"Quatro Menininhas Apavoradas Me Imploraram para Fingir Ser o Pai Delas." Capítulo 1
Um pai por uma noite
"Moço, por favor. Finge que é nosso pai. Se não, ele vai levar a gente."
A mão que agarrou minha calça era tão pequena que, por um instante, não entendi o pedido.
Eu estava sentado diante de um café que já havia esfriado, num salão dos Jardins, quando quatro meninas se enfiaram debaixo da minha mesa. Uma delas bateu o joelho na base de ferro. Outra segurava o choro com as duas mãos sobre a boca.
Nenhuma soltou a outra.
Baixei os olhos.
Quatro vestidos amarelos. Quatro casaquinhos azul-marinho. Laços cor de creme, um deles quase desfeito. Rostos parecidos, embora não idênticos, erguidos para mim com um medo que reconheci antes de reconhecer qualquer outra coisa.
Fiz um gesto discreto para Raul, junto à porta. Ele havia dado um passo em nossa direção. Parou.
"Quem vai levar vocês?"
A menina que segurava minha calça apontou sem esticar o braço.
Do outro lado do salão, um homem de terno claro conversava com a recepcionista. Sorria enquanto olhava entre as mesas. Não parecia um pai procurando as filhas. Parecia alguém conferindo se uma saída continuava disponível.
"O doutor Marcelo", respondeu a menina. "A mamãe falou pra gente esperar perto do banheiro. Mas ele apareceu e disse que a gente tinha que ir com ele."
"Onde está a mãe de vocês?"
"Lá atrás. Ele mandou ela atender um telefonema."
A de trança apertou os dedos da irmã.
"A gente não fugiu dela. Só dele."
Pousei a xícara devagar.
Eu conhecia pessoas que pediam dinheiro, favores, proteção. Algumas me procuravam porque o nome de Alexandre Ferraz abria portas. Outras, porque fechava bocas.
Ninguém havia me pedido para ser pai.
Não desde que meu filho aprendera a fingir que já não precisava de um.
"Vocês sabem o telefone dela?"
A menina da trança começou a recitar um número. Tirei o celular e digitei. Chamou até cair.
"Ela deixa no silencioso", explicou outra, aflita. "No trabalho ela não pode atender sempre. Mas ela vem. Ela não esquece da gente."
"Eu acredito em você."
A menorzinha de corpo, com o laço torto, me examinou como se aquela resposta tivesse sido um teste.
"Então deixa a gente ficar aqui. A gente não vai derrubar nada."
Afastei a cadeira ao meu lado.
"Não precisam ficar no chão."
"Ele vai ver."
"Eu também vou ver ele."
Ela olhou minhas mãos sobre a mesa, o relógio, a aliança que eu ainda usava. Depois tornou a olhar o homem.
"Mas ele é muito bravo."
"Eu consigo conversar com gente brava."
Foi a menina da trança quem saiu primeiro. Puxou a irmã pelo pulso e começou a ajeitar os outros vestidos, sacudindo poeira que não existia. Devia ter aprendido cedo demais a fazer coisas enquanto estava com medo.
"Como você se chama?", perguntei.
"Sofia."
Ela apontou as outras.
"Amélia, Clara e Isabel."
Isabel era a do laço solto. Clara mantinha o queixo erguido, apesar dos olhos molhados. Amélia esfregava o joelho que havia batido.
"Machucou?"
Amélia fez que não. O rosto entregou a mentira.
Peguei um guardanapo, coloquei dois cubos de gelo dentro e ofereci a ela.
"Segura por cima do tecido."
"Vai molhar seu guardanapo."
"Acho que consigo outro."
Clara soltou um som breve, quase uma risada. As outras olharam para ela, surpresas com a possibilidade.
Foi quando o homem nos encontrou.
Seu sorriso ficou imóvel por um segundo. Então ele se aproximou, abrindo os braços.
"Aí estão vocês. Sua mãe está preocupada."
Isabel se escondeu atrás do meu braço.
"A mamãe não mandou a gente ir."
"Não dificulte, querida."
Ele estendeu a mão.
Segurei seu pulso antes que alcançasse o ombro dela.
Não apertei. Ainda.
"A menina disse não."
Ele olhou minha mão e depois meu rosto.
"É uma questão de família."
"Ótimo. Vamos esperar a mãe."
"O senhor não tem motivo para se envolver."
"Elas me deram quatro."
Sofia puxou o vestido da irmã para longe dos sapatos dele. O movimento foi mínimo. Bastou para acabar com a pouca paciência que eu havia trazido para aquele café.
Soltei o pulso do homem, mantendo o braço entre ele e as crianças.
"Qual é seu nome completo?"
"Marcelo Meireles. Sou advogado da família."
Não tirou uma carteira. Não perguntou meu nome. Estava acostumado a ser obedecido antes dessas formalidades.
"Então sabe que pode esperar alguns minutos."
Meireles inclinou a cabeça.
"Essas meninas passaram por uma perda recente. Estão confusas. Inventam coisas. A mãe anda emocionalmente instável e eu tenho ajudado."
"A mamãe não é instável", disse Clara.
A palavra saiu mal pronunciada, mas inteira.
Meireles olhou para ela. Não precisou dizer nada. Clara perdeu a cor.
Arrastei a cadeira vazia para junto de mim.
"Sente aqui, Clara."
Ela obedeceu. Colocou as mãos debaixo das coxas para esconder o tremor.
Eu me lembrava de mãos assim. Das mãos de meu filho agarradas à manga do meu paletó, sete anos antes, enquanto esperávamos alguém confirmar o que o cheiro de fumaça já havia me contado.
Lívia não sairia daquela casa.
Gabriel tinha doze anos. Eu dissera que cuidaria dele. Depois enchi nossa vida de muros, motoristas e homens armados, como se segurança fosse algo que se instalava na entrada.
Naquela tarde, meu filho nem havia respondido à mensagem perguntando se jantaria comigo.
Isabel tocou minha aliança.
"Você tem esposa?"
O homem ainda estava diante de nós.
"Tive."
"Ela morreu?"
"Morreu."
Isabel baixou os olhos.
"Nosso pai também."
Não havia comparação nem consolo preparado naquela frase. Só uma informação que ela achava que eu precisava ter.
Meireles suspirou.
"Como vê, é delicado. Agora, meninas..."
"Ainda não terminei de conversar com elas."
Ele deixou o sorriso cair.
"O senhor está criando um problema desnecessário."
Raul saiu de perto da porta. Bento, sentado ao balcão, pousou a colher. Meireles acompanhou os movimentos, percebendo enfim que os homens não estavam ali por acaso.
Olhou meu rosto com mais atenção.
O reconhecimento chegou devagar e terminou na boca entreaberta.
"Ferraz?"
Não respondi.
Sofia encostou no meu braço.
"Você ainda vai fingir?"
Eu podia ter chamado um funcionário, entregue a situação a alguém, esperado a mãe a uma distância confortável. Era assim que eu resolvia quase tudo: escolhendo a pessoa que levaria o problema para longe.
Olhei as quatro cadeiras. Nenhuma menina havia se sentado de costas para Meireles.
"Hoje eu sou o pai de vocês", respondi.
Isabel subiu no meu colo antes que eu soubesse o que fazer com a promessa. Estava leve demais dentro daquele casaco. Segurei suas costas por reflexo.
"Então fala pra ele ir embora."
Meireles deu um passo para trás.
Uma mulher surgiu no corredor dos banheiros, procurando entre as mesas. Tinha os cabelos castanhos escapando de um coque e o telefone apertado na mão.
"Meninas!"
Sofia levantou, mas não correu. Esperou que as outras se movessem primeiro.
A mulher veio depressa. Ao me ver, parou tão bruscamente que quase esbarrou num garçom.
"Senhor Ferraz?"
Havia reconhecimento em sua voz. E alguma coisa pior que o medo com que procurava as filhas.
Isabel ergueu o rosto do meu peito.
"Mamãe, a gente achou um pai."
A mulher levou a mão à boca.
Meireles se aproximou dela.
"Carolina, resolva isso. Agora."
Ela olhou para ele, depois para as quatro meninas em volta de mim.
Quando falou, não tentou explicar por que sabia meu nome.
"Por favor, Alexandre. Não deixe esse homem levar minhas filhas."
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 15
[A Beleza Tímida e O Bilionário]
Trabalhar como garçonete em New Jersey não era exatamente o trabalho dos sonhos de Analeina, mas ela conseguiu encaixá-lo em sua vida, embora sempre desejasse por uma nova oportunidade ou aventura. Quando Analeina derrama acidentalmente café quente em um dos bilionários e solteirões mais cobiçados de New Jersey, Jaxon Terrace, ela não esperava que aquilo se tornasse sua oportunidade. Quando o bilionário irritado exige que ela pague pelas roupas que ela arruinou, ela admite não ter dinheiro, mas o Bilionário não aceita isso. Ele a aceita em seu emprego por um período de tempo como sua secretária para que ela possa pagar pelas roupas. No entanto, quando o prazo se encerra e a dívida é paga, Jaxon não está pronto para deixar Analeina ir embora. Porém, quando ela não está muito animada em permanecer em seu emprego, a besta dentro dele aparece e a tímida beleza se torna sua única vítima. Jaxon conquistará o amor de Analeina no final, ou ela o verá como nada mais que uma besta indigna e sem merecimento de amor?Moderno|Romance08 24 -
TerminadoCapítulo 4
Paixão e Domínio: Ex-esposa do CEO
Tudo o que pode levar é um escândalo para despedaçar uma história de amor de 15 anos. Conheça os Barnes. Angelina (Angel) e James Buchanan Barnes IV (Bucky). Seu romance antes de conto de fadas foi destruído. Mas quando a verdade vier à tona, eles serão capazes de reparar o estrago ou estará tão danificado que não poderá ser consertado?Moderno08 11 -
TerminadoCapítulo 2
Depois do falecimento do meu marido, eu enfrentei a amante com astúcia
Meu marido Joaquim sofreu um acidente de carro, ficou gravemente ferido e à beira da morte. O médico disse que salvá-lo teria pouco significado, então me preparei psicologicamente. Eu estava bem preparada e fiz um gesto com a mão: "Não vou dar mais problemas ao hospital, desistindo do tratamento." Obtive o atestado de óbito, encerrei a conta, levei-o ao crematório e, após seis horas, ele se tornou um monte de cinzas. Eu bato na urna de cinzas e digo: "Joaquim, oh Joaquim, você realmente era uma boa pessoa!" Joaquim tinha uma fortuna, partiu jovem e não deixou testamento. Recebi dois terços de toda a herança. Existe alguém mais atencioso do que Joaquim?Moderno08 4 -
TerminadoCapítulo 10
O 12º Beijo
“Cinderela tinha até meia-noite, tenho doze beijos para reconquistar o coração do meu príncipe”, John quer que Metilda termine o casamento. Ele acredita que se apaixonou por outra mulher. Metilda concorda, mas tem uma condição. John deve beijá-la todas as tardes na frente do filho durante doze dias. No 12º beijo, algo inesperado acontece……Moderno|Fantasia08 7 -
TerminadoCapítulo 5
Papai bilionário do bebê
Uma noite de amor que jamais seria esquecida. Ela dormiu com um bilionário. Apenas Jessica não sabia disso na época, outra coisa que ela não sabia é que, ao sair daquele apartamento de luxo, ela carregaria o herdeiro de uma empresa multibilionária.Moderno08 10 -
TerminadoCapítulo 10
O Alpha me quer
Um mundo onde os humanos desprezam os lobisomens não porque os conhecem pessoalmente, mas sim por medo deles. Stella Morgan é apenas uma mulher de 20 anos comum, trabalhando duro para se manter na faculdade e no emprego; ela sabia sobre lobisomens, mas nunca havia conhecido um até o dia em que chegou em casa e descobriu que os lobisomens estavam visitando sua cidade, não apenas uma visita qualquer; o alpha estava procurando uma companheira…Alpha|Fantasia08 13 -
TerminadoCapítulo 1
Laços do Destino: A Noiva Substituta
Avelyn Harrison, uma jovem de 18 anos, que acabou de dar seu CBSE, voltou para casa para o casamento de sua irmã mais velha. Mal sabia ela que esse casamento mudaria completamente sua vida...Moderno|Romance4338 4 -
TerminadoCapítulo 2
A Muda Sra. Bilionária
Emma Campbell, a única herdeira da Campbell & Co. Um acidente na infância a deixou muda. Ser muda nunca a tornou fraca, mas mais forte e feroz. Asher King da King Corp. Ele é um empresário impiedoso e faria qualquer coisa pela empresa. As garotas veneram o chão por onde ele passa. O que acontece quando o destino os junta? Eles sobreviverão juntos ou se separarão?Moderno|Romance08 4 -
TerminadoCapítulo 1
Paixão proibida: Um romance da máfia
Lucien, o Rei da Máfia, conhecido como o Diabo. Heloísa, conhecida como anjo. Os dois são arranjados para se casar, forçados pelos pais, juntando-se às duas máfias. Mas Heloísa acaba descobrindo que até o diabo já foi um anjo.Romance1.3 mil palavras8 2