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"A Sem-Teto Que Salvou o Mafioso" Capítulo 4 — A Sem-Teto na Mansão do Mafioso

正文开头

Marina ficou olhando para a fotografia recuperada. Dona Rosa sorria diante de um bolo simples, numa cozinha pequena. O papel cheirava a fumaça, mas o rosto da mãe estava intacto.

Dante observou-a do outro lado da sala.

— Você pode ficar aqui enquanto for necessário.

— Não quero caridade.

— Não ofereci caridade. Ofereci segurança.

Marina levantou o queixo.

— Então vamos estabelecer regras. Continuo meus estudos. Ninguém mexe nas minhas coisas. E, se eu ajudar com seus cuidados, quero receber por um trabalho real, dentro do que minha formação permite.

Dante não conteve um sorriso breve.

— Você negocia melhor que metade dos meus diretores.

— Eles provavelmente nunca tiveram que escolher entre comprar comida e pagar passagem.

O sorriso desapareceu. Ele chamou Helena para discutir uma função compatível com as competências de Marina, sempre supervisionada por profissionais habilitados. Também pediu a Rafael que providenciasse transporte para a faculdade, sem interferir na rotina dela.

Nos primeiros dias, Marina ocupou um quarto de hóspedes maior que todo o apartamento que perdera. Não conseguiu dormir na primeira noite. A cama parecia macia demais; o silêncio, estranho demais. Colocou a mochila ao lado da porta, pronta para fugir caso precisasse.

No café da manhã, duas funcionárias cochicharam quando ela entrou.

— É a moça da rua — disse uma.

— Dizem que salvou o patrão para conseguir uma fortuna.

Marina serviu café sem responder. Dante ouviu da entrada.

— Quem trabalha nesta casa respeita todos os meus convidados — declarou. — Inclusive os que não nasceram ricos.

Marina esperou que as mulheres saíssem.

— Não precisa brigar por mim toda vez.

— Não briguei. Estabeleci uma regra.

— Eu sei me defender.

— Percebi quando você me desenterrou.

Ela tentou esconder um sorriso e falhou.

A convivência trouxe pequenos confrontos. Dante detestava tomar os medicamentos no horário. Marina insistia que ele seguisse as orientações médicas. Ele queria resolver assuntos de trabalho mesmo com dor. Ela desligava a televisão quando percebia que estava exausto.

— Você manda demais — ele reclamou certa tarde.

— Engraçado ouvir isso de você.

Rafael, na porta, abaixou a cabeça para esconder o riso.

Aos poucos, Marina descobriu outras facetas do homem. Ele conhecia o nome de cada jardineiro, mas desconfiava de todos os sócios. Não gostava de música alta. Tomava café sem açúcar. Guardava uma fotografia antiga do pai numa gaveta trancada. E acordava várias vezes durante a noite.

Numa madrugada, Marina ouviu um objeto cair no quarto dele. Encontrou Dante sentado na cama, suando, as mãos agarradas ao lençol.

— Estão jogando terra — ele murmurava. — Não consigo...

Ela se aproximou devagar.

— Dante, olha pra mim.

Ele não parecia reconhecê-la.

— A fita... não consigo respirar.

Marina chamou a equipe de plantão e permaneceu ao lado dele enquanto avaliavam sua condição. Quando Helena confirmou que não havia uma emergência respiratória naquele momento, Marina voltou a falar com voz baixa.

— Você não está naquela cova. Está em casa. Eu estou aqui.

Os olhos dele se fixaram nos dela. Dante agarrou sua mão, como se aquele contato fosse a única coisa sólida do mundo.

— Eu ouvi a terra cair — confessou.

— Eu sei.

— Achei que ia morrer sem que ninguém soubesse.

— Eu soube.

Ele puxou a mão dela para perto do peito. Marina sentou-se na beira da cama. Dante a abraçou com cuidado, ainda dolorido. Não houve beijo. Apenas dois sobreviventes respirando no mesmo ritmo.

Pela manhã, ele pediu desculpas por tê-la assustado.

— Você não me assustou — respondeu. — Me assustaria se fingisse que nada aconteceu.

Dante ficou pensando naquilo depois que ela saiu.

Pouco antes do almoço, um motor esportivo rompeu a tranquilidade do jardim. Uma mulher elegante desceu de uma Ferrari vermelha, ajustou os óculos escuros e entrou sem esperar autorização.

Verônica Albuquerque parou no corredor quando viu Marina sair do quarto de Dante carregando uma bandeja.

Seu olhar percorreu o jeans simples, os cabelos presos e os tênis gastos.

— Desde quando meu noivo recolhe mendigas na rua?

Marina ficou imóvel. Atrás dela, a porta do quarto se abriu.

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