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"A Sem-Teto Que Salvou o Mafioso" Capítulo 2 — A Garota Que Desafiou a Morte

正文开头

— Por aqui — Marina sussurrou.

Dante tentou acompanhá-la, mas a dor nas costelas o fez parar. Atrás deles, uma lanterna atravessou a mata.

— Procurem perto do barranco! — gritou um capanga.

Marina conhecia aquele trecho. Nas noites em que o abrigo estava lotado, dormia numa construção abandonada ao lado de uma canaleta de drenagem. Sabia onde o chão cedia e onde a vegetação escondia a entrada de um túnel baixo.

— Vai ter que confiar em mim.

Dante encarou a abertura estreita.

— Não costumo confiar em ninguém.

— Ótimo. Hoje você estreia.

Ela entrou primeiro, arrastando a mochila. Depois o ajudou a se abaixar. A água gelada corria pelos tornozelos. A cada movimento, ele prendia um gemido entre os dentes. Marina temeu que desmaiasse antes de atravessarem.

Lá fora, os homens discutiam.

— A menina estava aqui! Achei um pedaço de tecido!

Marina tocou a própria manga rasgada. Seu estômago afundou.

— Continue — Dante murmurou.

Chegaram a uma pequena saída coberta de samambaias. Marina puxou um galho sobre a entrada e conduziu Dante até a antiga estação de vigilância. A porta não trancava. O telhado pingava em três lugares, mas havia paredes e um banco de madeira.

Dante se sentou com dificuldade. Marina examinou seus braços, observou a respiração e verificou se conseguia responder com clareza. O risco de uma lesão grave era evidente. Ela precisava de atendimento médico profissional, não de coragem improvisada.

— Você precisa de um hospital.

— Se chamar uma ambulância e disser meu nome, Marcelo chega antes dela.

— Então me dê outra solução.

Dante apontou para o bolso interno da camisa rasgada. Havia um pequeno telefone protegido por uma capa impermeável. A tela estava trincada.

— Contato Rafael. Só ele.

Marina ligou. Ninguém atendeu. Tentou outra vez. Na terceira, uma voz grave respondeu.

— Quem está com esse aparelho?

— Meu nome é Marina Oliveira. Seu amigo foi enterrado vivo. Estou tentando mantê-lo acordado.

Houve silêncio.

— Onde?

Ela informou a referência da estação e exigiu que viessem com socorro médico. Rafael pediu para falar com Dante.

— Sou eu — Dante conseguiu dizer. — Não avise a ninguém da casa.

— Estou indo, chefe.

Marina desligou e percebeu que ele tremia. Tirou o casaco fino e cobriu seus ombros.

— Vai ficar com frio — Dante observou.

— Já fiquei antes.

Ele segurou o tecido, contrariado.

— Você tem família?

Marina olhou para a mochila.

— Tinha minha mãe.

Dante não insistiu. Aquela ausência respondeu o restante.

Do lado de fora, uma coruja cantou. Marina se sentou perto da porta, atenta aos ruídos. Dante observou suas mãos machucadas.

— Você podia ter ido embora.

— Podia.

— Por que voltou?

Ela demorou a responder.

— Porque ninguém merece morrer sozinho dentro de um buraco.

Dante abaixou os olhos. Durante anos, homens o obedeceram por medo e mulheres se aproximaram por interesse. Uma desconhecida sem teto acabara de se arriscar por uma razão que ele não conseguia comprar.

— Eles viram você?

— Acho que não.

Um estalo veio do lado de fora. Marina apagou a pequena lanterna do telefone. Passos esmagaram folhas molhadas.

— Talvez tenham seguido o sangue — Dante disse.

Marina segurou o canivete, embora soubesse que seria inútil diante de uma arma. O homem se ergueu parcialmente, colocando-se entre ela e a porta.

— Senta! — Marina ordenou. — Você mal consegue respirar.

— Se entrarem, corra pela janela.

— Já conversamos sobre isso.

Uma sombra atravessou a fresta da parede. Depois outra. O trinco mexeu.

— Polícia? — uma voz chamou.

Marina permaneceu imóvel. Ninguém havia informado a polícia daquela localização.

— Precisamos de ajuda — ela respondeu, evitando dar nomes. — Há um ferido.

— Abra a porta.

Dante apertou seu braço. Um aviso silencioso.

A voz insistiu, agora mais próxima.

— Marina Oliveira. Sabemos que você está aí.

O nome pareceu preencher toda a estação.

Marina olhou para Dante. Não havia contado a ninguém além de Rafael como se chamava. Do outro lado da porta, uma arma foi engatilhada.

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