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"A Enfermeira Que Salvou o Chefe da Máfia da Própria Noiva" Capítulo 4 — A Mãe da Enfermeira

正文开头

— ATENDE, MÃE. POR FAVOR!

Marina ligou pela quarta vez enquanto atravessava o corredor do hospital. A chamada caiu na caixa postal. Na tela, a fotografia de Dona Lúcia continuava aberta.

A mãe tinha setenta e dois anos, morava sozinha no Gonzaga, em Santos, e se recusava a aceitar ajuda até para carregar compras.

Agora alguém a observava. Alguém sabia onde ela comprava pão. Alguém usava sua segurança para silenciar uma enfermeira.

Marina pegou a bolsa e seguiu para a saída.

— Aonde vai?

Dante estava perto da porta do quarto, acompanhado por um profissional da equipe médica. Parecia cansado, mas notou imediatamente o rosto dela.

— Preciso ir a Santos.

— O que aconteceu?

— É um problema de família.

— Marina, você está tremendo.

Ela tentou responder, mas a voz falhou. Dante não bloqueou a passagem. Apenas se aproximou o suficiente para falar baixo.

— Se alguém ameaçou você, eu preciso saber.

Marina mostrou as mensagens. Dante leu cada linha. Seu maxilar ficou rígido, mas ele não ergueu a voz.

— Rafael. Venha imediatamente.

O segurança apareceu no corredor.

— Acompanhe Marina até Santos. Primeiro, confirmem que a mãe dela está segura. Se houver sinais de invasão, chamem a polícia.

— Sim, patrão.

Marina ergueu a mão.

— Não quero homens armados assustando minha mãe.

Dante voltou-se para ela.

— Então Rafael irá discretamente. Você decide o que contar a ela.

— E o senhor precisa continuar o tratamento — Marina acrescentou.

Ele assentiu, contrariado.

— Desta vez, vou obedecer.

A viagem pareceu interminável. Rafael dirigia enquanto Marina telefonava para vizinhos e para a portaria do prédio.

Finalmente, Dona Lúcia atendeu.

— Alô? Marina, minha filha, por que tantas ligações?

— Mãe! A senhora está bem?

— Estou. Só tive um pequeno aborrecimento.

O coração de Marina disparou.

— Que aborrecimento?

— Alguém mexeu na fechadura. Acho que tentaram entrar.

— A senhora chamou a polícia?

— Não queria fazer escândalo.

— Mãe, isso é sério!

Rafael ouviu a conversa e pediu à equipe local que acionasse a polícia. Marina explicou à mãe que estava a caminho e pediu que aguardasse na portaria.

Quando chegaram, uma viatura estava estacionada diante do edifício. Dona Lúcia permanecia sentada ao lado do porteiro, usando um vestido azul e chinelos.

— Minha filha!

Marina correu e a abraçou.

— Está machucada?

— Não, menina! Você vai me quebrar se apertar mais!

Marina riu entre lágrimas. Tocou o rosto da mãe, conferiu seus braços e finalmente conseguiu respirar.

O apartamento estava revirado. Gavetas abertas, almofadas no chão, fotografias espalhadas. Mas o televisor, as joias modestas e o dinheiro guardado permaneciam no lugar.

— Não parece um furto comum — Rafael murmurou.

Marina encontrou uma fotografia do pai falecido perto do sofá. Limpou cuidadosamente o vidro quebrado, evitando os cacos.

Dona Lúcia observou a filha.

— Isso tem alguma coisa a ver com seu novo emprego?

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Marina hesitou.

— Talvez.

— Então me diga a verdade.

A enfermeira respirou fundo. Explicou que um paciente importante estava sendo investigado por episódios médicos suspeitos e que alguém tentava intimidá-la.

Não contou detalhes que ainda não podia comprovar. Mas não mentiu sobre o perigo.

Dona Lúcia segurou sua mão.

— Você sempre tentou salvar todo mundo. Só não esqueça de cuidar de si mesma.

Marina sentiu os olhos arderem.

— Eu fiquei com tanto medo de perder a senhora.

— E eu fiquei com medo de você estar sofrendo sozinha.

Rafael sugeriu um apartamento temporário com segurança externa, enquanto a polícia examinava a invasão e a fechadura era substituída.

— Não vou abandonar minha casa! — Dona Lúcia protestou.

— Mãe, são só alguns dias.

— E minhas plantas?

— Eu cuido das plantas.

— Você matou um cacto quando tinha quinze anos.

Rafael precisou esconder o sorriso. Marina colocou as mãos na cintura.

— A senhora pretende discutir botânica enquanto alguém invade seu apartamento?

Dona Lúcia suspirou teatralmente.

— Está bem. Mas quero minha própria cafeteira.

Marina abraçou a mãe novamente. A teimosia dela nunca parecera tão preciosa.

À noite, quando Dona Lúcia já estava instalada em segurança, Marina desceu para buscar uma bolsa esquecida no carro.

Encontrou Dante na entrada do prédio. Vestia uma camisa preta sob um casaco escuro. Rafael parecia tão surpreso quanto ela.

— O senhor devia estar descansando! — Marina exclamou.

— Recebi alta depois da avaliação. Henrique autorizou a viagem com algumas condições.

— Isso não significa que deveria atravessar a estrada para vir aqui.

— Eu precisava saber se sua mãe estava bem.

Marina cruzou os braços. Tentou parecer irritada, mas o alívio era evidente.

— Está assustada. Porém não se machucou.

Dante soltou o ar lentamente.

— Graças a Deus.

Ela o estudou por um momento.

— O senhor não é responsável por todos os males do mundo.

— Mas alguém usou meu nome, minha casa ou meus negócios para ameaçar sua família. Não posso ignorar isso.

— A polícia já está investigando.

— E vou entregar o que minha equipe encontrar.

Marina assentiu. Aquela resposta significava mais do que promessas de vingança.

Uma brisa fria atravessou a entrada. Dante tirou o casaco e o colocou delicadamente sobre os ombros dela.

— Está com frio.

— O senhor precisa mais dele do que eu.

— Posso suportar alguns minutos.

Marina segurou as lapelas. O perfume discreto de Dante trouxe uma proximidade inesperada.

— Obrigada por vir.

— Não agradeça por algo que eu queria fazer.

Caminharam alguns passos até uma área de onde se via o movimento distante da avenida da praia.

Dante apoiou a mão no corrimão.

— Meu pai dizia que demonstrar medo era entregar uma arma ao inimigo.

— E o senhor acreditou?

— Durante anos. Depois comecei a adoecer e descobri que nenhuma arma resolve o que acontece dentro do corpo.

正文2

Marina o observou em silêncio.

— O senhor não precisa fingir comigo.

Dante virou o rosto.

— Essa é a parte mais difícil.

Ela sorriu suavemente.

— Pode começar com coisas pequenas. Como admitir que precisa dormir.

— Ou admitir que fiquei preocupado com você?

Marina sentiu o rosto esquentar.

— Isso não é tão pequeno.

Ele sorriu. Não tentou tocá-la, mas seu olhar permaneceu no rosto dela por tempo suficiente para mudar o ar entre os dois.

— Gosto quando me chama de Dante.

— Não se acostume.

— Acho que já é tarde.

Marina recebeu uma mensagem da mãe alguns minutos depois: “A cafeteira chegou inteira. O porteiro novo é simpático. Pare de se preocupar.”

Ela mostrou a mensagem a Dante. Ele sorriu ao perceber o tom autoritário de Dona Lúcia.

— Agora entendo de onde vem sua coragem.

— E minha teimosia — Marina respondeu.

O telefone de Rafael interrompeu o momento. O segurança afastou-se, ouviu atentamente e voltou com a expressão fechada.

— Patrão, a polícia recebeu uma informação sobre o veículo visto perto do prédio.

Dante endireitou o corpo.

— Que informação?

— Uma câmera registrou a placa. O carro pertence à Montenegro Logística e Participações.

Marina olhou para Dante. Ele permaneceu imóvel.

— Temos centenas de carros — respondeu.

— Eu sei. Mas aquele está vinculado a uma frota específica.

— Qual?

Rafael mostrou o documento. O nome do responsável aparecia abaixo do número de patrimônio.

— Ricardo Montenegro. A frota é administrada diretamente pelo seu irmão.

Dante olhou para a tela sem piscar. Depois pegou o próprio telefone e ligou para Ricardo.

A chamada foi atendida no terceiro toque.

— Irmão! — Ricardo respondeu, alegre demais. — Como está se sentindo?

Dante fitou o mar escuro.

— Melhor do que você imagina. Precisamos conversar sobre um carro em Santos.

Do outro lado, houve silêncio.

Então Ricardo perguntou, numa voz completamente diferente:

— Quem contou a você sobre aquele carro?

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