"Gêmeos à Vista: O Papai CEO Não Me Deixa em Paz" Bônus 05 — O candidato que não tinha se inscrito
Theo esperou que a jovem voltasse a olhar o papel. Ela apontou o nome de uma residência estudantil e acrescentou que uma placa prometera um caminho curto quinze minutos antes. Desde então, tinha encontrado uma quadra, duas escadas e um prédio que não estava no mapa.
"A entrada mais próxima está do outro lado", explicou Caio.
Ela olhou para as malas, depois para o próprio tornozelo. "Claro que está. Se fosse fácil, eu ia desconfiar."
Theo apontou a maior. "Posso levar essa?"
"Pode. Mas ela está pesada. Eu coloquei livros antes de lembrar que roupa também ocupa espaço."
Ele segurou a alça e recebeu uma avaliação interessada de seu esforço. A jovem tentou caminhar no mesmo ritmo, mas diminuiu a passada logo depois. Theo percebeu e ajustou o próprio passo sem comentar.
Caio levou a mala menor. No caminho, souberam que ela se chamava Marina, tinha dezoito anos e começava o curso de letras. Uma lesão no tornozelo a obrigara a reorganizar a mudança. Já fizera a matrícula, mas ainda precisava aprender onde ficavam as coisas sem recorrer ao mapa desenhado por uma pessoa que, segundo ela, devia ter asas.
"Você machucou treinando?", perguntou Theo ao notar a bolsa esportiva presa à mala.
"Sim. Faço taekwondo. No momento, estou especializada em aceitar que preciso voltar devagar. Não é a parte mais divertida."
Ela falou com uma franqueza que o fez sorrir. Marina percebeu e quase perdeu o rumo outra vez.
"Você faz isso sempre?"
"O quê?"
"Sorri como se não tivesse consequência."
Caio tossiu para esconder uma risada. Theo olhou para ela, surpreso com a naturalidade da pergunta.
"Eu estou carregando sua mala."
"Eu percebi. Estou muito agradecida. As duas informações podem existir."
Ele balançou a cabeça, sem encontrar uma resposta rápida. Marina parecia satisfeita apenas por ter dito o que pensava. Não procurava um efeito exato no rosto dele antes de continuar.
Perto da residência, perguntou se estava namorando. Theo levou um segundo a mais para responder do que levaria semanas antes.
"Não."
"Que bom. Quer dizer, espero que isso não seja triste. Só é uma boa notícia para a parte da conversa que eu estava planejando."
Caio começou a rir abertamente. Theo parou diante da recepção, colocou a mala no chão e a observou pela primeira vez sem a tarefa de encontrar o caminho ao mesmo tempo.
Marina tinha os cabelos presos de qualquer maneira, uma marca de sol no nariz e os olhos atentos, capazes de transformar um comentário simples numa provocação. Parecia cansada da viagem, mas inteiramente presente no que acontecia.
"Você planeja conversas com desconhecidos?", perguntou ele.
"Algumas. As melhores costumam sair erradas."
A recepcionista conferiu sua identificação e indicou o espaço comum onde poderia organizar as malas antes de seguir para o quarto. Duas colegas novas apareceram para recebê-la. Marina apresentou Caio e depois se virou para Theo.
"E esse é o meu futuro namorado. Se ele concordar, porque ainda não chegamos nessa parte."
O silêncio foi seguido por uma risada coletiva. Theo deixou a mão na alça da mala por um instante, tentando decidir se deveria rir também.
"Eu vim ajudar com a bagagem."
"Eu sei. Não estou escondendo as suas qualificações."
Caio recebeu a mala de volta e fez um comentário sobre uma entrevista para a qual o amigo não se inscrevera. Marina agradeceu aos dois, agora com uma seriedade que diminuía o risco de transformar sua alegria numa obrigação para quem a escutava.
"De verdade, obrigada. Eu ia acabar sentada numa dessas malas antes de encontrar o lugar."
Theo assentiu. "Descansa o pé. E confere o caminho antes de levar todos os livros para a aula."
"Você vai estar na biblioteca?"
"Vou."
"Eu também gosto de bibliotecas. Excelente começo para uma conversa futura."
Ele saiu com Caio, sentindo uma vontade inconveniente de olhar para trás. Resistiu até alcançar a primeira curva. Quando finalmente olhou, Marina ainda estava na porta, acenando. Não parecia ter esperado que ele o fizesse, mas gostou visivelmente de encontrá-lo.
"Você vai ter uma semana interessante", comentou Caio.
"Eu só carreguei uma mala."
"É o que todos os grandes relatórios dizem na primeira página."
No dia seguinte, Theo encontrou uma mensagem de agradecimento enviada por Marina a Caio, que a mostrou sem acrescentar informações pessoais do amigo. Havia uma fotografia das duas malas finalmente abertas e um comentário sobre a quantidade absurda de livros.
Theo sorriu. Depois voltou ao texto que precisava ler, percebendo alguns minutos mais tarde que ainda estava na mesma linha.
O segundo encontro aconteceu perto da cantina. Marina estava numa mesa com duas colegas, discutindo horários e comendo uma fruta. Não correu para alcançá-lo. Apenas levantou a mão e o chamou, perguntando se tinha tempo para sentar por alguns minutos.
Ele tinha. Caio também, por coincidência expressivamente conveniente.
Marina contou que encontrara a primeira sala errada naquela manhã e permanecera dentro por tempo suficiente para começar a se interessar por uma disciplina que não precisava cursar. Theo lhe mostrou a diferença entre dois blocos identificados por letras parecidas. Ela anotou e pediu que ele confirmasse o próprio nome no topo do papel.
"Para eu saber quem responsabilizar se terminar numa aula de cálculo."
"Você perguntou. Eu posso só desenhar uma seta."
"Está vendo? Já estamos aprendendo a trabalhar juntos."
A conversa passou por aulas, esportes e a cafeteria que vendia pão de queijo por um preço razoável. Marina perguntou se ele tomava café. Theo respondeu que sim, sem açúcar. Ela fez uma expressão de sofrimento que o divertiu mais do que deveria.
"Eu respeito, mas não compreendo."
Na manhã seguinte, quando ele chegou ao campus, encontrou a jovem perto de um banco, com um saco de papel e dois copos fechados. Marina ergueu a mão antes de se aproximar.
"Eu comprei um pão de queijo a mais. Você quer? Se estiver com pressa, eu resolvo isso sem nenhuma dificuldade."
Theo olhou para o relógio. Tinha vinte minutos. Sentou-se, recebeu o café e perguntou quanto devia.
"Hoje eu agradeço pela mala. Na próxima, você pode escolher."
A palavra próxima pareceu ficar entre os dois um instante. Theo a ouviu sem corrigir. Marina contou que tinha conseguido andar mais confortavelmente, mas que ainda precisava evitar o impulso de tratar uma melhora como autorização para fazer tudo de uma vez.
"É um talento que eu ainda estou desenvolvendo."
"Paciência?"
"Obediência ao meu próprio planejamento. Eu monto um plano excelente e depois quero conversar com ele."
Theo riu, surpreendido. Ela sorriu para dentro do copo, satisfeita, e não comentou que tinha conseguido fazê-lo rir. A discrição naquele pequeno triunfo o deixou mais à vontade.
Quando faltavam cinco minutos para a aula, Marina recolheu os próprios papéis. Theo perguntou se iria ao prédio de letras.
"Vou. Não precisa me acompanhar. Hoje eu aprendi a seta."
Ele olhou o mapa dobrado sobre a mesa. Ao lado do desenho, havia uma anotação pequena: futuro namorado, candidato ainda em avaliação. Marina percebeu seu olhar e levou a mão ao papel.
"É brincadeira. Se te incomodar, eu paro."
Theo demorou um pouco para responder. A ideia de alguém dizer o que queria sem esconder as condições lhe parecia tão nova que primeiro procurou o problema.
"Eu acabei de sair de um namoro. Não estou prometendo nada."
A expressão dela ficou mais atenta.
"Está bem. Você quer que eu não convide mais?"
Ele olhou para o café, para o saco de papel já dobrado e para os olhos que aguardavam uma resposta de verdade.
"Eu posso tomar café sem prometer alguma coisa que ainda não sei."
"Pode", disse Marina. "Eu também posso gostar de você enquanto descubro se gosto de conversar com você. São etapas importantes."
Ela se levantou, conferiu se não esquecia nada e se despediu sem exigir uma continuação imediata. Theo a viu atravessar o pátio, diminuindo o passo quando precisou. Depois pegou a mochila e seguiu para o outro bloco.
Durante a aula, encontrou um guardanapo dobrado dentro do livro que deixara sobre a mesa da cantina. Marina escrevera poucas palavras: o café era amargo, mas a companhia tinha sido boa.
Theo leu uma vez. Guardou o papel e tentou prestar atenção. Caio, sentado ao lado, inclinou-se para perguntar qual parte da explicação do professor tinha sido engraçada.
"Nenhuma."
"Entendi. Então é um conteúdo complementar."
Theo guardou o guardanapo mais fundo no livro, recebendo do amigo uma risada baixa.
Na residência, Marina contou o encontro às colegas enquanto separava os textos da semana. Uma delas perguntou se já desistira de estudar para organizar cafés. Ela ergueu o caderno cheio de marcações. Gostar de alguém não faria desaparecer a bolsa, as aulas nem a vontade de retomar o treino. Queria conhecer Theo dentro da vida que estava construindo, sem precisar abandonar o resto para caber na dele.
Naquela noite, Lara perguntou como tinha sido o dia. Ele respondeu que estava tudo bem e se ouviu acrescentar uma história sobre uma aluna nova que havia se perdido perto da biblioteca.
A mãe não comentou o sorriso que apareceu enquanto contava. Apenas ouviu até o fim, antes de perguntar se a moça tinha encontrado o caminho.
Theo pensou no banco da manhã, no mapa e na seta desenhada por ele.
"Acho que sim."
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 1
Paixão proibida: Um romance da máfia
Lucien, o Rei da Máfia, conhecido como o Diabo. Heloísa, conhecida como anjo. Os dois são arranjados para se casar, forçados pelos pais, juntando-se às duas máfias. Mas Heloísa acaba descobrindo que até o diabo já foi um anjo.Romance1.3 mil palavras8 2 -
TerminadoCapítulo 5
Papai bilionário do bebê
Uma noite de amor que jamais seria esquecida. Ela dormiu com um bilionário. Apenas Jessica não sabia disso na época, outra coisa que ela não sabia é que, ao sair daquele apartamento de luxo, ela carregaria o herdeiro de uma empresa multibilionária.Moderno08 10 -
TerminadoCapítulo 4
Paixão e Domínio: Ex-esposa do CEO
Tudo o que pode levar é um escândalo para despedaçar uma história de amor de 15 anos. Conheça os Barnes. Angelina (Angel) e James Buchanan Barnes IV (Bucky). Seu romance antes de conto de fadas foi destruído. Mas quando a verdade vier à tona, eles serão capazes de reparar o estrago ou estará tão danificado que não poderá ser consertado?Moderno08 11 -
TerminadoCapítulo 2
Depois do falecimento do meu marido, eu enfrentei a amante com astúcia
Meu marido Joaquim sofreu um acidente de carro, ficou gravemente ferido e à beira da morte. O médico disse que salvá-lo teria pouco significado, então me preparei psicologicamente. Eu estava bem preparada e fiz um gesto com a mão: "Não vou dar mais problemas ao hospital, desistindo do tratamento." Obtive o atestado de óbito, encerrei a conta, levei-o ao crematório e, após seis horas, ele se tornou um monte de cinzas. Eu bato na urna de cinzas e digo: "Joaquim, oh Joaquim, você realmente era uma boa pessoa!" Joaquim tinha uma fortuna, partiu jovem e não deixou testamento. Recebi dois terços de toda a herança. Existe alguém mais atencioso do que Joaquim?Moderno08 4