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"Minha Família Me Excluiu de 13 Natais. Depois, Apareceu com 23 Pessoas na Casa que Herdei." Capítulo 3

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NINGUÉM TINHA ESQUECIDO DE MIM

Renata olhou para nossa mãe antes de responder.

Foi um movimento pequeno. Eu o reconheci de outros almoços, outras discussões: as duas decidindo, sem palavras, o que poderiam me contar.

"Todo mundo sabia que vocês tinham brigado", ela disse.

"Não foi isso que eu perguntei."

Beatriz se intrometeu.

"Você vai interrogar sua irmã também?"

Peguei meu celular.

Dois dias antes, enquanto separava fotografias para guardar, eu tinha ligado o tablet da minha avó. Ela o usava para ver mensagens e fazer chamadas. O grupo da família continuava ali.

Eu nunca fizera parte dele.

Procurei meu nome. A primeira mensagem antiga demorou a carregar. Quando apareceu, sentei no chão, encostada no armário.

Agora mostrei a captura à minha irmã.

Beatriz escrevera:

"Não convidem a Mariana. Depois da história do cartão, ela resolveu bancar a investigadora. A mãe dá ouvidos e sobra discussão para todo mundo."

Minha mãe respondera:

"Melhor deixar este ano passar. Depois converso com ela."

Olhei para minha mãe.

"Você nunca conversou."

Ela abriu a boca, mas só respirou fundo.

"A gente queria um Natal tranquilo."

Eu tinha imaginado muitas explicações durante aqueles anos. Que eu trabalhava demais. Que não sabia conversar sem parecer irritada. Que havia alguma coisa em mim capaz de estragar uma noite inteira.

Ali estava a explicação, escrita em duas mensagens.

"E nos outros doze?", perguntei.

Meu pai tentou pegar o telefone. Entreguei a ele.

Leu em silêncio. Depois passou o aparelho para minha mãe.

"Eu não sabia que a Beatriz tinha escrito isso."

"Mas você sabia que eu não estava lá."

Ele apertou os lábios.

"Sabia."

Ouvir aquela palavra doeu de um jeito diferente. Eu podia discutir uma desculpa. Não tinha o que fazer com uma confirmação tão simples.

Renata se aproximou das grades.

"No primeiro ano foi por causa da briga. Depois... a gente foi mantendo."

"Mantendo o quê?"

Ela não respondeu.

"As camisetas? As fotos? A história de que eu preferia trabalhar?"

"Achei que você não ligasse mais."

Lembrei de uma véspera de Natal em que saí da clínica depois das oito. Comprei um sanduíche num posto e comi dentro do carro, com o celular no banco do passageiro.

Toda vez que a tela acendia, eu olhava.

"Eu parei de pedir, Renata."

Minha irmã começou a chorar. Pela primeira vez, não senti vontade de ajudá-la a terminar a conversa.

Beatriz apontou para as folhas que eu segurava.

"Então é isso. Você guardou rancor por treze anos e ficou colocando sua avó contra nós."

Minha mãe ergueu o rosto.

"Beatriz, chega."

"Não, agora eu quero saber! Ela leva a mãe ao banco escondida, fica com os documentos, aparece com advogado... E nós temos que aceitar?"

Eu me lembrei da agência diferente. Minha avó pedira que eu estacionasse na outra esquina, na sombra. Depois demorara quase uma hora lá dentro.

Quando voltou, perguntou se podíamos almoçar peixe.

Não me contara o que tinha resolvido.

Eduardo fechou a pasta menor.

"Dona Lúcia previu que a senhora faria essa acusação. Por isso deixou uma declaração gravada e outra por escrito."

Beatriz parou de gesticular.

"Ela estava tomando remédio."

"A gravação foi feita no meu escritório, por iniciativa dela. Mariana não estava presente."

Um dos meus primos largou o cooler no chão. Minha mãe continuava segurando meu telefone, olhando para a própria mensagem de treze anos antes.

Eduardo tirou outro aparelho da pasta.

Eu conhecia a existência da gravação. Tinha preferido esperar para ouvi-la com eles.

Quando ele perguntou se podia começar, assenti.

O som da rua pareceu diminuir.

Então ouvi minha avó.

"Meu nome é Lúcia Duarte. Mariana não sabe que vou deixar a casa para ela. E também não sabe tudo o que aconteceu com o meu dinheiro."

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