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"O Telhado que Todos Chamavam de Loucura" Capítulo 7

正文开头

Debaixo do Telhado

Lídia puxou a corda até sentir a primeira trava ceder.

A neve da face voltada para o pátio deslizou sobre os homens de Varek. Dois largaram as tochas e correram; o terceiro desapareceu sob a massa branca junto à porta dos fundos.

Do lado onde Daniel pendia, nada caiu.

Lídia havia soltado apenas metade do mecanismo.

“Daniel! Pela chaminé!”

Ele procurou apoio com a bota, mas a viga rachada afundou mais um palmo. O gancho preso nela impedia que se aproximasse da abertura.

Lídia enfiou o cabo do machado entre a segunda trava e a argola de ferro. Enquanto mantivesse a madeira ali, o peso da neve não soltaria o outro lado.

“Solte o gancho!”, gritou.

“Se eu soltar a estaca, caio.”

Varek saiu de trás da saliência da parede. A neve agora bloqueava a porta por onde seus homens pretendiam entrar, mas o telhado ainda oferecia passagem.

“Vá buscá-lo”, ordenou a Nuno.

O rapaz subiu pela corda presa à casa de Joana. Daniel viu sua sombra crescer sobre as telhas. Estava pendurado por uma mão, com a espada fora de alcance.

Lídia puxou uma haste de madeira apoiada no sótão. Empurrou-a pela janela estreita, diretamente contra a corda de Nuno. Não tinha força para cortá-la dali, mas conseguiu afastá-la do telhado.

Nuno perdeu o apoio e ficou balançando entre as casas.

Bento surgiu no pátio com dois moradores. Ao reconhecer o sobrinho, parou com a espada erguida.

“Corte a corda”, disse Lídia.

“Ele vai cair sobre as pedras.”

“Há neve suficiente para amortecer. Se subir, Daniel cai.”

Bento hesitou por um único segundo. Depois atingiu a corda com a espada. Nuno caiu na neve acumulada, tentou se levantar e recebeu um golpe de Tomás nas pernas. Os moradores o imobilizaram.

Lídia voltou a Daniel.

“Olhe para mim. Há uma tábua abaixo da sua mão direita.”

“Não alcanço.”

“Balance o corpo.”

Ele fez o que ela pediu. Na segunda tentativa, a bota encontrou a tábua. A madeira rangeu, mas suportou seu peso por tempo suficiente para ele passar o braço pela estaca seguinte.

Lídia arrancou o machado da trava, segurando a corda com a outra mão.

“Venha.”

Daniel alcançou a borda da janela. Lídia agarrou a parte de trás de sua túnica e o puxou para o sótão. Os dois caíram sobre as tábuas.

A viga do lado de fora se partiu no mesmo instante.

O gancho arrastou um pedaço do telhado. Ar gelado invadiu o sótão. Lídia se ergueu primeiro e levou Daniel até a parede interna.

“Agora?”, perguntou ele, ainda sem fôlego.

Lídia olhou pela abertura. Varek reunia os homens que restavam sob a lateral descoberta da casa. Acreditava que o mecanismo já tinha sido usado.

“Agora.”

Ela retirou o machado da argola e puxou a segunda corda.

Os suportes sob a neve se inclinaram de uma vez. O peso acumulado durante três dias desceu pela face voltada para a rua, arrancando os ganchos e varrendo as cordas presas às estacas.

正文1

Varek se jogou atrás do poço.

A neve cobriu o caminho entre a casa de pedra e a de Joana. Os homens que tentavam subir foram lançados ao chão; um deles perdeu a espada, outro ficou preso pela perna e precisou que os próprios companheiros o puxassem.

Do outro lado da rua, alguém começou a bater numa panela de ferro.

Logo vieram outras.

Os moradores saíram das portas com lanças de caça, pás e pedaços de madeira. Pela primeira vez, os invasores tiveram de recuar sem conseguir levar nada.

Daniel observava a rua pela abertura no telhado.

“Ele vai voltar.”

“Eu sei.”

Lídia desceu ao andar principal. A porta dos fundos estava empenada, mas continuava fechada. O porão estava vazio. Sobre o chão de terra havia pequenas pegadas seguindo para a passagem da oficina.

Ela tocou a última marca, feita por um sapato infantil com a sola gasta. As vinte e três crianças tinham saído antes da queda da neve.

Rosa apareceu do outro lado da passagem, ofegante.

“Chegaram todas. Joana contou duas vezes.”

Lídia fechou os olhos por um instante.

O primeiro perigo havia passado. Não podia permitir que o alívio a tornasse lenta.

“Fechem a saída da oficina”, disse. “Varek viu gente correndo para lá.”

“Joana já levou as crianças pelos fundos.”

“Para onde?”

“Para a casa comunal. Bento disse que reunir todos seria mais seguro.”

Lídia sentiu o sangue esfriar.

“Bento estava aqui quando elas saíram?”

“Tomás transmitiu o recado. Disse que Bento tinha mandado abrir o salão.”

No pátio, Bento ainda segurava Nuno no chão. Não podia ter dado aquela ordem.

“Rosa, volte. Diga a Joana que não entre na casa comunal.”

Um grito ecoou perto do poço. Tomás vinha da oficina, sozinho, com uma mancha de sangue no ombro.

“Não fui eu!”, gritou ao ouvir Lídia chamá-lo. “Um homem usando minha capa falou com Joana. Encontrei a minha jogada atrás do celeiro.”

Lídia correu para a rua.

Perto da casa comunal, a neve recente guardava uma fila de pegadas pequenas. Elas entravam pela porta principal.

Na janela do andar de cima, uma vela acendeu.

Depois outra.

Lídia reconheceu o sinal que pedira aos moradores para usar nas casas ocupadas. Alguém o estava repetindo para anunciar que as crianças haviam chegado.

Do bosque, uma trompa respondeu.

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