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"Gêmeos à Vista: O Papai CEO Não Me Deixa em Paz" Capítulo 69

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A pergunta que ainda faltava

A caixa de flores não voltou a aparecer naquele dia. Rafael afirmou que se tratava de uma consulta sobre a decoração. Theo assentiu com tanta seriedade que Lara passou a suspeitar ainda mais. Leo tentou mudar de assunto perguntando se o bebê gostava de pão de queijo, embora ninguém estivesse comendo nada na sala.

Ela decidiu permitir que os três continuassem. Depois de tantas semanas em que uma porta tocando a fazia prender a respiração, era bom observar o marido esconder alguma coisa sem que o medo lhe alcançasse primeiro.

A vida ia recuperando movimentos próprios. Isabela já fazia passeios curtos e continuava as orientações de recuperação, irritada apenas com as coisas que ainda não conseguia fazer sem ajuda. Helena aprendera a perguntar antes de oferecer uma tarde inteira de companhia. Eduardo ligava para Lara também quando não havia exames ou providências a discutir.

Num desses telefonemas, contou que tentara fazer o bolo de laranja e esquecera uma etapa. Lara o ouviu explicar o resultado achatado enquanto anotava uma medida no ateliê.

"Da próxima vez, me chama antes de pôr no forno."

"Você vai rir?"

"Provavelmente. Mas vou ajudar."

A promessa de uma próxima vez ainda a emocionava de maneiras inesperadas. Não vinha com a obrigação de recuperar todos os aniversários. Podia caber numa receita que desse errado.

Na quinta-feira, Teresa convidou os meninos para escolherem roupas para a cerimônia. Lara acompanhou a família até uma sala onde algumas opções tinham sido trazidas para prova. Rafael entrou atrás deles com duas garrafas de água e a convicção imprudente de que aquela parte seria rápida.

Leo examinou um colete claro e perguntou se os bolsos funcionavam. A costureira mostrou que sim. Ele colocou imediatamente um carrinho em um deles para testar a capacidade.

"Isso vai ficar em casa no dia", disse Rafael.

"Eu estou verificando a qualidade."

Theo, diante do espelho, levantava os braços para conferir o movimento da camisa. Lara se ajoelhou perto dele e ajustou uma dobra, deixando que dissesse onde incomodava. Quando a costureira sugeriu uma gravata, os dois irmãos se olharam como se precisassem apresentar uma posição conjunta.

"A gente vai ter que usar o tempo todo?", perguntou Theo.

"Só se vocês gostarem", respondeu Lara.

Rafael abriu a boca para acrescentar alguma coisa, mas Teresa o fez experimentar uma peça parecida. Ele ajeitou o nó e imediatamente afrouxou o colarinho. Os meninos observaram o gesto com visível satisfação.

"Pronto", disse Leo. "O papai também votou."

Escolheram camisas leves, calças confortáveis e os coletes, reservados para a parte em que quisessem usá-los. O assunto das flores trouxe outra negociação. Theo queria saber quanto deveriam jogar e em que momento. Leo estava preocupado com a possibilidade de acabar com tudo antes de alcançar a mãe.

A costureira sugeriu um ensaio com papéis. Cinco minutos depois, Rafael estava recolhendo pequenas tiras do chão enquanto os filhos discutiam critérios de distribuição. Lara tirou uma fotografia e a guardou entre as imagens que queria rever quando lembrasse daquele casamento.

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No sábado, Rafael lhe pediu que reservasse o fim da tarde. Não disse para quê. Lara perguntou se precisaria fingir surpresa.

"Só se eu for muito ruim nisso", respondeu ele.

"Você está dando uma vantagem grande para a minha capacidade de observação."

Ainda assim, escolheu um vestido de que gostava, deixou os cabelos soltos e acompanhou o marido até o jardim da casa dos avós. O lugar estava diferente sem ter se tornado irreconhecível. Havia flores em vasos, uma mesa pequena e fotografias presas a um painel baixo.

Lara reconheceu a primeira imagem: os quatro juntos na atividade da escola. A seguinte mostrava o barco de madeira que os meninos montavam com Antônio. Outra tinha sido tirada na cozinha, com farinha na bochecha de Leo. Não eram retratos escolhidos para provar que nada tinha dado errado. Eram pedaços de vida em que ela conseguia lembrar o que sentira.

Helena e Eduardo estavam perto da varanda. Marcelo conversava com Bianca e Mirela. Isabela permanecia sentada ao lado de Tiago, numa posição confortável, sorrindo quando Lara a encontrou com os olhos. Ninguém começou a aplaudir imediatamente. Deram-lhe tempo para entrar.

Theo apareceu segurando um pequeno envelope. Leo vinha logo atrás, concentrado em não pisar no caminho que as próprias flores marcavam.

"A gente escreveu", anunciou o mais novo. "Mas o papai disse que não precisa ler correndo."

Lara recebeu o envelope e abriu a folha. Havia letras de tamanhos diferentes, algumas corrigidas, e um desenho de mãos dadas. O recado dizia que gostavam quando ela ria de verdade e que queriam continuar fazendo parte dos dias em que isso acontecesse.

Ela cobriu a boca com a mão. Os dois se aproximaram, preocupados com as lágrimas.

"É choro bom?", perguntou Leo.

"É. Muito bom."

Lara abraçou os filhos com cuidado, beijando uma cabeça e depois a outra. Quando se levantou, Rafael estava diante dela, sem o sorriso de quem esperava resolver tudo com uma surpresa bem organizada.

Ele parecia nervoso.

"A gente já é casado", começou.

Leo assentiu atrás dele, aliviado por aquela informação não ter sido esquecida.

"Eu tenho orgulho do dia em que você escolheu ir comigo ao cartório", continuou Rafael. "E gosto da vida que a gente começou a construir depois. Mas percebi que ainda tinha uma pergunta que eu queria fazer direito."

Lara sentiu os dedos esfriarem, apesar do calor da tarde. Rafael segurou uma de suas mãos e se ajoelhou, mantendo o olhar no seu.

"Eu não quero que você esteja comigo porque precisou de alguém num momento difícil. Nem porque temos filhos. Eu quero continuar sendo o homem que você procura quando tem uma coisa boa para contar. A pessoa que escuta quando você está brava, que aprende a receita, que levanta de madrugada e que aceita quando você diz que sabe ir sozinha."

Lara riu entre as lágrimas. Rafael sorriu, mas sua voz permaneceu séria.

"Quero fazer isso nos dias que ninguém vai fotografar. E quero comemorar com você o fato de termos nos escolhido. Você aceita casar comigo outra vez, do nosso jeito?"

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Ela se agachou antes de responder. Rafael pareceu surpreso quando os olhos ficaram na mesma altura.

"Aceito. Mas você não precisa fazer tudo certo antes de me contar que está com medo."

Ele fechou os olhos brevemente, atingido no lugar exato.

"Está bem."

"E eu quero continuar tendo coisas minhas. Meu trabalho, meus amigos, minhas escolhas."

"Eu sei. Eu me apaixonei por você com tudo isso."

Lara segurou seu rosto. "Então sim. Eu quero você. Com o tomate resistente e todas as revisões da receita."

O beijo veio acompanhado dos aplausos que até então todos tinham segurado. Leo anunciou que finalmente podiam bater palmas. Theo abriu uma pequena caixa com o cuidado de quem cumpria uma função de enorme responsabilidade.

Dentro havia um anel delicado, escolhido para acompanhar a aliança que Lara já usava. Rafael lhe explicou que podia experimentar, trocar ou guardar se preferisse. Ela o colocou no dedo e observou a luz tocar a pedra sem precisar de um discurso sobre o preço.

"Esse eu escolho ficar usando", disse.

Os meninos se aproximaram para conferir o resultado. Leo quis saber se o pedido significava outro bolo naquele mesmo dia. Antônio, que escutava a uma distância estratégica, apontou para a mesa coberta.

A festa pequena se abriu em conversas. Helena segurou a mão da filha e não conseguiu dizer mais que estava feliz. Eduardo lhe deu um beijo na testa, aceitando o abraço que Lara começou. Marcelo perguntou se a prateleira finalmente instalada podia contar como contribuição prévia ao casamento.

"Você chegou com ferramentas antes do café", lembrou Rafael.

"Ela disse amanhã. Não especificou um horário."

Lara riu, encostada no marido. Havia ali espaço para a emoção sem que todos precisassem permanecer solenes para conservá-la.

Quando Isabela lhe pediu que se sentasse um pouco perto dela, Lara levou dois copos de água e ocupou a cadeira ao lado. Tiago se afastou para buscar um prato, deixando-as conversarem.

"Você parece diferente", disse Isabela.

Lara olhou para as mãos, para os dois anéis juntos. "Eu me sinto mais em casa."

A irmã sorriu. Não tentou comparar o que cada uma recebera. Contou que pretendia retomar compromissos e pensar no que queria fazer além de esperar que a vida acontecesse em volta dela. Lara ouviu, fez perguntas e prometeu ajudá-la a pesquisar uma ideia quando tivesse algo mais concreto.

No fim da tarde, os meninos levaram os envelopes vazios para guardar com os desenhos do bebê. Bianca discutia com Diego sobre a fotografia em que ele tinha fechado os olhos. Mirela chamava Davi para comer antes que desaparecesse atrás de uma brincadeira.

Rafael e Lara ficaram junto ao painel de imagens por um instante. Ela encontrou a fotografia da escola e tocou a borda.

"Você lembra do cavalo que desenhou?"

"Infelizmente há testemunhas."

"Eu devia colocar no casamento."

Ele a abraçou por trás, rindo junto ao seu ouvido. "Eu pedi uma cerimônia nossa. Não uma exposição contra mim."

Dias depois, escolheram o lugar: uma ilha próxima de Angra dos Reis, com espaço para as famílias se hospedarem e tempo para que as crianças conhecessem a praia sem correria. Lara conferiu o trajeto, o conforto e os prazos de sua gestação antes de confirmar.

Quando fechou a pasta, Rafael estava esperando sua opinião.

"Quero ir", disse ela.

Ele tomou sua mão. A próxima fotografia ainda não existia, mas os dois já sabiam quem desejavam encontrar dentro dela.

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