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"Minha Família Me Excluiu de 13 Natais. Depois, Apareceu com 23 Pessoas na Casa que Herdei." Capítulo 4

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A ÚLTIMA PALAVRA DA MINHA AVÓ

"Quando fui internada, fizeram duas transferências da minha conta. Eu estava no hospital. Não autorizei nenhuma delas."

Minha tia segurou o portão.

Na gravação, minha avó respirou antes de continuar.

"Beatriz disse que eu tinha autorizado antes. Pedi que me mostrasse onde anotei, ou uma mensagem minha. Ela disse que eu estava esquecendo das coisas."

Minha mãe olhou para a irmã.

"Você mexeu no dinheiro enquanto ela estava internada?"

"Eu pagava as contas! Vocês não sabem o trabalho que dava!"

Eduardo manteve o áudio tocando.

"Eu esqueço onde deixo os óculos. Não esqueci de emprestar dinheiro para o negócio da minha filha. Não emprestei. Quando comecei a conferir, encontrei outras coisas."

Minha avó contou que pedira extratos e comparara pagamentos. As respostas de Beatriz mudavam: era despesa da casa, depois empréstimo, depois uma quantia que devolveria no mês seguinte.

"Guardei as mensagens porque não queria mais discutir sobre a minha memória."

Baixei os olhos para as folhas. Reconheci sua letra miúda nas margens.

Tantas vezes eu a vira procurando um comprovante na bolsa. Tantas vezes dissera que ela podia descansar, que resolveríamos aquilo depois.

Ela estava tentando deixar alguma coisa resolvida antes de partir.

Beatriz pediu que Eduardo desligasse.

"Isso é assunto particular."

"A senhora acabou de me acusar de manipular minha avó na frente de todo mundo", falei. "Agora vai ouvir."

A voz de dona Lúcia voltou mais baixa.

"A casa foi minha e do meu marido. Gostei de receber meus filhos e meus netos. Mas permitir as visitas nunca significou que qualquer pessoa podia mandar aqui."

Uma porta de carro bateu ao fundo. Ninguém se virou.

"Se chegaram sem perguntar, não obriguem Mariana a recebê-los. Ela não me pediu essa casa. Nunca cobrou pelas coisas que fez por mim."

Minha garganta fechou.

"Passei muito tempo cedendo para evitar discussão. Não quero deixar para minha neta a obrigação de aguentar o que eu aguentei. Quero deixar a possibilidade de decidir."

Eduardo abaixou o telefone quando o áudio terminou.

Eu continuava olhando para ele, esperando ouvir mais uma respiração, qualquer ruído dela naquele escritório.

Minha mãe chorava sem tentar esconder.

Beatriz foi a primeira a falar.

"Ela me deu dinheiro muitas vezes. Não podem transformar tudo em roubo."

"Os pagamentos autorizados serão separados dos que precisam de esclarecimento", Eduardo respondeu. "Seu advogado poderá apresentar os comprovantes."

Ele não prometeu prisão, nem anunciou uma dívida inventada na calçada. Bastou dizer que as contas seriam conferidas.

Minha tia procurou alguém que a defendesse. Bruno se afastou para atender o telefone. Meu pai encarava o chão.

Foi minha mãe quem tentou abrir outra passagem.

"Mariana, depois vocês resolvem isso. Pelo menos deixe as crianças irem ao banheiro."

Meu sobrinho estava sentado no banco traseiro, com os joelhos apertados. Não tinha escolhido aquela viagem.

Abri o portão pequeno.

"Renata pode levar as crianças ao banheiro da área de fora."

Minha irmã assentiu depressa e chamou os quatro. Fiquei ao lado da entrada enquanto passavam.

Atrás do último, ouvi o barulho de rodinhas nas pedras.

Beatriz vinha puxando uma mala.

Pus a mão no portão antes que ela atravessasse.

"As crianças podem entrar. Você não."

Ela ficou tão perto que senti seu perfume.

"Você está me tratando como uma estranha."

"Estou dizendo que você não vai ficar aqui."

"E vamos para onde?"

Olhei para a mala. A etiqueta de viagem ainda estava presa à alça.

"Vocês vão ter que procurar um hotel."

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