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"O Chefe da Máfia Se Ajoelhou em Lágrimas e Implorou Para a Empregada Ficar" Capítulo 2 — A Mulher Que as Crianças Temiam

正文开头

Verônica recuperou a chave, mas Dante já tinha visto a fita vermelha.

“Que porta ela abre?”

“A sala de materiais, senhor.”

“Por que está carregando a chave?”

“Porque sou responsável pela casa.”

Dante estendeu a mão.

“Então não vai se importar em me entregar.”

Verônica hesitou por um segundo. Marina percebeu. Era a primeira vez que via a governanta contrariada diante do patrão.

“Claro”, disse Verônica, entregando o molho.

Tomás chorava agarrado à perna de Marina. Miguel escondia o rosto no pescoço dela.

Dante se abaixou ao lado dos filhos.

“Está tudo bem. Papai está aqui.”

Os meninos não entenderam todas as palavras, mas reconheceram sua voz. Tomás estendeu a mão para ele sem soltar a saia de Marina.

Dante aceitou aquele gesto pequeno como uma segunda chance.

“Verônica, quero que fique longe das crianças por enquanto.”

A mulher empalideceu.

“Depois de tudo o que fiz por esta família?”

“Não estou julgando seus anos de serviço. Estou tentando entender o que acontece agora.”

“Essa babá entrou há poucos meses e já está destruindo a confiança que o senhor depositou em mim.”

Marina respirou fundo.

“Eu não pedi para eles me chamarem de mãe.”

“Mas gostou, não foi?”, atacou Verônica. “Uma empregadinha se fazendo de dona da casa.”

Dante virou o rosto.

“Basta.”

A palavra saiu baixa. Foi suficiente.

Augusto se aproximou com um tablet. Explicou que algumas câmeras estavam funcionando, mas as gravações do corredor infantil apresentavam falhas recorrentes.

“Desde quando?”

“Quase quatro meses, doutor Dante.”

“Quatro meses?”

“Recebemos ordens para não substituir o equipamento. A solicitação veio da administração doméstica.”

Os olhos de Dante encontraram Verônica.

“Eu mesma pedi manutenção”, disse ela. “Talvez alguém tenha entendido errado.”

“Quero os pedidos por escrito.”

Augusto assentiu.

Marina levou os meninos ao sofá. Procurou o coelhinho de pano de Miguel e o colocou perto dele. O menino apertou uma orelha gasta e respirou mais devagar.

Dante se sentou diante dela.

“Agora me conte tudo.”

Marina olhou para Verônica.

“Sem ela.”

A governanta soltou uma risada seca.

“Que insolência!”

“Augusto”, disse Dante, “acompanhe dona Verônica até a sala de jantar.”

Quando a porta se fechou, Marina pareceu diminuir de tamanho.

“Eu não tenho provas de tudo”, começou. “Só do que vi.”

“É suficiente para começar.”

Ela contou sobre as tardes em que recebia ordens para deixar os meninos sozinhos no quarto, mesmo quando choravam. Sobre brinquedos retirados como punição por fazer barulho. Sobre horários que mudavam sem explicação.

“Uma vez encontrei Miguel sentado no berço, completamente rouco. Dona Verônica disse que ele precisava aprender a se acalmar.”

Dante apertou as mãos.

“Por que não me ligou?”

“Eu liguei. A secretária disse que o senhor estava numa reunião. Depois Verônica me avisou que telefonar diretamente seria motivo para demissão.”

“Você podia ter procurado Augusto.”

“Ela dizia que todos aqui obedeciam às ordens dela. Eu não sabia em quem confiar.”

Dante queria negar. Mas lembrava-se de quantas vezes mandara resolver qualquer assunto doméstico com Verônica.

正文1

Ele próprio havia construído aquela barreira.

“Você percebeu alguma coisa além disso?”

Marina demorou a responder.

“Às vezes, depois que ela levava os meninos para o corredor, eles voltavam assustados. Eu não sei o que acontecia. Nunca consegui entrar naquela sala.”

Dante olhou para a chave de fita vermelha.

“Vamos descobrir.”

Antes, porém, quis falar com o pediatra. Ligou para Henrique Sampaio e explicou as mudanças no comportamento dos filhos.

“Não tire conclusões apenas pelas reações deles”, advertiu o médico. “Mas, se há suspeita de negligência, precisamos avaliar a rotina e examinar as crianças.”

“Venha hoje.”

“Estarei aí depois do almoço.”

Dante desligou e pediu que Marina preparasse um lanche para os meninos. Ela trouxe banana cortada e água em copinhos com tampa.

Tomás tentou oferecer um pedaço ao pai.

Dante aceitou. O menino sorriu.

Era um gesto banal. Dante sentiu vergonha por não saber quando tinha sido a última vez que partilhara uma refeição com os filhos.

“Ele gosta quando a gente come junto”, explicou Marina.

“E Miguel?”

“Prefere sentar perto da janela. Fica olhando os passarinhos.”

Dante observou o segundo filho, que brincava com o coelho.

“Você sabe mais sobre eles do que eu.”

“Eu passo mais tempo com eles, senhor.”

A resposta não foi cruel. Talvez por isso doesse tanto.

Depois do lanche, Augusto retornou com uma pasta.

“Encontrei um relatório de comportamento assinado pela babá.”

Marina franziu a testa.

“Nunca assinei relatório nenhum.”

Dante abriu a primeira página. Havia acusações de brincadeiras inadequadas, atrasos na alimentação e desobediência às orientações da governanta.

Uma anotação chamava atenção: na terça-feira, às dez da manhã, Marina teria deixado os gêmeos sozinhos durante quarenta minutos.

“Na terça nós estávamos na consulta com doutor Henrique”, disse Marina. “Tenho o comprovante.”

Ela procurou no celular e mostrou a confirmação da clínica.

Augusto comparou os horários.

“Ela está certa.”

Dante virou a página. A assinatura parecia copiada de um formulário antigo.

“Guarde esse documento. E verifique quem o criou.”

À tarde, Henrique examinou os meninos. Não encontrou sinais físicos que explicassem, por si só, o comportamento descrito. Recomendou acompanhamento, observação e uma rotina estável.

“Eles respondem bem à interação”, disse, enquanto Tomás brincava com um estetoscópio de brinquedo. “Isso é importante. Precisam de adultos disponíveis e de um ambiente previsível.”

Verônica tentou entrar na sala.

Miguel começou a chorar ao ouvir sua voz.

Henrique interrompeu a conversa e observou a reação, sem tirar conclusões precipitadas.

Dante se levantou.

“Verônica, eu pedi que não se aproximasse.”

“Só vim saber se precisam de alguma coisa.”

“Precisamos de espaço.”

A governanta recuou. Seu olhar encontrou o de Marina por um instante, carregado de promessa ruim.

Quando o médico foi embora, Dante caminhou com Augusto até a porta proibida.

Era uma sala estreita no fim do corredor infantil, ao lado do antigo quarto de Beatriz.

A chave vermelha entrou na fechadura, mas não girou.

Augusto tentou outra vez.

“Trocaram o cilindro.”

“Quando?”

“Não sei.”

Dante chamou Verônica. Ela chegou com as mãos trêmulas.

“Quem autorizou a troca?”

“Eu... achei que a fechadura estava emperrada.”

“E não me informou?”

“Era um detalhe doméstico.”

Dante se aproximou da porta.

“Meu filho tem medo deste corredor. Nada aqui é detalhe.”

Augusto examinou os parafusos novos.

“Consigo abrir, mas vai danificar a peça.”

“Abra.”

Verônica deu um passo à frente.

“Senhor Dante, há lembranças de dona Beatriz ali. Ela não gostaria...”

Dante virou-se tão depressa que ela parou.

“Não use minha esposa para me impedir de entrar num cômodo da minha casa.”

Augusto trouxe uma ferramenta.

O primeiro estalo ecoou pelo corredor.

Do outro lado da porta, alguma coisa metálica caiu no chão.

Todos ficaram imóveis.

Augusto ergueu os olhos.

“Tem alguém lá dentro.”

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