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"O NDA Manchado de Sangue" Capítulo 7

正文开头

Minha Mãe Sabia

O vídeo de Marcelo terminou, mas ninguém na sala conseguiu se mover imediatamente.

A última frase continuava ecoando na cabeça de Helena.

"Sua mãe mentiu para você."

Ela ficou olhando para a tela preta do notebook.

Lívia foi a primeira a quebrar o silêncio.

"Pode ser manipulação."

Helena não respondeu.

Rafael ainda aparecia na chamada de vídeo, dentro da casa vazia de Marcelo.

"Pode", ele disse. "Mas ele gravou isso sabendo exatamente quais pontos iam atingir você."

Helena apertou os dedos sobre os apoios da cadeira.

"Ele sabia do cofre."

"Sim."

"Sabia que minha mãe guardava documentos."

"Sim."

"Sabia que eu encontraria o nome Duarte."

Lívia se aproximou.

"Helena."

Ela ergueu os olhos.

"Não conclua nada antes de falar com Teresa."

Helena riu sem humor.

"Foi exatamente o que eu fiz ontem."

"Então fale de novo."

"Quantas vezes?"

"Quantas forem necessárias."

Helena desviou o olhar.

Desde criança, Teresa era a pessoa em quem ela confiava sem fazer perguntas.

A mulher que economizava no mercado para pagar material escolar.

Que consertava roupas em vez de comprar novas.

Que dizia que honestidade era a única coisa que ninguém podia tirar de uma pessoa.

Agora o nome dela aparecia num esquema financeiro antigo.

E Marcelo Valença dizia que ela tinha mentido.

Talvez estivesse apenas tentando dividir mãe e filha.

Talvez.

Mas Helena vivia de desconfiar de coincidências.

E agora havia coincidências demais.

"Eu quero a gravação inteira."

Rafael assentiu.

"Vou enviar."

"Sem cortes."

"Sem cortes."

"Também quero todos os arquivos encontrados na casa."

"Já estão sendo recolhidos."

Lívia olhou para Helena.

"E você vai descansar."

"Não."

"Helena."

"Não vou conseguir."

"Você está se recuperando de um atropelamento."

"E o homem que pode ter mandado me matar fugiu."

"Justamente."

Helena se aproximou da mesa.

"Eu quero saber o que minha mãe sabia."

Lívia respirou fundo.

"Então vamos descobrir."

Teresa chegou ao Ministério Público pouco depois das sete da noite.

Não protestou quando viu os dois agentes no corredor.

Não perguntou por que havia uma câmera ligada na sala.

Quando Helena mostrou a gravação de Marcelo, a mãe perdeu a cor.

Ela assistiu em silêncio.

Até a frase final.

"Sua mãe mentiu para você."

Teresa fechou os olhos.

Helena percebeu.

"Você sabe do que ele está falando."

Teresa demorou a responder.

"Eu sei do que ele quer que você pense."

"Não foi o que eu perguntei."

Lívia permaneceu do outro lado da mesa.

Rafael tinha voltado da casa de Marcelo e agora observava tudo em silêncio.

Helena continuou.

"Você mentiu para mim?"

Teresa apertou as mãos.

"Sim."

A resposta doeu mais por ser direta.

Helena ficou imóvel.

"Sobre o quê?"

"Sobre quanto eu sabia."

O ar pareceu desaparecer da sala.

Helena sentiu a raiva subir de uma vez.

"Ontem você disse que encontrou algumas transferências."

"Eu encontrei."

"Disse que suspeitava de fraude."

"Sim."

"Disse que não conseguiu provar."

Teresa baixou os olhos.

正文1

"Isso não era toda a verdade."

Helena fechou os dedos.

"Qual era a verdade?"

Teresa respirou fundo.

"Eu provei."

Ninguém falou.

Helena sentiu o peito apertar.

"Você tinha prova?"

"Sim."

"E não denunciou."

Teresa ergueu os olhos.

"Eu tentei."

"Para quem?"

"Primeiro para o meu chefe."

"Ele mandou você parar."

"Sim."

"Depois?"

"Procurei um escritório de advocacia."

Helena franziu a testa.

"Qual?"

"Não existe mais."

"Nome."

"Carvalho e Menezes."

Lívia anotou.

"Eles aceitaram?"

Teresa balançou a cabeça.

"Um dos sócios marcou uma reunião comigo."

"Quando?"

"Dois dias depois de eu procurar o escritório."

"E?"

"Nunca aconteceu."

"Por quê?"

Teresa respirou fundo.

"Na noite anterior, eu fui seguida."

Helena ficou imóvel.

"Por quem?"

"Não sei."

"Carro?"

"Sim."

"Qual?"

"Um sedã preto."

"Placa?"

"Não consegui ver."

Teresa continuou.

"Eu morava sozinha naquele período."

"Grávida de mim."

"Sim."

A voz da mãe falhou.

"Quando cheguei perto de casa, o carro parou."

Helena não piscou.

"Alguém saiu?"

"Um homem."

"Você reconheceu?"

"Não."

"O que ele disse?"

Teresa fechou os olhos.

"Disse que eu estava fazendo perguntas que podiam me deixar sem futuro."

Helena sentiu as mãos gelarem.

"Foi só isso?"

A mãe ficou em silêncio.

Helena entendeu.

"Não."

Teresa começou a chorar.

"Ele sabia que eu estava grávida."

Helena sentiu o coração disparar.

"O que disse?"

"Que seria uma pena se eu e a criança desaparecêssemos antes do parto."

A sala ficou completamente quieta.

Helena olhou para a mãe.

Por alguns segundos, toda a raiva foi substituída por uma imagem que ela nunca tinha considerado.

Teresa aos vinte e quatro anos.

Grávida.

Sozinha.

Sem dinheiro.

Sendo seguida numa rua escura por homens ligados a uma família bilionária.

Mesmo assim, Helena perguntou:

"E você ficou calada."

Teresa assentiu.

"Fiquei."

"Por quantos anos?"

"Mais de vinte."

"Enquanto eles continuavam fazendo isso."

"Eu não sabia se continuavam."

"Mas podia imaginar."

Teresa levantou a voz.

"Eu estava tentando manter você viva."

Helena também.

"E quantas pessoas perderam dinheiro nesse tempo?"

Lívia ergueu a mão.

"Helena."

"Não."

Ela olhou para a mãe.

"Eu preciso perguntar."

Teresa chorava.

"Eu pensei nisso todos os dias."

"Então por que nunca voltou?"

"Porque eu tinha medo."

"Depois que eu cresci?"

"Continuava com medo."

"Depois que Otávio morreu?"

"Marcelo ainda estava lá."

A resposta caiu pesada.

Helena ficou imóvel.

"Você tinha medo de Marcelo."

Teresa assentiu.

"Desde aquela época?"

"Sim."

"Por quê?"

"Porque ele sabia."

"Sabia o quê?"

"Que eu tinha encontrado as contas."

"Ele participou?"

Teresa hesitou.

"Eu nunca o vi transferindo dinheiro."

"Mas?"

"Foi ele quem fechou meu acesso."

"Foi ele quem chamou você para aquela reunião."

"Sim."

"Foi ele quem mandou o dinheiro."

"Eu não consigo provar."

Helena apertou a mandíbula.

"Você acha que foi."

"Sim."

Lívia se inclinou.

"Teresa, quero que seja muito precisa agora."

Teresa olhou para ela.

"Marcelo estava diretamente envolvido no esquema antigo?"

"Eu acredito que sim."

"Por quê?"

"Porque algumas autorizações passavam pela área dele."

"Assinatura?"

正文2

"Não sempre."

"Carimbo?"

"Às vezes."

"Login?"

"Naquela época os controles eram diferentes."

Teresa respirou fundo.

"Mas as ordens vinham da diretoria financeira."

Helena perguntou:

"E Otávio?"

A mãe fechou os olhos.

"Ele sabia."

"Tem certeza?"

"Eu vi uma aprovação com a assinatura dele."

Gabriel não estava na sala.

Mesmo assim, Helena sentiu o peso daquela informação.

O avô de Gabriel.

Marcelo.

O esquema não começara agora.

Era uma estrutura antiga.

Talvez uma tradição criminosa escondida atrás de décadas de prestígio.

Teresa continuou.

"Havia transferências saindo de reservas de aposentadoria."

"Para quais empresas?"

"Aurora."

"Mais quais?"

"Bravante Participações."

Lívia anotou.

"Outra?"

"Santa Mônica Consultoria."

Helena ergueu a cabeça.

"Santa Mônica ainda existe."

Teresa pareceu surpresa.

"Existe?"

"Com outro CNPJ."

Helena olhou para Lívia.

"Eu encontrei uma empresa com esse nome entre as quatorze."

A promotora ficou séria.

"Então o esquema foi reciclado."

"Ou nunca parou."

Rafael cruzou os braços.

"Isso muda tudo."

Helena voltou os olhos para a mãe.

"Marcelo sabe que você viu isso."

"Sim."

"E sabe que você guardou cópias."

"Sim."

"Por isso limpou o cofre."

"Provavelmente."

Helena ficou em silêncio.

A dúvida não tinha desaparecido.

Na verdade, havia crescido.

"Por que seu nome estava no Fundo Aurora?"

Teresa ficou tensa.

"Eu não sei."

"Você assinou documentos."

"Sim."

"Quantos?"

"Talvez dez."

"Talvez?"

"Faz mais de vinte anos."

"Você leu todos?"

"Os que eu lembrava, sim."

"Então como seu nome virou beneficiário?"

Teresa balançou a cabeça.

"Eu não sei."

Helena sentiu a raiva voltar.

"Ou não quer dizer."

A mãe ficou pálida.

"Eu estou dizendo a verdade."

"Qual delas?"

"Helena."

"Ontem você contou metade."

"Eu estava assustada."

"E hoje?"

"Também."

"Então como eu sei que não tem outra metade?"

Teresa levou a mão ao peito.

"Você acha que eu roubei aquele dinheiro?"

Helena demorou.

Foi o atraso que destruiu Teresa.

"Você acha."

"Eu não disse isso."

"Não precisava."

Teresa se levantou.

"Eu passei a vida inteira tentando fazer o melhor que podia por você."

"Isso não responde."

"Eu não roubei um centavo."

"Então por que Marcelo acha que consegue me fazer acreditar nisso?"

"Porque ele sabe que culpa funciona."

Helena ficou em silêncio.

Teresa continuou.

"Ele fez isso comigo."

"O quê?"

"Quando me ameaçou."

"Como?"

"Disse que, se eu denunciasse, ninguém acreditaria."

A voz dela ficou baixa.

"Porque havia documentos com meu nome."

Helena sentiu o corpo ficar rígido.

"Então ele já tinha preparado você como culpada."

"Sim."

"E agora está fazendo o mesmo comigo."

Teresa assentiu.

"Está."

Helena sentiu um arrepio.

Era o mesmo padrão.

Usar o nome de alguém.

Criar registros.

Construir uma narrativa.

Gabriel era o ladrão perfeito porque as credenciais dele estavam nos sistemas.

Teresa teria sido a cúmplice perfeita porque o nome dela aparecia nos fundos.

E Helena podia ser transformada na filha protegendo a mãe.

Marcelo não escondia apenas dinheiro.

Ele fabricava culpados.

Às nove e vinte, Rafael recebeu uma ligação.

Atendeu no corredor.

正文3

Voltou dois minutos depois.

"Tivemos uma mudança."

Lívia levantou o rosto.

"Qual?"

"Rogério Batista pediu para falar."

Helena ficou imóvel.

"O motorista?"

"Sim."

Teresa empalideceu.

"O homem que atropelou minha filha?"

Rafael assentiu.

"Ele está preso preventivamente."

Helena perguntou:

"Por que quer falar agora?"

"Porque soube que Vitória foi presa."

"E Lavínia?"

"Também."

"E Marcelo desapareceu."

"Sim."

Helena entendeu.

"Ele percebeu que pode ser o próximo a ser descartado."

Rafael assentiu.

"Exatamente."

Lívia pegou a pasta.

"Ele quer acordo?"

"Colaboração."

"Tem advogado?"

"Tem."

"Então vamos."

Teresa segurou o braço de Helena.

"Você não precisa ouvir isso."

Helena olhou para ela.

"Preciso."

"Pode ser horrível."

"Eu já fui atropelada."

Teresa soltou.

Helena viu a dor no rosto da mãe.

Por um instante, quis pedir desculpas.

Mas não conseguiu.

Ainda havia uma distância entre elas.

Uma distância feita de vinte anos de silêncio.

Rogério Batista parecia menor do que Helena imaginava.

Nas imagens da câmera de segurança, ele era apenas uma silhueta dentro de um SUV.

Agora estava sentado numa sala de entrevista do centro de detenção, vestindo roupa cinza e segurando as próprias mãos.

Tinha quarenta e cinco anos.

Olheiras profundas.

Uma cicatriz no queixo.

Quando Helena entrou, ele não conseguiu encará-la.

Rafael permaneceu ao lado dela.

Lívia sentou do outro lado.

O advogado de Rogério abriu a conversa.

"Meu cliente está disposto a colaborar integralmente."

Lívia respondeu:

"Depende do que ele tem."

Rogério levantou os olhos.

"Tenho tudo."

Helena sentiu o estômago apertar.

"Então começa."

Ele olhou para ela.

"Eu sinto muito."

Helena ficou fria.

"Não começa por isso."

Rogério baixou os olhos.

"Tá."

"Começa por quem mandou."

Ele respirou fundo.

"Vitória."

"Como?"

"Mensagem."

"Tem?"

"Tenho."

"Cadê?"

"O advogado está com uma cópia."

O homem colocou um aparelho sobre a mesa.

Um gravador antigo.

"Meu cliente guardava cópias das instruções."

Helena perguntou:

"Por quê?"

Rogério deu uma risada amarga.

"Porque gente rica promete proteção até precisar enterrar alguém."

Rafael ficou atento.

"Você já esperava ser traído."

"Depois do primeiro serviço, sim."

Helena sentiu um frio.

"Primeiro serviço?"

Rogério hesitou.

"Eu fiz outras coisas."

"Para Vitória?"

"Para gente ligada ao grupo."

"Que tipo de coisas?"

"Seguir pessoas."

"Intimidar."

"Levar envelope."

"Quebrar carro."

Lívia perguntou:

"Matou alguém?"

"Não."

Helena encarou.

"Quase."

Rogério fechou os olhos.

"Eu sei."

Ele entregou um cartão de memória.

"Isso estava na câmera do carro."

Rafael pegou.

"Do atropelamento?"

"Sim."

Helena ficou imóvel.

"Você manteve a gravação?"

"Eu tirei antes de devolver o carro."

"Por quê?"

"Seguro."

"Contra quem?"

Rogério respondeu sem hesitar.

"Contra eles."

Lívia colocou o cartão num computador isolado.

O vídeo apareceu.

A imagem tremia por causa da chuva.

Helena viu a rua.

O portão lateral do prédio de Gabriel.

Depois viu a si mesma.

Saindo.

Pequena.

Distante.

Uma figura sob um guarda-chuva.

Ela sentiu o corpo congelar.

O SUV começou a se mover.

A imagem acelerou.

Teresa, que havia insistido em esperar do lado de fora, não estava ali.

正文4

Ainda bem.

Helena não queria que a mãe visse.

O carro avançou.

A gravação parou antes do impacto.

Lívia fechou.

"Chega."

Helena estava pálida.

Rogério não levantava a cabeça.

"Quem te deu o horário?"

"Vitória."

"Como ela sabia?"

"Não sei."

"Você sabia que eu estava no apartamento?"

"Sim."

"Quem falou?"

"Ela."

"Quando?"

"Uma hora antes."

Rafael perguntou:

"E a ordem?"

Rogério olhou para o gravador.

"Tem áudio."

Lívia abriu o arquivo.

A voz de Vitória preencheu a sala.

"Ela vai sair pela lateral."

Pausa.

"Não quero escândalo na porta principal."

Depois outra mensagem.

"Quando ela estiver sozinha, faz parecer acidente."

Silêncio.

Então a frase.

"Faça Helena desaparecer."

Helena não se moveu.

Era diferente ouvir aquilo fora do hospital.

Vitória tinha admitido.

Mas agora havia uma ordem gravada antes do crime.

Data.

Hora.

Voz.

Intenção.

Lívia desligou.

"Quem pagou?"

Rogério respondeu:

"O dinheiro veio de uma conta ligada a Lavínia Albuquerque."

Helena sentiu a peça encaixar.

"Quanto?"

"R$ 300 mil."

"Você recebeu tudo?"

"Metade antes."

"E metade depois?"

"Não."

"Por quê?"

"Porque você sobreviveu."

Helena quase riu.

"Então eu estraguei seu pagamento."

Rogério fechou os olhos.

"Não fala assim."

"Como quer que eu fale?"

Ele não respondeu.

Lívia perguntou:

"Vitória deu a ordem."

"Sim."

"Lavínia pagou."

"Sim."

"E Marcelo?"

Rogério ficou imóvel.

Helena percebeu.

"Você conhece Marcelo."

Ele não respondeu.

Rafael se aproximou.

"Rogério."

O homem engoliu em seco.

"Conheço."

"De onde?"

"Eu vi ele duas vezes."

Helena sentiu o pulso acelerar.

"Quando?"

"Antes do atropelamento."

"Com Vitória?"

"Sim."

"Onde?"

"Num estacionamento em Moema."

"O que aconteceu?"

"Vitória entrou no meu carro."

Rogério respirou fundo.

"Disse que tinha um serviço."

"Eu pedi detalhes."

"Ela falou que uma mulher estava atrapalhando um acordo."

Helena perguntou:

"Eu."

"Sim."

"Marcelo estava lá?"

"Não no começo."

"Depois?"

"Chegou num carro preto."

Lívia perguntou:

"Você tem certeza que era ele?"

"Tenho."

"Como?"

"Porque depois vi ele na televisão."

Helena inclinou-se.

"O que ele disse?"

Rogério olhou para ela.

"Disse para Vitória que não podia haver outro erro."

Rafael franziu a testa.

"Outro?"

"Foi a palavra."

"Você sabe ao que se referia?"

"Não."

Helena sentiu um arrepio.

Rogério continuou.

"Vitória perguntou se Lavínia tinha feito a transferência."

"Marcelo disse que sim."

"E depois?"

"Ele olhou pra mim."

Rogério parou.

"Falou que eu não precisava saber nada sobre o grupo."

"Somente cumprir."

Helena perguntou:

"Cumprir o quê?"

Rogério respondeu:

"Fazer você desaparecer."

O silêncio ficou pesado.

Lívia cruzou os braços.

"Então Marcelo deu a ordem final."

"Sim."

"E Lavínia colocou o dinheiro."

"Sim."

"E Vitória operacionalizou."

"Sim."

Helena sentiu tudo se encaixar.

Não eram três criminosos independentes.

Era uma cadeia.

Marcelo construía e protegia a estrutura.

Lavínia financiava e usava a união entre famílias para ampliar o controle.

Vitória executava pressão, ameaças e violência.

Cada um fazia uma parte.

Isso explicava por que nenhuma das duas mulheres parecia controlar o quadro completo.

Porque não controlavam.

Marcelo controlava.

Helena perguntou:

正文5

"Você fez serviços financeiros para ele?"

Rogério riu.

"Eu nem sei fazer imposto de renda."

"Não perguntei isso."

"Levei documentos."

"Para onde?"

"Escritórios."

"Quais?"

"Posso mostrar."

"Dinheiro?"

"Também."

"Quanto?"

"Não sei."

"Em espécie?"

"Às vezes."

Lívia perguntou:

"Você viu alguma conta?"

"Não."

"Empresas?"

"Ouvi nomes."

"Quais?"

Rogério citou dois.

Ambos estavam entre as quatorze empresas.

Helena olhou para Lívia.

Agora não era mais teoria.

Havia ligação física.

Motorista.

Documentos.

Pagamentos.

Encontros.

Marcelo estava no centro.

"Você sabe onde ele está?"

Rafael perguntou.

Rogério não respondeu imediatamente.

O advogado tocou o braço dele.

"Você pode dizer."

Rogério respirou fundo.

"Talvez."

Helena se aproximou.

"Talvez?"

"Ele tem um lugar."

"Que lugar?"

"Uma casa."

"Onde?"

"Não é no nome dele."

"De quem?"

"De uma empresa."

"Qual?"

Rogério olhou em volta.

Parecia assustado de repente.

"Se eu falar, vocês me tiram daqui?"

Lívia respondeu:

"Não posso prometer liberdade."

"Não quero liberdade."

"Então?"

"Quero transferência."

"Por quê?"

"Porque ele tem gente aqui."

Rafael ficou sério.

"Aqui dentro?"

"Tem gente em todo lugar."

"Quem?"

"Eu não sei os nomes."

"Como sabe?"

Rogério riu nervosamente.

"Porque ontem alguém deixou uma fotografia da minha filha em cima da minha cama."

O silêncio caiu.

Helena sentiu o sangue esfriar.

Rafael virou imediatamente para o agente do lado de fora.

"Trava esse corredor."

Lívia perguntou:

"Sua filha está segura?"

"Meu advogado tirou ela de casa."

"Para onde?"

"Não vou falar."

"Não precisa."

Helena olhou para Rogério.

"Marcelo mandou a foto."

"Quem mais?"

Ela assentiu.

"Então fala antes que ele tenha outra chance."

Rogério respirou fundo.

"Tem uma propriedade perto de..."

As luzes apagaram.

Tudo ficou preto.

Um segundo.

Dois.

Então gritos começaram no corredor.

Helena ouviu uma porta metálica bater.

Rafael puxou a cadeira dela para trás.

"Helena, fica perto da parede."

"Rogério?"

Ninguém respondeu.

"Lívia?"

"Estou aqui."

Um alarme começou a tocar.

Luzes vermelhas de emergência piscaram por alguns segundos e também morreram.

Rafael gritou:

"NINGUÉM ENTRA NESSA SALA!"

Passos correram no corredor.

Helena ouviu o advogado de Rogério xingar.

Depois um ruído seco.

Metal contra metal.

"Rogério?"

Silêncio.

Helena tentou avançar.

Rafael segurou a cadeira.

"Não."

"Ele estava aqui."

"Eu sei."

A energia voltou de repente.

As lâmpadas acenderam.

A sala estava vazia.

Helena congelou.

"Cadê ele?"

O advogado olhou ao redor.

A porta lateral estava aberta.

Rafael saiu correndo.

Helena tentou segui-lo.

Lívia empurrou a cadeira.

No corredor, agentes corriam em direções diferentes.

Uma porta de cela estava aberta no fim.

Rafael entrou.

Parou.

Helena viu o rosto dele mudar.

"Chama a equipe médica."

Lívia empurrou a cadeira mais perto.

Helena viu Rogério.

Ele estava caído no chão da cela.

Imóvel.

A poucos centímetros da mão dele havia uma pequena folha amassada.

E, nela, apenas duas palavras escritas à mão.

"Cala a boca."

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