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"Sem Nada, Sustento Meus Dois Irmãos no Mundo das Feras" Capítulo 1

正文开头

Não vou mais vendê-lo

"Ei! Ele acabou de atingir a maioridade e já tem uma marca. Você precisa me dar pelo menos vinte cristais brancos de fera!"

Ana ouviu aquelas palavras saírem da própria boca, num tom irritado.

"Ter uma marca não adianta muito nesse estado. Olhe como é magro! E ainda por cima é uma serpente. Quanto de carne vou ter que gastar até ele servir para alguma coisa?"

A voz desdenhosa da mulher pareceu perfurar seus ouvidos.

Só então sua visão começou a ficar nítida.

Mas o que apareceu diante dela não foi seu escritório limpo e organizado, cheio de plantas.

Ana olhou ao redor, rígida.

Pedaços de madeira dispostos sem muito cuidado separavam o espaço em pequenas áreas. As pessoas vestiam peles de animais, com uma aparência rústica.

À sua frente estava uma mulher de meia-idade, segurando um feixe de cordas.

Atrás dela, umas quinze pessoas esqueléticas se amontoavam sobre um pouco de capim seco espalhado pelo chão. As cordas terminavam em volta de seus pescoços.

Um cheiro forte e desagradável se misturava ao aroma intenso da vegetação.

Todos mantinham a cabeça profundamente abaixada. Sob a sujeira grudada em suas costas, Ana conseguia distinguir os ossos salientes.

E na mão dela também havia uma daquelas cordas.

Ana ficou paralisada.

"Quinze cristais brancos. Nem um a mais. Só por ele você já está pedindo mais do que vale esse monte inteiro atrás de mim."

Vendo que a garota não respondia, a mulher imaginou que sua oferta ainda não a tivesse convencido.

Examinou com atenção o rapaz atrás dela, detendo o olhar na marca nítida em seu rosto.

Ele era assustadoramente magro.

A estação do frio já estava próxima, mas sua única roupa era uma pele esfarrapada enrolada na cintura. Parecia feita de retalhos de pele de rato, uns grandes, outros pequenos.

Os pelos não tinham o volume macio de uma peça recém-feita. Estavam ressecados, achatados e grudados.

A pele exposta era tão clara que deixava entrever as veias. As costelas se destacavam, e havia ferimentos por todo o corpo.

Pelo menos o talento era bom.

Não era comum um metamorfo desenvolver a primeira marca assim que atingia a maioridade.

O rosto também não era nada ruim, e os longos cabelos verde-escuros caíam soltos sobre os ombros. Muitas mulheres gostavam de cabelos de cores incomuns.

Seria um desperdício vender uma mercadoria daquelas para trabalhar na caça. Na Cidade das Mil Feras, certamente haveria alguma mulher interessada.

Quase ninguém vendia um rapaz com tanto potencial.

Se conseguisse fazê-lo ganhar um pouco de peso nos próximos dias, poderia revendê-lo por cinquenta cristais brancos sem dificuldade.

A mulher fez as contas, satisfeita.

Sua voz era alta. Quando voltou a falar, Ana se sobressaltou e finalmente saiu do torpor.

"Está bem, está bem. Você é tão nova e já precisa vender o irmão para sobreviver... Dou mais um cristal, mas é só. Dezesseis cristais brancos! Ninguém paga mais do que isso por um que acabou de atingir a maioridade. Pode perguntar aos outros. Não vai encontrar uma oferta melhor."

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Ela prendeu o feixe de cordas no cinto de pele, tirou uma bolsinha e começou a contar.

Em seguida, enfiou um punhado de cristais branco-leitosos na mão de Ana.

As pontas duras pressionaram sua palma.

Ana fechou e abriu os dedos, incomodada. A dor leve lhe trouxe uma certeza.

Aquilo não era um sonho.

Ela tinha ido parar em outro mundo.

Um mundo de metamorfos.

E, logo ao chegar, estava traficando uma pessoa.

Vendendo o próprio irmão?!

No mundo de onde vinha, traficantes de pessoas eram desprezados por todos. Ana nunca tivera alguém próximo sequestrado, mas isso não diminuía em nada a repulsa que sentia por quem fazia esse tipo de coisa.

Olhou para a mulher e depois acompanhou a corda em sua mão até o rapaz atrás dela.

Ele parecia ter perdido toda a esperança.

Os cabelos longos e densos, de um verde profundo, emolduravam um rosto de beleza marcante. Seus olhos alongados permaneciam baixos, quase escondidos pelos cílios compridos, que projetavam sombras sobre a pele.

Os lábios pálidos e rachados estavam levemente apertados.

A cabeça pendia, a corda de capim rodeava seu pescoço, e os braços caíam sem força ao lado do corpo.

Era como se ele já tivesse desistido de tudo.

"Pode se despedir do seu irmão. Ninguém vem vender um dos seus porque a vida está fácil."

A garota que pouco antes exigia um preço maior agora estava imóvel. A comerciante presumiu que a indiferença anterior fosse apenas uma estratégia para negociar.

Agora que recebera os cristais, naturalmente queria se despedir.

A mulher tomou a corda da mão de Ana e deu um puxão brusco.

O rapaz cambaleou para a frente.

Antes que caísse, alguém o segurou.

Luan sentiu a mão que o amparava enrijecer por um instante.

Tentou erguer os cantos da boca, num sorriso sem jeito.

Se aquele pequeno gesto de bondade vinha do dinheiro que tinham conseguido por ele, talvez ainda tivesse valido a pena.

"Ei, ei! Agora ele é meu. Tire a mão."

A mulher franziu a testa.

"Seu como? Não vou mais vendê-lo."

As lembranças da antiga dona daquele corpo começaram a surgir com mais clareza.

Naquele mundo, as mulheres ocupavam uma posição superior à dos homens.

Um homem só podia ter uma senhora ao longo da vida. A união deixava nele uma marca especial de vínculo.

Se ela morresse, ele também morreria.

Se fosse abandonado, passaria os dias sofrendo.

Por isso, a maioria dos homens era reservada e fiel. Para aqueles que eram vendidos, o destino costumava ser servir como ferramentas de caça até a morte ou como objetos para satisfazer os desejos de alguma mulher.

Não era como nas histórias que Ana havia lido, em que os machos caçavam e as fêmeas se encarregavam de gerar filhos.

Ali, as mulheres possuíam características animais mais estáveis, olfato mais apurado e visão mais aguçada. Durante a caça, cabia a elas comandar.

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Os homens mantinham a aparência humana na maior parte do tempo. A força de suas formas animais e o período durante o qual conseguiam sustentá-las dependiam do nível que possuíam.

Em geral, só se transformavam para caçar.

Na vida cotidiana, eram mais fracos que as mulheres. Essa diferença havia moldado uma sociedade em que elas mandavam e eles obedeciam.

Fora das expedições coletivas de caça, esperava-se que os homens evitassem sair de casa, como as mulheres de certas sociedades antigas. Fazer o contrário era considerado sinal de falta de recato.

Ser vendido significava ter a dignidade despedaçada.

Mesmo que aquele rapaz fosse apenas seu irmão por parte do padrasto, Ana não o venderia.

Luan ficou imóvel ao ouvir suas palavras.

Depois ergueu a cabeça para olhar a mulher que, até um instante antes, pretendia negociá-lo.

Seus olhos estavam vazios. A expressão, entorpecida.

No momento em que a corda passara para a mão da comerciante, ele sentira que a própria vida já não lhe pertencia.

"O que você quer dizer com isso? Já recebeu os meus cristais!"

"Pegue seus cristais de volta e me devolva ele."

Ana costumava ser tranquila. Nunca fora de se meter em confusões nem de discutir com os outros.

Mas isso não significava que não soubesse se impor.

Ao vê-la franzir a testa, a comerciante reconheceu nela, por um instante, a postura de uma mulher acostumada a comandar a própria casa.

Ana enfiou os cristais de volta na mão dela e recuperou a corda.

"Mas você... A estação do frio está chegando! Olhe essas peles que está usando. Não tem nem uma peça grossa. Se vender seu irmão para mim, talvez eu ainda consiga mantê-lo vivo. Se não vender, vocês dois vão morrer congelados. Todo inverno morre um monte de metamorfo!"

A mulher olhou para os cristais devolvidos.

Cristais de fera só podiam ser extraídos dos corpos de feras extraordinárias. Para matar uma que carregasse um cristal branco, eram necessários pelo menos vinte metamorfos comuns trabalhando juntos.

Um único cristal branco bastava para comprar dez peles de boa qualidade.

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