标题上

"Sem Nada, Sustento Meus Dois Irmãos no Mundo das Feras" Capítulo 9

正文开头

A coleta

Ana ainda pensava como uma humana.

Procurava algum tipo de ferramenta ou uma vara comprida para derrubar os frutos quando percebeu que os outros já amarravam os cestos ao corpo com cipós.

Em seguida, estendiam as garras e começavam a subir.

Para felinos, escalar era fácil.

Mesmo entre os humanos, quem sabia subir em árvores fazia aquilo sem grandes dificuldades.

As pessoas tinham uma enorme capacidade de aprendizado.

As mulheres daquele mundo reuniam vantagens humanas e animais.

Para elas, escalar uma árvore era algo simples.

Ana ficou parada sob a copa por um instante, constrangida.

Bem lembrado.

Imitou as outras e puxou um cipó nas proximidades.

A planta era muito mais flexível e resistente que as da Terra.

Não conseguiu arrancá-la só com a força das mãos.

Precisou usar as garras algumas vezes até soltar o pedaço do emaranhado.

Sentiu a fibra entre os dedos.

Aquilo mal parecia uma planta.

Lembrava uma corda de cânhamo torcida à mão.

Seria bom levar um pouco para casa ao fim do dia.

Estavam precisando de tudo.

Mal terminou de prender o cesto às costas, viu um dos homens tirar as roupas de pele.

Ele se apoiou nas quatro patas e se transformou num leopardo.

Ana ficou sem palavras.

Quase se esquecera de que os homens daquele mundo podiam virar animais.

Só que ele não parecia muito maior que um leopardo comum, como nas histórias que ela conhecia.

Tinha um tamanho normal.

Antes que ele percebesse seu olhar, Ana desviou os olhos.

Estendeu as garras, escolheu uma árvore e se preparou para começar.

À distância, Helena a observava discretamente.

Ao ver seus movimentos desajeitados, não conseguiu conter um sorriso.

Ana nunca subira numa árvore.

Achou que passaria vergonha.

Mas, assim que as unhas afiadas se prenderam à casca, o instinto de leopardo tomou conta daquele corpo.

Como se sempre soubesse fazer aquilo, subiu vários metros com facilidade.

Parou, impressionada.

Olhou para o chão.

Até o medo de altura desaparecera.

Restava apenas uma empolgação que parecia vir de dentro dos ossos.

Abraçada ao tronco, logo alcançou a parte mais alta.

O corpo leve, a capacidade de salto e o equilíbrio que um humano só obteria depois de muito treino eram naturais ali.

Ana saltava de um galho para outro como se estivesse andando no chão.

A árvore escolhida não tinha tantos frutos.

Para evitar desperdício, o melhor era terminar uma antes de passar para a seguinte.

Se deixasse frutos espalhados, outro metamorfo precisaria subir depois para recolher o restante.

Começou pelos que estavam mais perto.

Eram pesados.

Só a casca tinha uma espessura de quase meio dedo.

Mal colocou alguns no cesto, sentiu vontade de observar as outras.

Ninguém atirava os frutos no chão.

Naquele mundo, desperdiçar alimento era algo que não podiam se permitir.

Se caíssem daquela altura, as cascas se quebrariam.

Já os homens tinham dificuldade para escalar troncos tão arredondados.

正文1

Em geral, acompanhavam Helena pelos arredores, procurando outros alimentos.

Nas copas, as mulheres começavam a colher pelos galhos mais afastados.

Ana logo percebeu que aquilo também ajudava a economizar energia.

Quis fazer o mesmo e começar pelas partes mais difíceis.

Mas já tinha alguns frutos no cesto.

Assim que endireitou as costas, sentiu o peso de verdade.

Ficou em silêncio.

Examinou os galhos ao redor.

Na parte mais alta, eles se projetavam em ângulos irregulares.

Bem à sua frente, a junção de um deles com o tronco formava uma pequena cavidade.

Ana tocou o queixo.

Soltou o cipó que prendia o cesto à cintura.

Os frutos cabiam naquela cavidade.

Pena que o espaço era pequeno. Cinco ou seis já seriam suficientes para enchê-lo.

Colheu os que estavam próximos com cuidado.

Quando achou que já tinha uma quantidade razoável, voltou até o tronco, recolocou no cesto os frutos que deixara ali e começou a descer.

Subir era fácil.

Descer era outra história.

Ainda mais com tanto peso nas costas.

Vazio, o cesto quase não incomodava.

Cheio, parecia ter alças muito mais ásperas, que machucavam seus ombros.

Ela media cada movimento.

Até a cabeça parecia presa pelo cesto. Não ousava virá-la demais, com medo de inclinar o corpo e derrubar os frutos.

Quando finalmente desceu aqueles sete ou oito metros, os ombros e as garras doíam.

Tirou o cesto imediatamente e esfregou os ombros algumas vezes.

Depois arrancou um monte de cipós e se sentou no chão.

Sua avó adorava peças trançadas.

As feitas à mão eram verdadeiros tesouros para ela.

Quando pequena, Ana tinha medo de que a avó também a abandonasse. Para agradá-la, aprendera um pouco do ofício e, de vez em quando, fazia pequenos presentes.

Os cipós se acomodavam obedientemente em suas mãos.

Logo surgiu a forma de uma bolsa grande.

"O que você está fazendo?"

Uma mulher se aproximou, curiosa.

Ana ergueu os olhos e percebeu que ela também esfregava os ombros.

Pelo visto, a coleta não era fácil para ninguém.

"Ah! Está trançando um cesto? Mas parece diferente... Dá para ver que veio da Cidade das Cem Feras. Até fazer cestos você sabe. Os nossos são todos comprados nas cidades. Ninguém aqui sabe transformar aquelas tiras de folhas grandes numa coisa dessas."

A mulher parecia surpresa.

Mas logo desviou os olhos para não observar o movimento das mãos de Ana.

Um cesto custava dois pedaços grandes de carne.

Aquilo era uma habilidade que garantia a sobrevivência de alguém.

Não podia simplesmente ficar olhando e aprender sem permissão.

"É. Desse jeito, colher cansa demais. Quero tentar outra coisa."

Ana acelerou o trabalho.

Se demorasse muito, as outras já teriam recolhido vários cestos enquanto sua árvore continuaria quase intacta.

A mulher assentiu, compreensiva.

Outros já haviam tentado maneiras diferentes de colher.

Mas as árvores eram altas, e alguma coisa sempre dava errado.

A garota ainda era nova.

Depois de se frustrar, entenderia por que o método delas era mais seguro.

A mulher se afastou, colocou o cesto nas costas e tornou a subir.

Quando desceu outra vez, Ana acabara de terminar.

Ela comparou o monte de frutos diante da garota com as duas pilhas que já reunira.

Torcendo um pouco a boca, sentiu nascer uma vontade de competir.

Ana separou também um cipó com mais de dez metros.

Só esperava que não arrebentasse.

Subiu outra vez, levando a corda e a bolsa recém-trançada.

Não demorou a enchê-la.

Amarrou o cipó na parte que fizera especialmente para servir de alça e testou o peso algumas vezes.

Parecia resistente.

Então começou a baixar a bolsa devagar, junto ao tronco.

As plantas daquele mundo eram mesmo surpreendentes.

Ana achara que alguma coisa poderia se romper.

Mas a bolsa cheia chegou ao chão sem problemas.

Até o cipó entre seus dedos continuava firme.

Ela não fizera um fecho na abertura.

Assim que a bolsa tocou o chão e deixou de ficar suspensa pela alça, os frutos rolaram para fora.

Qualquer pessoa que já usara uma bolsa mole sabia: bastava ela tombar para o conteúdo se espalhar.

Era exatamente o que Ana pretendia.

Não se tratava de alguma habilidade extraordinária adquirida com a prática.

Só estava usando o que conhecia da vida cotidiana.

Do alto, sacudiu o cipó.

Alguns frutos, porém, continuaram presos no fundo.

Olhou ao redor.

Todos estavam ocupados.

Cada mulher trabalhava numa árvore, a meio caminho do tronco ou na copa. Os homens tinham ido mais longe.

Não havia ninguém para ajudá-la.

Só lhe restou puxar a bolsa de volta com os frutos que sobraram.

下一张上
下一章下

você pode gostar

Compartilhar Link

Copie o link abaixo para compartilhar com seus amigos:

页面底部