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"Quatro Menininhas Apavoradas Me Imploraram para Fingir Ser o Pai Delas." Capítulo 4

正文开头

Coloque o telefone na mesa

"Vítor, coloque seu telefone na mesa."

Ele olhou a tela na minha mão. O movimento foi rápido, mas vi seu rosto perder a expressão prestativa.

"O que aconteceu?"

"Raul, fique entre ele e as meninas."

Raul obedeceu. Vítor levou a mão ao lado interno do paletó.

"Devagar", eu disse.

Ele tirou um telefone e o pousou sobre a mesa.

"Agora o outro."

"Você está me confundindo com alguém."

O som de uma cadeira arrastada veio da entrada. Meireles havia se levantado. Bento colocou as crianças atrás do balcão, perto da mãe, enquanto Raul segurava o braço de Vítor.

O segundo aparelho caiu do forro aberto do paletó.

A tela acendeu no chão.

Meu filho estava nela.

Eu me abaixei, peguei o telefone pelas bordas e o coloquei ao lado do primeiro.

"Onde está Gabriel?"

Vítor tentou soltar o braço.

"Você não sabe o que está fazendo."

"Então me dê uma resposta útil."

Ele olhou para Carolina. Eu avancei o suficiente para interromper a linha de visão.

"Não olhe para ela. Olhe para mim."

As portas do café se abriram. Helena entrou com dois policiais, identificou-se e avaliou a cena sem correr. Foi esse controle que me impediu de agarrar Vítor pelo pescoço.

"Alexandre, afaste-se."

Mostrei meu celular.

Ela viu a fotografia, depois o segundo telefone sobre a mesa.

"É Gabriel?"

Assenti.

Helena deu instruções curtas. Um policial ficou com Meireles, o outro assumiu Vítor. Raul se afastou assim que mandaram.

"O aparelho dele estava com a imagem aberta", eu disse. "Caiu quando tentou tirar outra coisa do paletó."

"Mais alguém tocou?"

"Eu peguei do chão."

Ela chamou um dos policiais e indicou os dois aparelhos. Depois pediu meu telefone para registrar a mensagem recebida. Respondi às perguntas sem tirar os olhos de Vítor.

Onze anos.

Ele conhecia o quarto de Gabriel, seus horários, as pessoas com quem saía. Eu não precisava de uma confissão para entender como tinham chegado ao meu filho.

Precisava dela para trazê-lo de volta.

"Ele tem dezenove anos", falei. "Você o viu crescer."

Vítor fixou os olhos no tampo da mesa.

"Não fui eu que mandei machucar."

Helena ouviu.

"Quem mandou?"

Ele fechou a boca.

Meireles soltou uma frase sobre exigir um advogado. Helena respondeu que poderia contatá-lo, mantendo o policial ao lado dele. Não houve discussão prolongada. Tudo aquilo, que para mim era uma vida ruindo, para ela precisava virar atos claros, horários, nomes.

Eu quis odiá-la por demorar segundos em cada pergunta.

Depois percebi que era a única pessoa ali impedindo que meu medo decidisse por todos.

Carolina se aproximou, deixando as meninas com Bento.

"Samuel dizia que os registros estavam guardados. Marcelo achava que eu tinha acesso. Foi por isso que ele começou a me pressionar depois da morte dele."

"Registros de quê?", perguntou Helena.

"Da clínica. Dos pagamentos. De um incêndio, também."

Meu corpo ficou rígido.

"Que incêndio?"

正文1

Carolina me olhou como quem já havia ensaiado uma frase e descobria, tarde demais, que não conseguiria pronunciá-la.

"O da sua casa."

Eu ouvi Lívia tossir.

Não de verdade. Apenas uma lembrança que eu carregava havia sete anos: a ligação interrompida, o ruído, meu próprio nome na voz dela. Os investigadores tinham falado em falha elétrica. Vítor trouxera o laudo para minha assinatura.

"Não diga isso porque acha que vai me convencer a ajudar", falei.

Carolina recuou como se eu tivesse levantado a mão.

Helena entrou entre nós com uma pergunta.

"Seu marido deixou algo que possamos verificar?"

"Não sei onde está. Ele escondeu antes de morrer. Disse que, se não voltasse, eu devia..."

Ela apertou o rosto com os dedos.

"Eu devia ouvir nossas filhas. Achei que queria dizer para cuidar delas. Que eu não podia me entregar."

"Mamãe?"

Sofia havia se aproximado sem que eu percebesse.

Carolina se virou imediatamente.

"Está tudo bem. Volta para perto do Bento."

"É da caixinha?"

O silêncio que se seguiu foi tão completo que ouvi a máquina de café parar.

"Que caixinha, filha?"

Sofia apertou a barra do vestido.

"A de música. O papai falou que tinha uma coisa importante dentro. Mas eu não podia abrir sozinha porque podia quebrar."

Meireles ergueu a cabeça.

Não precisei olhar duas vezes para saber que ele também ouvira a resposta que vinha procurando.

Helena se abaixou à altura de Sofia.

"Você lembra de mais alguma coisa?"

"Ele falou que não era pra dar pro homem que perguntava dos papéis. Eu perguntei qual homem, e ele falou que a mamãe ia saber."

Carolina cobriu a boca.

"Meu Deus."

Amélia apareceu atrás da irmã.

"Eu falei pra Sofia perguntar. Ela disse que você ia ficar triste."

A mãe se ajoelhou e puxou as duas para perto.

"Vocês não fizeram nada errado. Nenhuma de vocês."

Eu me virei para Helena.

"Vamos buscar."

"Minha equipe vai com vocês. Já acionei o pessoal para localizar Gabriel. Preciso saber quem estava responsável pela segurança dele."

Olhei para Vítor.

Ele não levantou a cabeça.

Dei os nomes, o endereço do apartamento, o horário da última mensagem. Helena anotou tudo. Enquanto falava, percebi quantas informações sobre meu filho eu dependia daquele homem para saber.

Onde Gabriel almoçara. Se tinha chegado à faculdade. Qual motorista o buscara.

Eu havia confundido relatórios com presença.

Isabel se aproximou de mim carregando o desenho dobrado.

"Seu menino está perdido?"

Eu me abaixei.

"Estou tentando encontrar ele."

"Você está com medo?"

Quis dizer que não. Era a resposta que eu dava havia anos.

Ela segurou meu dedo com a mesma força com que agarrara minha calça.

"Estou", admiti.

Isabel encostou a testa no meu ombro por um instante.

"A Sofia fica com a gente quando a mamãe tem medo. Eu posso ficar com você até o carro."

Não consegui agradecer. Segurei sua mão e me levantei devagar.

Na saída, Vítor chamou meu nome.

Parei sem me virar.

"Tudo isso podia ter ficado enterrado."

Helena mandou que o policial o conduzisse para longe das crianças.

Eu olhei para ele uma última vez.

"Meu filho vai voltar para casa. E você vai explicar cada coisa que enterrou."

Do lado de fora, a chuva começava. Cobri Isabel com meu paletó até alcançarmos o carro.

A caixinha estava na casa delas.

Gabriel continuava em algum lugar com homens que Vítor conhecia.

E eu já não podia perguntar à minha esposa o que ela tentara me contar antes de morrer.

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