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"O NDA Manchado de Sangue" Capítulo 8

正文开头

R$ 210 Milhões

Rogério Batista ainda respirava quando os paramédicos chegaram.

Fraco.

Irregular.

Mas respirava.

Helena ficou parada no corredor do centro de detenção enquanto dois profissionais colocavam o motorista numa maca.

Havia sangue perto da têmpora dele.

Não parecia muito.

Mesmo assim, ninguém sabia quanto tempo Rogério permanecera desacordado.

Rafael caminhava ao lado da equipe médica.

"Ele vai sobreviver?"

Um dos paramédicos respondeu:

"A pressão está baixa, mas tem pulso."

"Foi envenenado?"

"Não dá para saber aqui."

"Trauma?"

"Tem uma lesão na cabeça."

Helena aproximou a cadeira.

"Ele falou alguma coisa?"

O paramédico olhou para ela.

"Não."

Rogério foi levado pelo corredor.

A porta do elevador fechou.

Helena ficou observando o número vermelho desaparecer.

Lívia estava alguns metros atrás.

Na mão, segurava a folha encontrada perto da cela.

"Cala a boca."

Duas palavras.

Um aviso.

Ou uma assinatura.

Rafael voltou.

Seu rosto estava tenso.

"O apagão não foi acidente."

Helena virou.

"Como sabe?"

"O sistema de emergência foi desligado manualmente."

"De onde?"

"Painel técnico interno."

Lívia franziu a testa.

"Quem tinha acesso?"

"Funcionários da manutenção, segurança e administração."

Helena soltou uma risada sem humor.

"Então praticamente qualquer pessoa que Marcelo pudesse comprar."

Rafael não respondeu.

Não precisava.

Helena olhou para a porta da cela.

"Ele sabia exatamente quando Rogério ia falar."

Lívia assentiu.

"Sim."

"Não apenas que ele tinha aceitado colaborar."

"Sim."

"Sabia o horário."

"É o que parece."

Helena ficou em silêncio.

Aquilo era pior do que uma ameaça.

Marcelo não estava apenas fugindo.

Continuava recebendo informações.

Sabia dos movimentos da promotoria.

Sabia do centro de detenção.

Talvez soubesse quem entrava.

Quem saía.

Quem falava.

Quem estava prestes a abrir a boca.

Rafael cruzou os braços.

"Vou pedir afastamento de toda a equipe que estava de plantão."

Helena respondeu:

"E ele vai trocar de fonte."

"Então o que você sugere?"

"Parar de fazer exatamente o que ele espera."

Lívia olhou para ela.

"Explica."

Helena respirou fundo.

"Estamos correndo atrás dele."

"Sim."

"Desde ontem."

"Sim."

"Casa."

"Carro."

"Telefone."

"Propriedades."

Ela olhou para Rafael.

"E toda vez que chegamos, ele já foi embora."

Rafael entendeu.

"Você quer parar a perseguição."

"Não."

Helena respondeu.

"Quero parar de deixar Marcelo escolher o jogo."

Lívia se aproximou.

"E qual jogo você quer jogar?"

Helena olhou para a mensagem.

Depois para o corredor por onde Rogério havia desaparecido.

"O único em que ele não consegue desaparecer."

"Qual?"

"Dinheiro."

Às onze e dez da noite, Helena voltou para o Ministério Público.

Gabriel estava esperando.

Tinha visto a notícia do ataque a Rogério antes mesmo que ela chegasse.

Assim que Helena entrou na sala, ele se aproximou.

"Ele morreu?"

"Não."

Gabriel soltou o ar.

"Está consciente?"

"Não."

"Sabem o que fizeram?"

"Não ainda."

Helena estacionou a cadeira diante da mesa.

"Mas alguém dentro daquele centro ajudou."

Gabriel ficou sério.

"Marcelo."

"Provavelmente."

"Então ele tem gente dentro da polícia."

"Ou dentro da segurança privada contratada pelo sistema."

正文1

"Ou nos dois."

Helena assentiu.

Gabriel passou a mão pelo rosto.

"Minha família contratou empresas de segurança para metade dos prédios públicos onde mantinha contratos."

Ela olhou para ele.

"Quais empresas?"

"Não sei todas."

"Descobre."

Gabriel soltou uma risada curta.

"Você ainda confia em mim para isso?"

A pergunta atingiu.

Helena manteve o olhar.

"Confio o suficiente para pedir."

"Não parece."

"Gabriel."

"Está tudo bem."

"Não está."

Ele ficou em silêncio.

Helena respirou fundo.

"Eu não posso te dar a resposta que você quer enquanto as provas ainda usam seu nome."

"Eu sei."

"Mas também não posso ignorar que alguém clonou sua autenticação."

"Eu sei."

"Então para de transformar isso numa escolha entre acreditar em você e não acreditar."

Gabriel olhou para ela.

"Para mim é difícil não transformar."

"Para mim também."

O silêncio durou alguns segundos.

Gabriel assentiu.

"Vou levantar as empresas de segurança."

"Obrigada."

Lívia entrou na sala carregando uma caixa de documentos.

"Temos outra coisa."

Helena olhou.

"O quê?"

"Material da casa da sua mãe."

"Que material?"

"Teresa entregou o restante da caixa metálica."

Helena ficou imóvel.

"Ela tinha mais documentos?"

"Não exatamente."

Lívia abriu a caixa.

Dentro havia recibos antigos, comprovantes, cópias de contratos e folhas amareladas.

Teresa entrou logo depois.

Helena sentiu o corpo endurecer.

A distância entre mãe e filha ainda estava ali.

Teresa percebeu.

Mesmo assim, aproximou-se.

"Eu achei isso quando voltei para casa."

Ela colocou um caderno fino sobre a mesa.

Capa azul.

Bordas gastas.

Helena olhou.

"O que é?"

"Meu."

"De quando?"

"Da época do Grupo Valença."

Helena não tocou.

"Você disse que os documentos importantes estavam no cofre."

"Estavam."

"E isso?"

"Eu não achava importante."

Helena ergueu os olhos.

"Depois de tudo, você ainda decide sozinha o que é importante?"

Teresa absorveu a frase.

"Não."

Ela empurrou o caderno.

"Por isso trouxe."

Helena abriu.

As primeiras páginas tinham anotações domésticas.

Preços.

Datas.

Números de telefone antigos.

Depois surgiram sequências escritas à mão.

04-17-29.

11-03-88.

15-22-41.

Códigos.

Abreviações.

Iniciais.

Helena virou outra página.

"Você escreveu isso?"

"Sim."

"O que significam?"

"Na época eu copiava referências."

"Referências de quê?"

"Contas."

Helena levantou o rosto.

"Contas bancárias?"

"Algumas."

"Empresas?"

"Outras."

"Por que não escreveu os nomes?"

Teresa respirou fundo.

"Porque eu tinha medo que alguém encontrasse."

Gabriel se aproximou.

"Você codificava?"

Teresa assentiu.

"Cada número correspondia a uma parte."

Helena passou o dedo pelas páginas.

"Você lembra a chave?"

"Algumas coisas."

"Depois de mais de vinte anos?"

"Eu repeti aquilo tantas vezes na cabeça que nunca esqueci."

Helena sentiu um aperto no peito.

A mãe havia vivido décadas carregando aquilo.

Talvez em silêncio.

Talvez com culpa.

Talvez com medo.

Ainda não apagava as mentiras.

Mas mudava o peso delas.

"Me mostra."

Teresa puxou uma cadeira.

Apontou para uma sequência.

"Os dois primeiros números indicavam o mês em que eu vi a operação."

"O segundo bloco?"

"Quantidade de letras do nome."

"E o terceiro?"

正文2

"Últimos números do registro interno."

Helena pegou uma folha.

"Vamos testar."

Escolheu uma sequência.

"Onze, zero três, oitenta e oito."

Teresa pensou.

"Novembro."

"Três letras?"

"Não."

Ela franziu a testa.

"Espera."

Fechou os olhos.

"Zero três era banco."

Helena parou.

"Qual banco?"

"Banco Mercantil Paulista."

Lívia se aproximou.

"O mesmo onde estava o cofre."

Teresa assentiu.

Helena sentiu a atenção aumentar.

"E oitenta e oito?"

"Final da conta."

Helena começou a digitar.

Usou os dados já apreendidos das quatorze empresas.

Filtrou.

Nada.

Tentou contas antigas.

Nada.

Gabriel perguntou:

"Pode ter sido encerrada?"

"Pode."

Helena mudou o período.

Nenhum resultado.

Teresa olhou para a tela.

"Talvez eu tenha lembrado errado."

"Não."

Helena folheou o caderno.

A sequência aparecia mais de uma vez.

Onze-zero três-oitenta e oito.

Depois outra.

Doze-zero três-oitenta e oito.

Janeiro.

Fevereiro.

Março.

O mesmo final.

"Isso não era uma conta qualquer."

Lívia perguntou:

"Por quê?"

"Ela aparece por meses."

Helena passou mais páginas.

"Quase dois anos."

Gabriel olhou.

"Então era uma conta central."

"Ou uma conta de passagem."

Teresa murmurou:

"Era o lugar para onde tudo ia antes de sair."

Helena virou de uma vez.

"Você lembra disso?"

A mãe ficou pálida.

"Agora lembro."

"O que era?"

"Eu nunca vi o nome completo."

"Mas viu alguma coisa."

Teresa fechou os olhos.

"Uma sigla."

"Qual?"

"Vértice."

Helena ficou imóvel.

"Vértice?"

"Sim."

"Tem certeza?"

"Tenho."

Helena abriu a base de dados.

Digitou.

Nenhuma das quatorze empresas tinha aquele nome.

Lívia olhou.

"Não aparece."

"Exatamente."

Helena digitou novamente, agora consultando registros empresariais antigos.

Várias empresas surgiram.

Ela filtrou por São Paulo.

Depois por datas.

Uma linha apareceu.

Vértice Administração Patrimonial Ltda.

Helena sentiu o coração bater mais forte.

"Fundação em 1998."

Teresa se inclinou.

"É da época."

"Situação cadastral?"

Gabriel perguntou.

Helena abriu.

"Baixada em 2004."

O entusiasmo desapareceu por um segundo.

Lívia cruzou os braços.

"Então acabou."

Helena continuou lendo.

"Não."

"O quê?"

"Foi incorporada."

"Por quem?"

Helena abriu o histórico.

Houve uma alteração societária.

Depois outra.

Mudança de nome.

Transferência de sede.

Nova razão social.

Ela ficou imóvel.

Gabriel se aproximou.

"Achou?"

Helena ampliou a tela.

"Vértice virou Prisma Gestão de Ativos."

Lívia franziu a testa.

"Esse nome não estava nas quatorze."

"Não."

Helena digitou mais.

"Porque ela nunca recebeu dinheiro diretamente dos fundos."

"Então o que fazia?"

Helena abriu os vínculos.

Na tela apareceram as quatorze empresas.

Todas.

Ligadas por procurações.

Contratos.

Participações indiretas.

Mandatos financeiros.

Ela sentiu um frio percorrer o corpo.

"Meu Deus."

Gabriel olhou.

"O quê?"

Helena apontou.

"As quatorze não eram independentes."

Lívia se aproximou.

"Todas respondem para a Prisma."

Helena assentiu.

"É a décima quinta empresa."

O silêncio tomou a sala.

Teresa levou a mão à boca.

"Então nunca acabou."

Helena olhou para ela.

"Não."

Voltou para a tela.

"Ela só mudou de nome."

A investigação mudou de direção naquela madrugada.

Não procuraram Marcelo.

Não procuraram seu celular.

Não procuraram imóveis.

Procuraram a Prisma Gestão de Ativos.

正文3

E quanto mais cavavam, mais o mapa crescia.

À uma da manhã, encontraram uma holding em Belo Horizonte.

Às duas, uma administradora de fundos em Curitiba.

Às três e quinze, uma empresa registrada em Montevidéu.

Às quatro, uma estrutura fiduciária nas Ilhas Virgens Britânicas.

Helena não saiu da cadeira.

A perna doía.

As costas queimavam.

Mas ela continuava.

Lívia colocou um café na frente dela.

"Bebe."

"Depois."

"Agora."

Helena pegou.

Gabriel estava em outro computador.

"Encontrei um fundo."

Helena virou.

"Qual?"

"Arbor Capital III."

"Valor?"

"R$ 46 milhões."

"Origem?"

"Prisma."

"Destino?"

"Conta internacional."

"Quando?"

Gabriel ficou em silêncio.

Helena percebeu.

"Quando?"

"Programado para depois de amanhã."

Ela sentiu o corpo inteiro ficar alerta.

"Mostra."

Ele girou a tela.

Uma ordem de liquidação estava registrada.

Quarenta e oito horas.

Helena começou a procurar.

"Tem mais."

Lívia se aproximou.

"Como sabe?"

"Porque ninguém constrói essa estrutura para uma transferência só."

Cinco minutos depois, encontrou outra.

R$ 28 milhões.

Depois uma terceira.

R$ 17 milhões.

Rafael entrou pouco depois.

"Recebi o alerta."

Helena apontou para as telas.

"Eles estão tirando o dinheiro do Brasil."

"Quanto?"

"Ainda estamos somando."

"Dos R$ 210 milhões?"

"Sim."

Gabriel digitava rapidamente.

"Mais uma."

"Quanto?"

"R$ 31 milhões."

Helena fechou os olhos.

"Total?"

Lívia fez a soma.

"R$ 122 milhões programados."

Rafael ficou imóvel.

"Para quando?"

"Entre hoje à noite e as próximas quarenta e oito horas."

Teresa estava sentada no canto.

"Se sair?"

Helena respondeu:

"Vai ser muito mais difícil recuperar."

"Quanto mais difícil?"

Ela olhou para a mãe.

"Talvez impossível."

Teresa abaixou os olhos.

Helena voltou à tela.

Aqueles números não eram apenas dinheiro.

Havia pessoas atrás deles.

Aposentados.

Funcionários antigos.

Famílias que passaram décadas contribuindo.

Gente que contava com aquele fundo para remédio.

Aluguel.

Comida.

Velhice.

Marcelo podia desaparecer.

Mas não levaria aquilo.

Helena olhou para Lívia.

"Precisamos congelar tudo."

"Eu sei."

"Não só as contas."

"Helena."

"Imóveis."

"Sim."

"Aeronaves."

"Sim."

"Fundos."

"Sim."

"Trustes."

"Vou pedir."

"Agora."

Lívia pegou o celular.

"Agora."

Às cinco e quarenta da manhã, a primeira ordem emergencial foi assinada.

Às cinco e cinquenta e dois, três contas foram bloqueadas.

R$ 18 milhões.

Às seis e sete, outras cinco.

Mais R$ 27 milhões.

Às seis e vinte, uma corretora suspendeu a liquidação de dois fundos.

Às seis e trinta e quatro, o Banco Central recebeu ordem de rastreamento ampliado.

Helena observava os números mudarem na tela.

Uma linha ficava vermelha.

Depois outra.

Depois outra.

BLOQUEADO.

BLOQUEADO.

BLOQUEADO.

Gabriel estava ao lado dela.

"Isso é dele?"

"Não."

Helena respondeu.

"É das pessoas de quem ele tirou."

Às sete, um imóvel no Morumbi foi indisponibilizado.

Depois uma cobertura no Itaim Bibi.

Uma casa em Angra dos Reis.

Duas fazendas.

Participações societárias.

Títulos privados.

Fundos de investimento.

Uma conta em Luxemburgo foi marcada para retenção internacional.

Uma estrutura fiduciária recebeu ordem de não movimentação.

Lívia entrou segurando outra decisão.

"Conseguimos a aeronave."

Helena ergueu os olhos.

正文4

"Qual?"

"Jato executivo registrado em nome da Vértice Aviação."

Gabriel franziu a testa.

"Vértice."

Helena assentiu.

"Mesmo nome antigo."

"Ele manteve."

"Porque achava que ninguém procuraria tão longe."

Rafael entrou logo atrás.

"Temos dois hangares bloqueados."

"E o jato?"

"Em Congonhas."

Helena sentiu uma satisfação fria.

Pela primeira vez desde que Marcelo desaparecera, ele perdera alguma coisa antes de conseguir fugir.

Dinheiro.

Avião.

Casas.

Contas.

A estrutura que comprava silêncio começava a parar.

O telefone de Gabriel vibrou.

Ele olhou.

"Recebi uma mensagem."

Helena virou.

"De quem?"

"Número desconhecido."

"Não abre."

Rafael pegou o aparelho.

"Deixa a perícia ver."

Gabriel entregou.

Pouco depois, o técnico confirmou que era apenas texto.

Rafael leu.

"Você acha que congelar dinheiro muda alguma coisa?"

Helena ficou imóvel.

Gabriel perguntou:

"Marcelo?"

"Provavelmente."

Outra mensagem chegou.

"Dinheiro sempre encontra uma saída."

Helena estendeu a mão.

Rafael mostrou a tela.

Ela leu.

Depois respondeu:

"Não manda nada."

Gabriel olhou para ela.

"Você não vai responder?"

"Não."

"Por quê?"

"Porque ele quer saber se estamos reagindo."

Ela voltou ao computador.

"Prefiro que descubra pelos bancos."

Mais uma conta foi bloqueada.

R$ 9,6 milhões.

Helena sorriu de leve.

"Essa é minha resposta."

Às oito e quinze, a maior parte das transferências previstas estava congelada.

O total protegido ultrapassava R$ 160 milhões entre recursos disponíveis, participações e ativos identificados.

Ainda faltava muito.

Mas Marcelo já não podia simplesmente apertar um botão e levar tudo embora.

Lívia tirou os óculos.

"Você conseguiu."

Helena balançou a cabeça.

"Ainda não."

"Paramos as transferências."

"Por enquanto."

"É uma vitória."

"Vitória temporária."

Gabriel olhou para ela.

"Você nunca comemora?"

"Quando acabar."

"Isso pode demorar anos."

"Então vou comemorar daqui a alguns anos."

Ele quase sorriu.

Foi a primeira vez em dias que algo entre eles pareceu normal.

Durou pouco.

Rafael entrou segurando uma pasta.

"Temos um problema com o avião."

Helena ficou tensa.

"Ele decolou?"

"Não."

"Então?"

"O plano de voo."

Ele colocou o documento sobre a mesa.

"O jato tinha autorização para sair de Congonhas às vinte e três e quarenta de hoje."

"Destino?"

"Primeiro Assunção."

Helena entendeu.

"Escala."

"Provavelmente."

"E depois?"

"Não constava no plano brasileiro."

Gabriel perguntou:

"Marcelo estava na lista?"

Rafael assentiu.

"Sim."

Helena sentiu o pulso acelerar.

"Então finalmente sabemos quando ele pretendia fugir."

"Sim."

"Quem mais?"

Rafael hesitou.

Helena percebeu.

"Quem?"

Ele colocou a lista diante dela.

Havia quatro nomes.

Piloto.

Copiloto.

Marcelo Valença.

E mais uma passageira.

Helena leu.

Uma vez.

Depois outra.

O corpo inteiro pareceu esfriar.

"Não."

Gabriel se aproximou.

"O que foi?"

Helena não respondeu.

Na última linha estava escrito:

Teresa Aparecida Duarte.

Sua mãe.

Helena levantou os olhos lentamente.

Teresa não estava mais na sala.

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