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"O Bilionário Se Levantou… E a Ex Entrou em Pânico!" Capítulo 4 — A Garçonete Que Ele Não Conseguiu Esquecer

正文开头

— Quem encontrou você, mãe?

Marina segurou os ombros de Dona Rosa. A sopa esfriava sobre o fogão, mas nenhuma das duas pensava em jantar.

Rosa desviou o olhar para a janela da cozinha.

— Gente que não aceita perguntas.

— Isso não é resposta. Recebi uma ameaça dizendo que você seria a próxima. Próxima de quem?

A mãe sentou-se devagar. Suas mãos, marcadas por anos de trabalho, tremiam sobre a mesa.

— Há coisas que eu devia ter contado antes. Mas não quero que você pague pelos meus erros.

Marina se ajoelhou diante dela.

— O erro agora seria esconder alguma coisa de mim.

Rosa abriu a boca. Nesse momento, um carro parou do outro lado da rua. Os faróis atravessaram a cortina. Ela se levantou de repente e apagou a luz da cozinha.

— Mãe, o que está fazendo?

— Não fica perto da janela.

O carro partiu depois de alguns segundos. Marina anotou parte da placa, que conseguiu enxergar pela fresta. Depois ligou para a polícia e registrou a ameaça recebida.

Na manhã seguinte, mostrou a mensagem a Augusto Ribeiro. Ele recomendou preservar o celular e encaminhou as informações à delegada Camila Nogueira, que já avaliava os documentos relacionados ao acidente.

— Sua mãe precisa prestar depoimento — explicou Augusto.

— Ela está apavorada.

— Eu sei. Mas não vamos deixá-la enfrentar isso sozinha.

Marina hesitou antes de perguntar:

— O senhor acredita que Dante está mesmo em perigo?

— Alguém mexeu no carro dele. Não há como tratar isso como fofoca de salão.

Na mesma tarde, Marina compareceu a uma seleção na sede do Grupo Montenegro. Não contara a Dante que iria. Queria conquistar a vaga sem ser reconhecida como a garçonete da festa.

A recrutadora, Patrícia, analisou seu currículo.

— Você cursou administração por três semestres?

— Precisei interromper para trabalhar. Mas fiz cursos de gestão de projetos e coordenei campanhas de arrecadação no meu bairro.

— E por que deseja entrar na área social?

— Porque sei como é precisar de ajuda e descobrir que o formulário foi feito por alguém que nunca precisou dela.

Patrícia levantou os olhos, interessada.

— Dê um exemplo.

Marina descreveu uma campanha de cestas básicas que quase fracassara porque os horários de entrega impediam mães trabalhadoras de comparecer. Ela reorganizara o sistema com pontos de retirada e voluntários locais.

— Quantas famílias foram atendidas?

— Oitenta e seis, durante quatro meses. Tenho os registros e os contatos dos parceiros.

Ao fim da entrevista, Patrícia agradeceu. Dois dias depois, Marina recebeu uma ligação: fora aprovada para a vaga de assistente de projetos, com contrato regular e salário definido pela tabela interna.

Marina releu a proposta três vezes. Depois correu para contar à mãe.

— Você conseguiu, filha? — Rosa perguntou, emocionada.

— Consegui. E ninguém precisou me dar nada de presente.

Rosa sorriu, mas o medo ainda morava em seus olhos.

正文1

Na segunda-feira, Marina entrou no prédio da Faria Lima usando uma camisa azul simples e calça social. Passou a manhã conhecendo os projetos e os colegas. Só encontrou Dante quando saiu de uma reunião com Patrícia.

Ele parou ao vê-la.

— Marina Oliveira?

— Boa tarde, senhor Montenegro.

— Então você participou da seleção.

— Participei. Passei em duas entrevistas e numa prova prática.

Dante sorriu.

— Patrícia não facilita a vida de ninguém. Parabéns.

— Obrigada. Espero que continue assim.

Ele soltou uma risada breve. Marina percebeu que era a primeira vez que o via sorrir sem esforço.

Nos dias seguintes, trabalharam em reuniões sobre o programa de capacitação profissional. Dante fazia perguntas exigentes, e Marina não hesitava em discordar quando os números não correspondiam à realidade das famílias atendidas.

— O orçamento prevê transporte para vinte mulheres — disse ela numa reunião. — Mas o projeto quer matricular cinquenta. Quem não tiver dinheiro para a passagem vai desistir.

O diretor financeiro resmungou que o detalhe poderia ser resolvido depois.

Dante fechou a pasta.

— Não é detalhe. Revisem o orçamento.

Ao final, ele pediu que Marina ficasse alguns minutos.

— Você estava certa — disse.

— Eu sei. Trouxe os cálculos.

Dante ergueu uma sobrancelha.

— Nem um pouco modesta.

— Modéstia não paga passagem de ônibus.

Os dois riram. Por um instante, a sala pareceu menos fria.

Dante tentou levantar-se para alcançar um documento na estante. A perna esquerda falhou, e ele segurou a mesa. Marina se aproximou, mas parou antes de tocá-lo.

— Quer ajuda?

Ele respirou devagar.

— Pode pegar aquela pasta azul? Obrigado.

Ela entregou a pasta sem fazer perguntas. Dante sentou-se novamente, cansado.

— Ontem caminhei mais do que devia na fisioterapia — admitiu. — Ainda estou aprendendo meus limites.

— Imagino que seja frustrante.

— É. Principalmente quando todos esperam um milagre depois de me verem de pé naquela festa.

Marina puxou uma cadeira, mantendo uma distância respeitosa.

— Naquela noite, eu não fiquei impressionada porque você levantou. Fiquei impressionada porque não deixou aquela mulher decidir quem você era.

Dante ficou em silêncio. Havia ouvido elogios sobre coragem, riqueza e força. Nenhum tocara tão fundo.

— Passei muito tempo querendo provar que continuava sendo útil — confessou. — Até começar a acreditar que precisava provar isso o tempo todo.

— Você não precisa provar nada para quem só enxerga o que pode ganhar.

O telefone dele tocou. Era Henrique, lembrando uma consulta de acompanhamento. Dante agradeceu a Marina e saiu com passos cuidadosos, apoiando-se na bengala.

Antes de sair do prédio, Marina encontrou uma mensagem de Patrícia com a programação do mês. Havia visitas a centros comunitários, oficinas de currículo e encontros com mulheres que buscavam o primeiro emprego formal.

Marina ficou animada. Durante anos, ouvira promessas bonitas em campanhas que desapareciam assim que as fotografias terminavam.

Agora poderia ajudar a mudar os detalhes que impediam as pessoas de participar.

Na portaria, viu Dante entrar no carro com cuidado. Um segurança abriu a porta, mas ele pediu um instante para terminar uma ligação.

— Henrique, eu sei que preciso descansar — dizia. — Não vou abandonar o tratamento porque consegui atravessar um salão.

Marina seguiu adiante sem interromper. Gostou de saber que ele levava a recuperação a sério, mesmo quando ninguém estava observando.

O telefone dela vibrou com uma mensagem de Rosa: “Volta cedo, filha. Preciso conversar com você.”

Naquela noite, ela voltou à Vila Mariana e encontrou Rosa dormindo no sofá. A mãe deixara uma caixa de fotografias antigas sobre a mesa. Marina começou a guardá-las, até reconhecer uma fachada numa imagem amarelada.

Era a oficina de Vila Prudente mostrada nos documentos de Augusto.

Na fotografia, Rosa aparecia ao lado de uma colega, usando uniforme de restaurante. Atrás delas, um homem saía da oficina segurando uma pasta escura.

Marina aproximou a imagem da luminária. Reconheceu o rosto: Marcelo Ferraz.

No verso havia uma data, escrita à caneta.

Um dia antes do acidente de Dante.

— Mãe — chamou, acordando Rosa. — Por que você estava lá?

Rosa viu a fotografia e começou a chorar.

— Eu pensei que, se escondesse isso, eles esqueceriam de nós.

Marina sentiu o coração disparar.

— O que você viu naquela oficina?

Rosa apertou a fotografia contra o peito.

— Não foi só Marcelo, filha. Havia outra pessoa no carro. Uma pessoa da família Montenegro.

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