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"Gêmeos à Vista: O Papai CEO Não Me Deixa em Paz" Bônus 03 — O lado da cama da mamãe

正文开头

Na casa dos avós, Estela pediu para ver o relógio antes de abrir a mala. Theo mostrou os números, mas desistiu de explicar os ponteiros quando percebeu que a irmã estava procurando outra coisa.

"Eles vêm amanhã depois do almoço", repetiu, usando a mesma frase do pai.

"Você sabe mesmo?"

"Eu ouvi junto com você."

A menina assentiu, satisfeita com a confirmação. Leo apareceu na porta e anunciou que a sobremesa tinha sido aprovada. Era uma informação suficiente para levá-la até a cozinha, ainda segurando a boneca pela cintura.

Teresa não tentou arrancar um relato sobre a escola. Serviu o jantar, ouviu as três versões sobre um jogo e pediu ajuda para colocar os copos na mesa. Quando Estela deixou o dela junto à pia, a avó esperou que buscasse o guardanapo que faltava.

"Você também quer que eu faça?"

"Quero. É o seu lugar. Eu coloco o prato, você coloca o guardanapo."

Estela franziu o nariz, mas pegou o papel. Antônio observou a cena sem oferecer uma solução alternativa. Mais tarde, quando a neta pediu outro doce, Teresa lhe explicou que poderiam guardar para depois. A menina protestou e olhou para o avô, que se limitou a mostrar onde ficaria o pote.

"Você também sabe?", perguntou ela.

"Sei guardar doce. Tenho bastante experiência."

Leo riu, e o protesto perdeu um pouco de força no caminho.

Antes de dormir, Estela falou com os pais por vídeo. Encontrou Lara de cabelo preso, sentada ao lado de Rafael. Atrás deles, a sala parecia igual à que deixara.

"Vocês estão em casa?"

"Estamos", respondeu Lara. "Amanhã vamos almoçar aí."

"Você está triste comigo?"

A pergunta fez Theo parar de ajeitar o próprio travesseiro. Lara olhou para a filha com atenção.

"Eu fiquei triste com algumas coisas que aconteceram. E estou com saudade de você. Amanhã a gente se abraça."

Estela encostou o dedo na tela, tocando o rosto da mãe. Depois mostrou a camisola da boneca e pediu que o pai não esquecesse o carro. Rafael prometeu que verificaria se o veículo continuava na garagem antes de sair.

A menina riu, satisfeita. Dormiu perto dos irmãos, acordou uma vez para pedir água e voltou a fechar os olhos quando Antônio se sentou um pouco ao lado da cama.

Na manhã seguinte, pediu papel. Teresa lhe ofereceu folhas e lápis de cor, sem perguntar o que deveria desenhar. Estela fez uma casa grande, um pai de pernas compridas e três crianças com braços desiguais. A mãe apareceu por último, porque o vestido precisava de espaço.

Depois começou outra folha. Nela, havia apenas duas pessoas abraçadas e uma palavra que não sabia escrever.

"Vovó, como faz desculpa?"

Teresa se sentou ao lado dela. "Você quer escrever ou quer me contar?"

"Quero dar para a mamãe."

A avó a ajudou com as letras sem ditar uma frase inteira. Estela copiou devagar, pediu uma borracha e decidiu deixar o primeiro erro porque parecia uma flor. Quando terminou, dobrou o papel tantas vezes que ele ficou pequeno e grosso, difícil de abrir.

正文1

Lara e Rafael chegaram antes do almoço, como tinham combinado. Estela ouviu o carro e correu até a porta, parando apenas quando Teresa lhe lembrou o degrau. Lara se abaixou com os braços abertos.

A menina não entregou o desenho imediatamente. Abraçou a mãe primeiro e permaneceu agarrada ao seu pescoço, respirando o cheiro familiar. Lara a segurou sem pedir nada em troca.

"Eu vim", murmurou.

Estela assentiu contra seu ombro. Depois se afastou o suficiente para procurar o papel no bolso.

"Eu fiz. Tem uma palavra errada."

Lara desdobrou a folha com cuidado. Reconheceu as figuras, a tentativa de escrita e uma pequena flor no meio da palavra.

"Você quer me explicar?"

"Eu falei que queria outra mamãe. Mas eu quero você."

O rosto de Lara se modificou antes que conseguisse responder. Estela lhe tocou a bochecha, preocupada com a água que apareceu em seus olhos.

"É triste?"

"É muita coisa junto. Eu amo você, filha."

A menina respirou fundo. "Desculpa por falar ruim."

"Obrigada por me contar o que estava pensando. Eu aceito seu pedido de desculpas. E você pode ficar brava comigo sem dizer que eu preciso ir embora."

Estela assentiu e voltou para o abraço. Rafael se aproximou, beijou as duas e recebeu da filha uma explicação urgente sobre a flor que tinha sido uma letra. Ele a ouviu com seriedade, como se aquele detalhe também merecesse ser guardado.

No almoço, conversaram sobre assuntos pequenos. Theo contava uma descoberta feita num livro. Leo achava injusto que a mesma sobremesa tivesse uma quantidade limitada de pedaços, embora reconhecesse ter escolhido o maior na véspera. Estela anunciou que ajudara com os guardanapos.

Teresa confirmou, sem transformar o gesto num espetáculo. Depois, enquanto os meninos levavam os pratos, chamou Lara para perto da janela.

"Eu também preciso prestar atenção", disse a avó. "Às vezes resolvo o choro antes de entender o que aconteceu. É muito fácil querer só o sorriso dela."

Lara segurou sua mão. "Eu sei. A gente vai se lembrando junto."

A resposta lhe saiu mais leve do que imaginava. Não precisava enfrentar aquele assunto como uma mãe isolada tentando convencer toda a família a lhe dar razão. Havia pessoas dispostas a aprender também.

A escola concluiu a apuração nos dias seguintes. Patrícia foi afastada definitivamente do contato com a turma, e a direção informou às famílias as medidas que adotara para corrigir os procedimentos. Estela passou a ser acompanhada por outra professora e pôde falar sobre a mudança sem ouvir que era culpada por ter contado.

Nem tudo ficou fácil de uma hora para outra. Houve uma manhã em que chorou para não guardar uma boneca. Em outra, empurrou a cadeira para mostrar irritação. Os pais continuaram respondendo ao que acontecia, sem trazer a história da antiga professora para cada pequena dificuldade.

Num sábado, prepararam pizzas em casa. Rafael se ofereceu para cuidar da massa e recebeu dos filhos uma supervisão que considerou excessiva. Theo leu a receita. Leo contou a quantidade de queijo e tentou alterar a proporção em benefício próprio.

正文2

Estela ficou responsável por distribuir tomates sobre uma pizza pequena. Colocou quase todos num único lado. Lara perguntou se queria espalhar ou se aquela seria uma pizza com uma ilha de tomate. A menina escolheu a ilha.

Quando Leo tentou pegar um pedaço antes da hora, ela gritou que era seu. Parou no meio da frase, olhando para a mãe. Lara apontou a travessa onde fariam outra porção, e Estela conseguiu dizer que gostaria de terminar primeiro.

"Pode esperar?"

Leo olhou para o pai, procurando uma testemunha do próprio esforço. "Posso. Mas estou registrando que fui paciente."

Rafael lhe entregou um guardanapo. "Registra limpando esse queijo do balcão."

A risada espalhou o cheiro da cozinha pela casa. Mais tarde, Estela levou um pedaço de pizza à mãe e se sentou ao lado dela, satisfeita por reconhecer a própria obra no prato.

À noite, Lara e Rafael ficaram na varanda depois que as crianças foram dormir. Ele lhe ofereceu um copo de água e puxou a cadeira para perto. Durante alguns minutos, conversaram sobre trabalho, uma viagem que queriam fazer e a possibilidade de passar um domingo sem nenhum compromisso.

"Você acha que os nossos filhos autorizam?", perguntou Lara.

"Podemos apresentar um requerimento."

Ela riu e se inclinou para beijá-lo. Rafael levou a mão à sua nuca, demorando mais do que demoravam quando havia pequenas pessoas anunciando sede no corredor.

Uma voz, contudo, interrompeu o beijo.

"Eu estou sem sono."

Estela apareceu segurando a boneca e arrastando um travesseiro. Atrás dela, Theo e Leo espiaram por uma fresta da porta, atraídos pelo movimento. Lara percebeu as duas cabeças e fingiu não ver por alguns segundos.

"Você trouxe mudança?", perguntou à filha.

"Só meu travesseiro."

"Um equipamento essencial", comentou Rafael.

A menina apontou para o corredor. "Quero o lado da mamãe."

Ele colocou a mão no peito. "Esse lugar tem muita procura."

Lara começou a rir. Estela não pareceu impressionada com a concorrência e estendeu a mão para ela. Quando voltaram ao quarto, os dois irmãos apareceram por inteiro, tentando apresentar suas próprias razões para ainda estarem acordados.

"Eu vim ver se ela precisava de água", disse Theo.

"Eu também", acrescentou Leo.

"Sem copos?", perguntou o pai.

Os dois olharam um para o outro. Lara se sentou na cama, puxando Estela para perto, e ofereceu alguns minutos de história para todos antes de cada um voltar ao próprio lugar.

Estela adormeceu no meio da segunda página. Rafael a levou de volta para a cama depois, ouvindo um protesto sonolento que terminou quando Lara beijou sua testa e ajeitou a boneca perto da mão.

Já sozinhos, os dois apagaram a luz do corredor. Rafael abraçou a esposa pela cintura.

"Recuperei minha vaga?"

Lara se virou em seus braços. "Você podia ter pedido com mais educação."

Ele beijou sua boca devagar. Do outro quarto, ouviu-se Leo perguntando ao irmão se o pai ia ter de dividir o travesseiro também.

Dessa vez, os dois adultos riram juntos antes de fechar a porta.

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