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"O Bilionário Ia Pedir Outra Mulher em Casamento… Até Encontrar a Ex-Esposa com Trigêmeos na Chuva" Capítulo 1 — TRÊS CRIANÇAS NA CHUVA

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O anel de diamante estava no bolso de Rafael Montenegro quando ele viu o menino com seus olhos.

A chuva desabava sobre a Avenida Paulista. Carros avançavam lentamente, espalhando água pelas calçadas. Rafael havia dispensado o motorista para caminhar os últimos quarteirões até o restaurante.

Em menos de uma hora, pediria Beatriz Albuquerque em casamento. A mesa no Terraço Itália estava reservada. As flores já tinham chegado. O champanhe esperava no gelo.

Então ele avistou Marina.

A ex-esposa se encolhia sob a cobertura rachada de um ponto de ônibus. O casaco preto, fino demais para aquela tempestade, grudava em seus braços. Três crianças de capas vermelhas se apertavam contra suas pernas.

Rafael parou no meio da calçada.

Não podia ser ela. Três anos e oito meses tinham passado desde o divórcio. Nenhuma ligação. Nenhuma mensagem. Nenhum encontro por acaso.

Mas Marina levantou a cabeça.

O rosto dela perdeu a cor.

— Rafael.

Não havia surpresa naquela voz. Havia medo.

Ele atravessou a faixa sem perceber a buzina furiosa de um ônibus.

— Marina? O que você está fazendo aqui?

Ela puxou as crianças para perto.

— Estamos esperando o ônibus.

— Eu estou vendo. Quem são elas?

O menino ergueu o rosto. Tinha cabelos castanhos escuros e olhos azul-acinzentados, sérios demais para uma criança tão pequena.

Rafael sentiu o peito apertar.

Conhecia aqueles olhos. Estavam em todas as fotografias de sua infância, nos retratos do pai e no espelho de seu banheiro.

Uma menina de cachos escuros observou o estranho com curiosidade. A outra, mais pálida, segurava uma boneca molhada e parecia cansada.

— Mamãe, estou com frio — murmurou a menina pálida.

Marina se ajoelhou imediatamente.

— Eu sei, Sofia. Só mais um pouquinho, meu amor.

Rafael notou o modo como ela protegia os três com o próprio corpo, recebendo a chuva que entrava pela lateral da cobertura.

— Quantos anos eles têm?

Marina apertou os lábios.

— Rafael, por favor.

— Quantos?

— Três anos. Fizeram aniversário há pouco tempo.

Ele fez a conta. O casamento terminara quando Marina estava nos primeiros meses de uma gravidez que ele jamais soubera existir.

As lembranças chegaram de uma vez: Marina dormindo no sofá antes do jantar, recusando vinho, chorando depois de uma conversa com Verônica, sua mãe.

Ele sempre tinha outra reunião. Outra viagem. Outra desculpa.

— Eles são meus? — perguntou.

A menina de cachos puxou a manga da mãe.

— Mamãe, por que o moço está bravo?

— Ele não está bravo, Luna.

Marina não olhava para Rafael. Observava a rua como quem procura uma saída.

— Você precisa me responder — insistiu ele.

— Não aqui. Não na frente deles.

— Então existe uma resposta.

Ela ergueu os olhos, agora brilhando de lágrimas.

— Você não faz ideia do que aconteceu depois que eu fui embora.

O menino se colocou entre os adultos.

— Não fala assim com a minha mãe.

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Rafael recuou. A coragem daquele garoto, pequeno e encharcado, o atingiu mais profundamente que qualquer insulto.

— Como você se chama, campeão?

— Lucas. E não sou seu campeão.

Luna soltou uma risadinha. Marina não sorriu.

— Lucas, venha para cá.

Sofia tossiu duas vezes. A mãe tocou sua testa e procurou alguma coisa na bolsa. Rafael viu uma pasta plástica cheia de papéis médicos.

— Ela está doente?

— Nós temos uma consulta.

— Eu posso levar vocês. Meu carro está logo ali.

— Não precisamos de você.

A frase veio rápida, dura. Ele reconheceu naquela voz a mesma mulher que um dia implorara para que ele não embarcasse em outra viagem.

Na época, respondera que ela estava exagerando.

Um ônibus surgiu na esquina.

Marina ajeitou as mochilas das crianças e levantou Sofia no colo. Lucas segurou a mão de Luna.

— Espera — pediu Rafael. — Pelo menos me diga onde você mora.

— Você passou anos sem querer saber.

— Eu não sabia que eles existiam!

O grito fez algumas pessoas virarem a cabeça.

Marina ficou imóvel por um instante.

— É justamente esse o problema — respondeu baixinho.

As portas do ônibus se abriram. Ela subiu com Sofia. Luna foi atrás, segurando o corrimão. Lucas permaneceu no primeiro degrau.

O menino olhou para Rafael mais uma vez.

— Você tem olhos iguais aos meus.

Antes que Rafael encontrasse uma resposta, Marina chamou o filho. As portas se fecharam entre eles.

Rafael ficou parado sob a chuva, olhando o veículo desaparecer.

O celular vibrou.

Beatriz: “Onde você está? Minha família já chegou.”

Outra mensagem apareceu: “Não me faça passar vergonha hoje.”

Ele tirou do bolso a caixinha de veludo. Abriu a tampa. O diamante reluziu sob a luz cinzenta da tarde.

Até minutos antes, aquela joia representava um futuro cuidadosamente organizado.

Agora, três crianças desconhecidas tinham transformado seu passado numa pergunta insuportável.

Rafael telefonou ao motorista.

— Paulo, encontre minha localização. Preciso do carro imediatamente.

— O senhor não está indo ao restaurante?

— Não. E avise à equipe que o jantar está cancelado.

— Mas, doutor Rafael, a senhorita Beatriz...

— Cancelado, Paulo.

O carro chegou enquanto o ônibus ainda enfrentava o trânsito da Paulista. Rafael entrou no banco de trás, sem tirar os olhos das lanternas vermelhas adiante.

— Siga aquele ônibus. Sem assustar ninguém.

O motorista o observou pelo retrovisor, mas obedeceu.

Durante o trajeto, Rafael tentou ligar para Marina. O número antigo não funcionava. Procurou mensagens de três anos antes e encontrou apenas a última conversa.

“Precisamos falar quando você voltar.”

Sua resposta fora curta: “Estou ocupado. Resolva com o advogado.”

Ele leu a frase quatro vezes.

Naquele dia, acreditava que Marina tinha escolhido abandoná-lo. A mãe lhe mostrara documentos, extratos e fotografias. Rafael aceitara tudo sem sequer perguntar à esposa o que era verdade.

O ônibus virou em direção a uma região de hospitais.

Marina desceu carregando Sofia. Lucas e Luna caminharam colados à mãe. Rafael pediu que o motorista estacionasse do outro lado da rua.

Na entrada do Hospital Infantil Sabará, Marina apresentou documentos à recepcionista. Rafael entrou alguns minutos depois e permaneceu perto do corredor, sem interromper o atendimento.

Uma enfermeira conduziu Sofia para uma sala. A menina apertou a boneca contra o peito.

— Mamãe, vai doer?

— Eu vou ficar com você — prometeu Marina.

Lucas segurou a mão da irmã até a porta se fechar.

Rafael nunca tinha visto alguém tão pequeno parecer tão preocupado.

Depois de alguns minutos, um médico de jaleco branco saiu com uma pasta. Marina se aproximou imediatamente.

Rafael ouviu o nome dela.

— Dona Marina, precisamos conversar sobre os novos exames da Sofia.

O homem falou baixo. Rafael só conseguiu distinguir algumas palavras: medula, tratamento, urgência.

Marina levou a mão à boca.

— Mas ela já está tomando tudo o que o senhor pediu.

— Eu sei. Estamos fazendo o possível. Precisamos avaliar as próximas etapas e procurar um doador compatível.

Marina apoiou a mão na parede.

— E se não encontrarmos?

O médico hesitou.

— A Sofia corre um risco muito sério.

Rafael sentiu a caixinha do anel pesar no bolso como uma pedra.

Ele tinha vindo atrás de uma resposta sobre a paternidade.

Encontrara uma pergunta muito pior: quanto tempo ainda restava para conhecer a própria filha?

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