"Como Treinar Seu Papai Mafioso" Capítulo 1 — A Cuidadora de Três Anos
O sexto cuidador saiu da mansão Montenegro correndo, com a gravata torta e a dignidade em pedaços.
Atrás dele, um copo de remédio atingiu a parede de mármore. O líquido escorreu sobre um quadro caríssimo.
— Eu não preciso de babá! — rugiu Dante Montenegro.
O homem mais temido de certos círculos de São Paulo estava sentado numa cadeira de rodas preta, com detalhes dourados. Usava camisa social escura, relógio de luxo e a expressão de quem desejava demitir o planeta inteiro.
— Você precisa de alguém que o ajude — respondeu Beatriz, sua mãe, sem levantar a voz.
— Preciso que me deixem em paz.
— Você dispensou seis profissionais em quatro dias.
Beatriz apertou a ponte do nariz. Antes do acidente, seu filho já era impossível. Depois que perdera os movimentos das pernas, transformara a própria casa numa fortaleza de portas fechadas e ordens gritadas.
Havia onze meses que Dante não caminhava. Os médicos ainda investigavam possibilidades de recuperação, mas ele tinha parado de escutar qualquer palavra que começasse com esperança.
— Não vou contratar mais ninguém — anunciou Beatriz.
— Finalmente uma decisão inteligente.
— Vou encontrar alguém que não tenha medo de você.
Dante soltou uma gargalhada amarga.
— Boa sorte.
Na portaria, Rafael Costa olhava para uma visitante que mal alcançava sua cintura.
A menina usava um vestido rosa, tênis brancos e dois pequenos coques presos por laços. Abraçava um coelho de pelúcia de orelha torta e segurava um anúncio de emprego todo amassado.
— Onde está sua mãe, pequena? — perguntou o segurança.
— Trabalhando.
— E seu pai?
A menina estreitou os olhos.
— É por isso que eu vim.
Rafael piscou.
Ele olhou o anúncio. Depois olhou a menina. Depois olhou o anúncio novamente.
— Quantos anos você tem?
— Três e meio. O meio é importante.
— Você vai me deixar entrar ou vou ter que falar com seu chefe sobre seu atendimento?
Rafael, que enfrentara homens armados sem perder a calma, abriu o portão para evitar uma discussão com uma criança de três anos e meio.
Sofia Oliveira atravessou o jardim com passos decididos. Por dentro, porém, seu coração batia depressa.
Era ele. O homem da fotografia escondida na gaveta de sua mãe. O homem cujo nome Marina nunca pronunciava sem ficar triste.
Foi esse homem que fez a mamãe chorar tantas noites, pensou Sofia.
Ela apertou o coelho.
Dá vontade de dar um soco nele. Um socão!
Então lembrou da conta de luz sobre a mesa de casa e dos sapatos gastos de Marina.
Não. Primeiro vou ganhar o dinheiro dele. Vou comprar uma casa enorme pra mamãe. Depois, quando ficar rica, dou uma surra nele!
Sofia respirou fundo. Precisava parecer profissional.
Na sala de jantar, Beatriz discutia novamente com Dante quando uma voz fina interrompeu os dois.
— Boa tarde. Quem é o paciente malcriado?
Dante virou a cadeira.
Diante dele estava uma menina minúscula, com o queixo erguido e um papel amassado na mão.
— Rafael! — ele berrou. — Por que tem uma criança na minha sala?
— Ela disse que veio para a entrevista, senhor.
Beatriz ficou imóvel.
— Entrevista?
Sofia levantou o anúncio.
— Aqui diz que precisa de cuidadora paciente, corajosa e que saiba lidar com gente difícil. Eu sei. Cuido do meu coelho quando ele fica bravo.
Dante encarou Rafael como se o segurança tivesse perdido o juízo.
— Ficaram loucos? Uma criança vai cuidar de mim? Fora daqui!
Sofia não se moveu.
— Você grita muito. Isso faz mal pra garganta.
— Eu disse fora!
— E precisa comer verdura.
— RAFAEL!
A menina se aproximou da mesa de jantar. Dante bateu no braço da cadeira.
— Saia antes que eu perca a paciência!
Sofia colocou o coelho sobre uma cadeira, ergueu a mãozinha e deu um tapa na borda da mesa.
CRAC!
Uma rachadura fina atravessou a superfície de mármore, partindo de uma emenda antiga. Um pires tremeu. A colher de Dante caiu no prato.
O silêncio tomou conta da mansão.
Rafael abriu a boca. Beatriz segurou o encosto de uma cadeira. Dante ficou de olhos arregalados, encarando a rachadura e depois a mão minúscula.
— O que... foi isso? — murmurou ele.
Sofia alisou o vestido, muito satisfeita. Nem ela sabia que aquela mesa estava tão fácil de quebrar.
— Primeira regra — anunciou. — Nada de gritaria na hora do almoço.
Dante continuava de boca aberta.
A menina apontou para o prato quase intocado diante dele.
— Abre a boca! Se não comer, vai ficar de castigo!
Ele arregalou ainda mais os olhos. Sofia pegou a colher, colocou arroz e feijão nela e a aproximou dos lábios dele.
— Come!
Por puro espanto, Dante fechou a boca sobre a colher.
Mastigou.
Engoliu.
Rafael se virou para a janela. Seus ombros tremiam. Beatriz levou a mão ao peito, sem acreditar no que acabara de presenciar.
O filho que havia jogado três bandejas no chão naquela semana acabara de comer porque uma menina de três anos mandara.
— Muito bem — elogiou Sofia. — Viu como você consegue?
Dante finalmente recuperou a voz.
— Eu não autorizei isso!
— Mas comeu. Agora falta o brócolis.
— Não gosto de brócolis.
— Meu coelho também não gosta de tomar banho. Mesmo assim, toma.
— Eu não sou um coelho!
— Então pare de fazer birra.
Beatriz soltou uma risada tão inesperada que precisou se apoiar na mesa. Havia meses que aquela casa não ouvia um som parecido.
Dante olhou para a mãe, ofendido.
Sofia tirou do bolso um caderninho com adesivos de estrelas.
— Se você comer tudo, ganha uma estrela.
Rafael tossiu para esconder outra gargalhada.
Dante apontou para a porta.
— Acabou. A brincadeira acabou.
Sofia cruzou os braços.
— Então eu vou cobrar hora extra por mau humor.
Beatriz inclinou a cabeça.
— Quanto você quer ganhar, querida?
A pergunta fez Sofia esquecer por um instante sua pose de chefe. Ela pensou na mãe contando moedas para comprar pão e na geladeira que fazia um barulho esquisito.
— O bastante pra mamãe não precisar chorar por causa das contas — respondeu baixinho.
Beatriz deixou de sorrir. Dante também ficou quieto, embora fingisse examinar o prato.
— Você mora perto daqui? — perguntou a senhora.
— Moro com a mamãe. Ela trabalha muito. Eu vim sozinha porque sou independente.
Rafael ergueu a mão.
— Faça isso — ordenou Beatriz. — Uma criança não pode trabalhar como cuidadora. Mas pode ser nossa convidada enquanto encontramos a mãe dela.
Sofia franziu o nariz.
— Convidada não recebe salário.
— Podemos conversar com sua mãe sobre uma recompensa pela visita — disse Beatriz, divertindo-se.
Dante protestou:
— Vocês não vão deixar essa pestinha ficar aqui!
Sofia já havia pegado outra colherada.
— Abre a boca, senhor mau humor.
Dante tentou fechar os lábios, mas ela o encarou com tamanha autoridade que ele se viu mastigando mais um pouco de arroz.
Beatriz ergueu o queixo como uma rainha anunciando um decreto.
— Está decidido. Sofia está contratada como supervisora honorária do bom comportamento de Dante, desde que a mãe autorize as visitas!
— MÃE!
— Contratada! — repetiu Beatriz.
Sofia levantou os dois braços.
— Oba! Meu primeiro paciente!
Dante olhou a rachadura na mesa, depois a menina e, por fim, a colher que vinha em sua direção.
Pela primeira vez em onze meses, o homem mais temido da mansão não sabia se devia gritar, fugir ou simplesmente abrir a boca.
— Come! — ordenou Sofia outra vez.
E Dante Montenegro obedeceu.
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 5
Papai bilionário do bebê
Uma noite de amor que jamais seria esquecida. Ela dormiu com um bilionário. Apenas Jessica não sabia disso na época, outra coisa que ela não sabia é que, ao sair daquele apartamento de luxo, ela carregaria o herdeiro de uma empresa multibilionária.Moderno08 10 -
TerminadoCapítulo 4
Paixão e Domínio: Ex-esposa do CEO
Tudo o que pode levar é um escândalo para despedaçar uma história de amor de 15 anos. Conheça os Barnes. Angelina (Angel) e James Buchanan Barnes IV (Bucky). Seu romance antes de conto de fadas foi destruído. Mas quando a verdade vier à tona, eles serão capazes de reparar o estrago ou estará tão danificado que não poderá ser consertado?Moderno08 11 -
TerminadoCapítulo 2
Depois do falecimento do meu marido, eu enfrentei a amante com astúcia
Meu marido Joaquim sofreu um acidente de carro, ficou gravemente ferido e à beira da morte. O médico disse que salvá-lo teria pouco significado, então me preparei psicologicamente. Eu estava bem preparada e fiz um gesto com a mão: "Não vou dar mais problemas ao hospital, desistindo do tratamento." Obtive o atestado de óbito, encerrei a conta, levei-o ao crematório e, após seis horas, ele se tornou um monte de cinzas. Eu bato na urna de cinzas e digo: "Joaquim, oh Joaquim, você realmente era uma boa pessoa!" Joaquim tinha uma fortuna, partiu jovem e não deixou testamento. Recebi dois terços de toda a herança. Existe alguém mais atencioso do que Joaquim?Moderno08 4