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"O Telhado que Todos Chamavam de Loucura" Capítulo 5

正文开头

A Porta do Celeiro

O homem do celeiro agarrou o rapaz pelo colarinho e encostou uma faca em sua garganta.

“Larguem as ferramentas”, ordenou.

Os moradores congelaram.

Bento ergueu as mãos. Joana deu um passo à frente, mas Lídia a deteve. O invasor mantinha o rapaz entre o próprio corpo e a porta; uma flecha disparada da rua provavelmente acertaria os dois.

Lídia desceu do poço.

“Você estava esperando que abrissem o celeiro”, disse.

“Velha esperta.”

“Se quer sair vivo, afaste a faca.”

Ele riu e arrastou o rapaz para trás, em direção à porta lateral.

Lídia conhecia aquele celeiro. O marido dela ajudara a reforçar as paredes depois de um inverno em que a neve entortara as vigas. A porta lateral abria para dentro, mas só até a metade: uma pilha de pedras sustentava o canto da construção.

Ela olhou para Tomás.

“Traga a barra de madeira que estava na porta da frente.”

Ele correu. O invasor apertou a faca contra a pele do rapaz.

“Mais um passo e eu corto.”

“Não vou me aproximar”, disse Lídia. “Você quer passar pela lateral. Ela está emperrada. Vai precisar de duas mãos para abrir.”

“Está tentando me enganar.”

“Experimente com uma.”

Ele tentou. A porta cedeu um palmo e travou. Para forçá-la, teria de soltar o rapaz ou mover a faca.

Lídia apontou para Bento.

“Ele vai abrir por fora. O rapaz sai pela frente. Você fica com a faca e vai embora.”

O invasor olhou para Bento. Foi o bastante para que o rapaz cravasse o calcanhar em seu pé. A faca escorregou. Joana puxou o jovem para fora, e Tomás atravessou a barra de madeira pela entrada.

O homem tentou passar pela lateral. Lídia atingiu a mão dele com o cabo do machado. A faca caiu entre os sacos. Bento e dois moradores o imobilizaram.

“Quem deixou você entrar?”, perguntou Lídia.

O homem cuspiu no chão.

“Pergunte a quem tem a chave.”

Todos olharam para Bento.

Ele tirou a chave do cinto e a jogou sobre um saco.

“Há outra, guardada na casa comunal. Muita gente sabe disso.”

“Quem pegou essa outra chave?”, perguntou Joana.

Bento não respondeu de imediato.

“Vou verificar.”

“Agora”, disse Lídia.

Enquanto Bento saía com dois homens, Lídia revistou o invasor. Encontrou pão duro, um cordel e uma pequena peça de metal achatado. Havia três riscos gravados nela, iguais aos do couro preso em seu telhado.

Ele seguia os caminhos de Varek.

Joana quis perguntar por Ester. Lídia fez um leve movimento de cabeça. Se o homem soubesse que Lina chegara, a notícia alcançaria o acampamento na primeira oportunidade.

Prenderam-no no depósito vazio da casa comunal, com dois guardas à porta. Lídia não confiava que a prisão o manteria ali durante toda a noite, mas precisava descobrir se a chave desaparecera antes ou depois do primeiro gancho.

Bento voltou carregando um prego torto e um pedaço de madeira lascada.

正文1

“A caixa da chave foi aberta à força.”

“Quando a viu inteira pela última vez?”, perguntou Lídia.

“Ontem à tarde.”

“Quem estava na casa?”

“Gente buscando cobertores. Rosa, Tomás, duas famílias.”

Rosa surgiu atrás deles.

“Eu estava cuidando do filho de Joana. Não entrei na sala da chave.”

Tomás afirmou o mesmo. Cada explicação ampliava a lista de possíveis culpados sem provar nada.

Lídia levou Bento à oficina e abriu o pergaminho sobre a bancada.

Ele reconheceu a letra do antigo escrivão.

“Foi escrito depois das buscas”, disse.

“Olhe os traços ao lado de Daniel.”

Bento se inclinou.

“Dois adultos na casa.”

“Erik morreu naquela noite. Quem contou dois antes do ataque?”

Bento ficou em silêncio. Depois estendeu a mão para virar a folha.

Lídia a retirou antes que ele tocasse nela.

“Você ditou os nomes ao escrivão?”

“Ditei os nomes das crianças que faltavam. Não fiz essas marcas.”

“Quem mais teve acesso à lista?”

“O escrivão. Os homens que saíram nas buscas.”

“Varek?”

“Se tivesse, eu não estaria aqui conversando com a senhora.”

Lídia não sabia se aquilo era verdade. Bento tinha uma cicatriz no queixo desde a noite do ataque e perdera o pai tentando defender o moinho. Nenhum desses fatos o inocentava; também não permitiam condená-lo.

“Não diga a ninguém que achei isto”, pediu.

“Desconfia de mim e quer minha ajuda?”

“Preciso de sua ajuda justamente porque ainda não sei de quem desconfiar.”

Ele sustentou o olhar dela e assentiu.

Lídia apresentou um plano simples: a maioria dos adultos ficaria visível na rua principal, reforçando portas e transportando sacos pequenos. Sob essa movimentação, Rosa e Joana conduziriam as crianças em grupos pela passagem antiga que ligava o porão de Lídia à oficina do marido.

Bento conhecia a passagem?

“Vi Erik cavá-la”, respondeu. “Achei que tivesse desabado.”

“Uma parte desabou. Consertei no último verão.”

Era a primeira informação que Lídia lhe entregava sem necessidade. Observou sua reação. Bento apenas perguntou quanto tempo levaria para mover vinte e três crianças.

“Até a próxima troca de guardas na rua”, disse ela.

Daniel apareceu à porta.

“Varek não espera a madrugada. Quando souber que o homem do celeiro foi preso, atacará antes.”

“Como saberá?”

Daniel apontou para a janela.

No alto da encosta, por trás das árvores, uma pequena luz acendeu e apagou três vezes.

Alguém na aldeia sinalizava para a montanha.

Lídia fechou a mão sobre o pergaminho. Poderia perseguir a pessoa que carregava a lanterna. Poderia ordenar a prisão de todos os que haviam estado perto da casa comunal. Nenhuma dessas escolhas tiraria as crianças da rota dos invasores.

“Comecem a passagem”, decidiu. “Eu vou lhes dar alguma coisa para olhar.”

Subiu ao telhado diante dos moradores. Desta vez, ninguém riu.

Pregou uma última estaca na parte mais alta e deixou à vista, presa entre duas vigas, a corda grossa que controlava os suportes de madeira sob a neve acumulada. Era uma corda de verdade, mas não a única. A que acionava a queda principal corria protegida pelo lado interno da chaminé.

Varek veria o que ela queria que ele visse.

Ao descer, Lídia encontrou Lina esperando junto à escada.

“Ester mandou dizer outra coisa. Eu não entendi até ouvir o sino.”

“O quê?”

“Ela disse que, quando Varek tocasse o sino da aldeia, a pessoa que o ajudou da primeira vez abriria a casa das crianças.”

Lídia olhou para a porta atrás da menina.

Do porão veio o som de uma tranca sendo levantada.

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