"O Bilionário Se Levantou… E a Ex Entrou em Pânico!" Capítulo 5 — A Mulher de Vermelho Voltou
— Uma pessoa da família Montenegro? — Marina repetiu, sentando-se ao lado da mãe.
Rosa apertou a fotografia. A luz da cozinha revelava o medo que tentara esconder durante oito meses.
— Eu não vi o rosto direito. O carro tinha vidros escuros. Ouvi Marcelo chamar alguém de doutor Ricardo.
Marina ficou imóvel.
— O irmão de Dante?
— Eu não sabia quem ele era. Só descobri depois do acidente, quando vi uma reportagem na televisão.
Rosa contou que trabalhava num restaurante próximo à oficina. Na véspera da colisão, saíra para levar uma marmita ao mecânico que costumava almoçar ali.
— Marcelo discutia com o dono. Falavam de uma peça que precisava ser trocada antes da manhã seguinte. Quando perceberam que eu estava perto, ficaram calados.
— Por que não procurou a polícia?
— Dois dias depois, um homem apareceu no restaurante. Disse que sabia onde você estudava e a hora em que voltava para casa.
Marina segurou as mãos da mãe.
— A senhora tentou me proteger.
— E talvez tenha ajudado aqueles homens a continuarem livres.
— Ainda podemos contar a verdade.
Rosa sacudiu a cabeça.
— Não enquanto eles puderem chegar até você.
Na manhã seguinte, Marina pediu uma reunião com Augusto Ribeiro. Não contou nada pelo telefone. Levou a fotografia num envelope e encontrou o advogado na recepção da Montenegro Participações.
Augusto examinou a data e o rosto de Marcelo.
— Esta imagem pode ajudar a estabelecer a presença dele na oficina. Mas precisamos do depoimento de sua mãe e de outras provas.
— Ela está apavorada.
— Então não vamos pressioná-la. Podemos pedir proteção e conversar com a delegada responsável.
Dante chegou apoiado numa bengala. Havia acabado de sair da fisioterapia e parecia cansado.
— Marina? Aconteceu alguma coisa?
Ela hesitou. Não queria transformar a mãe numa peça de uma disputa empresarial.
— Minha mãe talvez tenha visto Marcelo perto da oficina antes do acidente.
Dante olhou para Augusto. Depois voltou a atenção para Marina.
— Ela está segura?
A pergunta desarmou Marina. Ele não exigira primeiro o nome do culpado nem o conteúdo do depoimento.
— Está em casa. Mas tem medo.
— Vamos respeitar o tempo dela — respondeu Dante. — E tomar medidas para que ninguém a ameace.
Antes que continuassem, Patrícia apareceu à porta.
— Desculpem interromper. Verônica Albuquerque está na recepção. Disse que só sai depois de falar com o senhor.
Dante fechou os olhos por um segundo.
— Diga que não vou recebê-la.
— Ela já começou a fazer uma cena.
No saguão, Verônica usava um vestido vermelho ajustado e óculos escuros enormes. Dois funcionários tentavam convencê-la a baixar a voz.
— Quero falar com Dante! Tenho esse direito!
Quando o viu, tirou os óculos e assumiu uma expressão sofrida.
— Meu amor, finalmente. Precisamos conversar sozinhos.
— Não me chame assim — respondeu ele.
Verônica aproximou-se, estendendo as mãos.
— Eu errei. Fiquei assustada com o acidente. Não soube lidar com a situação. Você sabe como a imprensa me pressionou.
Dante não se moveu.
— Você terminou nosso noivado por um bilhete entregue pelo motorista.
— Eu estava confusa!
— Na festa, você não parecia confusa.
Alguns funcionários fingiam trabalhar, mas ninguém conseguia ignorar a discussão.
Verônica percebeu Marina junto à porta e mudou de expressão.
— Agora entendo. É por causa dessa garçonete?
— Marina trabalha aqui — disse Dante.
— Claro que trabalha. Que coincidência conveniente! Ela oferece um copo d'água e consegue entrar numa empresa milionária.
Marina deu um passo à frente.
— Passei pelo processo seletivo. Se quiser, posso mostrar minhas qualificações.
— Não finja que não sabe o que está fazendo. Mulheres como você sempre procuram um homem rico para resolver a vida.
Marina respirou fundo.
— Eu trabalho para viver. Não preciso vender meu amor para sobreviver.
Um segurança virou o rosto para esconder o sorriso. Verônica ficou vermelha.
— Você está me insultando?
— Estou respondendo à senhora.
Dante posicionou-se ao lado de Marina.
— A conversa terminou, Verônica. Você não vai desrespeitar minha equipe.
— Sua equipe? — Ela riu com amargura. — Já está defendendo essa mulher como se fosse sua esposa!
— Não preciso ser casado com alguém para exigir respeito.
Verônica abriu a bolsa com violência e retirou uma fotografia impressa.
— Então talvez você deva descobrir quem está defendendo.
Ela ergueu a imagem diante dos funcionários. Marina reconheceu a oficina e sentiu o estômago afundar.
— Esta é a mãe dela — anunciou Verônica. — A mulher que estava perto do mecânico que mexeu no seu carro.
Dante tomou a fotografia, sem permitir que Verônica continuasse exibindo Rosa como uma criminosa.
— De onde conseguiu isso?
— Tenho meus contatos.
— Você estava investigando a mãe de Marina?
Verônica hesitou. Pela primeira vez, percebeu que a acusação poderia voltar contra ela.
— Só estou tentando proteger você.
— Não. Está tentando assustá-la.
Ele entregou a imagem a Augusto, que já se aproximara.
— Guarde isso. Precisamos saber quem fez a cópia.
Verônica recuou.
— Você vai se arrepender de confiar nela.
— Já me arrependi de confiar em você — respondeu Dante.
O segurança acompanhou Verônica até a saída. O salto dela batia no mármore como pequenos golpes.
Marina ficou imóvel, observando os colegas que haviam presenciado a humilhação.
— Sinto muito por trazer minha família para isso — disse.
Dante negou com a cabeça.
— Quem trouxe sua família para isso foi quem mandou investigar sua mãe.
Augusto recebeu uma mensagem e franziu a testa.
— A fotografia publicada por Verônica foi enviada de um número registrado em nome de uma empresa de Marcelo.
Marina encarou Dante.
— Então eles sabem que minha mãe viu alguma coisa.
Enquanto esperavam notícias de Rosa, Augusto mostrou a Dante uma segunda cópia da fotografia. Havia uma diferença: a imagem de Verônica estava recortada exatamente no ponto em que aparecia o carro preto.
— Ela não queria mostrar o contexto — observou o advogado. — Queria que todos olhassem apenas para dona Rosa.
Dante pediu que preservassem as duas versões. Um detalhe pequeno podia explicar quem tivera acesso ao arquivo original.
Marina sentou-se na sala de espera. O uniforme social parecia apertado demais, embora fosse o mesmo de sempre. Pensou na mãe preparando café, fechando as janelas e fingindo que não estava com medo.
— Eu devia ter insistido para ela sair de casa ontem — murmurou.
— Não podia prever tudo — respondeu Dante. — Mas podemos decidir o que fazer agora.
Patrícia apareceu com um copo de água e perguntou se Marina queria avisar a equipe sobre sua ausência.
— Diga apenas que tenho uma emergência familiar. Não quero que o escritório inteiro discuta minha mãe.
— Pode deixar — respondeu Patrícia.
No elevador, Verônica ligou para Marcelo pela terceira vez. Ele finalmente atendeu.
— Você enlouqueceu? — sibilou. — Por que mostrou aquela fotografia no saguão?
— Porque Dante estava defendendo a garçonete na frente de todos!
— Você devia manter a boca fechada.
Verônica apertou o telefone.
— Não fale comigo desse jeito. Eu sei o que vocês fizeram.
A ligação ficou muda por um instante.
— Então lembre-se de que você também estava lá — disse Marcelo, antes de desligar.
Verônica olhou para o reflexo no espelho do elevador. Pela primeira vez naquela manhã, o batom perfeito não conseguiu esconder seu medo.
Na sala de segurança, Dante autorizou o registro formal de todas as ameaças recebidas pela família Oliveira. Não prometeu resultados impossíveis; pediu procedimentos concretos.
Augusto anotou os horários, os nomes das testemunhas e o número do telefone de Rosa.
— Se a polícia localizar o homem, poderemos relacioná-lo à tentativa de intimidação — explicou.
Dante respirou fundo. Naquela manhã, entendera que sua recuperação não encerrara o acidente. Apenas lhe dera forças para enfrentar o que ainda estava escondido.
Antes que ele respondesse, seu celular tocou. Era Rosa, chorando.
— Filha, tem um carro parado aqui desde cedo. Um homem acabou de bater na porta.
Marina agarrou o telefone.
— Não abra, mãe!
Do outro lado, uma voz masculina interrompeu a ligação.
— Dona Rosa, precisamos conversar sobre aquela fotografia.
A chamada caiu.
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