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"O Chefe da Máfia Se Ajoelhou em Lágrimas e Implorou Para a Empregada Ficar" Capítulo 5 — O Chefe da Máfia Se Ajoelhou

正文开头

“Então me diga o que preciso fazer para você ficar.”

Marina continuou dobrando uma blusa. A mala pequena ocupava quase toda a cama estreita do quarto de funcionários.

“Não existe uma quantia, senhor Montenegro.”

“Eu não falei em dinheiro.”

“É sempre disso que falam nesta casa.”

Dante permaneceu junto à porta. O homem que comandava negócios milionários na Faria Lima não sabia como convencer uma mulher a guardar uma blusa.

No corredor, Miguel chorou novamente. O som atravessou Dante como uma acusação.

“Eles precisam de você.”

“Precisam de um pai que enxergue o que acontece dentro da própria casa.”

Ele recebeu a frase sem protestar.

Marina fechou uma gaveta. Havia marcas antigas na madeira, deixadas por outras empregadas que tinham ocupado aquele quarto.

“Eu vim trabalhar. Não vim ser humilhada diante de desconhecidos. Sua família pode me acusar de qualquer coisa e depois esperar que eu sirva café no dia seguinte.”

“Ricardo não vai encostar em você novamente.”

“E Verônica?”

“Está afastada das crianças.”

“Mas continua andando pelos corredores. Continua dando ordens. Continua sabendo onde minha mãe mora.”

Dante ergueu o rosto.

“Ela ameaçou sua mãe?”

Marina hesitou. A resposta estava na forma como apertava a blusa contra o peito.

“Não diretamente. Disse que pessoas como nós precisam pensar na família antes de fazer acusações.”

Dante tirou o celular do bolso e ligou para Augusto.

“Quero segurança discreta na casa de Dona Rosa. Ninguém se aproxima sem autorização dela. E Verônica não dá mais ordens a nenhum funcionário.”

Marina o interrompeu.

“Não transforme minha mãe em prisioneira da sua proteção.”

Ele corrigiu imediatamente a instrução. Augusto deveria conversar primeiro com Dona Rosa e respeitar a decisão dela.

Marina percebeu a diferença. Não agradeceu. Ainda não.

Uma batida apressada interrompeu os dois. A auxiliar Patrícia apareceu com Miguel nos braços e Tomás agarrado à sua saia.

“Desculpem. Eles não querem dormir.”

Ao ver a mala, Tomás soltou a mão de Patrícia. Caminhou com passos incertos até Marina e puxou a barra da roupa dela.

“Mamã. Não.”

A palavra saiu pequena, quase perdida entre soluços.

Marina se ajoelhou para abraçá-lo. Miguel estendeu os braços e se juntou aos dois.

“Eu estou aqui, meus amores.”

Dante tentou se aproximar. Tomás olhou para o pai, depois para a mala. Sua boca tremeu.

“Papai.”

“Estou aqui, filho.”

Dante sentou no chão, sem se importar com a calça cara. Ofereceu a mão. Tomás a tocou, mas não soltou Marina.

“Eu deixei vocês sozinhos”, murmurou Dante.

Marina ergueu os olhos. Nunca tinha ouvido aquele homem falar com tanta fragilidade.

“Eu achei que uma casa cheia de empregados fosse suficiente. Achei que trabalhar até tarde era cuidar de vocês.”

Miguel parou de chorar por um instante. Dante acariciou o cabelo dele.

“Eu estava errado.”

Marina levou as crianças até o tapete do quarto. Patrícia saiu em silêncio, deixando a porta entreaberta.

Dante olhou para os dois meninos, depois para a mala.

正文1

“Se você for embora, eles vão sofrer. Mas não tenho o direito de usar isso para obrigá-la a ficar.”

“Então não use.”

Ele assentiu. Abaixou a cabeça e, diante dela, apoiou os dois joelhos no chão.

Marina ficou imóvel.

O chefe da máfia, temido por homens que nem ousavam pronunciar seu sobrenome, estava ajoelhado diante de uma empregada.

Os olhos de Dante se encheram de lágrimas.

“Eu não estou pedindo que aceite o que fizeram com você.”

Sua voz falhou.

“Estou pedindo uma chance de consertar esta casa. Pelos meus filhos. E porque eu não quero perder a única pessoa que teve coragem de me dizer a verdade.”

Uma lágrima escorreu pelo rosto dele. Dante não a escondeu.

“Por favor, Marina. Fique.”

Ela levou a mão à boca. Não havia plateia, fotógrafos ou criados observando. Só dois bebês sentados entre os adultos.

“Levante-se, Dante.”

Ele demorou um segundo para perceber que ela o chamara pelo primeiro nome.

“Não enquanto você achar que estou tentando comprá-la.”

“Eu acho que o senhor está desesperado.”

“Estou.”

Marina respirou fundo.

“E o desespero passa. A humilhação fica.”

Dante se levantou lentamente. Seu rosto estava molhado.

“Então me diga como reparar o que aconteceu.”

Ela pensou nos relatórios falsos, no quarto trancado e nas noites em que Miguel tremia ao ouvir passos no corredor.

“Primeiro, uma avaliação independente das crianças. Sem Verônica escolhendo médico ou controlando o que será dito.”

“Concordo.”

“Segundo, os funcionários precisam poder denunciar qualquer abuso sem perder o emprego.”

“Vou criar um canal externo e rever todos os contratos.”

“Terceiro, a investigação do colar deve continuar. Quero meu nome limpo, não um favor.”

“Você terá.”

Marina apontou para a porta.

“E a senhora Verônica não entra mais no quarto dos meninos. Nem decide o que eles comem, quando brincam ou quem pode abraçá-los.”

“Ela não entra.”

“Não basta prometer. Quero isso por escrito.”

Dante aceitou. Depois perguntou o que ela desejava para si mesma.

A pergunta surpreendeu Marina mais do que as lágrimas.

“Quero poder sair daqui quando decidir. Sem ameaças, sem culpa e sem o senhor usar as crianças para me prender.”

“Você tem minha palavra.”

“Eu quero um contrato novo, com essas condições.”

“Augusto vai chamar uma advogada trabalhista independente. Você poderá escolher outra, se preferir.”

Marina finalmente fechou a mala, mas não a retirou da cama.

“Fico por enquanto. Até termos respostas.”

Tomás bateu palmas sem compreender a conversa. Miguel encostou a cabeça no ombro dela.

Dante soltou o ar como alguém que acabara de escapar de um precipício.

“Obrigado.”

“Não me agradeça ainda. Amanhã começa a parte difícil.”

Ele quase sorriu.

Na cozinha, meia hora depois, Patrícia encontrou Dante lavando duas mamadeiras. Ficou tão espantada que derrubou uma colher.

“Senhor, posso fazer isso.”

“Eu também posso aprender.”

Marina observava da porta. Ele mediu a água com atenção exagerada, conferiu a temperatura e pediu que ela verificasse o resultado.

“Está bom?”

“Está morno. Mas Miguel prefere a mamadeira com a alça azul.”

Dante olhou as duas alças, idênticas para ele até aquele instante.

“Azul para Miguel”, repetiu.

“E Tomás gosta de ouvir música antes de dormir.”

“Que música?”

Marina sorriu pela primeira vez naquela noite.

“Você vai descobrir.”

Quando as crianças adormeceram, Dante encontrou Augusto no escritório. O segurança tinha separado as imagens da entrada de serviço.

“O temporário usou documento falso”, informou. “A empresa que o contratou recebeu uma ligação do gabinete de Ricardo.”

Dante fechou os punhos.

“Preserve tudo. Nada de ameaçar testemunhas.”

“Entendido.”

Augusto colocou outra pasta sobre a mesa.

“Também encontrei movimentações estranhas na conta usada para pagar despesas infantis. Alguém autorizou serviços que nunca foram prestados.”

“Verônica?”

“As aprovações passam pela administração dela. Mas os valores terminam numa empresa ligada a Ricardo.”

Dante abriu a pasta. O nome da empresa lhe pareceu familiar.

Era a mesma que havia prestado serviços de manutenção no carro de Beatriz antes do acidente.

Ele ficou sem respirar por um instante.

No quarto, Marina ajeitou o cobertor dos meninos e foi buscar água. Seu celular vibrou sobre a cômoda.

Número desconhecido.

Ela abriu a mensagem.

“Se continuar nessa casa, vai acabar como Beatriz.”

Marina sentiu o chão desaparecer sob os pés.

Abaixo da ameaça havia uma fotografia recente de Dona Rosa saindo de casa, em Vila Mariana.

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