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"O Bilionário Ia Pedir Outra Mulher em Casamento… Até Encontrar a Ex-Esposa com Trigêmeos na Chuva" Capítulo 2 — O PAI QUE NUNCA SOUBE

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— Que doador? — A voz de Rafael atravessou o corredor antes que ele conseguisse se controlar.

Marina virou tão depressa que a pasta de exames quase caiu de suas mãos.

— Você nos seguiu?

— Eu ouvi o médico falar de um doador. O que está acontecendo com a Sofia?

O homem de jaleco, doutor Henrique Sampaio, olhou primeiro para Marina.

— A senhora autoriza que eu converse com ele sobre a saúde da sua filha?

— Não — respondeu ela.

Rafael engoliu a reação.

— Marina, se existe alguma chance de eu ser o pai, preciso saber como ajudar.

— Precisar? — Ela soltou uma risada amarga. — Agora você descobriu essa palavra?

Henrique sugeriu que conversassem numa sala reservada. Lucas e Luna ficaram com uma enfermeira numa área de brinquedos, à vista da mãe.

Marina entrou primeiro. Rafael permaneceu perto da porta, como se não tivesse direito a ocupar uma cadeira.

— Sofia tem anemia aplástica grave — explicou Henrique, depois que Marina concordou em compartilhar apenas as informações necessárias. — A medula óssea dela não está produzindo células sanguíneas em quantidade suficiente.

Rafael franziu a testa.

— Isso tem cura?

— Existem tratamentos. Estamos avaliando a indicação de transplante de células-tronco hematopoéticas, além das medidas de suporte. Precisamos considerar os riscos e encontrar um doador adequado.

— Eu posso doar — disse Rafael imediatamente.

— Podemos avaliar sua compatibilidade. Ser pai biológico não garante que seja o melhor doador.

Rafael olhou para Marina.

— Há quanto tempo vocês estão enfrentando isso?

— Faz quase um ano que os primeiros sintomas apareceram. O diagnóstico veio depois.

— Por que você não me procurou?

Marina apertou a pasta até os dedos ficarem brancos.

— Eu procurei você antes de ela nascer. Não vou discutir isso aqui.

Henrique explicou os próximos exames e deixou claro que nenhuma decisão seria tomada sem consentimento e avaliação clínica.

Quando saíram, Luna corria atrás de uma bolinha de espuma. Lucas estava sentado ao lado da irmã, contando as peças de um quebra-cabeça.

Sofia surgiu acompanhada de uma enfermeira. Caminhava devagar, com a boneca apertada contra o peito.

— Mamãe, quero ir para casa.

Marina se abaixou para abraçá-la.

Rafael viu o rosto cansado da menina e sentiu uma dor desconhecida. Tinha fechado negócios que movimentavam centenas de milhões. Naquele corredor, não conseguia comprar sequer um minuto de tranquilidade.

— Posso falar com você lá fora? — pediu a Marina.

Ela pediu à enfermeira alguns minutos para cuidar das crianças. Depois o acompanhou até um banco próximo à recepção.

— Você mora em São Paulo agora? — perguntou ele.

— Voltei de Santos por causa do tratamento. Aluguei um apartamento pequeno na Vila Mariana.

— Eu posso pagar uma casa melhor.

— Não foi isso que eu pedi.

— Um hospital particular, especialistas, o que for necessário...

— A Sofia já tem uma equipe médica. Não transforme a doença dela numa disputa de poder.

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Rafael baixou a cabeça.

— Não estou tentando comprar vocês.

— Foi assim que sua família sempre resolveu os problemas.

Ela abriu a bolsa para guardar os exames. Um envelope de cobrança escapou. Rafael viu valores de medicamentos, deslocamentos e consultas não cobertas integralmente.

Marina recolheu o papel antes que ele pudesse tocá-lo.

— Não olhe.

— Você está endividada.

— Estou trabalhando. Vou resolver.

— Sozinha?

— Foi assim que aprendi.

Ele se lembrou da Marina que desenhava projetos de interiores à mesa da cozinha, sonhando em abrir um escritório. Na época, Rafael dizia que ela não precisava trabalhar porque ele ganhava o suficiente pelos dois.

Nunca compreendera que o trabalho dela significava liberdade.

— Você ainda desenha? — perguntou.

A pergunta a surpreendeu.

— Faço projetos quando aparece cliente. Também costuro para completar a renda.

— Eu não sabia.

— Há muita coisa que você não sabe.

Um silêncio desconfortável se instalou entre eles.

Rafael tirou o celular do bolso. Havia dez chamadas perdidas de Beatriz e três de sua mãe.

— Eu ia pedir Beatriz em casamento hoje — confessou.

Marina ficou imóvel por um instante.

— Então deveria estar com ela.

— Eu cancelei.

— Isso não muda nada para mim.

Mas seus olhos se encheram de lágrimas, e ela virou o rosto antes que ele percebesse.

Lucas apareceu na porta da sala de espera.

— Mamãe? A Luna derrubou água no sapato.

— Já vou, meu amor.

O menino encarou Rafael.

— Você é amigo da minha mãe?

Rafael abriu a boca, sem saber o que responder.

— Eu fui casado com ela.

Lucas pensou por alguns segundos.

— Igual nos desenhos? Quando tem festa e bolo?

— Mais ou menos.

— Então por que você não mora com a gente?

Marina se levantou imediatamente.

— Lucas, vamos buscar sua irmã.

O menino não saiu do lugar.

— Moço, por que você tem os meus olhos?

Rafael se agachou até ficar na altura dele.

— Talvez porque a gente seja da mesma família.

Lucas estreitou os olhos.

— Família não some.

A frase o atingiu como um golpe. Marina segurou a mão do filho e o levou para perto das irmãs.

Rafael permaneceu agachado por mais alguns segundos, tentando recuperar o fôlego.

Quando Marina voltou, ele não perguntou se podia levar as crianças para sua mansão. Não mencionou advogados. Apenas disse:

— Quero fazer o exame de paternidade. Do jeito certo. E quero fazer os testes que o doutor Henrique recomendar.

— Eu não vou permitir que sua mãe use o resultado contra mim.

— Ela não vai decidir nada.

Marina o observou com desconfiança.

— Você disse isso muitas vezes durante nosso casamento. E nunca cumpriu.

Rafael aceitou a acusação sem se defender.

— Desta vez, vou cumprir.

Ela respirou fundo.

— Vou conversar com um advogado independente. Se houver um procedimento adequado, faremos o exame.

— Tudo bem.

— E você não vai aparecer de surpresa na escola deles. Nem levar ninguém para fotografá-los.

— Eu prometo.

Marina deu um passo para sair, mas Rafael segurou a própria vontade de alcançá-la.

— Só mais uma pergunta. Você sabia que estava grávida quando assinamos o divórcio?

Ela fechou os olhos.

— Sabia.

— E tentou me contar?

Marina se virou. A expressão dela misturava indignação e uma tristeza antiga.

— Eu deixei mensagens. Liguei para seu escritório. Fui até sua casa. Sua mãe disse que você não queria me receber.

— Minha mãe nunca me falou disso.

— Ela me mostrou mensagens suas. Disse que você já tinha escolhido Beatriz.

Rafael balançou a cabeça.

— Eu não estava com Beatriz naquela época.

— Eu sei disso agora. Naquele dia, não sabia em quem acreditar.

— Por que não insistiu?

Marina apertou a alça da bolsa.

— Porque eu estava grávida, assustada, sem acesso ao dinheiro da conta conjunta e ouvindo ameaças sobre o que aconteceria com meus filhos se eu continuasse perto da família Montenegro.

Rafael sentiu o sangue gelar.

— Que ameaças?

— Disseram que eu não tinha recursos para criar três crianças. Que seus advogados poderiam tirar tudo de mim antes mesmo de elas nascerem.

— Quem disse isso?

Marina olhou diretamente para ele.

— Sua mãe sabia da gravidez. Sua mãe mandou bloquear minhas tentativas de falar com você. E sua mãe me obrigou a desaparecer.

O telefone de Rafael começou a tocar outra vez.

Na tela brilhava o nome: MÃE.

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