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"A Cicatriz Que Ninguém Devia Ver" Capítulo 5

正文开头

Uma saída para os dois

Isabela não esperou que Vítor chegasse. Ordenou ao socorrista que buscasse a maca no elevador e permaneceu ao lado de Gabriel, coordenando a transferência. Caio falou com a portaria para garantir que a liberação não fosse revertida no meio do trajeto.

Helena guardou o próprio celular no bolso e colocou sobre a mesa apenas o aparelho de trabalho. As fotografias já haviam sido enviadas, mas ela ainda precisava conservar o original e a sequência de mensagens. O velho caso do hospital lhe ensinara que uma cópia sem história podia ser descartada como boato.

"Você pode vir?", Gabriel perguntou.

"Posso acompanhar até a ambulância, se a doutora concordar. Depois a equipe assume."

"Não estava falando do trajeto."

Helena percebeu o esforço que ele fazia para permanecer atento. "Então faça a pergunta quando puder respirar sem lutar por cada frase."

Uma sombra de sorriso cruzou o rosto dele.

O elevador abriu. Vítor entrou primeiro; Álvaro veio atrás, carregando uma pasta. O médico parou quando viu Isabela com luvas, preparada para a transferência.

"Sou o responsável pelo acompanhamento de Gabriel", disse.

"Então venha ao hospital e entregue o prontuário integral", ela respondeu. "O paciente consentiu com a remoção."

Vítor apontou para Helena. "Ela omitiu que foi suspensa da medicina."

"Isso consta da ocorrência enviada à agência", Helena disse. "Não altera a febre dele nem a incisão que todos podem ver."

Álvaro examinou o curativo sem tocar. Gabriel fixou nele os olhos.

"Você colocou alguma coisa nas minhas costas?"

"Houve uma intervenção complementar", respondeu o médico.

"Sim ou não?"

"Eu gostaria de conversar quando você estiver estabilizado."

"Está me ouvindo agora."

Vítor se aproximou. "Não faça isso em frente de estranhos."

"Estranha é a cicatriz", Gabriel disse. "Ela estava aqui há semanas e você nunca me falou dela."

O socorrista reapareceu empurrando a maca. Isabela interrompeu a discussão. Sua prioridade era levar o paciente ao hospital; entrevistas podiam esperar. Gabriel aceitou ser transferido com cuidado, e Caio manteve Vítor longe da equipe enquanto a manobra terminava.

Na passagem pelo corredor, Álvaro encostou em Helena.

"Eu avisei sobre a ressonância. Isso deve contar para alguma coisa."

"Conte à equipe que vai examiná-lo qual é o material e onde está. Sua advertência será mais útil do que pedir crédito."

Ele olhou para Vítor, que falava ao telefone do outro lado do corredor.

"Não posso ali."

"Então no hospital. Na presença de Gabriel."

Álvaro baixou os olhos. Não prometeu nada.

O elevador desceu sem parar. Na portaria, a equipe de apoio registrou o atraso causado pelo bloqueio de acesso. Vítor permaneceu alguns passos atrás, procurando uma maneira de assumir a situação sem tocar em Gabriel diante de tantas testemunhas.

Helena fez a entrega dos arquivos diretamente a Isabela e confirmou o endereço do hospital de referência. Gabriel segurou a borda da maca.

"Renata", disse a Caio. "Agora."

Caio ligou para a advogada diante dele. Renata Lemos atendeu na segunda chamada. Gabriel deu autorização para ela proteger os documentos guardados em seu escritório e encaminhar o que fosse pertinente às autoridades, inclusive registros das próprias empresas.

正文1

"Você entende que não conseguiremos selecionar apenas as páginas que lhe favorecem?", Renata perguntou.

"Entendo."

"Vou ao hospital. Não converse com Vítor sem testemunhas."

"Esta noite inteira virou uma sala cheia delas."

A porta da ambulância se fechou. Helena ficou junto ao meio-fio sob a marquise, observando o veículo desaparecer na avenida molhada. Não sentiu triunfo. O objeto continuava no corpo de Gabriel; a diferença era que agora uma equipe independente poderia procurá-lo.

Caio aproximou-se. "Vítor saiu pelos fundos. Álvaro foi atrás."

"Você guardou os registros de acesso?"

"Sim. Renata pediu que eu leve tudo ao escritório dela."

Helena mostrou-lhe a mensagem que recebera de Vítor sobre o Hospital Santa Cecília. A expressão dele se contraiu.

"Não sabia que isso tinha acontecido com você."

"Nem precisava. Precisa saber que ele está usando documentos antigos para desacreditar o aviso sobre Gabriel."

No carro a caminho do hospital, Helena abriu a pasta digital do próprio recurso profissional. Havia três nomes de médicos ligados aos prontuários alterados. Um deles era Álvaro Vilela, identificado não como cirurgião principal, mas como consultor externo em auditoria clínica. Na época, ela não o encontrara pessoalmente. O nome passara diante dos olhos dela em dezenas de páginas.

Agora parecia impresso em todas.

Ela telefonou para Renata. Não pediu que a advogada limpasse seu nome nem que acreditasse nela. Explicou a ligação entre as duas instituições e encaminhou a página específica, preservando o documento completo.

"Isso prova que ele falsificou o prontuário de Gabriel?", Renata perguntou.

"Não. Prova que sabia como uma revisão de registro pode esconder o procedimento original. Precisamos saber quem solicitou as alterações nos dois lugares."

"Posso pedir análise independente dos documentos. Não toque no arquivo que recebeu da clínica."

"Só trabalhei com cópias. Caio preservou o acesso."

No hospital, uma médica explicou a Gabriel que fariam exames apropriados à situação e chamariam especialistas para avaliar a infecção e a alteração neurológica. Helena permaneceu do lado de fora enquanto a equipe examinava. A espera lhe devolveu uma lembrança que tentara guardar numa gaveta: uma sala de reunião do Santa Cecília, quinze diretores em torno de uma mesa, todos dizendo que ela interpretara mal os números.

Desta vez, não entraria sozinha naquela sala imaginária.

Gabriel foi encaminhado para observação intensiva. Isabela saiu para falar com Helena e Renata, que acabara de chegar. As imagens mostravam uma alteração próxima à coluna, associada a sinais que exigiam intervenção especializada. A equipe não concluiria a natureza do objeto antes da avaliação completa.

"Ele precisa saber que ainda estamos trabalhando com hipóteses", Isabela ressaltou.

"Eu lhe disse isso desde o início", Helena respondeu.

Renata lhe pediu uma cronologia por escrito. Helena redigiu os fatos daquela noite na sala de espera, com horários aproximados identificados como tais. Caio acrescentou as cópias do sistema, o bloqueio do elevador e a identificação de quem usara as credenciais.

Às quatro da manhã, Álvaro apareceu no corredor. Vinha sozinho, sem a pasta de couro. Parou quando viu Renata.

"Quero falar sobre o material implantado", disse.

Helena levantou-se. "Com a equipe assistente e com Gabriel informado."

"Vítor vai dizer que eu agi sem ordens."

"Então traga algo além da sua palavra."

Álvaro passou a mão pelo rosto. "Há uma cópia da autorização."

Renata deu um passo à frente. "Assinada por quem?"

O médico fitou Helena, depois a porta da unidade onde Gabriel estava.

"É isso que vocês precisam ver. A assinatura não é dele."

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