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"Gêmeos à Vista: O Papai CEO Não Me Deixa em Paz" Capítulo 72

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Quando a estrela chegou

Rafael contava as respirações junto dela quando Lara decidiu que não queria mais ouvir números. Apertou sua mão e disse isso com uma clareza que ele jamais esqueceria.

"Está bem. Sem números."

A profissional ao lado da cama lhe mostrou outra forma de acompanhar. Ele obedeceu, ofereceu água quando Lara quis e ficou em silêncio quando foi o que ela pediu. Havia momentos em que a dor parecia apagar tudo que existia além daquele quarto. Em outros, o rosto dele voltava a ficar nítido, cansado, atento, inteiramente presente.

Lara pensou nos meninos uma vez, entre duas contrações. Perguntou se estavam com Teresa. Rafael confirmou e contou que Theo tinha conferido a mochila da irmã antes de saírem, enquanto Leo insistira em acrescentar um desenho para o bebê não estranhar o lugar.

Ela conseguiu sorrir. Depois segurou sua mão com mais força, e ele se aproximou outra vez.

Quando o choro finalmente veio, Lara levou alguns segundos para entender que aquele som pertencia à criança que esperavam. Estava exausta. Sentia o rosto molhado, o corpo inteiro pesado e uma vontade imensa de olhar.

Rafael beijou sua testa antes de voltar os olhos para a filha.

"Você está me ouvindo?", perguntou, com a voz quebrada.

Lara assentiu. "Quero ver ela."

Ele abriu espaço imediatamente, ajudando como a equipe orientava. A menina chegou ao peito da mãe pequena, quente e indignada com alguma coisa que o mundo acabara de fazer. Lara a acolheu com as mãos trêmulas, sentindo o choro diminuir junto à própria pele.

"Oi, Estela."

Tinham escolhido o nome nas últimas semanas, depois de muitas sugestões, risos e uma lista em que Pudim continuava aparecendo pela mão de Leo. Estela ficara porque os dois gostaram e porque os irmãos disseram que faltava uma estrela naquela casa.

Rafael olhava de uma para a outra. A felicidade não eliminava o susto de ter visto o esforço da esposa. Quando Lara ergueu o rosto, encontrou lágrimas que ele já não tentava esconder.

"Eu estou aqui", disse ela.

Ele beijou sua mão. "Eu sei. Eu amo você."

Ficou ao seu lado durante os cuidados seguintes, perguntando do que precisava sem impedir que encontrasse a filha. Lara o viu olhar para Estela, estender um dedo e receber o aperto minúsculo daquela mão. O homem pareceu perder por um instante toda a capacidade de falar.

Mais tarde, no quarto, uma profissional lhe mostrou como apoiar a cabeça e o corpo da recém-nascida. Rafael ouviu a explicação inteira, repetiu o movimento e ficou tão imóvel depois que Lara começou a rir baixinho.

"Você pode respirar."

"Estou respirando."

"Só por dentro, pelo jeito."

Ele olhou para o embrulho em seus braços. Estela tinha o rosto amassado e uma expressão de desagrado que não combinava com as descrições apaixonadas do pai.

"Ela parece com você."

Lara ergueu uma sobrancelha. "Espero que você esteja falando de algum detalhe específico."

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Rafael sorriu, e o quarto pareceu finalmente voltar a ter ar.

Os meninos chegaram depois, acompanhados pelos avós e preparados para uma visita breve. Entraram sem a corrida habitual. Theo ficou ao lado da cama da mãe antes de procurar o berço. Leo a abraçou com cuidado e encostou o rosto em seu ombro.

"Você está doendo?"

"Um pouco. Estou sendo cuidada."

Ele assentiu e entregou o desenho. Só então se aproximou da irmã, seguindo as orientações sobre lavar as mãos e tocar com delicadeza. Estela abriu a boca, bocejou e fechou os olhos de novo.

"Ela ainda não sabe que a gente veio", lamentou Leo.

"A gente pode contar outra vez depois", respondeu Theo.

Lara observou os dois, sentindo uma ternura que lhe apertava a garganta. Tinham sido tão pequenos quanto aquela menina. Agora estavam ali, tentando encontrar uma maneira de serem irmãos sem deixar de ser seus filhos.

Chamou-os para perto e pediu que lhe contassem como tinha sido a manhã. Ouviu uma história sobre a torrada que caíra no prato errado, sobre Antônio procurando os óculos na própria camisa e sobre a mochila conferida três vezes. Estela dormia ao lado. Nenhuma das crianças precisava desaparecer para que a outra existisse.

A volta para casa trouxe uma felicidade menos organizada que as fotografias. Havia bolsas por abrir, consultas para lembrar e horários que o sono desfazia. Célia ajudava nas refeições combinadas. As avós perguntavam quando poderiam vir, e Lara aprendeu a responder também quando preferia descansar apenas com Rafael e os filhos.

Na primeira madrugada, Estela acordou quando Lara finalmente encontrara uma posição confortável. O som atravessou seu corpo antes que conseguisse abrir os olhos. Tentou se erguer, mas Rafael já estava ao lado do berço.

"Eu vejo primeiro. Se ela quiser mamar, trago para você."

A fralda precisou de atenção. Rafael levou mais tempo que imaginara, recebeu um protesto indignado da filha e chamou Lara apenas para perguntar onde guardavam uma peça limpa que estava diante dele.

Ela apontou, sorrindo apesar do cansaço. Quando ele voltou com a menina, sentou-se perto, ajeitou uma almofada e lhe ofereceu água. Mais tarde, assumiu o colo depois da mamada, permitindo que a esposa fechasse os olhos antes dele.

Nem todas as noites foram parecidas. Houve dúvidas, choro que demorava a parar e uma tarde em que Lara começou a chorar também, sem conseguir explicar por que estava tão sobrecarregada. Rafael não disse que deveria estar feliz. Sentou-se ao lado dela, ouviu e ajudou a reorganizar as visitas e as tarefas do dia seguinte.

Aos poucos, encontraram um ritmo que não dependia de ela se antecipar a tudo.

Estela cresceu nos braços de muita gente. Antônio queria mostrar uma fotografia nova a cada visita. Teresa levava comida e aprendia a ir embora antes de Lara ficar exausta. Helena embalava a neta enquanto conversava com a filha sobre assuntos que não eram apenas maternidade. Eduardo descobriu que podia passar vinte minutos observando uma mão abrir e fechar.

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Marcelo apareceu com uma peça de roupa pequena demais para durar muito tempo e um aviso de que guardara a nota para trocar. Os sobrinhos o convocaram para terminar uma construção, e ele passou a visita alternando entre o berço e uma ponte no tapete.

Isabela já conseguia segurar a menina com conforto quando foi visitá-los com Tiago. Recebeu Estela sentada, os olhos úmidos, e ficou admirando o nariz minúsculo. Lara observou a cicatriz discreta que aparecia perto de seu ombro, depois encontrou seu olhar sem permitir que a lembrança fosse a única coisa entre elas.

"Ela gostou de você", disse.

"Ela está dormindo."

"É uma avaliação excelente nesta casa."

Tiago riu e tirou uma fotografia depois de pedir permissão. Mais tarde, os dois contaram que começavam a conversar sobre casamento, sem pressa de marcar uma data antes de saberem como queriam viver juntos. Bianca e Diego também tinham retomado o noivado por escolha própria. Lara soube da decisão durante um almoço em que a amiga exibiu o anel e explicou, antes de qualquer pergunta, que continuava tendo opinião sobre todas as condições do acordo.

"Eu confirmei isso", disse Diego.

"Mais de uma vez", acrescentou Bianca.

Mirela ergueu o copo num brinde pequeno, e Daniel fez Davi afastar a mão da sobremesa apenas até que todos fossem servidos. O menino tentou convencer Leo a esperar. Leo considerou aquilo uma traição entre amigos.

Nos meses seguintes, outras notícias encontraram lugar fora da rotina da casa. A condenação de Sérgio veio depois da apuração e do julgamento, com as responsabilidades reconhecidas pelos fatos demonstrados no processo. Lara recebeu a informação sem comemorar uma vida arruinada e sem sentir que precisava procurá-lo outra vez. O que acontecera tinha um nome. Já não cabia a ela protegê-lo desse nome.

Márcia e Priscila deixaram a cidade para tentar reconstruir o sustento em outro lugar. Chegou-lhe a notícia de que Priscila voltara a trabalhar com roupas em pequena escala. Lara não buscou detalhes. As participações atribuídas a cada pessoa nos episódios anteriores tiveram seus próprios desdobramentos; distância e tempo não transformavam automaticamente tudo em perdão.

Seu trabalho também continuou. O ateliê tinha uma equipe que podia responder a perguntas sem esperar que ela largasse a filha no meio de uma mamada. Henrique levava informações claras às reuniões que combinavam. Lara voltou a desenhar no ritmo que conseguia, descobrindo que uma carreira podia seguir viva enquanto ela escolhia passar mais tempo em casa.

A primeira comemoração de Estela foi organizada com as duas famílias, numa tarde curta. Antônio gostaria de convidar mais gente. Helena tinha ideias para uma reunião posterior. Lara escolheu o que cabia no descanso da menina e no seu, e Rafael apoiou o combinado sem precisar que ela o repetisse diante de todos.

Theo levou o desenho do sol. Leo trouxe o da lua. A estrela, agora, tinha uma mão de verdade que fechava em torno do dedo de cada irmão.

Numa noite já mais tranquila, Lara encontrou Rafael no corredor, com o quarto dos meninos em silêncio e Estela dormindo no berço. Ele lhe ofereceu a mão e a levou até a sala, onde tinham deixado uma música baixa tocando.

Dançaram quase sem sair do lugar. Lara encostou o rosto em seu peito, sentindo o corpo ainda diferente, o cansaço ainda presente e a vontade de estar ali sem precisar esperar que tudo voltasse ao que era antes.

"Eu estava com saudade disso", murmurou.

Rafael beijou seus cabelos. "Eu também."

O beijo seguinte foi lento. Ela segurou sua camisa e sorriu quando ele a puxou um pouco mais para perto. Ficaram assim até um protesto pequeno chegar pelo monitor.

Os dois pararam e olharam para o aparelho. Estela transformou o protesto em choro, decidida a participar da noite.

Lara começou a se levantar, mas Rafael beijou sua testa.

"Fica. Eu vou buscar nossa estrela."

Ela o ouviu entrar no quarto, falar baixo e erguer a filha. Pouco depois, o choro diminuiu. Rafael apareceu no corredor com a menina junto ao peito, caminhando devagar, atento ao rosto que agora conhecia de tantas madrugadas.

Lara se acomodou no sofá e deixou a cabeça descansar. No quarto ao lado, seus dois meninos dormiam. Diante dela, o homem que escolhera embalava a criança que tinham esperado juntos.

Quando ele se sentou perto, Lara abriu espaço e encostou a mão nas costas da filha. Rafael beijou seus dedos sem parar de embalar.

Por alguns minutos, ninguém precisou dizer mais nada.

Ela podia fechar os olhos. Havia alguém cuidando também.

Fim.

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