"O NDA Manchado de Sangue" Capítulo 10
Cinquenta e Nove Segundos
00:43.
O número vermelho pulsava na tela do celular de Gabriel.
Quarenta e três segundos.
Era tudo o que restava antes que o servidor central do Grupo Valença concluísse a limpeza automática.
Helena sentiu o corpo inteiro ficar alerta.
A dor na perna desapareceu por alguns segundos.
O cansaço também.
Só existia o contador.
00:42.
Marcelo continuava algemado ao lado do carro.
E sorria.
"Vocês chegaram longe."
Rafael apertou o braço dele.
"Como interrompe?"
Marcelo olhou para o delegado.
"Não interrompe."
"Qual é a senha?"
"Não existe senha."
"Quem criou o comando?"
Marcelo deu de ombros.
"Talvez alguém da equipe técnica."
Gabriel levantou o celular.
"Mentira."
Marcelo virou o rosto.
Gabriel continuou.
"Esse protocolo exige autenticação de contingência."
"O sistema mudou muito desde que eu parei de cuidar pessoalmente dessas coisas."
"Você nunca parou."
Marcelo sorriu.
00:39.
Helena olhou para Lívia.
"Precisamos de acesso remoto."
"Já estou chamando perícia."
"Não temos tempo."
Gabriel digitava rapidamente.
"Eu consigo entrar pelo terminal de emergência."
Helena virou.
"De onde?"
"Do centro de servidores na sede."
"Você está no aeroporto."
"Existe acesso secundário."
"Onde?"
"Num terminal de manutenção ligado à rede interna."
Helena estendeu a mão.
"Me dá."
Gabriel entregou o celular.
"Não vai aceitar sua credencial fora da rede."
"Então coloca alguém lá dentro."
Ele parou.
Helena percebeu.
"Tem alguém?"
"Eduardo Faria."
"O diretor de segurança da informação?"
"Sim."
"Confiamos nele?"
Gabriel hesitou.
Helena sentiu o estômago apertar.
"Não temos escolha."
"Temos."
Ela olhou para Rafael.
"Bloqueia o acesso de Eduardo."
Marcelo riu.
"Vocês estão procurando inimigos em todo lugar."
Helena respondeu sem olhar para ele.
"Funcionou até agora."
00:35.
Gabriel ligou para a sede.
A chamada foi atendida.
"Centro de tecnologia."
"Sou Gabriel Valença."
Silêncio.
"Senhor Gabriel?"
"Quem está falando?"
"Caio Menezes, infraestrutura."
"Caio, preciso que você vá até o terminal de contingência no setor B."
"Senhor, o prédio está sob restrição."
"Eu sei."
"Recebemos ordem de não tocar em nenhum sistema."
Helena falou perto do telefone.
"Caio, aqui é Helena Duarte, da investigação financeira."
Houve outro silêncio.
"Senhora Helena?"
"Escuta com atenção."
00:32.
"O servidor está executando uma limpeza."
"Eu estou vendo."
"Quanto aparece aí?"
"Trinta e um segundos."
Helena fechou os olhos.
00:31.
"Vai até o terminal de contingência."
"Já estou indo."
Passos começaram a ecoar do outro lado da ligação.
Marcelo observava.
Ainda sorrindo.
"Mesmo que parem agora, uma parte já foi."
Helena virou o rosto.
"O que foi?"
"Arquivos temporários."
"Que arquivos?"
"Os que mostram a origem das transferências."
"Você está blefando."
Marcelo inclinou a cabeça.
"Você trabalha com números."
"Devia saber que, quando uma sequência começa a ser sobrescrita, não basta apertar cancelar."
Helena sentiu um frio.
Ele tinha razão em parte.
Dependendo do protocolo, o dano podia acontecer em etapas.
Mas ela não deixaria Marcelo perceber que aquilo a preocupava.
"Você parece muito confiante para alguém algemado."
"Porque algemas não apagam o que eu já fiz."
00:28.
Caio falou no telefone.
"Cheguei."
Gabriel respondeu:
"Liga o terminal."
"Está pedindo autenticação."
"Usa o código de contingência."
"Qual?"
Gabriel parou.
Marcelo riu.
Helena percebeu.
"Você sabe."
Gabriel olhou para ele.
"Meu código foi revogado."
"Quando?"
"Depois da prisão de Vitória."
Marcelo respondeu:
"Que descuido."
Rafael aproximou-se.
"Fala o código."
Marcelo virou o rosto.
"Não."
Rafael apertou as algemas.
Marcelo nem piscou.
"Você vai perder tudo."
"Não."
Ele sorriu.
"Vocês vão."
00:24.
Helena olhou para Teresa.
A mãe estava alguns metros atrás, protegida por dois agentes.
Ainda tremia.
Mas segurava uma das folhas que tinham caído da maleta.
Helena viu.
"Qual é essa?"
Teresa olhou.
"Uma lista antiga."
"De quê?"
"Autorizações."
Helena estendeu a mão.
Teresa entregou.
Os códigos estavam escritos à mão.
Sequências antigas.
Nomes.
Iniciais.
Um deles tinha três letras.
MVL.
Helena sentiu o pulso acelerar.
"Marcelo Vieira Valença."
Marcelo perdeu o sorriso por um segundo.
Só um.
Helena viu.
"Gabriel."
"Estou ouvindo."
"Seu tio usa iniciais em códigos?"
"Usava."
"Como eram montados?"
"Três letras e seis números."
Helena olhou para o papel.
Havia uma sequência.
MVL-071198.
"Caio."
"Sim."
"Tenta MVL071198."
Marcelo falou imediatamente.
"Não vai funcionar."
Helena sorriu.
Foi a primeira vez.
"Então por que respondeu tão rápido?"
Marcelo ficou quieto.
00:19.
Caio digitou.
"Entrou."
Gabriel fechou os olhos por um segundo.
Helena não teve tempo para comemorar.
00:18.
"Abre manutenção."
"Aberto."
"Procura limpeza programada."
"Tem um processo ativo."
"Cancelar."
"Não permite."
"Por quê?"
"Privilégio superior."
Helena perguntou:
"Qual usuário?"
Caio demorou.
"Gabriel Valença."
Todos olharam para Gabriel.
Marcelo voltou a sorrir.
Gabriel ficou pálido.
"Não sou eu."
Helena respondeu:
"Eu sei."
Marcelo riu.
"Tem certeza agora?"
Ela não respondeu.
00:15.
"Caio, desliga o servidor da rede."
"Não posso."
"Por quê?"
"Cluster redundante."
Gabriel entendeu.
"Tem réplica."
"Três."
Helena sentiu o estômago afundar.
"Se desligar um?"
"Os outros continuam."
"Desliga todos."
"Levaria mais de um minuto."
00:12.
Lívia falou:
"Então acabou?"
Helena olhou para a tela.
"Não."
Marcelo riu.
"Esse otimismo é bonito."
Helena aproximou-se dele.
"Você está esperando que eu entre em pânico."
"Não."
"Está."
"Eu só estou esperando o relógio."
00:10.
Gabriel voltou ao telefone.
"Caio, exporta o log de execução."
"Agora?"
"Agora."
"Para onde?"
Helena respondeu:
"Terminal isolado."
"Não temos espaço."
"Então para mídia externa."
"Não sei se vai dar."
00:08.
"Faz."
Caio começou.
Marcelo observava.
00:07.
"Setenta por cento."
00:06.
"Oitenta e dois."
00:05.
"Noventa."
00:04.
"Noventa e seis."
00:03.
"Terminou."
Gabriel gritou:
"Desconecta!"
00:02.
Caio desligou a mídia.
00:01.
Helena prendeu a respiração.
00:00.
A tela ficou preta.
Por um segundo, ninguém falou.
Então o celular de Gabriel mostrou uma nova mensagem.
"Limpeza concluída."
Marcelo soltou uma risada baixa.
Teresa fechou os olhos.
Lívia permaneceu imóvel.
Rafael olhou para Helena.
Marcelo ergueu as mãos algemadas o máximo que conseguiu.
"Acabou."
Helena olhou para ele.
"Não."
Marcelo sorriu.
"Você acabou de ver."
"Eu vi um servidor ser apagado."
"Era onde estava a prova."
"Era onde estava uma cópia da prova."
O sorriso dele diminuiu.
Muito pouco.
Helena percebeu.
"Você acha que eu passei dezoito meses investigando sua família e deixei tudo dentro do sistema que vocês controlavam?"
Marcelo ficou imóvel.
Gabriel olhou para ela.
Lívia também.
Helena continuou.
"Cada movimentação suspeita que encontrei foi preservada."
Marcelo riu.
"Capturas de tela?"
"Não."
"Planilhas?"
"Também não."
Ela se aproximou.
"Imagens forenses."
O sorriso dele desapareceu.
"Com cadeia de custódia."
Silêncio.
"Hashes de integridade."
Marcelo não respondeu.
"Logs bancários obtidos por ordem judicial."
Mais silêncio.
"Extratos certificados pelas instituições financeiras."
Helena manteve os olhos nele.
"Registros societários."
"Contratos."
"Assinaturas digitais."
"Metadados."
"Backups independentes."
Gabriel virou para ela.
"Você tinha tudo isso?"
"Não tudo."
"Mas?"
"O suficiente para reconstruir quase toda a cadeia."
Marcelo voltou a sorrir.
Era menor.
Forçado.
"Quase."
Helena assentiu.
"Quase."
Ele pareceu recuperar o controle.
"Então não tem o destino final."
"Agora tenho a Prisma."
Marcelo ficou sério.
"Tenho o caderno da minha mãe."
Helena apontou para a maleta caída.
"Tenho os documentos que você trouxe."
Marcelo olhou para Teresa.
Ela sustentou o olhar.
Helena continuou.
"E tenho algo ainda melhor."
"Você não tem nada melhor."
"Tenho você tentando apagar tudo depois de ser preso."
O rosto dele endureceu.
Rafael olhou para Lívia.
A promotora entendeu imediatamente.
Helena continuou.
"O comando saiu do seu telefone."
"Não prova que fui eu."
"Você estava com ele."
"Foi apreendido."
"Depois do comando."
Marcelo não respondeu.
"Você sorriu quando começou."
"Comportamento não é crime."
"Não."
Helena respondeu.
"Mas obstrução é."
Marcelo riu.
"Obstrução não prova lavagem."
"Não precisa."
Ela respirou fundo.
"Porque a lavagem já estava documentada."
O silêncio ficou pesado.
Pela primeira vez, Marcelo parecia realmente irritado.
"Você acha que um monte de arquivos vai sobreviver a uma equipe de advogados?"
Helena respondeu:
"Não preciso achar."
"Vamos descobrir."
"Já descobrimos."
Ela virou para Lívia.
"Você tem o espelhamento de agosto?"
"Tenho."
"Janeiro?"
"Tenho."
"Os registros do Banco Horizonte?"
"Preservados."
"Os contratos da Prisma?"
"Preservados."
"Os fundos offshore?"
"Ordens internacionais enviadas."
Marcelo olhou de uma para outra.
Helena percebeu a mudança.
Era pequena.
Mas estava ali.
Medo.
Não de ser preso.
De perder o controle da história.
Gabriel se aproximou.
"Você usou meu nome."
Marcelo olhou para ele.
"Você sempre foi útil."
Gabriel ficou imóvel.
"Você clonou minha chave."
"Você deixava coisas valiosas muito mal protegidas."
"Colocou as transferências no meu nome."
"Eu criei uma narrativa."
"Para me mandar para a prisão?"
Marcelo deu de ombros.
"Para proteger o grupo."
Gabriel soltou uma risada vazia.
"Você chama isso de proteger?"
"Você não entende."
"Então explica."
Marcelo olhou para o sobrinho.
"O Grupo Valença existe há gerações."
"E daí?"
"Milhares de empregos."
"Você roubou aposentadoria de funcionários."
"Liquidez."
Helena sentiu nojo.
"Você chama dinheiro de aposentados de liquidez?"
Marcelo olhou para ela.
"Dinheiro parado não produz poder."
"Não era seu."
"Dinheiro nunca pertence a quem não sabe controlá-lo."
Teresa deu um passo.
"Foi isso que você dizia naquela época."
Marcelo virou para ela.
"Você sempre ouviu mais do que devia."
"E você sempre roubou mais do que conseguia esconder."
Rafael fez sinal para um agente registrar tudo.
Marcelo percebeu.
Parou de falar.
Helena quase sorriu.
Tarde demais.
Nas horas seguintes, a destruição do servidor tornou-se mais uma prova.
A perícia confirmou que o comando fora preparado com antecedência.
A autenticação utilizara a cópia da credencial de Gabriel.
Mas o gatilho final partira de um dispositivo associado a Marcelo.
O disco removido por Caio continha o log parcial dos últimos segundos.
Não era tudo.
Era suficiente.
Mais importante ainda, o servidor apagado não era a única fonte.
Durante dezoito meses, Helena havia preservado cada peça relevante seguindo protocolos legais.
Não por paranoia.
Por método.
Sempre que encontrava uma movimentação suspeita, o dado era duplicado em ambiente controlado.
Cada arquivo recebia registro de data.
Origem.
Integridade.
Responsável pela coleta.
Destino de custódia.
Marcelo podia destruir uma máquina.
Não podia destruir um ano e meio de trabalho distribuído entre bancos, registros públicos, ordens judiciais e cofres de evidência.
E havia algo que ele jamais previra.
O hospital.
Helena voltou àquela gravação naquela mesma tarde.
Vitória entrando no quarto.
A porta sendo trancada.
O NDA.
R$ 250 mil.
A ameaça.
O acesso intravenoso arrancado.
O sangue.
A confissão.
"Aquele carro só deveria assustar você."
Depois:
"Se Rogério tivesse feito o trabalho direito, você já estaria morta."
Helena assistiu em silêncio.
Lívia estava ao lado.
"Você está bem?"
"Não."
"Quer parar?"
"Não."
A gravação continuou.
Vitória admitindo o envelope.
Ligando para Lavínia.
Lavínia dizendo que pagara.
Falando das transferências falsas.
R$ 210 milhões.
Gabriel sendo preparado para levar a culpa.
Helena pausou.
"Foi aqui."
Lívia olhou.
"O quê?"
"O erro."
"Qual?"
Helena apontou para Vitória congelada na tela.
"Até esse momento, eles podiam tentar separar as coisas."
"Fraude de um lado."
"Atropelamento do outro."
Lívia entendeu.
"Mas Vitória ligou os dois."
Helena assentiu.
"Ela deixou claro que eu era alvo porque sabia demais."
"Porque fazia perguntas sobre fundos e subsidiárias."
"Sim."
"E Lavínia confirmou o plano financeiro na mesma ligação."
"Sim."
Helena respirou fundo.
"Então não é apenas uma investigação de lavagem com tentativa de homicídio paralela."
Lívia completou:
"A tentativa de homicídio foi usada para proteger a lavagem."
Helena olhou para ela.
"Exatamente."
A cadeia estava completa.
Dinheiro desviado.
Empresas de fachada.
Falsificação de credenciais.
Gabriel preparado como bode expiatório.
Lavínia financiando.
Vitória executando.
Marcelo organizando.
Rogério dirigindo.
Helena descobrindo.
E então o carro.
O NDA.
A ameaça.
A tentativa de silenciar a pessoa que seguia o dinheiro.
Eles não tinham apenas confessado violência.
Tinham explicado o motivo.
Lívia fechou o notebook.
"Com Rogério vivo e os arquivos dele, fica ainda mais forte."
"Ele vai conseguir depor?"
"Os médicos acreditam que sim."
Helena soltou o ar.
"Então temos."
Lívia olhou para ela.
"Temos muito."
Três meses depois, a primeira audiência conjunta lotou o fórum.
Do lado de fora, dezenas de jornalistas ocupavam a calçada.
Havia aposentados segurando fotografias.
Ex-funcionários.
Famílias.
Pessoas que tinham passado anos sem saber por que os saldos de seus fundos diminuíam.
Helena chegou andando com uma bengala.
Ainda mancando.
Mas sem cadeira de rodas.
Gabriel estava ao lado.
Ele parou antes da entrada.
"Quer que eu espere aqui?"
Helena olhou para ele.
"Por quê?"
"Porque meu sobrenome ainda irrita muita gente."
"Seu sobrenome não é o problema."
"Às vezes parece."
Helena respirou fundo.
"O problema é o que você faz com ele."
Gabriel assentiu.
Durante aqueles meses, ele havia deixado o conselho.
Entregado documentos.
Testemunhado.
E aceitado ter cada conta pessoal analisada.
Não apagava tudo.
Mas era um começo.
Helena entrou.
No salão, Vitória já estava sentada.
Algemada.
Sem diamantes.
Sem salto.
Sem o sorriso que costumava usar.
Lavínia estava duas cadeiras adiante.
Também algemada.
O cabelo impecável não conseguia esconder as olheiras.
Marcelo foi trazido por último.
Quando viu Helena, sorriu.
Ela não reagiu.
Teresa sentou atrás da filha.
Rogério participaria de outra audiência sob proteção.
A colaboração dele já tinha sido formalizada.
O juiz entrou.
Todos se levantaram.
Helena apoiou-se na bengala.
A sessão começou.
Horas de documentos.
Depoimentos.
Laudos.
Transferências.
Estruturas societárias.
Gravações.
O vídeo do hospital.
As mensagens de Vitória.
Os pagamentos de Lavínia.
Os acessos de Marcelo.
A tentativa de apagar o servidor.
Tudo apareceu.
Marcelo quase não reagia.
Lavínia evitava olhar para qualquer pessoa.
Vitória parecia cada vez mais inquieta.
Quando a audiência entrou na fase final, o juiz organizou os papéis diante de si.
O salão ficou silencioso.
Helena sentiu Teresa apertar sua mão.
Gabriel estava duas fileiras atrás.
O juiz começou a falar.
"Considerando o conjunto probatório apresentado..."
Vitória se levantou.
Seu advogado tentou puxá-la.
"Vitória, sente."
Ela afastou o braço.
"Excelência."
O juiz parou.
"Senhora Valença, sente-se."
"Eu quero fazer um acordo."
Um murmúrio atravessou o salão.
Marcelo virou o rosto.
Pela primeira vez, parecia surpreso.
O advogado de Vitória ficou pálido.
"Não fale mais nada."
Vitória ignorou.
"Eu quero colaborar."
O juiz endureceu a expressão.
"Isso deve ser tratado pelo seu advogado com o Ministério Público."
"Então trate agora."
Marcelo falou baixo.
"Vitória."
Ela olhou para ele.
O medo que Helena conhecera no hospital não estava mais ali.
Havia ódio.
"Você ia colocar tudo em mim."
Marcelo não respondeu.
Vitória riu.
"Como fez com Gabriel."
"Como fez com Teresa."
O juiz bateu o martelo.
"Silêncio."
Vitória apontou para o tio.
"Ele ainda não contou tudo."
Marcelo ficou imóvel.
Lívia levantou-se.
"O que exatamente a senhora pretende oferecer?"
Vitória respirou fundo.
Olhou para Helena.
Depois para Marcelo.
"Eu sei onde ele escondeu o dinheiro que ninguém encontrou."
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