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"A Mulher na Casa Abandonada" Capítulo 8

正文开头

Agora Vamos Falar da Minha Esposa

Ricardo Vasconcelos entrou na sala do conselho sem pressa.

O silêncio foi tão absoluto que o som de seus passos pareceu atravessar cada pessoa ao redor da mesa.

Caio ficou imóvel.

Beatriz perdeu a cor.

Helena apenas observou.

Ricardo usava um terno escuro, camisa branca e nenhuma gravata. Seu rosto não mostrava descontrole, confusão ou qualquer sinal parecido com o homem descrito no laudo médico apresentado minutos antes.

Atrás dele entraram Marcelo Nogueira, dois advogados da equipe jurídica e dois investigadores responsáveis pela preservação das provas financeiras.

Caio foi o primeiro a recuperar a voz.

"Ricardo?"

O irmão não respondeu.

Seu olhar continuava preso ao rosto de Helena.

Mais precisamente, à marca vermelha deixada pelo tapa de Beatriz.

Ricardo caminhou até ela.

"Quem fez isso?"

Helena não respondeu imediatamente.

Não precisava.

Beatriz se levantou.

"Ricardo, meu filho..."

Ele virou o rosto.

Beatriz abriu os braços e avançou como se os últimos meses nunca tivessem acontecido.

"Graças a Deus você está bem!"

Ricardo deu um passo para o lado.

Ela parou no vazio.

O constrangimento atravessou a sala.

Beatriz abaixou lentamente os braços.

"Eu estava tão preocupada com você."

Ricardo olhou para a mãe.

"Você queimou a ultrassonografia da minha filha."

Beatriz congelou.

Caio desviou os olhos.

Helena permaneceu em silêncio.

"Ricardo, você não entende o que aconteceu."

"Então explique."

"Eu estava tentando proteger você."

"Queimando a fotografia da minha filha?"

"Helena estava causando problemas."

Ricardo soltou uma pequena risada sem humor.

"Ela estava grávida."

"Eu sei."

"Você deu uma hora para minha esposa grávida sair da própria casa."

Beatriz respirou fundo.

"Eu tinha razões."

"Quais?"

Ela olhou para Caio.

O movimento foi pequeno.

Mas Ricardo viu.

"Não olhe para ele."

Beatriz voltou os olhos para o filho.

"Olhe para mim."

A voz de Ricardo continuava baixa.

Controlada.

Era exatamente o oposto da imagem que Caio tentara vender aos acionistas.

"Quero ouvir da sua boca."

Beatriz apertou os dedos.

"Recebemos informações."

"Que informações?"

"Sobre Helena."

"Quais?"

"Que ela estava tentando controlar seus bens."

Ricardo olhou para a pasta preta sobre a mesa.

Depois voltou para a mãe.

"Quem disse?"

Beatriz não respondeu.

Ricardo virou para Caio.

"Você?"

Caio finalmente reagiu.

"Ricardo, precisamos conversar em particular."

"Não."

"Isso é assunto de família."

"Você trouxe meu casamento para uma reunião do conselho."

Caio abriu os braços.

"Porque a situação afetava a empresa."

"Você disse que minha filha talvez não fosse minha."

O rosto de Caio ficou tenso.

"Eu repeti informações que chegaram até mim."

"De quem?"

Silêncio.

Ricardo deu um passo à frente.

"De quem, Caio?"

"Não importa."

"Importa para mim."

Caio olhou para os conselheiros.

"Não deveríamos transformar isto num espetáculo."

Helena soltou uma risada baixa.

Caio virou para ela.

"Você acha engraçado?"

"Não."

Ela tocou o próprio rosto.

"A parte engraçada aconteceu lá embaixo."

Ricardo olhou novamente para a marca.

"Foi minha mãe?"

Helena assentiu.

正文1

O maxilar dele endureceu.

Beatriz se apressou.

"Ela me provocou."

Ricardo ficou alguns segundos em silêncio.

"Claro."

Beatriz pareceu aliviada por um instante.

Então ele continuou.

"É sempre culpa de outra pessoa."

"Não fale comigo assim."

Ricardo virou para Marcelo.

"Pode começar."

Marcelo colocou uma pequena unidade de armazenamento sobre a mesa.

Caio empalideceu.

"O que é isso?"

Marcelo respondeu:

"Uma cópia autenticada dos registros preservados nos servidores do Grupo Vasconcelos."

Caio se levantou.

"Você não tinha autorização para acessar isso."

Ricardo olhou para ele.

"Eu sou o presidente executivo."

Caio apontou para o laudo.

"Sua condição ainda precisa ser avaliada."

Ricardo pegou o relatório médico falso.

Olhou para a primeira página.

Depois rasgou apenas a cópia que estava em sua mão.

"Minha condição está excelente."

Jogou os pedaços sobre a mesa.

Marcelo conectou o dispositivo ao sistema da sala.

Uma tela se acendeu.

"Primeiro registro."

O áudio começou.

A voz de Caio ecoou pelos alto-falantes.

"Bloqueie tudo que vier da Helena."

Ninguém se mexeu.

Outra voz, masculina, respondeu:

"E se ela usar outro número?"

"Bloqueie também."

"Ela pode tentar contato pelo escritório."

"Então avise os assistentes novos. Nenhuma mensagem dela chega ao Ricardo."

O áudio terminou.

Caio empalideceu.

"Isso foi tirado de contexto."

Helena olhou para ele.

"Qual contexto transforma bloqueio de comunicação em proteção familiar?"

Caio não respondeu.

Marcelo abriu o segundo arquivo.

A voz de Beatriz surgiu.

"Quero todos os funcionários leais a ela fora da mansão."

Uma mulher respondeu:

"Inclusive dona Célia?"

"Principalmente ela."

"E o motorista?"

"Demitido."

"Segurança?"

"Tire também."

A gravação continuou.

"Sem carro, sem funcionários e sem dinheiro, Helena vai entender que não tem para onde ir."

Beatriz levou a mão ao peito.

"Isso é ilegal."

Marcelo olhou para ela.

"A gravação?"

"Sim."

"Foi captada pelo sistema interno de segurança da própria residência."

Beatriz abriu a boca.

Nenhuma resposta saiu.

Ricardo não conseguia tirar os olhos da mãe.

"Você planejou deixar Helena sem saída."

Beatriz balançou a cabeça.

"Não foi assim."

"Acabamos de ouvir."

"Eu estava nervosa."

"Você estava organizando."

"Eu queria evitar escândalo."

Ricardo riu de incredulidade.

"Então você criou um."

Marcelo abriu outro arquivo.

Desta vez, apareceu a voz de Caio.

"Preciso do relatório pronto até sexta."

Um homem respondeu:

"Não posso garantir que o médico aceite assinar."

"Ele não precisa assinar."

Silêncio.

"Como assim?"

"Preciso da assinatura. Não do médico."

Vários conselheiros se entreolharam.

Caio tentou avançar até o computador.

Um dos investigadores se colocou entre ele e a mesa.

"Afaste-se, senhor."

Caio apontou.

"Essa gravação é falsa."

Marcelo respondeu:

"Foi localizada no servidor de contingência e acompanhada dos metadados originais."

"Você pode manipular metadados."

"Pode solicitar perícia independente."

"Vou solicitar."

Helena respondeu:

"Ótimo."

Caio virou para ela.

Helena estava tranquila.

"Quanto mais gente analisar, melhor."

Marcelo colocou o próximo registro.

Uma voz desconhecida dizia:

"Se o laudo for apresentado como avaliação legítima, existe risco criminal."

Caio respondeu:

"Só existe risco se alguém descobrir."

正文2

O silêncio na sala tornou-se ainda mais pesado.

Ricardo fechou os olhos por um instante.

Quando abriu, havia algo diferente em seu rosto.

Não era raiva.

Era decepção.

"Você queria me declarar mentalmente incapaz."

Caio tentou responder.

"Ricardo..."

"Você queria tirar meu nome da presidência."

"Eu estava tentando preservar a empresa."

"Roubando cento e vinte e sete milhões?"

"Essas transferências têm explicação."

"Ótimo."

Ricardo apontou para os investigadores.

"Explique para eles."

Caio ficou calado.

Marcelo mudou o arquivo.

O próximo áudio vinha da mansão.

Taças.

Música baixa.

Risos.

A voz de Lavínia surgiu primeiro.

"Depois de amanhã, ainda preciso usar a barriga?"

Caio respondeu:

"Até a votação."

Uma conselheira levou a mão à boca.

Beatriz olhou para o filho.

"Caio..."

A gravação continuou.

Lavínia riu.

"E depois?"

"Depois você pode dizer que perdeu o bebê por causa do estresse."

"E Helena?"

Caio respondeu:

"Helena já perdeu."

Beatriz interrompeu na gravação.

"Ela nunca deveria ter entrado nesta família."

Lavínia perguntou:

"Você acha que Ricardo vai procurá-la quando voltar?"

Beatriz riu.

"Quando Ricardo voltar, ela já não terá dinheiro, casa nem voz."

Helena respirou fundo.

Ela já conhecia aquela gravação.

Mesmo assim, ouvir novamente doía.

Ricardo percebeu.

Aproximou-se discretamente da esposa.

Não a tocou.

Apenas ficou ao lado dela.

Marcelo abriu outro trecho.

Era a comemoração da noite anterior.

Caio brindava.

"Amanhã, tudo será nosso."

Som de taças.

Risos.

Depois a voz de Beatriz.

"Finalmente vamos limpar esta família."

Lavínia perguntou:

"E se Helena tentar voltar?"

Beatriz respondeu sem hesitar.

"Helena deveria agradecer por termos deixado ela sair viva."

O áudio terminou.

Ninguém falou.

Nem Caio.

Nem Beatriz.

Nem os conselheiros.

Ricardo permaneceu parado.

Seu rosto parecia vazio.

Helena conhecia aquela expressão.

Era a mesma que ele fazia quando estava furioso demais para demonstrar.

Beatriz foi a primeira a quebrar o silêncio.

"Foi uma força de expressão."

Ricardo virou lentamente.

"Uma força de expressão?"

"Eu não queria dizer aquilo."

"Você disse."

"Eu estava irritada."

"Minha esposa estava grávida."

"Eu nunca faria nada contra ela."

Ricardo apontou para Helena.

"Você já fez."

Beatriz começou a chorar.

As lágrimas vieram depressa.

"Ricardo, eu sou sua mãe."

Ele não respondeu.

"Eu carreguei você por nove meses."

Helena fechou os olhos por um segundo.

Beatriz continuou.

"Eu fiz tudo por esta família."

"Não."

Ricardo falou baixo.

"Você fez tudo pelo poder que achava que esta família lhe dava."

Beatriz balançou a cabeça.

"Você não entende."

"Então me explique como falsificar meu estado mental me protege."

"Foi Caio que cuidou desses documentos."

Caio virou para ela.

"Mãe."

Beatriz apontou para o filho mais novo.

"Eu não sabia de tudo."

Caio ficou chocado.

"Você assinou a declaração."

"Porque você disse que Ricardo precisava de proteção."

"Você sabia da reunião."

"Eu sabia que haveria uma mudança temporária."

Caio riu.

"Temporária?"

Beatriz levantou a voz.

"Você mentiu para mim!"

Ele respondeu imediatamente:

"E você queria acreditar!"

Ricardo observou os dois.

A aliança começava a desmoronar diante de todos.

Beatriz percebeu e tentou se recompor.

"Isso precisa parar."

Ela olhou para os conselheiros.

"Assuntos de família ficam dentro da família!"

Ricardo respondeu no mesmo instante.

"Você transformou isso em crime."

Beatriz ficou imóvel.

Marcelo fechou o computador.

"Neste momento, temos indícios documentais de fraude, falsidade, desvio de recursos, manipulação de comunicações corporativas e tentativa de alteração irregular de controle."

Caio ergueu o queixo.

"Indícios."

Um dos investigadores respondeu:

"Por enquanto."

Caio olhou para ele.

O homem deu um passo em sua direção.

Caio recuou.

Outro investigador fechou a porta da sala.

A tensão mudou imediatamente.

"Por que estão fechando a porta?"

Marcelo respondeu:

"Para preservar a reunião."

"Eu não autorizei."

Ricardo olhou para o irmão.

"Você ainda não percebeu?"

Caio respirava rápido.

"Percebi o quê?"

"Você não está comandando nada."

O investigador avançou mais um passo.

"Senhor Caio Vasconcelos, precisamos que permaneça no local enquanto alguns documentos são formalmente recolhidos."

Caio olhou ao redor.

Na mesa estava a pasta preta de Helena.

Extratos.

Assinaturas.

Comprovantes.

Registros.

Tudo que ela havia usado para desmontá-lo.

Seu olhar mudou.

Helena percebeu primeiro.

"Caio."

Ele se lançou.

Antes que alguém conseguisse segurá-lo, Caio agarrou a pasta preta.

"Isso é meu!"

Helena recuou.

"Não toque em mim."

Caio puxou as folhas.

Começou a rasgá-las.

Uma.

Duas.

Dez.

Vinte.

Papéis voaram pela sala.

Cláudia se levantou.

"Pare!"

Marcelo avançou.

"Caio!"

Mas ele continuou.

"Sem prova, não existe caso!"

Rasgou extratos.

Contratos.

Relatórios.

Jogou pedaços no chão.

Beatriz observava em choque.

Caio respirava como se tivesse acabado de vencer uma guerra.

Por fim, soltou o que restava da pasta.

Os pedaços de papel cobriam o carpete.

Todos olharam para Helena.

Ela baixou os olhos.

Observou os documentos destruídos.

Depois levantou o rosto.

E sorriu.

"Essas eram cópias."

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