localização atual: Novela Mágica O NDA Manchado de Sangue Capítulo 6
标题上

"O NDA Manchado de Sangue" Capítulo 6

正文开头

O Herdeiro Perfeito

Na manhã seguinte, Gabriel Valença acordou oficialmente transformado em suspeito.

Às seis e quarenta e dois, o primeiro portal publicou a manchete.

"Herdeiro do Grupo Valença é investigado por possível desvio de fundos de previdência."

Às sete e dez, outros veículos já repetiam a mesma informação.

Às oito, havia comentaristas na televisão discutindo se Gabriel usara a própria irmã e Lavínia Albuquerque como intermediárias para desviar R$ 210 milhões.

Quando Helena chegou ao prédio do Ministério Público, havia pelo menos vinte jornalistas esperando na entrada.

Ela abaixou o vidro apenas o suficiente para ouvir os gritos.

"HELENA, GABRIEL ROUBOU O DINHEIRO?"

"VOCÊ INVESTIGAVA SEU PRÓPRIO NAMORADO?"

"ELE USOU VOCÊ PARA SABER O QUE A POLÍCIA TINHA?"

"VOCÊ VAI DEPOR CONTRA ELE?"

Helena fechou os olhos por um instante.

Doía mais do que gostaria de admitir.

Não porque acreditasse nas manchetes.

Mas porque parte das perguntas era legítima.

As provas digitais apontavam para Gabriel.

O acesso ao servidor fora feito com a credencial dele.

A autenticação usara o nível máximo de segurança vinculado ao herdeiro.

E, segundo o relatório preliminar do banco, o cofre de Teresa também havia sido aberto semanas antes usando uma autorização derivada de uma procuração corporativa associada ao nome de Gabriel.

Coincidência demais.

Ou armação demais.

Helena ainda não sabia qual das duas.

Rafael abriu a porta do carro.

"Preparada?"

Helena colocou as mãos sobre as rodas da cadeira.

"Não."

Ele ergueu uma sobrancelha.

"Finalmente uma resposta normal."

"Mesmo assim, vamos."

Rafael empurrou a cadeira pela entrada lateral.

Lívia os esperava numa sala do terceiro andar.

Sobre a mesa havia três pilhas de documentos, dois notebooks e uma pasta transparente contendo uma cópia da ameaça encontrada no cofre.

Gabriel já estava lá.

Sem advogado.

Helena percebeu isso primeiro.

Ele vestia camisa branca, calça escura e parecia não ter dormido.

Quando a viu, levantou-se.

"Oi."

Helena parou a cadeira perto da porta.

"Oi."

O silêncio entre os dois foi desconfortável.

Lívia fechou a pasta que estava lendo.

"Antes de qualquer coisa, Gabriel pediu para prestar depoimento formal."

Helena olhou para ele.

"Sem advogado?"

"Meu advogado está vindo."

"Então espera."

"Não quero esperar."

"Isso não é inteligente."

Gabriel soltou o ar.

"Também não é inteligente parecer que estou ganhando tempo."

Helena apertou os lábios.

"Não é assim que investigação funciona."

"Eu sei."

"Não, você não sabe."

Gabriel ficou em silêncio.

Helena se aproximou da mesa.

"Você cresceu num mundo em que advogado chega antes da pergunta."

"Provavelmente."

"E agora está tentando provar inocência recusando proteção jurídica."

"Estou tentando mostrar que não tenho nada a esconder."

"Uma coisa não prova a outra."

Lívia observava os dois.

Rafael preferiu ficar perto da janela.

Gabriel passou a mão pelo rosto.

"Helena, eu quero ajudar."

"Então começa não fazendo besteira."

Ele olhou para ela por alguns segundos.

"Você acredita que eu fiz isso?"

A pergunta entrou direto.

Helena não respondeu imediatamente.

正文1

Gabriel percebeu.

"É uma pergunta simples."

"Não é."

"Para mim é."

Helena respirou fundo.

"Eu acredito que você pode não ter feito."

Ele soltou uma risada amarga.

"Pode não ter feito."

"É o que eu posso dizer."

"Depois de tudo?"

"Depois de tudo."

Gabriel virou o rosto.

Helena sentiu o peito apertar.

Mas continuou.

"Seu usuário apagou o servidor."

"Eu estava com a polícia."

"Seu certificado digital aparece numa autorização."

"Eu não fiz."

"Eu sei o que você está dizendo."

"Você sabe que eu não faria isso."

"Eu sei quem eu acho que você é."

Gabriel voltou os olhos para ela.

Helena manteve a voz firme.

"Mas eu trabalho com provas."

A expressão dele endureceu.

"Então agora eu sou um número numa planilha?"

"Se for necessário, sim."

Gabriel ficou imóvel.

Helena sentiu a própria frase doer.

Mesmo assim, não a retirou.

"Eu te amo."

O silêncio ficou mais pesado.

Ela continuou.

"Mas se eu começar a escolher quais provas aceito dependendo de quem eu amo, então eu viro exatamente o tipo de pessoa que estou investigando."

Gabriel abaixou os olhos.

Lívia se levantou.

"Vou dar cinco minutos."

Rafael a acompanhou.

A porta se fechou.

Helena e Gabriel ficaram sozinhos.

Ele caminhou até a janela.

"Você sabe qual é a pior parte?"

Helena não respondeu.

"Minha vida inteira, quando alguma coisa dava errado, alguém encontrava uma explicação."

Ele riu sem humor.

"Se eu faltava numa reunião, a secretária inventava motivo."

Helena ouviu.

"Se Vitória fazia alguma coisa, meu pai resolvia."

Ele cruzou os braços.

"Se um negócio saía errado, o jurídico apagava o incêndio."

Helena olhou para ele.

"E agora?"

"Agora ninguém está apagando."

"Talvez seja bom."

Gabriel assentiu lentamente.

"Talvez."

Ele virou.

"Mas eu queria que você dissesse que acredita em mim."

Helena sentiu a garganta apertar.

"Eu quero acreditar."

"Não é a mesma coisa."

"Eu sei."

Gabriel se aproximou.

Parou a poucos passos da cadeira.

"Se as provas apontarem para mim, faça o seu trabalho."

Helena ergueu os olhos.

Ele continuou.

"Não me proteja."

"Gabriel."

"Eu estou falando sério."

"Eu sei."

"Se eu estiver envolvido, mesmo que eu não lembre, mesmo que alguém prove que assinei alguma coisa sem entender, faça o que precisa fazer."

Helena sentiu os olhos arderem.

"Não fala como se já estivesse se despedindo."

"Eu não estou."

"Está parecendo."

"Eu estou tentando fazer uma coisa que minha família nunca fez."

"O quê?"

"Assumir que meu sobrenome não me dá imunidade."

Helena ficou em silêncio.

Gabriel se abaixou diante dela.

"Mas, se eu não fiz..."

Ele parou.

"Descobre quem fez."

Helena segurou o olhar dele.

"Eu vou descobrir."

A porta abriu.

Lívia voltou.

"Seu advogado chegou."

Gabriel se levantou.

"Ótimo."

A promotora olhou para Helena.

"Você fica?"

"Fico."

Gabriel não reagiu.

Mas algo entre eles havia mudado.

Não era rompimento.

Ainda não.

Era uma rachadura.

E ambos sabiam.

O depoimento durou três horas.

Gabriel respondeu sobre contas, reuniões, acessos, assinaturas, dispositivos de autenticação e procurações.

正文2

Negou ter autorizado qualquer transferência irregular.

Negou ter conhecido as quatorze empresas de fachada.

Negou ter acessado o cofre de Teresa.

Quando Rafael perguntou sobre o dispositivo de autenticação física usado para operações sensíveis, Gabriel explicou.

"É uma chave criptográfica."

"Fica onde?"

"Normalmente comigo."

"Normalmente?"

"Às vezes no cofre do escritório."

"Quem tem acesso?"

"Eu."

"Mais ninguém?"

Gabriel hesitou.

Helena percebeu.

"Gabriel."

Ele olhou para ela.

"Responde."

Ele respirou fundo.

"Algumas pessoas podem acessar o cofre em situação de emergência."

Rafael perguntou:

"Quem?"

"Meu tio Marcelo."

Helena ficou imóvel.

"Mais alguém?"

"O diretor de segurança da informação."

"Nome?"

"Eduardo Faria."

"Mais alguém?"

"Vitória tinha acesso ao andar executivo, mas não deveria conseguir abrir aquele cofre."

"Não deveria?"

"Os privilégios dela eram menores."

Helena anotou.

Rafael continuou.

"Marcelo tinha cópia da sua chave?"

"Não."

"Tem certeza?"

"Sim."

"Então como ele poderia usar sua autenticação?"

Gabriel respondeu:

"Se tivesse acesso físico por tempo suficiente, talvez fosse possível copiar o certificado."

Helena levantou a cabeça.

"Copiar?"

Gabriel olhou para ela.

"Não é simples."

"Mas é possível?"

"Com equipamento certo."

Lívia se aproximou.

"Quanto tempo levaria?"

"Não sei."

"Minutos?"

"Talvez."

"Horários?"

"Depende."

Helena sentiu uma linha se formar na cabeça.

"Quando foi a última vez que você deixou a chave no cofre?"

Gabriel pensou.

"Duas semanas atrás."

"Exatamente quando?"

"Na segunda-feira."

"Antes ou depois de descobrir minha investigação?"

"Depois."

"Por quê?"

"Eu tinha uma reunião fora."

"Quem ficou no escritório?"

"Metade da diretoria."

Helena se inclinou.

"Marcelo?"

"Sim."

O ambiente mudou.

Lívia percebeu.

"Helena?"

Ela já estava olhando para o notebook.

"Quero os registros de acesso do servidor."

Rafael perguntou:

"Já temos."

"Quero o horário exato."

Lívia puxou a pasta.

"Vinte e uma horas, quatorze minutos e cinquenta e dois segundos."

"Do dia da prisão de Lavínia?"

"Sim."

"Primeira operação?"

"Sim."

"E o apagamento completo?"

"Vinte e uma e dezessete."

Helena olhou para Gabriel.

"Onde você estava às vinte e uma e quatorze?"

"Na propriedade dos Albuquerque."

"Com quem?"

"Com Lavínia."

"Mais alguém?"

"Policiais."

Rafael assentiu.

"Temos câmeras corporais."

Helena virou-se para ele.

"Desde que horas?"

"Desde vinte horas e trinta."

"Sem intervalo?"

"Sem intervalo."

"Gabriel ficou sozinho em algum momento?"

Rafael pensou.

"Foi ao banheiro."

Helena estreitou os olhos.

"Quanto tempo?"

"Dois minutos."

"Com o celular?"

Gabriel respondeu.

"Não lembro."

"Com a chave?"

"Não."

"Estava com você?"

"Não."

"Onde?"

"No escritório."

Helena ficou imóvel.

Lívia percebeu.

"Você está pensando em alguma coisa."

Helena puxou o notebook para perto.

"Me mostra o log."

A promotora abriu o arquivo.

Helena começou a percorrer as linhas.

Horários.

IP.

Localização.

Dispositivo.

Certificado.

Ela parou.

"Isso aqui."

Rafael se aproximou.

"O quê?"

"Identificador físico."

Gabriel olhou.

"É o da minha chave."

Helena apontou para outra coluna.

"E o endereço de rede?"

Lívia respondeu:

"Sede do grupo."

"Então não foi feito da casa de Lavínia."

"Não."

"Nem remotamente da propriedade Albuquerque."

"Não."

Helena sentiu o pulso acelerar.

"Foi feito da Faria Lima."

正文3

Gabriel franziu a testa.

"Quem estava lá?"

Rafael abriu outra planilha.

"Segurança, equipe técnica, alguns executivos."

"Marcelo?"

Silêncio.

Rafael procurou.

"Entrou às dezoito e vinte."

"E saiu?"

Outra pausa.

"Vinte e uma e quarenta e três."

Helena encostou-se na cadeira.

"Ele estava no prédio."

Lívia ergueu uma mão.

"Isso não prova nada."

"Não."

Helena continuou analisando.

"Mas prova que podia."

Gabriel ficou pálido.

"Meu tio sabia onde eu guardava a chave."

Helena olhou para ele.

"Ele também sabia que você estava com Lavínia naquela noite?"

"Sim."

"Como?"

"Ele participou da preparação do anúncio."

Helena sentiu outra peça encaixar.

"Então sabia que você estaria fora do prédio por horas."

Gabriel não respondeu.

Lívia cruzou os braços.

"Precisamos de mais."

Helena assentiu.

"Temos."

Todos olharam.

Ela ampliou outra parte do registro.

"Olha a sequência."

Rafael se aproximou.

"Login às vinte e uma e quatorze."

"Sim."

"Autenticação física validada."

"Sim."

"Mas veja o tempo entre validação e comando."

Lívia estreitou os olhos.

"Três segundos."

Helena assentiu.

"Gabriel, quando você usa esse sistema normalmente, quanto demora?"

"Para quê?"

"Entrar, navegar, selecionar o servidor e iniciar um apagamento avançado."

Ele pensou.

"Pelo menos dois ou três minutos."

"Se souber exatamente o caminho?"

"Talvez um."

Helena apontou.

"Três segundos."

Rafael entendeu.

"Script automático."

"Exatamente."

Gabriel se aproximou.

"Alguém preparou o comando antes."

"Sim."

Helena continuou.

"A chave foi usada apenas para autorizar algo que já estava configurado."

Lívia cruzou os braços.

"Isso significa planejamento."

"E acesso físico."

"Ou clonagem."

Helena assentiu.

Gabriel olhou para ela.

"Você acha que clonaram minha chave."

"É a hipótese mais forte."

"Quando?"

"Antes daquela noite."

"Quem?"

Helena não respondeu imediatamente.

Ela puxou outra planilha.

"O cofre da minha mãe."

Lívia percebeu.

"Você quer cruzar os acessos."

"Quero."

Rafael abriu o relatório bancário.

"A procuração usada foi emitida por uma holding vinculada ao Grupo Valença."

"Quem autorizou?"

"Assinatura digital de Gabriel."

Helena olhou para ele.

"Você assinou?"

"Não."

"Qual certificado?"

Rafael verificou.

Ficou em silêncio.

Helena já sabia.

"O mesmo?"

Ele assentiu.

"O mesmo."

Gabriel afastou-se da mesa.

"Meu Deus."

Helena sentiu o peito apertar.

A mesma chave digital aparecia em dois crimes.

O apagamento do servidor.

O acesso ao cofre.

E Gabriel estava comprovadamente em outro lugar durante pelo menos um deles.

"Isso limpa Gabriel?"

Rafael perguntou.

Helena balançou a cabeça.

"Não."

Gabriel olhou para ela.

"Não?"

"Prova que alguém pode usar sua identidade digital."

"E isso não basta?"

"Também pode significar que você entregou a chave para alguém."

A expressão dele fechou.

Lívia não interferiu.

Helena continuou.

"Eu não vou trocar uma conclusão precipitada por outra."

Gabriel soltou o ar.

"Claro."

A frieza na voz dele machucou.

Helena percebeu.

Mas não recuou.

"Precisamos saber quem teve acesso."

Rafael olhou para a lista.

"Marcelo."

"Eduardo Faria."

"Vitória talvez."

Helena falou:

"Vitória estava desesperada no hospital."

"Sim."

"Ela parecia ter medo quando perguntei sobre os fundos."

Lívia assentiu.

"E tentou impedir Lavínia de falar."

正文4

"Exatamente."

Gabriel cruzou os braços.

"Vitória sabia muito."

Helena respondeu:

"Mas talvez não soubesse tudo."

Rafael perguntou:

"E Lavínia?"

"Ela sabia sobre as transferências falsas."

"Mas?"

"Falava como quem conhecia o plano final."

Helena parou.

"Não como quem controlava a estrutura."

Lívia olhou para Gabriel.

"Marcelo é diretor financeiro há quanto tempo?"

"Dezoito anos."

Helena levantou o rosto.

"Antes disso?"

"Diretor de planejamento."

"E antes?"

"Controladoria."

Helena sentiu o estômago apertar.

"Controladoria."

Gabriel percebeu.

"O que foi?"

"Minha mãe disse que ele já trabalhava com finanças quando ela encontrou o primeiro esquema."

Silêncio.

Rafael endireitou-se.

"Vinte e poucos anos atrás."

"Sim."

"Ele já estava lá."

"Sim."

Lívia pegou o telefone.

"Vou pedir busca e apreensão."

Gabriel ficou tenso.

"Na casa do meu tio?"

"Sim."

"Vocês têm base?"

Lívia olhou para ele.

"Registro de presença no prédio, acesso potencial ao dispositivo, histórico funcional e conexão com a estrutura antiga."

Gabriel baixou os olhos.

"Faça."

Helena observou.

Aquilo parecia doer mais nele do que qualquer manchete.

Marcelo fora, durante anos, o adulto calmo da família.

Quando Vitória criava crises, era Marcelo quem resolvia.

Quando Gabriel brigava com o pai, era Marcelo quem ligava depois.

Quando o grupo enfrentava imprensa, era Marcelo quem aparecia dizendo que a família permaneceria unida.

O homem que nunca levantava a voz.

O homem que parecia nunca perder o controle.

Talvez porque estivesse controlando muito mais do que todos imaginavam.

Às quatro e vinte da tarde, a ordem foi autorizada.

Rafael saiu com duas equipes.

Helena insistiu em acompanhar até a rua, mas Lívia proibiu.

"Você ainda está em recuperação."

"Eu estou sentada."

"Você levou um atropelamento há menos de uma semana."

"Eu lembro."

"Então fica."

Gabriel estava no corredor.

"Eu vou."

Helena olhou para ele.

"Não."

"É a casa do meu tio."

"Por isso mesmo."

"Eu conheço o lugar."

"Rafael também consegue abrir uma porta."

Gabriel ficou irritado.

"Você está me tratando como suspeito."

"Você ainda é."

A frase caiu entre os dois.

Gabriel apertou a mandíbula.

"Entendi."

Ele virou.

Helena chamou.

"Gabriel."

Ele parou.

"Eu não estou fazendo isso para te machucar."

"Mas está."

Helena sentiu o peito apertar.

"Eu sei."

Ele não respondeu.

Foi embora pelo corredor.

Helena ficou olhando até desaparecer.

Quarenta e cinco minutos depois, o telefone de Lívia tocou.

Ela atendeu.

"Rafael?"

Helena imediatamente levantou os olhos.

A expressão da promotora mudou.

"O quê?"

Pausa.

"Tem certeza?"

Outra pausa.

"Não toca em nada."

Helena se aproximou com a cadeira.

"Encontraram ele?"

Lívia desligou.

"Não."

"Então?"

"A casa está vazia."

"Vazia como?"

"Sem Marcelo."

"Funcionários?"

"Nenhum."

"Carros?"

"Um na garagem."

"Bagagem?"

Lívia respirou fundo.

"Parece que ele saiu com pressa."

Helena sentiu um frio na nuca.

"Ele sabia."

"Provavelmente."

"Tem câmera?"

"Sim."

"E gravação?"

"Apagada."

Helena fechou os olhos.

"Claro."

O telefone vibrou novamente.

Dessa vez era uma chamada de vídeo de Rafael.

Lívia atendeu.

A imagem apareceu mostrando a sala de Marcelo.

正文5

Tudo impecável.

Um sofá cinza.

Livros.

Uma mesa de madeira.

No centro, um notebook aberto.

Rafael apareceu na câmera.

"Vocês precisam ver isso."

Helena aproximou-se.

"O quê?"

"Quando entramos, isso já estava ligado."

Ele virou o telefone para o notebook.

Na tela havia um vídeo pausado.

Marcelo estava sentado diante de uma parede escura.

Vestia camisa azul clara.

Sem gravata.

Parecia calmo.

Calmo demais.

Rafael falou:

"Tem um arquivo configurado para reprodução automática."

Lívia perguntou:

"Já verificaram se há risco?"

"Equipe técnica isolou a máquina da rede."

"Pode tocar."

Rafael apertou a barra de espaço.

Marcelo começou a falar.

"Se você está vendo esta gravação, então imagino que finalmente tenham chegado à minha casa."

Helena sentiu o corpo ficar rígido.

Marcelo continuou.

"Também imagino que os investigadores estejam muito satisfeitos por terem encontrado um novo culpado."

Ele sorriu de leve.

"Minha sobrinha presa."

"Lavínia presa."

"Gabriel sendo tratado como ladrão."

"E agora eu."

Helena não desviou os olhos.

Marcelo inclinou-se para a câmera.

"Vocês sempre precisam de uma pessoa para colocar no centro da história."

Pausa.

"Mas histórias de dinheiro raramente têm apenas uma pessoa."

Lívia falou baixo.

"Ele está ganhando tempo."

Rafael fez um gesto para que ela continuasse ouvindo.

Marcelo prosseguiu.

"Gabriel, se você estiver assistindo, sinto muito."

Helena apertou os dedos.

"Você sempre foi o herdeiro perfeito."

"Educado."

"Apresentável."

"Fácil de vender ao mercado."

O sorriso desapareceu.

"Mas nunca soube metade do que carregava no próprio sobrenome."

Helena sentiu o coração acelerar.

Então Marcelo olhou diretamente para a câmera.

Como se soubesse exatamente quem estaria do outro lado.

"Helena."

Ela parou.

Marcelo continuou.

"Você é mais inteligente do que eu esperava."

Rafael ficou imóvel.

Lívia também.

"Seguiu as empresas."

"Seguiu os fundos."

"Encontrou o nome Duarte."

Helena sentiu o ar faltar.

Ele sabia.

Sabia de tudo.

Marcelo se inclinou um pouco mais.

"Mas ainda está investigando a história errada."

Helena sentiu um arrepio subir pelos braços.

Na tela, Marcelo fez uma pausa longa.

Então pronunciou cada palavra lentamente.

"Helena, se você está vendo isso, sua mãe mentiu para você."

下一张上
下一章下

você pode gostar

Compartilhar Link

Copie o link abaixo para compartilhar com seus amigos:

页面底部