标题上

"Quatro Menininhas Apavoradas Me Imploraram para Fingir Ser o Pai Delas." Capítulo 2

正文开头

O preço que ele exigia

"Sente-se", eu disse.

Carolina permaneceu em pé. Os olhos passavam de uma filha à outra, contando. Só depois de tocar os quatro rostos ela pareceu conseguir respirar.

"Eu mandei vocês esperarem perto da porta."

"Ele falou que você tinha deixado", respondeu Sofia.

Carolina virou-se para Meireles.

"Você disse que era uma ligação da escola."

"E você precisava atender."

"Não tinha ninguém na linha."

Ele alisou a frente do paletó.

"Podemos discutir isso sem plateia?"

Raul puxou uma cadeira para Carolina. Dessa vez, ela se sentou. Amélia foi imediatamente para o lado dela, mostrando o joelho. A mãe afastou o gelo, examinou a pele e beijou os cabelos da menina.

Gestos rápidos, conhecidos. As outras foram se acomodando em torno dela com a precisão de quem já havia feito aquilo em lugares difíceis.

Isabel continuou no meu colo.

"Pode ir com sua mãe", murmurei.

"Mas você vai sair?"

"Não."

Ela considerou a resposta e desceu, mantendo dois dedos presos à manga do meu paletó até alcançar a cadeira ao lado.

Pedi água e alguma coisa para as crianças comerem. Carolina abriu a bolsa, procurando a carteira.

"Eu pago."

"Depois conversamos sobre o lanche."

"Não quero ficar devendo..."

"Um pão de queijo não cria obrigação comigo."

Ela parou de procurar. Só então percebi o quanto suas mãos tremiam.

Meireles permaneceu atrás da cadeira dela, numa proximidade que me desagradou.

"Agora que todos se acalmaram, Carolina precisa vir comigo. Temos documentos para concluir."

"Ela quer ir?", perguntei.

"Isso diz respeito a nós dois."

Virei o rosto para Carolina.

"Você quer ir?"

"Não."

A palavra veio baixa. Ela repetiu, olhando para ele.

"Não quero. Já disse isso."

Meireles soltou uma risada curta, sem humor.

"Você também disse que faria o necessário pelas meninas."

Clara empurrou o copo que o garçom acabara de colocar à sua frente. A água subiu pela borda. Carolina segurou antes que caísse.

"Não fala delas desse jeito."

"Então pare de tornar tudo mais difícil."

Eu me levantei.

Não foi um movimento brusco, mas Meireles recuou o suficiente para deixar espaço entre seu corpo e a cadeira.

"Bento, acompanhe as meninas até aquela mesa. Fiquem onde a mãe possa vê-las."

Carolina olhou para as filhas e hesitou.

"A gente vai só ali", expliquei a Sofia. "Sua mãe continua aqui."

Ela examinou Bento, que já afastava as mãos do corpo para não parecer que pretendia pegá-la.

"Você gosta de desenho?", ele perguntou, apontando os lápis num copo junto ao balcão.

"Depende do desenho", respondeu Clara.

Ele aceitou a avaliação com um aceno sério.

Carolina permitiu. As meninas se instalaram a poucos metros, ainda ao alcance de sua voz. Isabel levou um guardanapo da nossa mesa, como se precisasse guardar alguma prova do acordo.

Esperei que se sentassem.

"Agora mostre os documentos", falei.

Meireles me encarou.

"Não trabalho para você."

"Então pode ir embora. Ela fica."

Ele pôs uma pasta de couro sobre a mesa.

正文1

Carolina se encolheu antes mesmo de vê-la aberta.

As primeiras folhas tinham números de processo, assinaturas digitalizadas e um relato que descrevia uma mulher incapaz de cuidar das filhas depois da morte do marido. Desorganização financeira. Abandono. Crises emocionais.

Não precisei terminar para compreender o efeito que ele buscava.

"Quem escreveu isso?"

"Há pessoas preocupadas com o bem-estar dessas crianças."

"Perguntei quem escreveu."

Carolina apontou uma fotografia grampeada.

"Nesse dia eu estava no hospital com Amélia. Ela teve uma crise respiratória. Uma vizinha ficou com as outras. Ele sabia. Foi ele quem se ofereceu para buscar remédio."

A imagem mostrava três meninas numa sala sem adultos no enquadramento.

Meireles recolheu a folha.

"Contexto é uma questão de interpretação."

"Uma mentira também", respondi.

Havia outra proposta no fundo da pasta. Um casamento, a mudança de Carolina para um imóvel indicado por ele e uma autorização para administrar assuntos pendentes do marido morto. Não li cláusula por cláusula. Li o nome dela repetido ao lado de espaços vazios para assinatura.

"Você está oferecendo retirar as acusações se ela se casar com você?"

"Estou oferecendo estabilidade."

Carolina fechou os olhos.

"Ele disse que amanhã pediria uma medida para afastar as meninas de mim. Que eu podia contestar depois. Depois que elas já estivessem longe."

Eu conhecia aquele método. Não era preciso controlar um sistema inteiro. Às vezes bastava convencer alguém de que a primeira porta já estava fechada.

Fotografei as páginas que estavam sobre a mesa.

Meireles estendeu a mão para meu telefone. Raul avançou meio passo e ele desistiu.

"Isso é confidencial."

"A ameaça foi feita na minha frente."

Encaminhei as imagens a Helena Duarte. A mensagem que acrescentei foi curta: precisava de ajuda para uma mulher e quatro crianças sob ameaça. Sem favores. Sem atalhos.

Helena era delegada e conhecia meus negócios o suficiente para desconfiar de mim por princípio. Eu a respeitava por isso.

Meireles observava minha tela.

"Você vai se arrepender de entrar numa história que não entende."

"Estou começando a entender a sua parte."

Carolina tirou da bolsa um papel dobrado em quatro. Era uma cópia de uma certidão. Samuel Azevedo. Falecido havia quatro meses.

"Meu marido deixou algumas coisas para resolver. Marcelo era advogado da clínica onde ele trabalhou. Disse que ajudaria com os papéis. Depois começou a aparecer em casa. Na escola. Em todo lugar."

Ela guardou a certidão antes de terminar a frase, como se tivesse exposto algo íntimo demais.

"As meninas sabem da morte?"

"Sabem que ele não vai voltar. Ainda perguntam se isso muda no aniversário."

Olhei para Isabel. Ela desenhava um homem enorme ao lado de quatro figuras amarelas. O homem tinha braços que alcançavam todas.

"Meu filho fez perguntas parecidas", falei.

Carolina me encarou, e a expressão dela mudou de um jeito que não consegui nomear.

Meireles bateu um dedo sobre a pasta.

"Carolina. Esta é sua última oportunidade de resolver com discrição."

Ela levou a mão ao peito, segurando a corrente sob a blusa.

Eu me inclinei, deixando minha voz baixa o suficiente para ele precisar escutar.

"Você não vai levá-la daqui. Não vai se aproximar das meninas. E qualquer pessoa que vier buscá-las vai explicar a uma policial por quê."

Meu telefone vibrou. Helena havia respondido que estava a caminho e orientado que todos permanecessem no local, sem confronto.

Mostrei a mensagem a Carolina.

O alívio não veio inteiro. Veio como um soluço que ela tentou engolir.

"Obrigada."

Meireles fechou a pasta com força.

Isabel se assustou na outra mesa. Bento abaixou-se imediatamente para falar com ela. Eu vi, de longe, a menina procurar meu rosto.

Assenti para que soubesse que continuava ali.

Carolina acompanhou meu olhar.

"Ele não quer uma esposa", disse de repente.

Meireles ficou imóvel.

Ela olhou para a pasta, depois para mim.

"Ele quer o que Samuel deixou. E acha que, se conseguir me levar para dentro da casa dele, eu finalmente vou entregar."

"Entregar o quê?"

A boca dela tremeu.

"Uma coisa pela qual meu marido morreu."

下一张上
下一章下

você pode gostar

Compartilhar Link

Copie o link abaixo para compartilhar com seus amigos:

页面底部