Menina Que Fez o Mafioso Ouvir a Verdade" Capítulo 2

正文开头

O FRASCO AZUL

Alessandro levou a mão ao bolso interno do paletó.

Marco avançou, mas Lorenzo fez um gesto para que esperasse.

O médico retirou um pequeno frasco azul. Não tentou oferecer explicações à distância. Ficou parado com o objeto na mão, olhando para ele.

Lorenzo sentiu um frio desagradável no estômago.

Conhecia aquele homem desde antes de saber amarrar os sapatos. Durante a cirurgia da mãe, aos nove anos, fora Alessandro quem ficara ao seu lado no corredor do hospital. A lembrança se impôs com uma nitidez cruel.

Mia puxou sua mão de novo.

"Você viu?"

Ele precisou de um instante para responder.

"Vi. Você fez bem em me contar."

A menina pareceu respirar melhor.

Lorenzo se virou para Helena.

"Leve-a ao salão pequeno. Vou pedir que tragam alguma coisa para vocês comerem."

"Obrigada. Nós podemos ir para casa."

Ele percebeu o cuidado da mulher ao escolher as palavras. Naquela casa, um pedido podia soar como ordem, mesmo quando ele não pretendia ordenar.

"Podem, se preferirem. Mas gostaria de falar com a senhora quando a confusão acabar. Não vou fazer mais perguntas à Mia esta noite."

Helena examinou seu rosto e assentiu.

Mia ergueu a cabeça.

"Tem bolo na sala pequena?"

"Posso providenciar."

"De chocolate?"

"Mia", a mãe advertiu.

Lorenzo chamou um funcionário e pediu bolo, sanduíches e água lacrada.

A menina começou a acompanhar Helena, mas parou depois de dois passos.

"Não bebe mais nada."

Ele não sorriu.

"Não vou beber."

"Promete?"

"Prometo."

Só quando elas saíram ele se voltou para os convidados.

Encerrou a festa sem fazer um discurso. Pediu desculpas pela interrupção, anunciou que seus funcionários ajudariam com os carros e determinou que a segurança preservasse as imagens e anotasse os contatos das pessoas próximas à mesa. Ninguém seria impedido de ir embora.

Salvatore pareceu prestes a protestar. Então viu o frasco azul e ficou quieto.

Vinte minutos depois, restavam no escritório Lorenzo, Serena, o pai dela, Alessandro, Marco e Beatrice.

A irmã chegara assim que soubera do ocorrido. Tirara os brincos no caminho e os segurava fechados na mão, um hábito que Lorenzo conhecia desde adolescente: precisava de alguma coisa para não descarregar a tensão nos outros.

"Os dois frascos ficam com Marco", Lorenzo disse. "Nada será descartado."

Alessandro entregou o seu.

Serena o encarou.

"Você também deu alguma coisa a ele?"

"Vou explicar o que fiz. Espero que você faça o mesmo."

Lorenzo puxou uma cadeira, mas não se sentou.

"Serena. Comece."

Ela olhou o pai. Salvatore abriu a boca; Lorenzo o interrompeu antes de ouvir uma palavra.

"Perguntei a ela."

Serena endireitou os ombros.

"É um preparado para dormir. Eu o comprei numa clínica em Milão."

"Você colocou isso no meu vinho?"

"Sim."

Era a primeira resposta direta desde que a taça caíra.

Lorenzo se apoiou na borda da mesa.

"Há quanto tempo?"

"Uns quatro meses. Não todas as noites."

Beatrice fechou os olhos brevemente.

正文1

"Por quê?", Lorenzo perguntou.

"Porque você não dormia. Porque chegava a passar a noite inteira trabalhando e, quando eu perguntava, dizia que estava tudo bem. Conversei com uma especialista. Ela sugeriu mudanças de rotina e comentou sobre um produto suave. Eu o encomendei."

"E decidiu não me contar."

Serena entrelaçou os dedos.

"Achei que você recusaria."

"Eu poderia recusar."

"Eu sei."

"Não parece que sabia."

Ela baixou os olhos. O colar que usara na festa repousava torto sobre a pele. Ele quase estendeu a mão para ajeitá-lo, como fizera outras vezes. Conteve o movimento, irritado com o próprio impulso.

"Não pensei que pudesse fazer mal", ela disse.

"Minha audição começou a piorar nesse período."

Serena o encarou com uma expressão que ele não reconheceu de imediato.

Depois entendeu: medo.

Não do que ele poderia fazer diante dos convidados. Medo de uma consequência que aparentemente não havia considerado.

"Lorenzo, eu não sabia."

Ele olhou para Alessandro.

"O frasco azul."

O médico se sentou, parecendo subitamente mais velho.

"Uma solução mineral. Eu vinha acompanhando algumas alterações nos seus exames. Suspeitei de suplementos que você estivesse tomando sem mencionar."

"Eu disse que não tomava."

"Você disse."

"E você não acreditou."

Alessandro retirou os óculos.

"Acreditei que você pudesse estar omitindo alguma coisa para evitar recomendações que não queria seguir. Deixei uma solução para ser acrescentada ao seu suco durante minhas visitas. Também a coloquei pessoalmente algumas vezes."

Marco apoiou as duas mãos na mesa.

"Você suspeitou de uma coisa escondida e resolveu esconder outra?"

O médico não tentou se defender da pergunta.

"Foi um erro."

Lorenzo soltou uma risada sem humor.

"Quantas pessoas nesta sala sabiam o que eu estava bebendo, além de mim?"

"Eu não sabia", Beatrice respondeu imediatamente.

Marco negou. Salvatore olhou para a filha.

O silêncio que restou foi suficiente.

Lorenzo se sentou, enfim. O ouvido direito apitava. Por alguns segundos, teve dificuldade para distinguir a voz de Serena do ruído interno, e isso o assustou mais do que quis demonstrar.

"Vocês dois vão entregar as embalagens, os pedidos e tudo que estiver relacionado a esses produtos. Quero análise independente. E outro médico acompanhando os exames."

Alessandro assentiu.

Serena começou a tirar o telefone da bolsa.

Salvatore se inclinou para Lorenzo.

"Minha filha não tentou machucá-lo."

"Espero que não."

"Então não a trate como criminosa."

Lorenzo ergueu os olhos.

"Estou tentando entender por que duas pessoas em quem confio decidiram colocar substâncias na minha bebida sem me dizer. O senhor pode esperar a resposta comigo."

Salvatore recostou na cadeira.

Pouco depois, Marco começou a organizar as amostras. Beatrice acompanhou Alessandro ao telefone com o serviço que faria a coleta. Serena permaneceu perto da janela.

Lorenzo se aproximou dela.

"Quero ouvir o restante. Mas agora não consigo."

Ela assentiu lentamente.

"Você quer que eu vá embora?"

Ele olhou o reflexo dos dois no vidro.

"Quero que fique disponível para esclarecer o que for necessário. Para o resto, ainda não tenho resposta."

Serena segurou o telefone contra o peito.

"Está bem."

Quando Lorenzo subiu, era quase uma da manhã. Helena esperava perto do quarto de hóspedes onde Beatrice mandara acomodar Mia.

"Ela dormiu antes de o motorista chegar", explicou. "Sua irmã disse que poderíamos passar a noite."

Lorenzo olhou pela porta entreaberta.

Mia estava atravessada na cama, abraçada a um coelho de pano emprestado. Um dos pés escapara da coberta.

"Ela se machucou?"

"Não. Mas acha que estragou sua festa."

Ele franziu a testa.

Helena esfregou as mãos, cansada.

"Vou conversar com ela quando acordar."

"Eu também."

A mulher hesitou.

"Tem mais uma coisa. Ela falou durante o lanche. Não foi uma pergunta minha."

Lorenzo se voltou para ela.

"O quê?"

"Disse que o frasco vermelho veio numa caixa com uma lua amarela. Lembrou porque achou que era desenho de história de dormir."

"Serena deve ter recebido a encomenda aqui."

"Recebeu. Mas Mia disse que viu a mesma lua em outras caixas."

Lorenzo esperou.

Helena baixou a voz para não acordar a filha.

"No consultório do doutor Alessandro."

下一张上
下一章下

você pode gostar

Compartilhar Link

Copie o link abaixo para compartilhar com seus amigos:

页面底部