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"Como Treinar Seu Papai Mafioso" Capítulo 3 — O Sol Não Vai Te Matar, Rabugento!

正文开头

Antes de sair, Sofia fez Rafael testar a campainha da cadeira e verificar se havia água na bolsa. Também colocou seu coelho de pelúcia no colo, com o cinto do brinquedo bem preso.

— Ele vai supervisionar — explicou.

Dante examinou o coelho.

— Seu funcionário não tem qualificação.

— Tem, sim. Ele nunca reclamou de trabalhar comigo.

Dante Montenegro desconfiou de alguma coisa quando viu três chapéus sobre a mesa do café.

Um era de palha. Outro tinha uma faixa azul. O terceiro parecia ter sido roubado de um boneco de festa junina.

Sofia estava ao lado deles, com um frasco de protetor solar nas mãos.

— Escolhe seu chapéu, paciente.

— Não vou a lugar nenhum.

— Então escolhe sentado.

Beatriz tomou um gole de café para esconder a risada.

— O jardim está bonito hoje, filho.

— Mãe, não comece.

— Faz quase três meses que você não toma sol no pátio.

Dante apertou os braços da cadeira. Desde o acidente, evitava os lugares onde antes caminhava sem pensar. A fonte, os degraus e a quadra pareciam lembrá-lo de tudo o que perdera.

— Não quero que ninguém fique me olhando — disse.

Sofia inclinou a cabeça.

— Por quê? Você tá com alface no dente?

Rafael soltou uma tosse. Dante fechou os olhos.

— Não é isso.

— Então pronto. Vamos.

O doutor Henrique havia autorizado passeios curtos ao ar livre, com supervisão. Rafael conferiu a rampa, os freios e o trajeto antes de Sofia colocar as mãos pequenas sobre a parte traseira da cadeira.

— Eu empurro! — anunciou.

— Você não alcança direito — respondeu Rafael.

— Então você é o motor e eu sou a chefe do motor.

Rafael assentiu com solenidade.

— Às ordens, chefe do motor.

Dante soltou um gemido indignado quando a cadeira começou a se mover.

— Eu disse que não vou sair! Me levem de volta!

Sofia caminhou ao lado dele, muito séria.

— Minha mamãe disse que quem não toma sol fica todo mofado!

— Eu não sou pão velho!

— Ainda não. Mas tá quase.

Beatriz riu tão alto que uma arara pousada numa árvore próxima levantou voo.

No pátio, o sol da manhã iluminava os azulejos claros. A fonte espalhava gotas de água e o cheiro das flores misturava-se ao café vindo da cozinha.

Dante respirou fundo antes que pudesse evitar. O ar fresco lhe fez bem, mas ele não queria admitir.

Sofia examinou seu rosto.

— Você tá muito branco. Parece pão de queijo antes de assar.

— Sofia!

— Tá bom. Pão de queijo chique.

Ela pegou o protetor solar. Rafael ajudou a colocar uma pequena quantidade na palma da menina, e Sofia espalhou o creme nas bochechas de Dante com uma concentração exagerada.

— Não esfregue meus olhos!

— Fica quietinho. Cliente difícil paga mais.

Depois, escolheu o chapéu mais engraçado: o de palha, com uma faixa amarela.

正文1

Dante encarou Rafael.

— Se alguém tirar uma fotografia, está demitido.

O segurança guardou o celular com rapidez suspeita.

— Nem pensei nisso, chefe.

Sofia bateu palmas.

— Pronto! Parece um cantor sertanejo de férias!

Dante tentou manter a expressão fechada. Não conseguiu impedir que o canto da boca se movesse.

Foi nesse momento que Verônica Albuquerque apareceu na porta da varanda.

A governanta antiga, que não aceitava receber ordens de Teresa, olhou a cena como se fosse um escândalo.

— Que absurdo é esse? Quem autorizou tirar o senhor Dante do quarto?

— O médico — respondeu Rafael.

— E eu! — acrescentou Sofia.

Verônica ignorou os dois e aproximou-se da cadeira.

— Seu Dante, o senhor devia estar descansando. Não precisa passar por esse constrangimento diante dos empregados.

Dante endureceu o rosto.

— Estou bem.

— Bem? — repetiu Verônica, com uma risada seca. — O senhor nunca mais vai andar. Não adianta fingir que tudo continua igual.

A fonte pareceu ficar mais barulhenta.

Dante baixou os olhos para as próprias pernas. O chapéu ridículo, que segundos antes quase o fizera sorrir, agora parecia uma humilhação.

Ele se lembrou do dia em que tentara ficar de pé e caíra diante de dois enfermeiros. Lembrou-se da pena nos rostos deles. Apertou o tecido da calça entre os dedos.

— Rafael — murmurou. — Me leve para dentro.

Sofia olhou para Dante. Depois, para Verônica.

A menina se colocou à frente da cadeira e abriu os braços, como uma pequena guarda de trânsito.

— Ninguém fala assim com o meu paciente!

Verônica soltou uma risada.

— Saia da frente, sua pirralha. Você não entende de nada.

— Entendo que você é mal-educada!

— Olhe como fala comigo!

Sofia apontou para o chão.

— Pede desculpa pra ele. Agora!

Verônica deu um passo à frente, irritada. Sofia bateu a mão num velho suporte de madeira ao lado do canteiro.

CRAQUE!

Uma das ripas, já rachada pelo tempo, partiu-se. Um vaso balançou. Rafael o segurou antes que caísse.

Verônica recuou, assustada.

— Meu Deus!

— Se humilhar ele de novo, vai ter que se entender comigo! — declarou Sofia.

Beatriz apareceu na varanda a tempo de ouvir a ameaça. Seu rosto ficou sério quando percebeu a expressão do filho.

— Verônica, vá para a cozinha. Depois conversaremos sobre o que acabou de dizer.

A mulher se afastou resmungando.

Sofia virou-se para Dante. Ele continuava olhando para o colo, como se não quisesse que ninguém visse seus olhos molhados.

— Você tá triste? — perguntou ela.

— Não.

— Sua cara tá dizendo que sim.

Dante tentou responder, mas a voz falhou.

— Eu era diferente antes.

Sofia pensou um pouco.

— Eu também. Antes eu era bebê. Fazia cocô na fralda.

Rafael engasgou com o próprio ar.

Dante ergueu o rosto, surpreso.

— Isso não é a mesma coisa.

— Claro que não. Você é grande. Sua fralda ia custar muito caro.

Dante soltou uma risada involuntária. Logo depois, uma lágrima escorreu pelo rosto dele.

Sofia não fez piada. Aproximou-se e encostou a mãozinha no braço do homem.

— Minha mamãe fala que ninguém pode tratar a gente como lixo.

Dante engoliu em seco.

— Sua mãe parece inteligente.

— É a pessoa mais inteligente do mundo. Só perde pra mim quando eu faço conta de bala.

Ele soltou outra risada, agora mais suave.

Sofia ajeitou o chapéu na cabeça dele.

— Você não precisa andar pra tomar sol. Nem pra olhar as flores. Nem pra ficar comigo.

Dante levou alguns segundos para conseguir falar.

— Por que você me defende tanto, pequena?

Ela olhou para a fonte. Queria dizer porque você é meu papai. Mas aquela palavra ficou guardada no mesmo lugar onde escondia seus planos.

— Porque você é meu paciente — respondeu. — E ninguém merece ficar sozinho.

Dante estendeu a mão. Sofia a segurou sem hesitar.

Ficaram um tempo olhando a água. Rafael se afastou alguns passos, respeitando o silêncio.

Na hora de voltar, Dante surpreendeu a todos.

— Podemos ficar mais cinco minutos?

Sofia abriu um sorriso enorme.

— Pode. Mas amanhã você vem sem reclamar.

— Não prometo milagres.

— Então vou trazer o chapéu de festa junina.

Dante ergueu as duas mãos em rendição.

— Está bem! Eu venho!

Beatriz observou a cena da varanda. Pela primeira vez desde o acidente, seu filho parecia estar esperando alguma coisa do dia seguinte.

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