"Sem Nada, Sustento Meus Dois Irmãos no Mundo das Feras" Capítulo 4
Comida
Também aprendera que, onde quer que estivesse, precisava fazer o possível para viver direito.
Resignada, Ana foi buscar lenha no depósito.
Todas as casas de pedra tinham um pequeno quintal. Normalmente, a lenha ficava num abrigo do lado de fora.
Mas, na casa deles, só restavam alguns galhos recolhidos por Luan.
A antiga Ana tinha vergonha de deixar à vista o pouco que possuíam.
Por isso, mandara guardar tudo dentro de casa.
Luan mantinha a cabeça baixa.
De onde estava, só enxergava os pés dela.
Os mesmos pés que haviam pisoteado sua vida e sua dignidade desapareceram no depósito e logo voltaram a entrar em seu campo de visão.
Ele não se atrevia a olhar diretamente para o rosto de ninguém.
Quando encontrava outro metamorfo, a primeira coisa que observava eram os pés.
Se vinham em sua direção.
Para onde estavam apontados.
Aquele jeito de avaliar o perigo lhe dava uma segurança mínima.
Ouviu a respiração de Ana ficar um pouco mais pesada.
Quem sofria agressões constantes podia acabar se fechando para o mundo ou ficando sensível demais a qualquer sinal dele.
Luan apertou os lábios ressecados.
Toda a água da casa precisava ser buscada no rio, e Ana o proibia de beber muito.
Às vezes, quando a sede ficava insuportável, aproveitava a ida ao rio para beber um pouco mais.
Mas ela não permitia que saísse sem alguma tarefa para cumprir. Dizia que ele a fazia passar vergonha.
Desde que trouxera água pela manhã, não bebera um único gole.
Hesitou antes de erguer os olhos discretamente.
Ana carregava alguns galhos secos nos braços fortes.
Depositou-os perto da fogueira, aparentemente disposta a acendê-los.
Quando ela já tinha feito uma coisa daquelas?
Luan se assustou.
Correu para arrumar o pequeno monte de lenha.
"É para cozinhar os frutos-de-farinha? Eu... eu faço. Isso não é trabalho de mulher."
Seu corpo tremia de leve.
A casa de pedra não conservava bem o calor. Também não havia material que cobrisse as janelas sem bloquear a luz.
Usavam folhas grandes para fechá-las.
Durante o dia, as folhas eram retiradas, deixando o vento frio entrar livremente.
Ana não sabia se ele tremia de frio ou por outro motivo.
Olhou para suas mãos.
Luan era magro demais.
Os dedos compridos deveriam ser bonitos, mas pareciam apenas pele ressecada envolvendo ossos finos.
As articulações se destacavam, cobertas de ferimentos e manchas arroxeadas.
Ana se considerava uma pessoa normal.
Não conseguiria ficar olhando enquanto alguém tão machucado e assustado trabalhava por ela.
No mundo de onde vinha, se encontrasse uma pessoa naquele estado, provavelmente tentaria lhe dar mais alguma coisa para comer.
Mas Luan parecia apavorado demais.
Como se, impedido de trabalhar, deixasse de ter valor e acabasse vendido outra vez.
Ser capaz de fazer alguma coisa era a única segurança que ainda possuía.
"Está bem. Vá buscar os frutos-de-farinha."
A gentileza na voz dela o deixou confuso por um instante.
Depois se apressou até o canto.
Só havia quatro frutos.
Luan hesitou.
Ana precisava comer quase dois por refeição para não sentir fome.
Mas só restavam quatro, e Dante ainda levaria dois dias para voltar.
Como ele conseguiria comida suficiente para ela até lá?
"Vamos, Luan."
Ao ouvir o chamado atrás de si, pegou dois frutos depressa.
Aquele mundo era atrasado, mas nem tudo era tão inconveniente.
Havia pedras próprias para acender fogo.
O problema era que a antiga dona do corpo quase nunca as usara. Sem lembranças que a orientassem, Ana também não sabia o que fazer.
Só estava acostumada com isqueiros.
Agachada, batia uma pedra escura na outra, mas não conseguia produzir uma única faísca.
"Deixe que eu faço."
Luan se agachou com cuidado ao lado dela.
Como não tinham carne, não precisavam acender a fogueira central.
Ana apenas colocara um pouco de lenha sob o fogão de pedra.
Para acendê-la, era necessário se abaixar diante da abertura na base.
Quando Luan se aproximou, os dois ficaram inevitavelmente muito perto.
Ana sentiu a tensão no corpo dele.
Parecia uma flecha prestes a ser disparada.
E ela era quem mantinha a corda do arco esticada.
Bastaria um movimento seu para ele se romper.
Entendendo, afastou-se um pouco.
Luan percebeu aquele calor, acompanhado pelo roçar de pelos, se distanciar.
Relaxou só um pouco, mas não ousou olhar para trás.
A pessoa às suas costas lhe causava tanto medo quanto uma fera capaz de devorá-lo no instante seguinte.
Nas mãos dele, as pedras de fogo se tornaram dóceis.
Duas batidas leves bastaram para lançar faíscas sobre a madeira seca.
Uma pequena chama surgiu.
Luan se levantou, buscou água e a despejou na panela de pedra com uma bacia pequena de madeira.
Depois pegou uma pedra pontuda e a encaixou na fenda no alto de um fruto-de-farinha.
Ana o observou fazer força.
A pedra dura logo deixou sua mão vermelha. Uma das bordas irregulares pressionava diretamente as cicatrizes.
Mas aquele rapaz de apenas dezesseis anos, recém-chegado à maioridade segundo as regras daquele mundo, não soltou um som.
Seria muito mais fácil quebrar a casca com uma pancada.
Então Ana se lembrou.
A antiga dona do corpo reclamara do barulho e o espancara por causa disso.
Luan nunca mais abrira os frutos batendo neles.
Ana suspirou e tirou o fruto de suas mãos.
Guiando-se pelas lembranças, estendeu as garras de modo um pouco desajeitado.
As unhas afiadas de leopardo romperam a casca com facilidade.
Por dentro, havia uma polpa branca.
Não era um pó, como ela imaginava.
Parecia formada por pequenos blocos sobrepostos.
"Então é assim por dentro."
Ana não conseguiu conter o comentário.
A outra Ana nunca se preocupara com aquilo. Só comia, sem se importar com a aparência dos ingredientes.
Ela pegou o segundo fruto e percebeu o olhar aflito de Luan pousado em suas mãos.
"Suas mãos estão cheias de ferimentos. Eu faço."
"Eu ainda... ainda consigo trabalhar. Não tem problema."
Luan não entendia.
Mesmo quando moravam na Cidade das Cem Feras, Ana nunca falara com ele daquele jeito.
Antes de Dante despertar seus poderes, os dois muitas vezes passavam fome.
Ela apenas observava, indiferente.
"Eu já disse que faço."
Ana abriu o segundo fruto com as garras e despejou a polpa na panela.
Os blocos logo começaram a se desfazer na água.
Agora, sim, pareciam farinha.
Ela se afastou um pouco da abertura do fogão e puxou Luan para mais perto do calor.
Antes que ele entendesse, ouviu sua voz tranquila.
Nada daquela aspereza aguda de antes.
"Você está com pouca roupa. Chegue mais para cá. É mais quente."
Normalmente, assim que acendia o fogo, Luan precisava começar a cozinhar.
Mesmo com frio, nunca ficava perto da panela só para se aquecer.
Sentia um pouco de calor quando acrescentava lenha, mas, depois, o frio parecia ainda pior.
Agora estava agachado diante das chamas.
A luz quente dançava sobre seu rosto pálido.
Como metamorfo serpente, ansiava especialmente por aquele calor suave, que aquecia sem queimar.
Ana pegou o recipiente de sal.
Ao ver os poucos grãos amarelados e grosseiros que restavam no fundo, hesitou.
Depois criou coragem e acrescentou o suficiente para duas pessoas.
A papa logo começou a borbulhar.
Ela mexeu até não restar nenhum vestígio de farinha seca.
Luan já havia trazido uma tigela de madeira.
Ana a pegou e a examinou, curiosa.
Parecia haver uma camada de algum líquido vegetal sobre a superfície.
Ao toque, não tinha a textura comum da madeira. Talvez aquilo a protegesse do desgaste e impedisse que a comida ficasse com gosto de lascas.
Encheu a tigela.
Luan continuava sentado exatamente onde ela o deixara.
Não parecia sequer considerar a possibilidade de comer.
Claro.
A antiga Ana mal conseguia se satisfazer.
Muito menos se preocuparia com aquele irmão que detestava.
Ana suspirou.
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 15
[A Beleza Tímida e O Bilionário]
Trabalhar como garçonete em New Jersey não era exatamente o trabalho dos sonhos de Analeina, mas ela conseguiu encaixá-lo em sua vida, embora sempre desejasse por uma nova oportunidade ou aventura. Quando Analeina derrama acidentalmente café quente em um dos bilionários e solteirões mais cobiçados de New Jersey, Jaxon Terrace, ela não esperava que aquilo se tornasse sua oportunidade. Quando o bilionário irritado exige que ela pague pelas roupas que ela arruinou, ela admite não ter dinheiro, mas o Bilionário não aceita isso. Ele a aceita em seu emprego por um período de tempo como sua secretária para que ela possa pagar pelas roupas. No entanto, quando o prazo se encerra e a dívida é paga, Jaxon não está pronto para deixar Analeina ir embora. Porém, quando ela não está muito animada em permanecer em seu emprego, a besta dentro dele aparece e a tímida beleza se torna sua única vítima. Jaxon conquistará o amor de Analeina no final, ou ela o verá como nada mais que uma besta indigna e sem merecimento de amor?Moderno|Romance08 24 -
TerminadoCapítulo 4
Paixão e Domínio: Ex-esposa do CEO
Tudo o que pode levar é um escândalo para despedaçar uma história de amor de 15 anos. Conheça os Barnes. Angelina (Angel) e James Buchanan Barnes IV (Bucky). Seu romance antes de conto de fadas foi destruído. Mas quando a verdade vier à tona, eles serão capazes de reparar o estrago ou estará tão danificado que não poderá ser consertado?Moderno08 11 -
TerminadoCapítulo 2
Depois do falecimento do meu marido, eu enfrentei a amante com astúcia
Meu marido Joaquim sofreu um acidente de carro, ficou gravemente ferido e à beira da morte. O médico disse que salvá-lo teria pouco significado, então me preparei psicologicamente. Eu estava bem preparada e fiz um gesto com a mão: "Não vou dar mais problemas ao hospital, desistindo do tratamento." Obtive o atestado de óbito, encerrei a conta, levei-o ao crematório e, após seis horas, ele se tornou um monte de cinzas. Eu bato na urna de cinzas e digo: "Joaquim, oh Joaquim, você realmente era uma boa pessoa!" Joaquim tinha uma fortuna, partiu jovem e não deixou testamento. Recebi dois terços de toda a herança. Existe alguém mais atencioso do que Joaquim?Moderno08 4 -
TerminadoCapítulo 10
O 12º Beijo
“Cinderela tinha até meia-noite, tenho doze beijos para reconquistar o coração do meu príncipe”, John quer que Metilda termine o casamento. Ele acredita que se apaixonou por outra mulher. Metilda concorda, mas tem uma condição. John deve beijá-la todas as tardes na frente do filho durante doze dias. No 12º beijo, algo inesperado acontece……Moderno|Fantasia08 7 -
TerminadoCapítulo 5
Papai bilionário do bebê
Uma noite de amor que jamais seria esquecida. Ela dormiu com um bilionário. Apenas Jessica não sabia disso na época, outra coisa que ela não sabia é que, ao sair daquele apartamento de luxo, ela carregaria o herdeiro de uma empresa multibilionária.Moderno08 10 -
TerminadoCapítulo 10
O Alpha me quer
Um mundo onde os humanos desprezam os lobisomens não porque os conhecem pessoalmente, mas sim por medo deles. Stella Morgan é apenas uma mulher de 20 anos comum, trabalhando duro para se manter na faculdade e no emprego; ela sabia sobre lobisomens, mas nunca havia conhecido um até o dia em que chegou em casa e descobriu que os lobisomens estavam visitando sua cidade, não apenas uma visita qualquer; o alpha estava procurando uma companheira…Alpha|Fantasia08 13 -
TerminadoCapítulo 1
Laços do Destino: A Noiva Substituta
Avelyn Harrison, uma jovem de 18 anos, que acabou de dar seu CBSE, voltou para casa para o casamento de sua irmã mais velha. Mal sabia ela que esse casamento mudaria completamente sua vida...Moderno|Romance4338 4 -
TerminadoCapítulo 2
A Muda Sra. Bilionária
Emma Campbell, a única herdeira da Campbell & Co. Um acidente na infância a deixou muda. Ser muda nunca a tornou fraca, mas mais forte e feroz. Asher King da King Corp. Ele é um empresário impiedoso e faria qualquer coisa pela empresa. As garotas veneram o chão por onde ele passa. O que acontece quando o destino os junta? Eles sobreviverão juntos ou se separarão?Moderno|Romance08 4 -
TerminadoCapítulo 1
Paixão proibida: Um romance da máfia
Lucien, o Rei da Máfia, conhecido como o Diabo. Heloísa, conhecida como anjo. Os dois são arranjados para se casar, forçados pelos pais, juntando-se às duas máfias. Mas Heloísa acaba descobrindo que até o diabo já foi um anjo.Romance1.3 mil palavras8 2