"O Chefe da Máfia Se Ajoelhou em Lágrimas e Implorou Para a Empregada Ficar" Capítulo 3 — O Segredo do Quarto Trancado
Dante empurrou Augusto para o lado e bateu na porta.
“Quem está aí?”
Nenhuma resposta.
O segurança fez sinal para dois homens cobrirem a saída do corredor. Depois forçou a fechadura com uma ferramenta curta.
A madeira gemeu. O trinco cedeu.
Dentro da sala, um funcionário da manutenção estava ajoelhado diante de um armário aberto. Tinha uma caixa de cabos aos pés e o rosto coberto de suor.
“Quem mandou você entrar aqui?”, perguntou Dante.
O homem olhou para Verônica.
“Eu... vim retirar equipamentos antigos.”
“Seu nome.”
“Paulo, senhor.”
“Paulo, responda à pergunta.”
“Dona Verônica pediu.”
A governanta abriu a boca, mas Dante ergueu a mão.
“Não interrompa.”
Augusto recolheu a caixa. Havia dois discos rígidos, um gravador de imagens e fios identificados com etiquetas do sistema infantil.
“Por que está removendo isso?”, perguntou.
Paulo engoliu em seco.
“Disseram que era sucata.”
“Quem disse?”
Ele tornou a olhar para Verônica.
“Já respondeu”, murmurou Dante.
No fundo do cômodo havia brinquedos empilhados. Uma caixa guardava chocalhos, livros de tecido e dois carrinhos que Dante comprara numa viagem.
“Eu procurei esses brinquedos”, disse Marina, surgindo à porta com os meninos no colo de uma auxiliar. “Verônica disse que tinham sido doados.”
Dante pegou um dos carrinhos. Ainda tinha a etiqueta de presente.
“Por quê?”
Verônica cruzou os braços.
“Eles se agitavam demais. Precisavam de disciplina.”
“São bebês.”
“Bebês também precisam de limites.”
“Limites não são castigo por rir.”
A governanta desviou os olhos.
Augusto encontrou um caderno com registros de alimentação e descanso. As anotações eram detalhadas demais para parecerem simples lembretes.
“Olhe isto, doutor Dante.”
Havia páginas com horários marcados em vermelho: períodos de isolamento, restrições de brinquedos e observações sobre choro.
Marina levou a mão à boca.
“Ela anotava quando eles paravam de chamar alguém.”
Dante leu uma linha: Miguel chorou durante vinte e cinco minutos; intervenção não autorizada.
O papel tremeu entre seus dedos.
“Você escreveu isso?”, perguntou a Verônica.
“São registros profissionais.”
“Profissionais de quê?”
“Eu cuidei de crianças a vida inteira.”
“E nunca percebeu que meus filhos estavam sofrendo?”
Verônica ergueu o queixo.
“Dona Beatriz queria que fossem fortes.”
O nome da esposa morta provocou um silêncio pesado.
“Beatriz jamais teria pedido isso.”
“Ela deixou instruções.”
Verônica tirou uma pasta de uma gaveta. Entregou a Dante uma folha com a assinatura de Beatriz e uma lista de regras para os filhos.
Dante reconheceu a letra impressa do documento, mas não a assinatura.
Sua esposa costumava fazer um pequeno traço no final do sobrenome. Ali, o traço faltava.
“De onde veio isto?”
“Ela me entregou antes do acidente.”
“Então por que nunca mostrou?”
“Porque o senhor não conseguia falar dela.”
Dante não respondeu imediatamente. Era verdade que evitara qualquer conversa sobre Beatriz. A governanta usava essa verdade como escudo.
Ele guardou a folha.
“Augusto, providencie uma análise documental. E copie tudo antes de mexer nos aparelhos.”
Verônica tentou se aproximar.
“Está me tratando como criminosa?”
“Estou tratando meus filhos como prioridade.”
Naquela tarde, Dante permaneceu em casa. Pela primeira vez, cancelou reuniões sem dar explicações longas aos sócios.
Sentou-se no tapete com Tomás e Miguel. Marina lhe mostrou como empilhar blocos sem assustar os meninos com movimentos bruscos.
“Você não precisa fazer tudo perfeito”, disse ela.
“É o que costumo exigir de mim.”
“Então talvez seja hora de aprender outra coisa.”
Dante ergueu uma sobrancelha.
“Você fala assim com todos os seus patrões?”
“Só com os que não sabem brincar de torre.”
Tomás derrubou os blocos. Marina riu. Dante também.
O menino olhou para o pai, surpreso com aquele som. Depois bateu palmas.
Por alguns minutos, a casa pareceu diferente.
Mas, na cozinha, Verônica falava ao telefone com a voz abafada.
“Ele entrou na sala”, disse. “Encontrou os aparelhos.”
Uma voz masculina respondeu do outro lado.
“Você devia ter destruído tudo.”
“Eu não sabia que ele voltaria.”
“Então descubra o que ele sabe. E afaste aquela babá.”
Verônica encerrou a ligação ao ouvir passos.
Ricardo Montenegro apareceu no jardim no começo da noite. Era primo de Dante e vice-presidente do grupo, sempre elegante, sempre pronto a oferecer ajuda quando alguém estava fragilizado.
“Soube que você cancelou Genebra”, disse, entrando no escritório.
“Assuntos de família.”
“Verônica me ligou. Está preocupada.”
“Ela deveria estar.”
Ricardo serviu-se de água sem pedir licença.
“Você sabe como essas funcionárias novas são. Entram na casa, conquistam as crianças e começam a querer mais.”
Dante fechou o computador.
“Está falando de Marina?”
“Estou dizendo para tomar cuidado.”
“Cuidado com quem?”
Ricardo demorou um instante.
“Com gente que conhece suas fraquezas.”
Dante se levantou.
“Meus filhos não são uma fraqueza.”
Ricardo sorriu sem humor.
“Claro que não.”
Depois que o primo saiu, Augusto entrou trazendo um notebook.
“Recuperamos fragmentos de um dos discos. Parte do material foi apagada, mas não tudo.”
Na tela, Verônica aparecia diante da sala trancada. A imagem não tinha som nos primeiros segundos. Depois, o áudio surgia entre ruídos.
“Ricardo, ele não pode descobrir...”
A gravação falhou.
Augusto ajustou o arquivo.
“...o que fizemos com Beatriz.”
Dante não se moveu.
Ouviu de novo. E outra vez.
Beatriz. Sua esposa. A mulher que morrera numa estrada dois anos antes.
“De quando é isso?”
“Três semanas atrás.”
“Tem certeza de que é a voz dela?”
“É compatível, mas vamos preservar o original e solicitar perícia.”
Dante apoiou as mãos na mesa.
“Não confronte ninguém ainda.”
Augusto assentiu.
“E os meninos?”
“Ficam com Marina, sob sua proteção. Verônica não entra no quarto deles.”
O segurança já estava saindo quando Dante o chamou de volta.
“Augusto.”
“Sim?”
“Quero o relatório completo do acidente de Beatriz. Não o resumo que me entregaram no enterro. Tudo.”
Ao fechar a porta, Dante pegou a fotografia da esposa sobre a estante.
Na imagem, Beatriz sorria, grávida dos gêmeos, com uma das mãos apoiada na barriga.
Ele passou o polegar pela moldura.
“Se fizeram alguma coisa com você”, sussurrou, “eu vou descobrir.”
Seu celular vibrou.
Era uma mensagem de Ricardo.
“Precisamos conversar sobre a babá. Antes que ela destrua nossa família.”
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