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"O Bilionário Se Levantou… E a Ex Entrou em Pânico!" Capítulo 3 — O Traidor Dentro da Família

正文开头

— Você não vai fazer acusações contra seu irmão com base em fotografias — disse Helena Montenegro.

A voz dela ecoou pelo escritório de Dante, na Avenida Faria Lima. Era a manhã seguinte à gala. Helena entrara sem esperar convite, seguida por Ricardo, que carregava uma pasta de couro.

Dante estava sentado atrás da mesa. A cadeira de rodas permanecia ao lado. Ainda sentia dores depois do esforço da noite anterior, mas não pretendia explicar sua condição a quem parecia mais preocupado com o escândalo do que com o acidente.

— Quem falou em acusação? — perguntou.

Ricardo colocou a pasta sobre a mesa.

— A imprensa já fala em sabotagem. Nossas ações estão caindo. Você precisa publicar uma nota negando essa história.

— Antes de a polícia investigar?

— Antes de destruir o sobrenome da nossa família.

Helena aproximou-se com um sorriso estudado.

— Dante, querido, você passou por um trauma. Talvez esteja confundindo coincidências com ameaças.

Ele observou o rosto dela. Durante a internação, Helena lhe levara flores, mas também insistira em documentos que transferiam poderes administrativos para Ricardo.

— Eu sei a diferença entre trauma e um comprovante bancário.

Ricardo perdeu a paciência.

— Você sempre acha que todos querem tomar o que é seu.

— E você sempre pergunta quando vou deixar de trabalhar.

Helena bateu levemente na mesa.

— Chega. Seu pai odiaria ver vocês assim.

A referência ao pai falecido fez Dante endurecer. Helena sabia usar aquela memória como ninguém.

— Meu pai também odiaria descobrir que alguém tentou matar um dos filhos — respondeu ele.

Ricardo ficou imóvel por um instante. Depois recolheu a pasta.

— Quando recuperar o bom senso, me procure.

Assim que os dois saíram, Augusto entrou pela porta lateral. Esperara no corredor a pedido de Dante.

— Ricardo ficou assustado — comentou o advogado.

— Assustado ou ofendido?

— Ainda não sabemos. A autorização bancária passou por um procurador. Precisamos provar quem deu a ordem.

Dante concordou. A pressa podia destruir a investigação.

Seu telefone tocou. Era o diretor do Hotel Palácio Imperial.

— Senhor Montenegro, houve um pequeno problema com a funcionária que o atendeu ontem.

— Que problema?

— Ela desrespeitou uma convidada importante. O contrato dela foi encerrado.

Dante fechou os olhos por um segundo.

— Está falando de Marina Oliveira?

— Sim. A senhorita Albuquerque apresentou uma reclamação formal.

— Marina entregou um copo d'água.

— A questão é mais delicada...

— Vou até aí.

No hotel, Marina esvaziava seu armário. Colocou duas presilhas, uma fotografia da mãe e um par de sapatos gastos numa sacola. O supervisor observava com os braços cruzados.

— Você quis bancar a heroína — disse ele. — Agora aguente.

— Eu não desrespeitei ninguém.

— Você constrangeu uma cliente que gasta mais numa noite do que você ganha em um ano.

Marina fechou a sacola.

— Então ela deveria ter dinheiro suficiente para comprar educação.

正文1

O supervisor abriu a boca, indignado.

— Repita isso!

— Não preciso. O senhor ouviu.

Quando Marina chegou ao saguão, encontrou Verônica sentada num sofá de veludo, folheando uma revista. A ex-noiva de Dante levantou o rosto e sorriu.

— Já vai embora? Que pena. Espero que tenha aprendido a não se intrometer na vida dos outros.

Marina tentou passar.

Verônica estendeu a perna, bloqueando o caminho.

— Você achou mesmo que ele ia se apaixonar por uma garçonete porque ganhou um copo d'água?

— Não estou procurando marido, senhora.

— Ainda bem. Porque homens como Dante não se casam com mulheres como você.

Marina sentiu o rosto esquentar. Pensou na mãe, nas contas atrasadas, nas entrevistas de emprego que precisaria enfrentar.

— Se ele se casasse com alguém pelo caráter, a senhora não teria chance — respondeu.

O sorriso de Verônica desapareceu.

— Insolente!

Ela levantou a mão, mas uma voz firme cortou o saguão.

— Abaixe essa mão, Verônica.

Dante estava perto da entrada, acompanhado por Augusto. Usava uma bengala para pequenos deslocamentos, mas uma cadeira de rodas dobrável permanecia no carro para quando precisasse. Caminhou devagar até elas.

Verônica se recompôs imediatamente.

— Dante, essa garota me insultou!

— Eu ouvi a conversa.

O diretor correu ao encontro deles.

— Senhor Montenegro, não sabíamos que viria pessoalmente.

— Pois vim. Quero saber por que uma funcionária foi demitida por tratar um convidado com respeito.

— Recebemos uma reclamação...

— E ouviram a versão dela?

O diretor ficou calado.

— Verificaram as imagens? Perguntaram às testemunhas?

— Ainda não tivemos tempo.

Dante olhou para Marina.

— Você quer continuar trabalhando aqui?

Ela ergueu o queixo.

— Quero trabalhar onde meu serviço seja respeitado.

— Então não vou decidir por você.

Ele voltou-se ao diretor.

— Minha empresa é a principal patrocinadora da gala. Quero a revisão formal dessa demissão e uma retratação por escrito. Até lá, suspendo a renovação do contrato de eventos.

O homem empalideceu.

— Senhor, podemos resolver isso em particular.

— A humilhação dela foi pública.

Verônica deu um passo à frente.

— Você vai prejudicar um hotel inteiro por causa dessa mulher?

— Não. Estou cobrando responsabilidade por uma decisão injusta.

Marina sentiu a garganta apertar. Não precisava de um salvador, mas era a primeira vez que alguém poderoso exigia que sua voz fosse ouvida.

O diretor pediu desculpas e prometeu rever o caso. Dante não aceitou apertar sua mão antes de receber uma resposta formal.

Na calçada, Marina o alcançou.

— Obrigada, senhor Montenegro. Mas não quero que pense que agora lhe devo alguma coisa.

Dante quase sorriu.

— Ótimo. Eu não estava cobrando.

— E não preciso de caridade.

— Nem eu ofereci. Só não gosto de injustiça.

Ele lhe entregou um cartão profissional.

— Temos vagas abertas na área social do grupo. Se quiser, participe do processo seletivo. Sem favores.

Marina examinou o cartão.

— Vou pensar.

— É tudo que peço.

Ela se afastou em direção ao ponto de ônibus. Dante ficou olhando até vê-la dobrar a esquina.

No carro, Augusto questionou a decisão de Dante.

— Você sabe que Verônica pode tentar se vingar daquela moça.

— Por isso pedi uma revisão documentada. Não uma exceção secreta.

— E por que ofereceu o cartão?

Dante olhou pela janela. Trabalhadores esperavam ônibus sob o sol do começo da tarde.

— Ela me tratou como pessoa antes de saber quem eu era. Quero saber se tem a mesma firmeza diante de uma planilha.

Augusto sorriu pela primeira vez naquele dia.

— Isso parece uma entrevista de emprego disfarçada.

— Não. Se ela não tiver experiência, não será contratada. Mas merece uma oportunidade justa.

Dante recebeu uma mensagem de Ricardo exigindo reunião urgente sobre a exposição da família. Ignorou o tom autoritário e respondeu que conversariam com a presença do departamento jurídico.

A reação veio imediatamente: três chamadas perdidas.

Na Vila Mariana, naquela noite, Marina encontrou a mãe preparando sopa. Dona Rosa percebeu a sacola do uniforme e desligou o fogão.

— O que aconteceu, filha?

Marina contou sobre a demissão, a intervenção de Dante e a mulher de vermelho. Quando mencionou o nome Montenegro, a colher caiu da mão de Rosa.

— Mãe?

— Você precisa ficar longe dessa família.

— Por quê?

Rosa tentou pegar a colher, mas os dedos tremiam.

O celular de Marina vibrou. Número desconhecido.

“Você gosta de defender Dante Montenegro? Então cuide da sua mãe. Ela será a próxima.”

Marina mostrou a mensagem. Rosa levou a mão ao peito.

— Eles me encontraram — sussurrou.

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