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"Como Treinar Seu Papai Mafioso" Capítulo 5 — O Chefe da Máfia Não Sabe Brincar!

正文开头

Naquela manhã, Dante Montenegro recebeu uma ameaça que nenhum inimigo ousaria fazer.

— Hoje você vai brincar comigo — anunciou Sofia, entrando no escritório com uma sacola rosa.

Dante ergueu os olhos do contrato.

— Estou trabalhando.

— Eu também. Sou sua cuidadora.

— Cuidadoras não carregam panelinhas de plástico.

Sofia despejou sobre a mesa quatro xícaras minúsculas, uma colher azul e uma galinha amarela de brinquedo.

— Essa é a doutora Galinha. Ela disse que você precisa sorrir.

Rafael, perto da porta, tossiu para esconder o riso.

— A galinha tem diploma? — perguntou Dante.

— Tem. Estudou muito no galinheiro.

Dante apontou para a saída.

— Reunião em dez minutos.

— Ótimo. Dá tempo de tomar um cafezinho.

Ela colocou uma xícara vazia diante dele. Dante examinou o objeto com a mesma desconfiança que reservava a contratos falsificados.

— Não tem café.

— É café de imaginação. Não engorda e não deixa você bravo.

— Nesse caso, preciso de um balde.

Sofia gargalhou. Rafael olhou para o teto, derrotado.

— Você vai ser o bebê — decidiu ela.

Dante pousou a caneta lentamente.

— Repita.

— O bebê. Eu sou a mamãe. O Rafael é o papai.

Rafael endireitou a postura.

— Com todo respeito, senhor, eu não autorizei essa promoção.

— Nem eu — respondeu Dante.

Sofia cruzou os braços.

— Família não escolhe. Agora, bebê, toma seu leitinho.

Ela encostou a xícara na boca de Dante. Ele manteve os lábios fechados.

— Não vou participar disso.

— Então nada de brigadeiro depois do almoço.

Dante lançou um olhar acusador para Rafael.

— Quem contou a ela sobre os brigadeiros?

— A cozinheira, senhor. Eu não sobreviveria a uma investigação dessa menina.

Dante bebeu o café imaginário. Sofia bateu palmas, satisfeita.

A reunião começou com três homens de terno entrando no escritório. Pararam ao ver o chefe segurando uma galinha amarela.

— Algum problema? — rosnou Dante.

— Nenhum, senhor — responderam quase juntos.

Sofia ergueu um dedo.

— Falem baixo. O bebê acabou de tomar café.

Um dos homens deixou cair a pasta. Rafael precisou acompanhá-lo ao corredor antes que explodisse em gargalhadas.

Dante fechou os olhos.

— Sofia, vá procurar dona Teresa.

— Só se você prometer brincar depois.

— Prometo cinco minutos.

— Vinte.

— Sete.

— Quinze e um brigadeiro.

— Dez e meio brigadeiro.

Sofia pensou seriamente.

— Fechado. Mas eu escolho a metade maior.

Quando ela saiu, um dos homens perguntou, espantado:

— Desde quando o senhor negocia com crianças?

Dante ajeitou o relógio.

— Desde que descobri que elas são mais perigosas que vocês.

À tarde, Sofia voltou com um plano novo. Sobre a mesa da sala havia uma caixa de som e uma tigela de brigadeiros preparados por Teresa.

— Hora da aula de música!

— Minha agenda não tem aula de música.

— Sua agenda também não tinha tristeza, mas você arrumou um monte.

正文1

Dante ficou sem resposta. Sofia apertou o botão da caixa.

A voz infantil começou a cantar “Borboletinha”. Sofia dançava com os braços abertos, girando no tapete como uma borboleta tonta.

— Canta, grandão!

— Não.

— Uma colher de brigadeiro por verso.

— Isso é chantagem.

— É incentivo profissional.

Rafael entrou trazendo uma pasta e parou na porta. Dante fez um sinal discreto para que ele desligasse a música.

Sofia percebeu.

— Rafael, você quer ficar sem brigadeiro também?

O segurança guardou a mão atrás das costas.

— Não, doutora.

— Então canta!

Rafael cantou com voz grave. O contraste entre aquele homem enorme e a melodia infantil fez Teresa gargalhar na cozinha.

Dante apertou os lábios. Sofia o observou atentamente.

— Você tá segurando uma risada.

— Estou segurando a vontade de demitir todos.

Ela começou a imitar a expressão carrancuda dele: sobrancelhas apertadas, queixo erguido, braços cruzados.

— “Eu sou Dante Montenegro! Não gosto de sol! Não gosto de sopa! Não gosto de alegria!”

Rafael virou de costas. Seus ombros tremiam.

Sofia acrescentou uma voz grossa tão absurda que Dante soltou uma risada involuntária.

O som surpreendeu até ele.

Sofia abriu um sorriso triunfante.

— Peguei! O rabugento sabe rir!

Dante tentou recuperar a seriedade.

— Foi um acidente.

— Então vamos ter outro acidente!

Ela repetiu a imitação. Dante riu de novo, desta vez sem conseguir parar.

Beatriz apareceu no corredor e ficou imóvel. Durante meses, procurara aquele som na casa inteira.

Não entrou. Preferiu ficar onde estava, ouvindo.

Depois, Sofia anunciou a última atividade: dança sentada. Colocou um samba animado e mostrou como mexer os ombros no ritmo.

— Você não precisa levantar pra dançar comigo.

Dante observou as próprias pernas imóveis. Por um segundo, o sorriso desapareceu.

Sofia percebeu e estendeu as mãos.

— Olha pra mim. Os braços funcionam, não funcionam?

— Funcionam.

— Então pronto. Dança com eles.

Dante ergueu os braços, primeiro sem jeito. Sofia rodopiou à frente da cadeira, depois segurou suas mãos e inventou uma coreografia ridícula.

Teresa entrou com suco de maracujá. Rafael bateu palmas. Até Beatriz se aproximou, fingindo que precisava de água.

— Isso é uma festa? — perguntou a mãe.

— É fisioterapia de alegria — explicou Sofia.

— Essa especialidade existe? — quis saber Dante.

— Existe agora. Eu inventei.

Quando a música terminou, Dante estava ofegante de tanto rir. Sofia encostou a cabeça no braço dele.

— Viu? Você não é só um homem bravo.

Ele passou a mão pelos cachinhos dela.

— E você não é só uma menina mandona.

— Sou, sim. Sou muito mandona.

— Disso eu não tenho dúvida.

A tarde terminou no jardim. Sofia dividiu um brigadeiro com Dante, embora tivesse prometido dar a ele apenas metade.

— Minha mãe diz que doce fica melhor quando a gente divide — contou.

Dante observou a menina. Marina quase nunca aparecia pessoalmente; buscava Sofia na portaria depois do trabalho, e Teresa cuidava das mensagens sobre horários.

— Sua mãe parece inteligente.

— É a pessoa mais inteligente do mundo.

— Mais que você?

Sofia pensou.

— Empatadas. Mas eu sei fazer cara de brava melhor.

Dante sorriu. Depois, sem saber por quê, perguntou:

— Sua mãe já teve alguém que a fez sofrer?

Sofia apertou o brigadeiro entre os dedos. Lembrou das noites em que Marina chorava baixinho na cozinha do apartamento.

— Teve — respondeu.

— E o que você faria com esse sujeito?

— Primeiro, cobrava o dinheiro que ele deve.

Dante ergueu as sobrancelhas.

— Depois?

Sofia fechou a mão pequenina.

— Dava uma bronca bem grande.

— Só uma bronca?

— Depende. Se ele aprender a ser bonzinho, talvez eu perdoe.

Dante ficou olhando o jardim. A resposta tinha uma seriedade inesperada.

— Você acredita que as pessoas mudam?

Sofia apontou para ele.

— Você mudou. Antes gritava até com a sopa.

— A sopa estava fria.

— E agora você dança com uma galinha.

Dante soltou outra gargalhada.

Sofia aproveitou a distração e fez a pergunta que guardava havia dias:

— Grandão, você já foi apaixonado por alguém?

O sorriso dele sumiu. Uma lembrança atravessou seus olhos: cabelos castanhos, um beijo na chuva, uma despedida que nunca entendera.

— Já — respondeu, depois de um longo silêncio.

— E onde ela tá?

Dante olhou para o horizonte.

— Longe de mim.

Sofia apertou a mão dele. Pela primeira vez, não tentou fazer piada.

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