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"A Enfermeira Que Salvou o Chefe da Máfia da Própria Noiva" Capítulo 2 — A Enfermeira Sob Suspeita

正文开头

— QUERO A GRAVAÇÃO INTEIRA.

Marina falou no corredor do hospital, diante de Rafael. Ele guardou o celular, incomodado com a mensagem anônima recebida segundos antes.

— A senhora Vanessa diz que o restante foi apagado automaticamente.

— E alguém acabou de mandar você apagar o que sobrou.

Rafael ficou imóvel.

— Como sabe disso?

— Vi sua expressão. E vi a notificação aparecer.

O segurança não respondeu. Havia servido Dante por onze anos e aprendido a desconfiar de quase todos. Mas aquela enfermeira parecia preocupada com o paciente, não com dinheiro.

No quarto, Dante estava sentado na cama, uma expressão sombria sob a luz branca. O acesso venoso contrastava com o relógio caro que ainda usava.

— Feche a porta, Rafael. Marina, sente-se.

— Prefiro ficar de pé.

— Não foi um convite.

— Então precisamos conversar sobre limites profissionais.

Dante arqueou uma sobrancelha. Depois soltou uma risada curta, surpreendendo o próprio segurança.

— Você realmente não tem medo de mim?

— Tenho medo de gente que esconde informações clínicas importantes.

O sorriso desapareceu.

— Vanessa disse que você mexeu nos meus remédios.

— Conferi os equipamentos com autorização da governanta. Não alterei nenhuma prescrição. Quero que o hospital preserve os registros e faça uma auditoria.

Dante estudou o rosto dela. Não encontrou a hesitação que costumava ver quando alguém mentia para ele.

— Você acredita que tentaram me matar?

— Acredito que houve uma situação perigosa. A intenção precisa ser investigada, não adivinhada.

Ele apoiou a cabeça na almofada.

— Há três meses acordo suando. Perco a concentração. Uma vez caí diante de seis diretores. Todos dizem que é estresse.

— As causas podem ser diferentes. Mas episódios repetidos de hipoglicemia exigem investigação cuidadosa.

— E Vanessa?

— Não posso responder por ela.

A porta abriu-se. Vanessa entrou acompanhada de Dona Beatriz, trazendo flores brancas e um sorriso que desapareceu ao ver Marina.

— Essa mulher ainda está aqui?

Dona Beatriz aproximou-se da cama.

— Meu filho, ela precisa ser afastada. Sua noiva sofreu uma agressão diante de todos.

— Minha noiva tentou me aplicar insulina — Dante respondeu.

Vanessa levou a mão ao peito.

— Você vai acreditar numa estranha?

— Vou acreditar nos exames. Quem prescreveu a medicação?

— O doutor Henrique. Eu já expliquei.

— Então vamos perguntar a ele — Marina disse.

Vanessa voltou-se furiosamente.

— Você não tem o direito de me interrogar!

— Ela fez uma pergunta que eu também quero respondida — Dante interrompeu.

Dr. Henrique Sampaio chegou pouco depois. Era o médico particular da família havia anos e cumprimentou Dona Beatriz com respeito.

Marina relatou a emergência e mostrou uma fotografia da embalagem preservada por Rafael. Henrique franziu a testa imediatamente.

— Eu não prescrevi insulina ao Dante.

Vanessa abriu a boca.

— Doutor, o senhor deve ter esquecido. Conversamos sobre um tratamento novo.

— Conversamos sobre exames. Não sobre isso.

正文1

Dona Beatriz recuou um passo.

— Mas ela disse que o senhor autorizou.

Henrique abriu o prontuário eletrônico e percorreu as anotações. O rosto ficou sério.

— Existe uma prescrição vinculada às minhas credenciais que eu não reconheço.

— Isso é possível? — Dante perguntou.

— Um acesso indevido ou um erro de registro precisa ser apurado. Vou solicitar auditoria imediatamente.

Vanessa pegou a bolsa.

— Não estou me sentindo bem. Preciso de ar.

— Fique — Dante ordenou.

Ela parou.

— Quero saber por que você trouxe aquela caneta para o jantar.

— Porque amo você! Porque ninguém mais cuida de você como eu!

Marina percebeu que a voz de Vanessa subia sempre que faltava uma explicação concreta. Ainda assim, manteve-se calada. A investigação precisava de fatos.

Rafael retornou com a governanta ao telefone. A mulher confirmou ter autorizado Marina a verificar a maleta e o armário de medicamentos.

— E quem mais entrou lá? — Dante perguntou.

— A senhora Vanessa, pouco depois. Disse que procurava um remédio para dor de cabeça.

Vanessa chorou mais alto.

— Agora todos estão contra mim!

Dante fechou os olhos.

— Mãe, leve Vanessa para casa. Preciso descansar.

— Você não pode expulsar sua própria noiva! — Dona Beatriz protestou.

— Não estou expulsando. Estou pedindo espaço.

Vanessa aproximou-se para beijá-lo. Ele virou o rosto. A humilhação queimou suas bochechas.

Ao sair, lançou a Marina um olhar tão frio que a enfermeira sentiu um arrepio.

Quando ficaram sozinhos, Dante apontou para a cadeira.

— Agora você vai se sentar?

— Se prometer não transformar isso numa ordem.

— Estou pedindo.

Marina sentou-se, vencida pelo cansaço. Dante notou suas olheiras e a mancha de vinho no uniforme.

— Você perdeu a noite por minha causa.

— Faz parte do trabalho.

— A agência paga quanto por esses dez dias?

— Não é assunto seu.

— Posso dobrar.

— Não estou à venda, senhor Montenegro.

Ele inclinou a cabeça.

— Não quis ofender.

— Então não confunda salário com obediência.

Dante permaneceu em silêncio. Raramente alguém falava assim com ele. Mais raramente ainda, alguém estava certo.

— Preciso de ajuda para descobrir o que aconteceu — disse finalmente. — Quero contratá-la diretamente, se você aceitar.

Marina ponderou. O dinheiro faria diferença na vida dela e da mãe. Mas a casa Montenegro escondia perigos que nenhum contrato cobriria.

— Só aceito com autonomia profissional, acesso autorizado aos registros necessários e liberdade para sair quando quiser.

— Concordo.

— E quero uma equipe médica independente acompanhando os episódios.

— Concordo.

Ela estendeu a mão.

— Então podemos conversar sobre um contrato por escrito.

Dante apertou seus dedos. Sua mão era quente, firme, e o contato demorou um segundo além do necessário.

Marina retirou a mão primeiro.

— Preciso ligar para minha mãe.

— Ela mora em São Paulo?

— Santos. E detesta admitir que envelheceu.

— Parece alguém que eu conheço.

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Marina sorriu.

— O senhor não tem idade para ser tão teimoso.

— Nem você para me enfrentar desse jeito.

O sorriso dela desapareceu quando a agência telefonou. Uma supervisora explicou que a denúncia de Vanessa poderia suspender novos plantões até o esclarecimento.

Marina ouviu sem interromper. Ao desligar, ficou alguns segundos olhando para o chão.

Dante percebeu.

— Problemas?

— Consequências. Não são a mesma coisa.

Ele quis prometer resolver tudo com uma ligação. Conteve-se. Ela acabara de exigir autonomia, e ele precisava aprender a respeitar isso.

— Se precisar de documentos que comprovem o atendimento, vou disponibilizá-los pelos canais corretos.

Marina ergueu o rosto, surpresa.

— Obrigada. Isso ajuda.

Naquela noite, Henrique ligou para ela depois de receber autorização de Dante para discutir os achados relevantes ao cuidado.

— Encontramos um registro suspeito, Marina. Uma prescrição apareceu no sistema e depois foi marcada como suspensa.

— Quando?

— Quase três meses atrás.

Ela se sentou na cama do apartamento temporário.

— Foi quando os sintomas começaram.

— Exatamente. A auditoria ainda não terminou. Não sabemos quem fez a alteração.

— O senhor acha que houve acesso indevido?

— É uma possibilidade séria. E há outro detalhe: a primeira alteração ocorreu durante uma consulta à qual Vanessa acompanhou Dante.

Marina olhou pela janela para as luzes de São Paulo. Três meses de sofrimento, diagnósticos inconclusivos e uma mulher sempre presente ao lado do paciente.

Antes de desligar, Henrique acrescentou:

— Guarde isso em sigilo até termos provas. Quem fez a alteração pode ter acesso a outras informações.

Marina concordou. Em seguida, seu telefone recebeu uma mensagem de Dante: “Você chegou bem?”

Ela hesitou, depois respondeu: “Cheguei. E o senhor deveria estar dormindo.”

A resposta veio imediatamente: “É mais fácil quando sei que você está segura.”

Marina releu a frase duas vezes. Não percebeu que sorria até ver o próprio reflexo no vidro.

Então chegou uma segunda mensagem, de número desconhecido: “Pare de fazer perguntas sobre o prontuário.”

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