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"O Chefe da Máfia Que Virou Babá do “Filho” de Sua Maior Inimiga" Capítulo 2 — O Homem Mais Temido da Música Infantil

正文开头

Dante acordou com um pé pequeno dentro de sua boca.

Abriu os olhos devagar. Theo dormia atravessado na cama, com a cabeça sobre um travesseiro e as pernas apoiadas no rosto do pai. O urso sem orelha estava debaixo das costas de Dante, e uma mamadeira vazia repousava sobre seu peito.

Ele tentou remover o pé.

Theo resmungou e agarrou seus cabelos.

Na noite anterior, Dante passara duas horas tentando fazer o filho dormir no quarto infantil. Cantara uma música em tom ameaçador, lera um relatório financeiro como história e ordenara silêncio três vezes. Nada funcionara.

À meia-noite, Theo apontara para a cama de Dante.

— Junto.

Dante cedera apenas para encerrar a negociação.

Agora eram seis da manhã, e ele estava sendo expulso da própria cama por alguém que pesava onze quilos.

O telefone vibrou. Rafael informava que três executivos o aguardavam às sete.

Dante respondeu: “Adie para as nove.”

Theo abriu um olho.

— Mamãe?

— Sua mãe está trabalhando.

— Mamãe.

— Eu também preferia que ela estivesse aqui.

O menino sentou-se e avaliou o pai. Depois tocou a testa dele, como Valentina fazia quando Theo estava doente.

— Dodói?

— Ainda não. Mas o dia acabou de começar.

No café, Dante colocou frutas, pão, ovos e iogurte sobre a mesa. Theo ignorou tudo e apontou para o bolso do paletó do pai.

— Fone.

— Não.

— Fone.

— Não é um brinquedo.

Theo empurrou o prato.

Dante reconheceu o início de uma greve de fome. Consultou o manual. Valentina escrevera: “Não use telas durante as refeições.” Logo abaixo, em outra cor: “Se estiver desesperado, cinco minutos não destruirão o caráter dele.”

Dante entregou o aparelho, abriu um vídeo de animais e observou Theo aceitar cada colher sem resistência.

— Isso é suborno — comentou Rosa.

— É diplomacia.

Às oito e meia, ele vestiu Theo com uma calça pequena, camiseta azul e tênis. O resultado parecia razoável até Rosa apontar que a camiseta estava do avesso e os sapatos nos pés trocados.

Dante corrigiu a camiseta, mas recusou ajuda com os tênis.

— Ele consegue andar.

Theo deu três passos, tropeçou nos próprios pés e caiu sentado.

Dante se ajoelhou imediatamente.

— Machucou?

Theo olhou para ele, abriu a boca e começou a rir.

Dante trocou os sapatos.

A reunião começou às nove e vinte. Theo ficou numa poltrona com blocos coloridos, sob a promessa de permanecer quieto.

— O contrato precisa ser concluído hoje — disse Dante aos homens ao redor da mesa. — Não aceito outro atraso.

Theo ergueu um bloco vermelho.

— Papá.

Dante continuou:

— Se o porto não liberar a carga até...

— Papá!

— O que foi?

Theo mostrou o bloco.

— Bonito.

— Muito bonito.

Os executivos fingiram não ter testemunhado a troca.

Dante retomou a reunião. Theo empilhou três blocos e derrubou todos. Depois repetiu. Na quinta queda, decidiu que os documentos sobre a mesa seriam melhores para construir uma torre.

正文1

Subiu na cadeira do pai e pegou a primeira pasta.

— Theo, não.

O menino correu.

Rafael levantou-se para interceptá-lo.

— Sente-se — ordenou Dante.

— Posso pegá-lo.

— Meu filho não é um suspeito.

Dante foi atrás dele. Theo contornou a mesa, rindo, com o contrato de quarenta páginas nas mãos. Quando Dante o alcançou, o menino já havia desenhado uma linha azul na última página.

— Isso precisava de assinatura — explicou Dante.

Theo bateu a caneta no papel outra vez.

Um dos executivos, pálido, perguntou:

— Devemos imprimir uma nova cópia?

Dante olhou para o desenho torto.

— Não. Foi aprovado pelo meu filho.

Rafael tossiu para disfarçar uma risada.

Às dez e meia, Dante recebeu uma mensagem de Valentina: “Hoje tem aula de musicalização. Onze horas. Não falte.”

Ele respondeu: “Tenho uma empresa.”

Ela enviou: “E um filho.”

Quarenta minutos depois, o carro preto estacionou diante de uma escola infantil em Vila Madalena. Dante entrou usando terno escuro, acompanhado por Rafael. Vinte mães sentadas em círculo ficaram em silêncio.

A professora entregou a Dante uma tiara com orelhas de coelho.

— Os pais participam da atividade.

— Não uso acessórios.

Theo apontou para a própria tiara.

— Papá igual.

Dante colocou as orelhas.

Rafael tirou discretamente uma fotografia.

— Apague — disse Dante sem olhar para ele.

A aula exigia bater palmas, imitar animais e dançar em círculo. Dante executou tudo com a seriedade de uma operação militar. Theo ria cada vez que o pai precisava pular.

Uma mãe se aproximou no intervalo.

— O senhor é o pai do Theo? Nunca o vimos aqui.

Dante sentiu a pergunta como uma acusação simples e precisa.

— Sou.

— Ele fala muito da mãe.

— Eu sei.

— Talvez comece a falar do senhor também.

Theo correu até Dante e abraçou sua perna. O pai o pegou no colo.

— Papá coelho — anunciou o menino.

As mães riram. Dante permitiu.

Na saída, comprou um suco para Theo e ligou para Valentina.

— Você poderia ter mencionado as orelhas.

— Se eu mencionasse, você iria?

— Não.

— Então meu método funcionou.

— Rafael fotografou.

— Já pedi uma cópia.

Dante ouviu o sorriso na voz dela.

— Como está Recife?

— Quente. O trabalho é bom. Como ele está?

Dante olhou para Theo, adormecido no banco infantil, ainda usando a tiara.

— Hoje ele assinou um contrato e comprometeu minha reputação.

— Dia produtivo.

Houve um silêncio confortável, raro entre eles.

— Valentina.

— O quê?

— Você fazia tudo isso sozinha?

Ela demorou a responder.

— Fazia.

— E trabalhava?

— Quando ele dormia. Quando minha mãe podia ficar com ele. Quando você aparecia duas vezes por semana e acreditava que brincar durante uma hora era suficiente.

Dante recebeu a crítica sem reagir.

— Eu mandava dinheiro.

— Dinheiro não acorda às três da manhã.

A ligação terminou pouco depois, mas a frase permaneceu.

Naquela tarde, Dante cancelou o jantar com investidores. Preparou o banho de Theo, verificou a temperatura da água e deixou o menino espalhar espuma por todo o banheiro.

Durante a troca de roupa, Theo apontou para uma fotografia de Valentina na tela do telefone.

— Mamãe bonita.

— Muito.

— Papá gosta?

Dante encarou o filho.

— Sua mãe faz perguntas por meio de você?

Theo piscou.

— Gosta?

Dante lembrou-se da garota de tranças que roubava seus carrinhos, da adolescente que discutia com ele nos corredores da escola e da mulher que nunca aceitou ser comprada.

— Desde antes de saber o que fazer com isso.

Theo pareceu satisfeito.

Na hora de dormir, Dante leu um livro ilustrado por Valentina. A história mostrava um dragão solitário que acumulava tesouros, mas não sabia dividir a caverna.

— Este dragão é claramente baseado em mim — comentou.

Theo apontou para o desenho.

— Papá.

— Sua mãe será processada.

O menino bocejou e encostou a cabeça no peito dele.

Minutos depois, dormiu.

Dante continuou sentado no chão, segurando-o. Ligou para Rafael e deu uma ordem que surpreendeu o homem:

— A partir de amanhã, nenhuma reunião entre meio-dia e três.

— Algum problema de segurança?

— Soneca.

— De quem?

Dante desligou.

No andar de baixo, os representantes de Santos receberam café pela terceira vez. Um deles perguntou se deveriam remarcar. Rafael observou pelo monitor Dante caminhando devagar pelo quarto, com Theo adormecido no ombro.

— Não — respondeu. — O senhor Montenegro está tratando de uma prioridade.

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