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"O Homem Que Impediu Uma Menina de Comer Picanha… E Revelou o Segredo da Churrascaria!" Capítulo 3 — Alguém Quer Destruir o Santa Brasa

正文开头

— NÃO MOSTRE ESSA MENSAGEM À SOFIA.

Renato falou baixo, mas Marina percebeu a gravidade em sua voz. Ela segurava o celular com as duas mãos. As letras pareciam se mover diante de seus olhos.

— Quem faria uma coisa dessas?

— Ainda não sabemos. Guarde a mensagem e não responda.

Sofia esperava junto à recepção com Diego. Marina olhou pela porta de vidro para verificar se a menina continuava ali. Quando a viu sorrindo para o garçom, conseguiu respirar.

— Eu só queria levá-la para almoçar — murmurou.

Renato não ofereceu promessas impossíveis.

— Vamos registrar a ameaça. Você não precisa enfrentar isso sozinha.

Helena Prado chegou vinte minutos depois. Trazia uma pasta preta e o olhar de quem estava acostumada a ouvir mentiras cuidadosamente preparadas.

— Mostrem tudo desde o início — pediu.

Renato apresentou as fotografias, a mensagem e o relato de Marcelo. Helena anotou horários e nomes, depois solicitou formalmente a preservação dos registros e do material contaminado.

— A investigação sanitária precisa seguir seus próprios procedimentos — explicou. — E a ameaça contra Marina deve ser comunicada à polícia.

Eduardo entrou sem bater.

— Vocês estão transformando um acidente em espetáculo.

Helena ergueu os olhos.

— Sou Helena Prado, representante legal do sócio Renato Azevedo. Solicito acesso aos documentos previstos no acordo societário.

— Ele não tem autoridade operacional.

— Não estamos reivindicando isso. Estamos exercendo direitos de fiscalização diante de risco material ao negócio.

Eduardo ficou calado por alguns segundos.

— Vou consultar o jurídico.

— Faça isso — respondeu Helena. — E preserve imediatamente as imagens das câmeras.

Paula Mendes apareceu na porta com uma pasta digital. Era a responsável por compras e operação. Seus olhos procuraram Eduardo antes de encontrar Renato.

— Posso apresentar as notas fiscais.

— Paula! — interrompeu Eduardo.

Ela endireitou os ombros.

— São documentos da empresa. Não temos motivo para escondê-los.

Renato observou o rosto da mulher. Paula parecia assustada, mas também cansada de guardar alguma coisa.

No computador, os pedidos da SulChef começaram oito meses antes. Pinças, espetos, grelhas e peças de reposição haviam substituído marcas usadas pela Santa Brasa durante anos.

— Os preços caíram quase trinta por cento — disse Paula.

Marcelo cruzou os braços.

— E os defeitos aumentaram.

Helena abriu o histórico de ocorrências.

— Onze reclamações internas relacionadas a equipamentos.

Renato encarou Eduardo.

— Onze? Você me disse que havia apenas pequenos incidentes.

— Nenhum relatório provou sabotagem — respondeu o gerente.

— Ninguém falou em sabotagem como fato comprovado — corrigiu Helena. — Estamos tentando determinar a origem dos riscos.

Paula abriu uma nota fiscal.

— A empresa fica em São José dos Pinhais. Eu fiz três cotações antes de contratar.

— Quem indicou o fornecedor? — perguntou Renato.

Ela hesitou.

— Eduardo me passou o contato.

O gerente bateu a mão na mesa.

— Porque um consultor recomendou a empresa! Isso não é crime.

正文1

— Qual consultor? — perguntou Helena.

Eduardo demorou a responder.

— André Lacerda.

Renato conhecia aquele nome. Dois anos antes, André representara o Grupo Vértice numa tentativa de comprar a Santa Brasa. Os sócios rejeitaram a proposta porque o valor oferecido era muito baixo.

— André ainda trabalha para a Vértice?

— Não sei de todos os clientes dele — respondeu Eduardo.

Renato percebeu a evasiva. Não era prova de irregularidade, mas bastava para ampliar a verificação.

A equipe municipal de Vigilância Sanitária recebeu uma comunicação formal. Até a inspeção, os utensílios do lote suspeito foram retirados de uso e a estação de preparo afetada permaneceu suspensa.

No salão, alguns clientes reclamavam da demora. Outros já tinham ido embora. Eduardo culpava Renato pelas mesas vazias, mas evitava falar da criança que quase recebera a carne contaminada.

Marina sentou-se ao lado de Sofia.

— Vamos para casa, filha.

— Você está triste por causa do trabalho?

Marina tentou sorrir.

— Estou preocupada, só isso.

— Foi minha culpa porque pedi picanha?

A pergunta cortou seu coração.

— Nunca diga isso, Sofia. Você não fez nada errado.

Sofia abraçou a mãe.

— Quando eu crescer, vou comprar uma churrascaria para você.

Marina riu entre lágrimas.

— Não precisa comprar nada. Só quero que seja feliz.

Renato ouviu a conversa ao se aproximar. Lembrou-se de sua própria infância, quando a mãe dividia um prato de arroz e feijão para alimentar três filhos.

— Posso conversar com sua mãe um instante, Sofia?

A menina assentiu e voltou a desenhar com Diego.

Renato se sentou a uma distância respeitosa.

— Helena vai orientar você sobre a ameaça e a demissão. Não aceite assinar nada sem ler com cuidado.

— O senhor está fazendo muito por nós.

— Estou fazendo o que deveria ter sido feito antes.

Marina ergueu o rosto.

— O senhor não sabe quem eu sou.

— Sei que se recusou a mentir quando seu emprego estava em risco.

Ela ficou em silêncio. Depois contou sobre a separação, a criação de Sofia e as jornadas dobradas que aceitava para pagar as despesas.

Renato não a interrompeu.

— Não quero caridade — acrescentou Marina. — Só quero trabalhar e criar minha filha com dignidade.

— Então vamos defender seu direito de fazer exatamente isso.

Por um instante, o barulho do restaurante desapareceu. Marina percebeu que Renato não a olhava com pena. Ele parecia enxergar nela uma força que ela própria havia esquecido.

Diego se aproximou discretamente.

— Senhor Renato, lembrei de uma coisa.

— Diga.

— Na semana passada, vi um homem de terno azul conversando com Eduardo no estacionamento. Ontem ele voltou, depois do fechamento.

— Você reconheceria esse homem?

— Acho que sim.

Marcelo mostrou uma fotografia antiga de um evento empresarial. Eduardo aparecia ao lado de André Lacerda.

Diego apontou imediatamente.

— É ele.

Helena examinou a imagem.

— Isso demonstra contato entre os dois, não participação em crime. Precisamos de registros verificáveis.

Renato concordou. Pediu que Diego anotasse as datas aproximadas e não discutisse o assunto com outros funcionários.

Na cozinha, Jéssica encontrou uma etiqueta rasgada perto da porta de serviço. O número correspondia ao lote fotografado por Renato. A caixa continuava desaparecida.

— Alguém levou isso enquanto estávamos no escritório — disse Marcelo.

Helena pediu que ninguém tocasse na etiqueta antes de documentá-la. A porta externa dava para uma área de carga compartilhada, onde câmeras poderiam ter registrado a movimentação.

À noite, após a inspeção inicial, Paula procurou Renato no salão vazio. Carregava um envelope pardo.

— Preciso mostrar uma coisa antes que Eduardo descubra.

Dentro havia três propostas de compra do Grupo Vértice. A mais recente apresentava um valor quase quarenta por cento inferior à avaliação anterior da Santa Brasa.

Renato franziu a testa.

— A justificativa menciona riscos operacionais emergentes.

— E foi redigida antes do primeiro incidente entrar no sistema — respondeu Paula.

Helena examinou as datas.

— Precisamos confirmar quando essas informações foram conhecidas e por quem.

Paula apertou o envelope.

— Tenho medo de que coloquem toda a culpa em mim. Fui eu quem aprovou a SulChef.

Renato perguntou quem autorizara a contratação final.

— Eduardo. Eu tenho as mensagens.

Ela tirou um pequeno pendrive da bolsa.

— Guardei cópias dos arquivos de compras e de uma reunião que ele mandou apagar do servidor.

Antes que pudesse entregá-lo, a porta principal se abriu.

Eduardo entrou no salão vazio, acompanhado de um homem alto, de barba curta e terno azul.

Paula parou de respirar.

Renato reconheceu o rosto da fotografia.

André Lacerda sorriu, olhando diretamente para o pendrive.

— Parece que chegamos na hora certa.

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