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"Sem Nada, Sustento Meus Dois Irmãos no Mundo das Feras" Capítulo 10

正文开头

Um jeito mais fácil de colher

Ainda assim, o método era muito mais eficiente.

No tempo em que as outras subiam e desciam uma vez, Ana conseguia enviar várias bolsas ao chão.

Nem precisava conferir a cada viagem se todos os frutos tinham saído.

Mesmo levando alguns de volta, já era muito mais rápida.

E não precisava descer repetidamente.

Só ela sabia como suas garras haviam parecido prestes a quebrar nos últimos movimentos daquela descida com o cesto cheio.

Enquanto pensava, sacudiu outra vez a bolsa que acabara de baixar.

Quando puxou o cipó, percebeu que estava muito mais leve.

Surpresa, olhou para baixo.

Só viu alguém correndo para longe.

Ué.

Quem tinha sido tão gentil?

Luna acabara de trazer sua terceira carga de frutos.

Despejou o conteúdo do cesto junto aos demais, formando mais uma pequena pilha.

Esfregou os ombros e sorriu, satisfeita.

Era jovem.

Suas garras também eram mais eficientes.

Um pouco de esforço não era nada.

A satisfação em seu rosto crescia junto com os frutos diante dela.

Assentiu para si mesma e decidiu olhar quanto a vizinha de árvore havia conseguido.

Com aquela pequena vantagem para animá-la, conseguiria trabalhar ainda mais.

Mas, quando virou a cabeça, encontrou frutos espalhados por todo o chão.

A quantidade parecia corresponder a pelo menos cinco ou seis viagens.

Quando ela subira pela última vez, a outra mal tinha terminado de fazer o cesto.

Como conseguira colher tanto em tão pouco tempo?

Luna ficou boquiaberta.

Logo viu um "cesto" preso a um cipó descendo da árvore.

Não se parecia com os que usavam normalmente, rígidos e cheios de cantos.

Aquele era mole.

Mesmo assim, os frutos continuavam dentro dele.

Nenhum caía durante a descida.

Ao tocar o chão, porém, o cesto parecia deixar de funcionar como cesto.

Os frutos saíam e rolavam pela terra.

Uns poucos ficavam no fundo e não caíam, por mais que Ana sacudisse.

Os olhos de Luna brilharam.

Ela correu até a bolsa e tirou os que restavam.

Depois olhou em volta, encontrou Helena e saiu correndo em sua direção.

"Helena! Helena! Aquela garota da Cidade das Cem Feras é muito esperta!"

Gritava enquanto corria.

Nas árvores e no chão, os outros se viraram para olhar.

Helena já tinha alguma idade, mas sua audição continuava excelente.

E Luna falava tão alto que, mesmo de longe, ela sentiu vontade de esfregar o ouvido.

"O que aconteceu agora?"

A curandeira parecia resignada.

Luna atingira a maioridade havia pouco tempo e já tinha dois companheiros.

Por que continuava tão agitada?

"Aquela garota da cidade fez um cesto molenga! Agora nem precisa descer da árvore!"

Luna chegou até ela e puxou seu braço, querendo levá-la até Ana.

Helena ficou confusa.

Não entendera muita coisa.

Mesmo assim, acompanhou a jovem para ver o que estava acontecendo.

Quando chegaram ao pé da árvore, Ana já tentava melhorar o sistema.

Puxar e baixar tudo diretamente com os braços ainda exigia força.

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Ela deu duas voltas com o cipó na árvore e passou a corda por um galho antes de descer a bolsa.

Ficou bem menos cansativo.

Helena chegou a tempo de ver uma carga de frutos baixar devagar, acomodada dentro da bolsa.

Seus olhos também se iluminaram.

Outros já haviam pensado em algo parecido.

Amarravam um cipó num cesto e tentavam baixá-lo.

Mas o recipiente rígido, com a abertura no alto, acabava inclinando.

Os frutos caíam e se espatifavam.

Depois de exposta ao ar, a polpa logo encolhia. O branco se tornava amarelado, e o gosto ficava amargo.

Também tentaram deixar uma pessoa em cima colhendo e outra embaixo pegando.

Mas, daquela altura, um fruto podia matar alguém.

Se houvesse um jeito mais fácil, todos poderiam trabalhar melhor.

Talvez até conseguissem guardar mais comida antes da chegada do frio.

A bolsa ficou vazia outra vez.

Ana olhou para baixo, tentando descobrir quem a ajudava.

Encontrou Helena ao lado da mulher que conversara com ela antes.

As duas a observavam com surpresa e alegria.

Pensou por um instante, mas decidiu não descer.

A árvore já estava quase toda colhida.

Podia terminar primeiro e conversar depois.

Helena a viu hesitar brevemente antes de retomar o trabalho.

Ficou ainda mais satisfeita.

Era uma boa menina.

Luna, por sua vez, correu de volta para sua árvore.

Só metade do que cada um recolhia ficava com a própria família.

A outra metade precisava ser entregue à tribo para distribuição.

Ela também tinha bocas para alimentar.

No verão, talvez ninguém desse muita importância àqueles frutos.

Mas o inverno estava próximo.

Passariam um longo período dependendo deles.

Ana colheu mais algumas bolsas.

Quando concluiu que os frutos restantes estavam velhos demais ou já tinham sido esvaziados por insetos, deixou o cipó na árvore e começou a descer com a bolsa trançada e o cesto.

Cipós cresciam por toda parte.

Depois de tanto uso, não sabia se aquele ainda estava em boas condições.

Na próxima vez, pegaria outro.

Sem o peso dos frutos, descer ficou muito mais fácil.

Quando calculou que estava a cerca de um metro do chão, virou o corpo e saltou.

Pousou com leveza.

"Ana, esse método de coleta veio da Cidade das Cem Feras? Você estaria disposta a compartilhar? Podemos pagar com carne."

Ao observar sua agilidade, Helena se sentiu ainda mais satisfeita.

Nunca tivera uma filha.

Agora que envelhecia, procurava alguém adequado para sucedê-la como curandeira.

"Isso..."

Ana coçou a cabeça.

Também pensara em outras possibilidades.

Poderia, por exemplo, fazer uma rede para que alguns metamorfos segurassem embaixo, enquanto quem estivesse na árvore colhia e jogava os frutos.

Mas eram pesados demais.

E todo mundo já tinha suas próprias tarefas.

Helena a observava com atenção.

Com o método habitual, outra mulher levaria mais de meio dia para terminar aquela árvore.

Subir e descer tantas vezes cansava muito.

Os metamorfos também precisavam descansar.

Ana, porém, quase a esvaziara em pouco tempo.

Helena imaginara que cada mulher conseguiria colher uma árvore naquele dia.

Sete ou oito árvores já representariam uma boa quantidade de alimento.

Não esperava que Ana aparecesse com uma solução daquelas.

Pensou nas reservas pequenas da tribo.

Nos idosos que também precisavam comer.

Por isso, mesmo correndo o risco de parecer inconveniente, resolvera perguntar.

"Claro. Mas, além da carne, eu gostaria de receber peles grossas e sal."

Ana assentiu.

Compartilhar o método não significava, porém, ensinar a arte de trançar.

Não pretendia passar aquela habilidade adiante.

A antiga dona do corpo podia ser pouco dedicada ao trabalho, mas crescera na cidade.

Conhecia mais coisas que a maioria dos moradores da tribo.

Sabia que saber trançar era uma maneira de garantir a própria sobrevivência naquele mundo.

Ana fez mais sete ou oito bolsas de rede.

Enquanto trabalhava, alguns homens acenderam uma fogueira.

Tiraram panelas de pedra e recipientes de bambu dos cestos e começaram a cozinhar frutos-de-farinha ali mesmo.

Ao ver a água, Ana passou os lábios secos um pelo outro.

Achara que procurariam alguma fonte nas proximidades.

Não imaginava que trouxessem a própria água.

Agora entendia por que não vira nenhum curso d’água pelo caminho.

Imaginara que seguiriam por uma rota próxima de algum rio ou riacho.

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