标题上

"Sem Nada, Sustento Meus Dois Irmãos no Mundo das Feras" Capítulo 5

正文开头

Felipe

"Traga outra tigela."

Luan se levantou imediatamente.

Nem perguntou por quê.

Seu corpo parecia ter aprendido, à força de golpes, a obedecer antes de pensar.

Ana pegou a segunda tigela, encheu até a borda e a entregou a ele.

Luan a recebeu, atônito.

"Essa é sua. Se não for suficiente, pegue mais."

O corpo de um metamorfo realmente era diferente do de um humano.

Ana se lembrava de ter comido diretamente da panela naquela manhã e, mesmo assim, já estava tonta de fome.

Soprou a borda da tigela e provou a papa quente.

O gosto não era lá grande coisa.

Para piorar, aquele corpo pertencia a uma espécie carnívora. Passar tempo demais sem comer carne deixava seus membros sem força.

Luan olhava para ela sem reação.

Antes, sua comida consistia no que sobrava da refeição de Ana.

Um restinho de papa diluído em água fria era tudo que comia durante o dia.

Agora ela lhe entregara uma tigela enorme.

Ele nem se atrevia a levar a comida à boca.

"O que está esperando? Coma."

Ana o observou segurar a tigela.

Não fora ela quem lhe causara todos aqueles ferimentos.

Mas estava naquele corpo.

E, aos olhos de Luan, era a mesma pessoa que sempre o agredira.

Talvez não pudesse mudar muita coisa.

Pelo menos, porém, não voltaria a bater nele.

Ao menos tentaria permitir que aquele pobre rapaz tivesse uma vida normal.

"Eu... eu não consigo comer tudo isso."

A tigela de madeira não isolava muito bem o calor.

As pontas de seus dedos ardiam.

Desde que se entendia por gente, exceto pelas poucas vezes em que Dante conseguira lhe dar comida escondido, nunca tivera tanto alimento na própria tigela.

E não estava frio.

Era comida quente.

Feita naquele instante.

O vapor subiu até seus olhos, que ficaram úmidos.

Luan piscou, sem jeito.

A comida não desapareceu.

O calor nos dedos confirmava que continuava em suas mãos.

Ana examinou aquele corpo magro de dar pena.

Quando ele abaixava a cabeça, cada vértebra se destacava sob a pele da nuca.

"Mesmo assim, coma."

Ao ouvir a firmeza dela, Luan mordeu o lábio trêmulo.

Mesmo assim, coma.

Nunca ninguém lhe dissera uma coisa daquelas.

Nunca tivera uma refeição que o deixasse satisfeito.

Naquela noite, pela primeira vez desde que nascera, sentiu o estômago cheio.

Uma tigela bastou.

A fome prolongada havia feito seu corpo se acostumar com muito pouco.

Ana terminou sozinha a maior parte que restava na panela.

Quando acabaram de comer e cuidaram do fogo, o céu já estava escurecendo.

Vozes começaram a surgir nas proximidades. Provavelmente o grupo de coleta e os que tinham ido ao mercado estavam voltando.

"Ana, você está aí?"

A voz veio da entrada.

Ana parou.

Soava muito familiar.

Luan, que lavava as tigelas, estremeceu violentamente.

Sem fazer barulho, recuou para o canto, como se quisesse diminuir até desaparecer dos olhos de qualquer pessoa.

正文1

Ana foi até a porta.

Do lado de fora do quintal estava um rapaz vestindo uma pele manchada de leopardo.

Seus olhos grandes e vivos lembravam os de um gato.

Ao vê-la, se iluminaram, e sua expressão ganhou uma alegria evidente.

Ah.

Ana finalmente se lembrou de quem era.

O filho da chefe da Tribo dos Leopardos.

Por ter parentesco com o antigo governante da Cidade das Cem Feras, a antiga dona daquele corpo também possuía boas capacidades.

Mas era filha única de uma mulher que a mimara demais.

Crescera com um caráter distorcido.

Caso contrário, talvez não tivesse chegado àquela situação.

Mesmo depois da ruína, porém, ainda sabia fazer planos.

Quando percebera que não havia como recuperar o que perdera, começara a procurar, entre os leopardos, um futuro companheiro de quem pudesse obter apoio.

Era bonita.

Graças à alimentação que tivera antes, seus braços pareciam fortes e firmes. Além disso, crescera na Cidade das Cem Feras e conhecia coisas que os outros ali nunca tinham visto.

Com algumas palavras doces, conquistara rapidamente o filho da chefe.

"Ana, você vendeu o Luan? Conseguiu quantos cristais?"

Felipe perguntou, animado.

Sempre quisera roupas da Cidade das Cem Feras.

Dias antes, Ana lhe contara que Luan acabara de atingir a maioridade e já possuía uma marca desde a primeira transformação.

Vendê-lo renderia vários cristais brancos.

Se sobrasse alguma coisa, ela levaria Felipe à cidade para comprar roupas feitas pelos metamorfos aranha.

Ele ficara radiante.

A Tribo dos Leopardos não era rica nem especialmente poderosa.

Mesmo saindo todos os anos para caçar feras extraordinárias, sua mãe conseguia poucos cristais.

E eles pertenciam à tribo inteira.

Precisavam ser economizados para comprar sal.

Ninguém os daria para Felipe gastar.

Ele já acompanhara a mãe à Cidade das Cem Feras.

As roupas tecidas pelos metamorfos aranha eram bonitas e bem-acabadas.

Nada parecidas com aquelas peles grosseiras que lavavam e enrolavam no corpo de qualquer jeito.

Ana franziu a testa.

"Não vou vendê-lo. Nunca mais vou fazer esse tipo de coisa. E você também não precisa mais vir me procurar."

Felipe ficou sem reação.

Ana, que sempre falava com tanta doçura, agora o tratava daquele jeito.

Sua mãe dissera que ele tinha sorte por receber a atenção dela.

Ana viera da Cidade das Cem Feras. Só não demonstrava todo o seu potencial porque ainda era menor de idade.

Quando pudesse participar das caçadas, suas qualidades apareceriam.

O sangue não mentia.

Mais cedo ou mais tarde, voltaria para a cidade.

Se Felipe ficasse com ela, também teria a chance de sair da tribo.

Ele andava satisfeito consigo mesmo, imaginando um futuro promissor.

Até o dia anterior, Ana fora gentil.

Agora o tratava com frieza.

E tudo por causa de uma serpente!

"Mas você prometeu me levar à Cidade das Cem Feras para comprar roupas feitas pelos metamorfos aranha!"

Felipe bateu o pé.

Falou tão alto que Ana viu cabeças aparecendo nas casas de pedra vizinhas.

正文2

"Quem prometeu foi a Ana de antes. Eu não tenho mais nada a ver com isso. Não venha me procurar de novo."

Ela fez um gesto com a mão.

Não queria que mais gente soubesse daquela história.

Os metamorfos eram desconfiados de quem não pertencia ao próprio grupo.

Embora a Cidade das Cem Feras fosse admirada, numa tribo pequena o que realmente importava era pertencer à mesma espécie.

A rejeição aos de fora parecia fazer parte de seus instintos.

Sendo duas serpentes, Dante e Luan não eram bem-vindos entre os leopardos.

Não era permitido vender outro metamorfo por conta própria.

Mas ninguém se importava com o destino daqueles dois.

Se a antiga Ana vendesse Luan, provavelmente diriam que fora esperta ao usar um estrangeiro para sustentar a casa.

Felipe era o filho da chefe.

Também estava acostumado a ser bajulado.

Arregalou os olhos diante daquelas palavras tão frias.

Depois fez um bico e foi embora, furioso.

Ana ignorou os vizinhos que espiavam e voltou para dentro.

Luan continuava agachado diante da abertura do fogão.

Era preciso retirar as cinzas e os resíduos deixados pela lenha. Se acumulassem demais, ficaria difícil acender o próximo fogo.

Ele percebeu os passos de Ana se aproximando.

Ouvira o que ela dissera.

Não o venderia mais.

Parecia que, por enquanto, tinha recuperado um lugar onde ficar.

Talvez aquela casa não fosse realmente um lar para ele.

Mas ainda era um lugar onde podia continuar vivo.

A noite era mais fria que o dia.

Mesmo com as janelas bem cobertas, Ana sentia o vento atravessar as folhas.

O capim seco da cama não era macio.

Alguns talos duros espetavam a pele.

Ela os ajeitou com a mão, cobriu-se com uma pele de urso gasta e se deitou.

Luan e Dante só tinham um cobertor de pele velho.

Quando dormiam juntos, conseguiam aproveitar o calor um do outro.

Sozinho, Luan só podia tremer.

Enrolou-se na pele e se encostou no canto da parede.

Depois de aquecida pelo corpo, até a pedra servia como uma pequena fonte de calor.

Ficou pensando no comportamento de Ana.

Mais cedo, ela gritara que os cristais oferecidos eram poucos.

Pouco depois, já não queria vendê-lo.

À noite, ainda lhe dera comida suficiente para encher a barriga.

Luan não entendia.

A atitude dela era como uma panela de água fervente suspensa sobre seu corpo.

Ele só podia ficar ali, esperando.

Sem saber se a água seria despejada sobre ele com ainda mais violência ou se Ana decidiria que nem valia a pena desperdiçá-la e levaria a panela embora.

Tocou a marca no lado esquerdo do rosto.

Os pensamentos continuaram se atropelando.

A tensão da noite anterior, o desespero daquele dia e todas aquelas mudanças repentinas haviam acabado com suas forças.

Seus olhos se fecharam devagar.

E ele começou a sonhar.

下一张上
下一章下

você pode gostar

Compartilhar Link

Copie o link abaixo para compartilhar com seus amigos:

页面底部