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"O Homem Que Impediu Uma Menina de Comer Picanha… E Revelou o Segredo da Churrascaria!" Capítulo 4 — A Garçonete Que Não Se Calou

正文开头

— GUARDE ESSE PENDRIVE, PAULA.

A ordem de Renato saiu antes que André desse outro passo. Paula fechou a mão ao redor do dispositivo e recuou para perto de Helena.

Eduardo forçou um sorriso.

— Renato, você ainda está aqui? O restaurante já fechou.

— E o senhor André veio fazer o quê depois do expediente?

André ajeitou o paletó.

— Visitar um possível investimento. Não sabia que isso era proibido.

— Não é — respondeu Helena. — Mas seria interessante saber por que o diretor-geral não informou os demais sócios sobre novas negociações.

Eduardo ficou vermelho.

— Não existe negociação concluída.

— Então não terá dificuldade em apresentar as comunicações pertinentes — disse ela.

André olhou para Paula.

— Você parece nervosa. Está tudo bem?

— Está — respondeu ela, embora suas mãos tremessem.

Renato percebeu que aquela conversa poderia terminar em acusações sem provas. Pediu a Helena que formalizasse a entrega dos documentos e orientou Paula a não discutir o conteúdo naquela noite.

— Amanhã continuaremos — declarou.

André inclinou a cabeça.

— Espero que esteja cuidando do coração, chef. Estresse demais não combina com sua idade.

Renato sustentou o olhar.

— Nem ameaças disfarçadas combinam com bons negócios.

O sorriso de André desapareceu.

Na manhã seguinte, Marina chegou ao Água Verde depois de quase não dormir. Sofia estava na casa de uma vizinha de confiança, enquanto a mãe procurava orientação sobre a demissão.

A mensagem ameaçadora continuava no celular. Marina já havia registrado o ocorrido e guardado uma cópia. Mesmo assim, cada motocicleta que passava pela rua fazia seu coração acelerar.

Quando o telefone tocou, ela quase o deixou cair.

Era Verônica Sampaio.

— Marina, precisamos conversar sobre sua situação na empresa.

— Minha demissão?

— Talvez possamos resolver tudo sem advogados. Venha à Santa Brasa às três. Sozinha.

Marina hesitou.

— Prefiro tratar por escrito.

Verônica soltou uma risada fria.

— Então não reclame quando descobrir que perdeu sua última oportunidade.

A ligação terminou. Marina respirou fundo e encaminhou o registro para Helena. A advogada respondeu que poderia acompanhá-la à reunião.

Às três da tarde, Marina entrou no restaurante pela porta principal. Vestia uma blusa azul simples, calça preta e sapatos baixos. Não estava ali para implorar pelo emprego.

Helena caminhava ao seu lado.

Verônica as esperava perto de uma mesa preparada para convidados. Ao ver a advogada, apertou os lábios.

— Eu pedi que viesse sozinha.

— E eu decidi não vir — respondeu Marina.

Verônica soltou uma risada curta.

— Desde quando uma garçonete tem coragem de me desafiar?

Helena se apresentou e perguntou qual era o objetivo da reunião. Verônica respondeu que queria oferecer uma saída amigável, mas não mostrou qualquer proposta escrita.

— Basta reconhecer que exagerou no episódio da picanha — disse Verônica. — Meu marido pode reconsiderar a dispensa.

Marina ergueu o queixo.

— Eu não exagerei. Havia metal no prato da minha filha.

正文1

— Você está sendo ingrata. Eduardo lhe deu emprego por quase três anos.

— Eu trabalhei por quase três anos. Não recebi favor.

O rosto de Verônica endureceu.

Na mesa ao lado havia uma taça de vinho tinto. Verônica a pegou, aproximou-se de Marina e, num movimento deliberado, virou o líquido sobre o piso claro.

O vinho se espalhou até tocar a ponta dos sapatos da garçonete.

— Já que gosta tanto de trabalhar, limpe.

Marina ficou imóvel.

Dois clientes próximos se viraram. Um funcionário interrompeu a arrumação de talheres.

— Dona Verônica, há uma equipe de limpeza — respondeu Marina.

— Eu mandei você limpar.

— Não estou de serviço. E mesmo que estivesse, não mereceria ser tratada assim.

Verônica apontou para o chão.

— Ajoelhe-se e faça o que estou mandando!

O salão ficou em silêncio.

Marina sentiu o rosto arder. Durante anos, engolira insultos para não perder o emprego. Pensou em Sofia, que a observava todas as manhãs vestir o uniforme com orgulho.

— Não vou me ajoelhar para satisfazer sua crueldade.

Verônica avançou um passo.

— Você se acha importante porque Renato Azevedo olhou duas vezes para você?

Marina respirou fundo.

— Ele me tratou com respeito. Isso não deveria ser extraordinário.

— Uma mulher como você deveria saber seu lugar!

— E qual seria esse lugar? — perguntou uma voz atrás delas.

Renato estava na entrada do salão. Trazia uma pasta de documentos e caminhava ao lado de Marcelo. Seus olhos foram do vinho derramado para o rosto de Marina.

Verônica mudou de expressão.

— Chef Renato! Estávamos apenas resolvendo um pequeno desentendimento.

— Ouvi a senhora ordenar que Marina se ajoelhasse.

— Foi uma brincadeira.

Renato olhou para os funcionários que haviam parado de trabalhar.

— Alguém aqui achou engraçado?

Ninguém respondeu.

Verônica apertou a bolsa contra o corpo.

— Não precisa fazer uma cena.

— A cena começou quando a senhora tentou humilhar outra pessoa.

Marina tocou discretamente o braço de Renato.

— Eu consigo me defender.

Ele se voltou para ela.

— Eu sei. E ouvi você fazer isso.

A resposta surpreendeu Marina. Renato não tentava falar por ela. Apenas se recusava a fingir que a violência não existira.

Helena pediu que a ocorrência fosse registrada e que o vídeo de segurança fosse preservado. Verônica protestou, mas a advogada manteve a voz calma.

— Não estamos discutindo impressões. Estamos documentando o que aconteceu.

Eduardo apareceu ao ouvir a movimentação.

— O que houve agora?

Verônica correu até o marido.

— Essa mulher está me acusando de coisas absurdas!

Marina apontou para o vinho no chão.

— Sua esposa derramou a bebida de propósito e exigiu que eu me ajoelhasse.

Eduardo olhou para o piso.

— Marina, você está interpretando tudo da pior maneira.

Renato abriu a pasta.

— O vídeo vai esclarecer. E a demissão dela será analisada pelos canais adequados.

Eduardo se aproximou.

正文2

— Está obcecado por essa garçonete?

Renato manteve a voz firme.

— Estou preocupado com a forma como você administra pessoas e riscos.

Verônica lançou um olhar venenoso para Marina.

— Você vai se arrepender de ter provocado minha família.

Marina sentiu um arrepio, mas não recuou.

— Não fui eu quem começou isso.

Quando os dois se afastaram, Marcelo se aproximou de Renato. Tinha encontrado um registro de manutenção que contrariava a versão apresentada por Eduardo.

— Chef, a pinça do lote suspeito foi marcada como substituída há dez dias.

— Mas estava na gaveta ontem — respondeu Renato.

— Exatamente. Alguém registrou uma troca que não aconteceu, ou devolveu a peça ao uso.

Helena pediu cópia do registro e identificação de quem o alterara. Marcelo informou que o acesso ao sistema era compartilhado entre administração e compras.

— Isso ainda não identifica o responsável — observou ela.

Renato concordou. Não queria transformar suspeitas em condenações precipitadas.

No estacionamento, Marina finalmente soltou o ar. Renato a acompanhou até a saída, mantendo uma distância discreta.

— Você foi corajosa — disse ele.

— Eu estava com medo.

— Coragem não significa ausência de medo.

Marina sorriu de leve.

— Sofia diz que eu sou forte porque consigo abrir potes de conserva.

Renato riu. Era um som raro, que pareceu surpreender até ele.

— Ela tem bons critérios.

Marina olhou para o rosto dele, agora menos severo. Percebeu o cansaço em seus olhos.

— O senhor precisa descansar também.

— Estou tentando aprender.

Por alguns segundos, nenhum dos dois falou. Havia algo novo naquele silêncio, uma confiança ainda frágil, mas real.

Então o celular de Marina vibrou.

A mensagem vinha de outro número desconhecido. Havia uma fotografia de Sofia saindo da escola, com a mochila rosa nas costas.

Abaixo, uma única frase:

“Da próxima vez, Renato não estará lá para protegê-la.”

Marina soltou um grito abafado.

Renato viu a imagem e sentiu o sangue gelar.

A fotografia havia sido tirada naquela mesma tarde.

E Sofia ainda não tinha chegado à casa da vizinha.

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