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"Gêmeos à Vista: O Papai CEO Não Me Deixa em Paz" Bônus 06 — O café que ele já esperava

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Na terça-feira, Theo chegou cinco minutos antes do horário em que costumava passar pelo banco da cantina. Só percebeu o que tinha feito quando encontrou o lugar vazio e consultou o relógio. Não havia razão para conferir as horas duas vezes. Marina nunca prometera aparecer todos os dias.

Ele comprou um café e seguiu para a biblioteca. Na primeira página que abriu, encontrou o guardanapo. Leu a frase outra vez e o colocou entre duas folhas com um cuidado desnecessário.

Caio apareceu pouco depois, carregando um livro que precisava devolver.

"Você está esperando alguém?"

"Estou lendo."

O amigo olhou para o copo ainda fechado. "É um processo muito concentrado."

Theo abriu o café e decidiu ignorá-lo. Não estava procurando um relacionamento. Tinha dito isso a Marina de maneira suficientemente clara. O problema era que a clareza de uma frase não impedia o interesse de continuar existindo depois dela.

Encontrou a jovem no fim da manhã, saindo de uma atividade de seu curso com duas colegas. Marina carregava folhas grandes e tinha uma mancha de caneta perto do pulso. Acenou ao vê-lo, mas precisou terminar uma explicação antes de se aproximar.

"Hoje foi dia de descobrir que eu não sei dividir uma cartolina sem fazer um mapa do continente."

"Você não foi à cantina."

Marina parou. O sorriso apareceu devagar.

"Você reparou?"

Theo sentiu o rosto aquecer. "Você disse que passava por lá."

"Às vezes. Hoje eu tinha uma reunião cedo. Você queria companhia para o café?"

Ele podia ter escolhido uma resposta que deixasse tudo mais distante. Em vez disso, assentiu.

"Queria."

A surpresa no rosto dela foi breve e bonita. Marina não a transformou numa provocação. Conferiu o horário e perguntou se ele podia esperar até a tarde do dia seguinte. Tinha aula, uma tarefa em grupo e uma ida à residência para receber uma encomenda.

Theo concordou. Quando ela se afastou, percebeu que tinha acabado de combinar um encontro e que a parte mais difícil fora dizer uma palavra pequena.

Na quarta, foi ele quem levou o café. Comprou também dois pães de queijo e escolheu uma fruta depois de lembrar que Marina dividira uma no primeiro encontro. Ela chegou carregando um caderno cheio de marcações.

"Você anotou o meu pedido?"

"Não era complicado."

"Mesmo assim, você lembrou."

Theo lhe entregou o copo. Marina agradeceu com um sorriso que não precisava aumentar de tamanho para lhe produzir um efeito. Sentou-se, abriu o saco de papel e começou a contar sobre uma apresentação em que quase trocara os nomes de dois autores.

Ele ouviu, fez perguntas e descobriu que ela gostava de tradução, tinha interesse em projetos de leitura para crianças e mantinha uma amizade antiga com uma colega chamada Júlia. Quando falava do treino, a energia mudava de lugar em seu corpo. Queria voltar à prática sem precisar passar o resto do semestre medindo o próprio passo.

"Você fica mais impaciente quando não pode treinar?", perguntou.

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"Fico. Mas não uso pessoas como saco de pancada, se essa é a sua preocupação."

Ele riu. Marina apoiou o queixo na mão.

"O que você gosta de fazer quando não está trabalhando ou estudando?"

Theo pensou em responder com uma lista organizada. Acabou contando que gostava de construir coisas, de pedalar e de cozinhar pratos que não exigissem adivinhação sobre o sal. A última informação abriu uma história sobre o pai que o fez falar mais do que esperava.

Marina ouviu com atenção. Não perguntou qual era a empresa de Rafael nem tentou calcular a casa a partir da descrição da cozinha. Quis saber se o molho finalmente melhorara.

"Melhorou. Mas ainda é um assunto familiar sensível."

Nas semanas seguintes, os cafés encontraram lugares entre os horários dos dois. Nem sempre de manhã, nem sempre com a mesma pessoa comprando. Theo aprendeu qual pão Marina preferia e ela percebeu quando ele precisava de alguns minutos quieto antes de começar a conversar.

Havia dias em que não se encontravam. Marina saía com as amigas, participava de atividades do curso e voltou aos poucos ao grupo esportivo. Theo trabalhava, estudava e sentia falta da conversa sem ainda saber onde guardar aquela informação.

Num fim de tarde, Caio o chamou para ver uma apresentação aberta do clube de artes marciais. Não era uma competição. Marina participaria apenas de uma parte adaptada que tinha combinado com a equipe. Theo disse que tinha pouco tempo, depois reorganizou a saída do estágio para chegar.

Ela o encontrou perto da entrada, surpresa.

"Você veio."

"O Caio me chamou."

O amigo, atrás deles, ergueu as duas mãos num gesto de inocência pouco convincente. Marina sorriu e avisou onde poderiam sentar. Durante a atividade, Theo se viu acompanhando cada mudança de apoio, preocupado de uma maneira que não sabia disfarçar.

Quando terminou, um rapaz se aproximou de Marina e a abraçou pelos ombros, comemorando a volta. Ela retribuiu o abraço e riu de alguma coisa que ele disse. Theo ficou olhando até Caio perguntar se pretendia continuar apertando a tampa da garrafa.

Ele soltou o plástico imediatamente.

Marina chegou acompanhada do rapaz e os apresentou. Rui era um amigo do grupo, com quem treinava havia tempo. Conversaram sobre a atividade, o tornozelo e um trabalho que ele precisava entregar. Theo respondeu com educação, embora a própria voz lhe parecesse menos disponível que antes.

Quando Rui se afastou, Marina o observou por um instante.

"Você ficou quieto. Está cansado?"

"Um pouco."

"Quer ir embora?"

Theo olhou para o caminho, depois para ela. O primeiro impulso foi perguntar alguma coisa sobre Rui como se tivesse o direito de receber um relatório. Reconheceu o impulso e não gostou dele.

"Eu não sabia que vocês eram tão próximos."

Marina inclinou a cabeça. "Nós treinamos juntos há anos."

"Eu sei. Você acabou de falar."

A resposta saiu mais seca do que pretendia. Ela deixou o silêncio entre os dois por alguns segundos, sem preenchê-lo com uma desculpa que não tinha motivo para oferecer.

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"Theo, eu gosto de você. Mas não sei conversar com uma coisa que você não quer dizer. Se estiver precisando de um tempo, tudo bem. Só não faz parecer que eu errei alguma coisa porque abracei um amigo."

Ele sentiu a vergonha subir pelo pescoço. A voz dela não tinha ficado alta. Talvez por isso fosse mais difícil se esconder atrás de outra interpretação.

"Você não errou", disse. "Eu fiquei com ciúme e respondi mal. Desculpa."

Marina pareceu surpresa por ouvir a palavra tão diretamente. Depois respirou, e os ombros baixaram.

"Obrigada por falar. Eu prefiro descobrir essas coisas conversando."

Theo assentiu. Caminharam juntos até uma lanchonete, onde Caio os encontrou de novo com uma fome cuidadosamente anunciada. A conversa retomou o ritmo, um pouco mais verdadeira que antes. Theo descobriu que podia admitir uma emoção sem transformá-la numa ordem para a outra pessoa.

Mais tarde, enquanto Marina ia buscar água, Caio comentou que Júlia precisava de uma indicação para uma atividade de extensão. Theo ouviu o amigo falar dela durante vários minutos antes de perceber que ele também parecia ter motivos extras para se interessar pelo grupo de letras.

"Você pode perguntar direto", observou.

Caio o encarou. "Estou recebendo esse conselho de você?"

Theo riu, rendido. Quando Marina voltou, contou que a amiga provavelmente gostaria de conversar com Caio sobre o projeto. Pediu permissão antes de oferecer o contato, e o assunto se organizou com uma facilidade que fez os dois rapazes parecerem ter complicado demais as coisas.

No dia seguinte, Caio mostrou a Theo uma mensagem de Marina. Ela queria lhe enviar um convite e perguntava se podia receber seu número. O amigo não tinha respondido por ele.

Theo abriu a conversa no próprio aparelho, digitou o contato dela e ficou alguns segundos olhando o nome. Depois enviou a primeira mensagem.

Sou eu. Pode mandar o convite.

Enquanto esperava, Theo pensou em acrescentar uma explicação sobre o horário em que costumava responder. Depois preferiu perguntar como eram as aulas dela. Marina devolveu uma lista curta, acompanhada de uma reclamação bem-humorada sobre as manhãs ocupadas. Conferiram os intervalos sem esperar disponibilidade permanente um do outro. A conversa simples lhe deu uma tranquilidade que não sentia havia tempo ao olhar para uma notificação.

A resposta veio acompanhada de uma fotografia de uma atividade de leitura no sábado. Marina ajudaria as crianças a criar pequenas histórias e queria saber se ele gostaria de participar. Não era um encontro montado apenas em torno dele. Era uma parte da vida dela para a qual acabava de ser chamado.

Theo conferiu o horário do estágio, pensou no caminho e respondeu que podia chegar no começo da tarde.

Marina enviou uma confirmação, depois acrescentou que ninguém seria obrigado a desenhar bem. Ele pensou no cavalo do pai, cuja história a família ainda repetia, e começou a rir sozinho.

Quando Leo passou pelo corredor e o encontrou olhando o telefone, parou imediatamente.

"Eu conheço essa expressão."

Theo guardou o aparelho. "Não conhece."

O irmão lhe deu um sorriso idêntico ao seu e inteiramente diferente na intenção.

"Conheço desde o tempo em que você fingia que não queria o último pedaço de bolo."

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