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"O Bilionário Se Levantou… E a Ex Entrou em Pânico!" Capítulo 2 — O Acidente Não Foi um Acidente

正文开头

— Marcelo, você não vai embora — disse Dante.

A ordem atravessou o salão. Marcelo parou junto à porta e voltou lentamente, compondo um sorriso.

— Preciso atender uma ligação de trabalho. Isso virou um circo.

— Então espere cinco minutos.

Verônica segurou o braço do namorado.

— Dante, você está exagerando. Acabou de fazer sua grande apresentação. Deixe as pessoas respirarem.

Dante apoiou a mão no encosto da cadeira. As pernas estavam cansadas. Sentou-se novamente, sem qualquer constrangimento, e olhou para o garçom.

— Leve-me até esse homem.

— Posso acompanhar o senhor? — perguntou Marina.

O supervisor surgiu atrás dela.

— Marina, você tem serviço!

Dante examinou o rosto do funcionário.

— Ela só fez uma pergunta.

— Claro, senhor. Desculpe.

Dante preferiu ir sozinho. Não queria arrastar uma desconhecida para um assunto que talvez fosse perigoso. Antes de sair, porém, voltou-se para ela.

— Obrigado por não fingir que não viu.

Marina assentiu. Aquela frase pareceu valer mais que qualquer gorjeta.

Na entrada reservada, um homem grisalho segurava um envelope grosso. Era Augusto Ribeiro, advogado que conhecera o pai de Dante e acompanhara os negócios da família por décadas.

— Augusto? — Dante franziu a testa. — Por que não me ligou?

— Porque meu telefone foi invadido ontem. E porque alguém está seguindo meu carro.

O advogado olhou por cima do ombro antes de continuar.

— Preciso que você me escute até o fim. Seu acidente não foi provocado por uma falha comum.

Dante sentiu o peito apertar.

— Os peritos disseram que os freios falharam.

— Disseram. Mas não explicaram por quê.

Augusto abriu o envelope. Havia fotografias de peças mecânicas, cópias de notas fiscais e um relatório técnico independente.

— Uma intervenção deliberada foi identificada no sistema de frenagem. O laudo inicial ignorou sinais importantes. Pedi uma segunda análise, feita por profissionais sem vínculo com a seguradora.

Dante encarou uma fotografia do carro destruído. O cheiro de borracha queimada voltou à memória. Depois, o barulho do impacto. A sensação terrível de não conseguir mover as pernas.

— Quem fez isso?

— Ainda não tenho uma resposta definitiva. Mas descobri quem pagou por parte do serviço.

Augusto mostrou um comprovante de transferência. O dinheiro saíra de uma empresa chamada Horizonte Consultoria, ligada a Marcelo Ferraz por meio de contratos de prestação de serviços.

— Marcelo? — Dante murmurou.

— Dois dias antes do acidente, ele visitou uma oficina em Vila Prudente. Tenho imagens da entrada e registros de pagamento. Precisamos preservar tudo para a polícia.

Dante passou a mão pelo rosto.

— Verônica estava comigo naquela semana. Sabia exatamente quando eu viajaria.

Augusto não respondeu.

— Você acha que ela sabia?

— Acho que não devemos acusar ninguém antes de entender a cadeia inteira.

O advogado retirou outro documento.

— Há uma transferência anterior. Ela abasteceu a conta usada pela Horizonte. Veio de uma empresa que administra investimentos familiares.

正文1

Dante leu o nome e sentiu um frio diferente.

Montenegro Participações.

— Isso é impossível.

— Não é a conta principal do grupo — explicou Augusto. — É uma subsidiária antiga, com pouca fiscalização. Estou rastreando quem autorizou a movimentação.

Dante se lembrou de Ricardo, seu irmão mais velho, reclamando da distribuição das ações. Lembrou também da insistência de Helena para que ele assinasse uma procuração durante a internação.

— Não diga nada à minha família ainda — ordenou.

— Você está pensando em voltar ao salão?

— Estou pensando em ver quem fica nervoso quando escuta a verdade.

Augusto tentou detê-lo.

— Dante, isso não é uma reunião de negócios. Alguém tentou matar você.

— Eu sei. É por isso que não vou entregar todas as cartas.

De volta ao salão, Dante encontrou Verônica perto do palco. Marcelo digitava freneticamente no celular. Quando o viu, guardou o aparelho.

— Quem era o homem? — Verônica perguntou.

— Um amigo antigo da família.

— E essa história sobre o acidente?

— Talvez você possa me ajudar a entender.

Ela abriu um sorriso tenso.

— Eu? Como?

Dante tirou uma fotografia do envelope e a colocou sobre a mesa. Marcelo aparecia entrando na oficina dois dias antes da colisão.

— Reconhece esse lugar?

Marcelo olhou rapidamente para Verônica.

— Uma oficina. E daí?

— Você esteve lá.

— Tenho vários carros. Isso é crime?

— Não. Mas seria interessante explicar por que pagou por um serviço no mesmo período em que meu carro foi adulterado.

Verônica soltou uma risada nervosa.

— Você está delirando. Ficou meses isolado e agora quer encontrar inimigos em todo canto.

Dante não levantou a voz.

— Eu passei meses me recuperando. Não confunda as duas coisas.

Os convidados começaram a se afastar do casal. A mudança de atitude foi imediata. Aqueles que antes riam da cadeira agora cochichavam sobre os negócios de Marcelo.

Marina observava da estação de bebidas. Um homem de segurança aproximou-se e pediu que ela levasse outra bandeja ao depósito. Antes de obedecer, viu Marcelo tocar discretamente no bolso interno do paletó.

Ele retirou um segundo celular.

Marina não conseguiu ler a tela, mas ouviu parte da frase quando ele passou por ela.

— Ele recebeu os papéis. Avise a dona Helena.

A bandeja quase escapou de suas mãos.

Dona Helena? Marina conhecia aquele nome. A esposa do falecido patriarca Montenegro participava de todos os eventos beneficentes da cidade.

Dante continuava interrogando Marcelo quando Marina voltou. Aproximou-se o suficiente para chamar sua atenção, mas o supervisor surgiu novamente.

— Você está dispensada dessa área — rosnou ele. — Agora.

Marina respirou fundo. Não podia perder o emprego. Sua mãe dependia do dinheiro para pagar remédios e aluguel.

Mesmo assim, deixou um guardanapo dobrado sobre a mesa de Dante.

Ele abriu o papel quando ninguém estava olhando.

Havia uma frase escrita às pressas: Marcelo falou com alguém sobre dona Helena.

Dante ergueu os olhos. Marina já atravessava o salão, escoltada pelo supervisor.

No depósito, o supervisor interceptou Marina outra vez.

— Você acha que um bilionário vai proteger seu emprego?

— Não pedi proteção. Só entreguei uma informação que ouvi.

— Informação sobre convidados não é assunto seu.

Marina recolheu os copos vazios, tentando controlar a raiva.

— Se alguém fala de um crime ao meu lado, passa a ser assunto de qualquer pessoa honesta.

O homem ameaçou registrar uma advertência. Ela pediu que colocasse por escrito exatamente o que havia feito de errado.

Ele não respondeu. Marina voltou ao salão com a sensação de que aquela noite ainda lhe custaria caro.

Enquanto isso, Dante percebeu que Verônica evitava olhar para o envelope. Ela examinava os convidados, calculando quem poderia ter ouvido as acusações.

— Você está preocupado com o que aconteceu comigo? — perguntou Dante a Marcelo.

— Claro que estou.

— Engraçado. Você ainda não perguntou se eu me machuquei.

Augusto se aproximou por trás.

— Encontrei a autorização da primeira transferência — murmurou.

— Quem assinou?

O advogado mostrou a página. A assinatura era de um procurador ligado a Ricardo Montenegro.

Dante sentiu o chão desaparecer sob os pés, embora estivesse sentado.

No mesmo instante, o celular vibrou. Uma mensagem de Helena iluminou a tela.

“Meu filho, soube que você voltou a andar. Precisamos conversar antes que Ricardo descubra o que aconteceu.”

Dante encarou a mensagem.

Como Helena sabia que Augusto tinha acabado de encontrar o nome de Ricardo?

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