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"Sob a Proteção do Mafioso" Capítulo 4 — Não Toque Nela!

正文开头

Na manhã seguinte, a marca no braço de Marina já estava menos visível, mas ela ainda sentia um desconforto ao atravessar o corredor onde fora agarrada. Célia percebeu e ofereceu acompanhá-la até a lavanderia.

Marina agradeceu, depois pediu que não transformassem sua rotina numa operação de vigilância. Queria continuar trabalhando normalmente. Célia concordou e confessou que também tinha medo de Verônica.

A mulher conhecia os nomes dos filhos dos empregados e às vezes usava essa informação para intimidá-los. Marina sugeriu que registrassem os episódios e procurassem orientação adequada. Não era uma solução imediata, mas o medo começava a perder força quando deixava de ser segredo.

Rosa ouviu a conversa e contou que Beatriz sempre pagava pessoalmente os salários na época em que a empresa ainda era pequena. Sabia quem tinha criança na escola e quem precisava sair mais cedo para uma consulta.

“Seu filho esqueceu muita coisa”, disse a idosa, olhando para Dante que acabara de chegar. Ele não discutiu. Pediu a Célia uma reunião para revisar os procedimentos da casa. Marina não o elogiou por fazer o mínimo necessário; apenas percebeu que ele estava disposto a ouvir.

Depois da acusação, Marina pediu a Célia que registrasse por escrito o ocorrido e anotasse os nomes de quem estivera presente.

A governanta hesitou, temendo perder o emprego, mas concordou quando Marina explicou que um relato fiel protegeria todos, inclusive os funcionários que tinham sido obrigados a participar da busca.

Lucas, informado por mensagem, ofereceu o contato de uma defensora trabalhista conhecida de sua família. Marina agradeceu e salvou o número. Aprendera que coragem não substituía documentação.

Verônica, enquanto isso, trancou-se no quarto e ligou para Ricardo. Disse que Dante a humilhara diante dos empregados. O pai não demonstrou preocupação com os sentimentos dela; quis saber apenas se Rosa mencionara o cofre.

Verônica apertou o telefone até os dedos doerem. Desde criança, recebera atenção do pai quando trazia resultados: uma nota alta, uma amizade útil, uma informação sobre os negócios. Não aprendera a distinguir afeto de aprovação.

Agora via Marina receber respeito sem oferecer nada em troca, e isso a enfurecia mais do que qualquer joia perdida.

No fim do dia, Dante reuniu a equipe doméstica. Não exigiu que esquecessem o incidente. Pediu desculpas por ter permitido que acusações fossem feitas sem procedimento adequado e garantiu que ninguém sofreria retaliação por relatar o que vira.

Marina escutou da porta. Não era uma solução para a ameaça de Ricardo, mas era a primeira vez que via o dono daquela casa falar de responsabilidade diante de quem trabalhava nela.

Marina guardou a fotografia dentro de um livro e passou a noite acordada. Ao amanhecer, mostrou o envelope a Rosa, que ficou muito tempo olhando para a própria letra no verso.

— Foi a Beatriz quem escreveu — murmurou. — Na semana em que morreu, começou a desconfiar de todos.

— Quem deixou isso no meu quarto?

正文1

— Não sei. Mas se Ricardo souber que você viu, vai tentar assustá-la.

Marina insistiu para que contassem a Dante. Rosa pediu mais um dia. Havia um nome que ela precisava confirmar antes de acusar alguém. Marina aceitou esperar até a tarde, desde que a idosa não ficasse sozinha.

A armadilha veio antes do almoço. Verônica entrou na biblioteca acompanhada por dois funcionários e anunciou o desaparecimento de um bracelete de diamantes.

— Trezentos mil reais — repetiu, saboreando o número. — Sumiu do meu quarto depois que a nova acompanhante chegou.

Marina estava ajudando Rosa a organizar medicamentos. Levantou a cabeça.

— Está me acusando?

— Estou dizendo que devemos procurar.

Verônica ordenou que abrissem o armário de Marina. A peça apareceu numa bolsa de pano, sob um suéter. Por um instante, a própria Marina ficou sem ar. Nunca tinha visto o bracelete.

— Alguém colocou isso aqui.

— Claro — ironizou Verônica. — Sempre a mesma história.

Ela pegou o telefone e fingiu procurar o número da polícia, mas preferiu chamar os seguranças da casa.

— Tire essa ladra daqui.

Um deles, constrangido, segurou Marina pelo antebraço. Ela tentou se soltar.

— Não encoste em mim. Eu vou sair andando.

A pressão aumentou. Rosa se levantou com dificuldade.

— Solte a menina!

— TIRE AS MÃOS DELA!

A voz de Dante veio da porta, tão forte que o segurança soltou Marina imediatamente. Ele atravessou a biblioteca e viu a marca avermelhada no braço dela.

— Quem autorizou isso?

— Sua noiva — respondeu Marina, antes que alguém pudesse inventar uma versão.

Dante olhou o bracelete, depois Verônica.

— Onde estavam as câmeras?

— Não precisamos de câmeras quando a prova está na bolsa dela — respondeu Verônica.

— Precisamos quando alguém está sendo acusado de um crime.

Henrique foi chamado. As gravações mostraram uma funcionária particular de Verônica entrando no corredor dos quartos. O trecho que mostraria a porta de Marina havia sido apagado. A ausência das imagens não provava quem escondera a joia, mas bastava para tornar a acusação duvidosa.

— Não há motivo para expulsá-la — concluiu Henrique.

— Você prefere acreditar nela? — perguntou Verônica, os olhos úmidos de raiva.

— Prefiro não condenar ninguém sem prova — disse Dante.

Marina se surpreendeu ao perceber que aquilo importava mais do que uma declaração de inocência. Dante não estava dizendo que ela era incapaz de errar; estava recusando a facilidade de usar seu poder para esmagar alguém.

Verônica saiu batendo a porta. Rosa pediu para descansar. Marina ficou na biblioteca, recolhendo seus objetos espalhados sobre a mesa. Dante se aproximou sem tocá-la.

— Você está ferida?

— Só a pele. Já passei por coisa pior.

— Isso não torna aceitável o que aconteceu.

Ele ofereceu chamar uma médica; Marina preferiu uma compressa fria. Dante respeitou a decisão e pediu que Vicente verificasse quem tinha acesso às gravações.

À noite, Marina telefonou para Tereza. Mentiu que estava tudo bem, mas a mãe reconheceu o tremor em sua voz.

— Você não precisa me poupar de tudo — disse Tereza. — Sou sua mãe, não uma porcelana.

Marina contou parte da verdade. Ouviu a respiração de Tereza do outro lado e sentiu saudade da cozinha pequena, onde ninguém a acusava de roubar joias.

Quando desligou, encontrou uma xícara de chá diante da porta. Dante estava alguns passos adiante.

— Não quis incomodar.

— Já incomodou — respondeu ela, sem agressividade. — Eu estava tentando decidir se vou embora.

— Se quiser, Vicente a leva. Seu salário e seus direitos estão garantidos.

Marina segurou a xícara quente.

— E dona Rosa?

— Vai sentir sua falta. Eu também.

A frase ficou entre eles, inesperada. Dante não tentou transformá-la em cobrança.

— Você não precisa ser forte o tempo todo, Marina.

Ela olhou para o chão, com os olhos ardendo.

— Preciso ser forte o suficiente para não deixar que decidam minha vida.

— Isso eu não quero tirar de você.

No escritório, minutos depois, Henrique aguardava Dante com uma pasta antiga. Alguém solicitara cópias do inquérito sobre a morte de Beatriz Montenegro, um caso encerrado como acidente.

— Quem fez o pedido? — perguntou Dante.

Henrique pousou o documento sobre a mesa.

— Ricardo Albuquerque. E usou uma autorização que parece ter sido assinada por sua mãe depois da data da morte dela.

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