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"O "Sequestrador" de Quatro Anos Que Chantageou o Chefe da Máfia" Capítulo 5 — O Homem Que Não Podia Comprá-la

正文开头

Dante assistiu ao vídeo três vezes.

Na primeira, procurou sinais de montagem. Na segunda, estudou a linguagem corporal do tio. Na terceira, já não buscava desculpas.

Augusto Montenegro sabia da existência de Gael antes do nascimento.

“Por que ele nunca me contou?”

Nina fechou o notebook.

“Porque você não fazia parte do plano. Seu DNA fazia.”

Dante pegou o telefone desbloqueado por Gael e ligou para Augusto. Nina tentou impedir, mas ele ativou o viva-voz.

“Dante”, atendeu o tio. “Onde você está? A cidade inteira procura por você.”

“Conhece Nina Carvalho?”

Houve uma pausa curta demais para ser inocente.

“Não.”

“E o Projeto Herdeiro?”

A ligação terminou.

Trinta segundos depois, as luzes da oficina se apagaram. Nina correu até o cofre, mas o disco rígido começou a aquecer.

“Ele ativou uma rotina de destruição.”

Gael acordou e deslizou para o chão.

“Tira o disco da rede!”

“Já está isolado”, respondeu Nina. “Há um transmissor físico.”

Dante quebrou o revestimento com uma ferramenta. Gael apontou para um chip minúsculo preso à placa. Nina o arrancou antes que as trilhas derretessem, mas parte dos arquivos desapareceu.

“Quanto perdemos?” perguntou Dante.

“Sessenta por cento.”

“Eu salvei uma cópia”, disse Gael.

Os adultos olharam para ele.

“Onde?”

O menino bateu na barriga de Atlas.

“Mamãe diz que cópia única é convite para tragédia.”

Nina o apertou num abraço.

“Você mexeu no cofre sem permissão?”

“Salvei nossas vidas sem permissão.”

“Continua de castigo.”

Dante levou os três para uma cobertura que não constava em registros públicos. Pertencera à sua mãe e ficava sobre um edifício comercial na Avenida Paulista. Apenas ele e Rafael conheciam o acesso.

Nina examinou cada cômodo antes de permitir que Gael entrasse.

“Não há câmeras internas”, garantiu Dante.

“Homens ricos sempre dizem isso antes de alguém encontrar uma atrás do espelho.”

Ela encontrou duas. Dante não sabia que existiam.

Rafael removeu os dispositivos e confirmou que transmitiam para um servidor desconhecido. A traição já chegara a um lugar preservado havia quinze anos.

“Augusto”, disse Dante.

“Ou alguém que ele comprou”, respondeu Nina.

Gael percorreu a cobertura com uma lanterna ultravioleta e anunciou que o quarto menor seria seu laboratório. Dante avisou que era um closet.

“Agora é um laboratório.”

“Você não decide.”

“Coloquei uma fechadura biométrica.”

Dante tentou abrir. A porta recusou sua digital.

“É minha casa.”

“Controle parental”, respondeu Gael.

Nina riu. O som iluminou o ambiente de um jeito irritante. Dante percebeu que queria ouvi-lo novamente.

Durante a madrugada, ele ofereceu a ela um acordo. Cinquenta milhões imediatos, proteção vitalícia e uma casa em qualquer país, desde que entregasse os arquivos e aceitasse que Gael vivesse sob segurança Montenegro.

Nina leu cada página. Depois rasgou o documento ao meio.

“Pouco?”

“Muito.”

“Então qual é o problema?”

“Você colocou preço na minha liberdade e chamou de proteção.”

“Valença quer matar você.”

“E você quer me possuir.”

“Quero meu filho vivo.”

正文1

“Eu também. A diferença é que não exijo que ele seja propriedade minha.”

Dante ficou de pé.

“Tudo tem um preço.”

Nina se aproximou até quase tocar o peito dele.

“Essa é a frase de um homem que nunca recebeu algo que dinheiro não compra.”

“Como você?”

“Como respeito.”

Ela deixou os papéis rasgados sobre a mesa.

Na manhã seguinte, Dante encontrou Gael tentando preparar café. O menino subira em duas cadeiras empilhadas e segurava o filtro ao contrário.

“Desça.”

“Mamãe trabalhou a noite toda.”

“Você vai se queimar.”

“Você não sabe fazer.”

Dante afastou as cadeiras e pegou a chaleira. Não sabia mesmo. Assistiu a um vídeo no telefone enquanto Gael supervisionava.

“Devagar”, ordenou o menino. “Você despeja água como se estivesse interrogando o pó.”

Quando Nina entrou, encontrou os dois diante de uma poça de café e uma cafeteira quebrada.

Gael apontou para Dante.

“Ele matou.”

“Foi um acidente.”

“É o que criminosos dizem.”

Nina tentou não rir e falhou. Dante pegou uma caneca intacta e a colocou diante dela.

“Não está bom”, avisou.

Ela provou.

“Está horrível.”

“Mas você bebeu.”

“Porque o esforço foi raro.”

Por alguns segundos, pareciam uma família desajeitada em uma cozinha comum. Então Rafael entrou com um envelope entregue por motociclista.

Dentro havia uma fotografia de Gael dormindo na noite anterior, tirada dentro da cobertura.

No verso, uma frase:

DEVOLVAM O PROTÓTIPO.

Nina empalideceu.

Dante amassou a foto.

“Ele não é um protótipo.”

Gael apareceu à porta do laboratório. Tinha ouvido.

“O que eu sou?”

Nina se ajoelhou.

“Meu filho.”

“Também fui feito para uma pesquisa?”

Ela não mentiu. Contou que estudara genes para impedir que ele herdasse uma doença. Explicou que escolhera sua existência antes de conhecer seu rosto, mas que o amara desde o primeiro batimento.

“E ele?” Gael apontou para Dante. “Ele me escolheu?”

Dante sentiu o peso da pergunta.

“Eu não sabia.”

“Agora sabe.”

O menino esperou.

Dante poderia oferecer casas, escolas, exércitos. Nenhuma resposta comprada serviria.

“Agora eu escolho”, disse. “Escolho você.”

Gael não correu para abraçá-lo. Apenas assentiu, desconfiado.

“Vamos ver por quanto tempo.”

Pixel apitou dentro do laboratório. Um dos arquivos recuperados acabara de ser decodificado. Nina abriu a tela.

Era uma autorização assinada digitalmente por Dante cinco anos antes, concedendo ao Projeto Herdeiro acesso irrestrito ao seu material genético.

A assinatura era autêntica.

Dante lembrava do documento, mas não daquele texto. Augusto colocara a cláusula escondida em um contrato de segurança hospitalar.

“Legalmente”, disse Nina, “você autorizou tudo.”

“Então Augusto não roubou apenas meu sangue.”

Dante viu o nome do beneficiário em caso de nascimento bem-sucedido.

Não era ele.

Era o próprio Augusto Montenegro.

Dante passou o restante da manhã cruzando o documento com contratos antigos. Encontrou sete assinaturas semelhantes, todas inseridas entre anexos sobre seguros e hospitais. Augusto construíra uma cadeia legal capaz de transformar qualquer descendente de Dante em ativo do projeto.

Nina fotografou cada página e enviou cópias criptografadas a três destinos.

“Para quem?”

“Uma promotora, uma jornalista e uma caixa postal que libera tudo se eu não responder até amanhã.”

“Você nunca confia completamente.”

“Aprendi observando sua família.”

Dante não discutiu. Pela primeira vez, a desconfiança dela parecia menos uma ofensa e mais uma forma de sobrevivência.

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