"Gêmeos à Vista: O Papai CEO Não Me Deixa em Paz" Capítulo 68
O que ela escolheu salvar
Lara não conseguiu olhar para a porta. Mantinha Isabela junto ao corpo, repetindo seu nome enquanto Bianca se ajoelhava ao lado das duas. Mirela afastou uma caixa com o pé para abrir espaço. A faca caiu em algum lugar, produzindo um ruído pequeno demais para tudo o que tinha acontecido.
"Olha para mim", pediu Lara. "Você está me ouvindo?"
Isabela tentou mover os lábios. Nenhuma palavra saiu.
A entrada da equipe trouxe vozes firmes, passos e mãos que sabiam o que fazer. Um agente afastou Sérgio. Outro se colocou entre ele e as mulheres. O homem dizia que não tinha querido, que ela se metera na frente, que tudo estava saindo errado.
Lara ouviu aquelas justificativas como se viessem de muito longe. Um profissional se agachou diante dela e explicou que precisava cuidar de Isabela. Cortaram a amarra de seus pulsos. Só então percebeu que suas mãos tremiam tanto que não conseguia abri-las direito.
Rafael apareceu quando o cômodo já estava seguro. Parou perto o suficiente para que ela o reconhecesse antes de tocar em seus ombros.
"Lara. Sou eu."
Ela ergueu o rosto. Tentou dizer que precisava ajudar, mas a voz se desfez. Rafael se ajoelhou ao seu lado e a segurou enquanto a equipe assumia o cuidado de Isabela. Tiago estava perto da porta, pálido, esperando a indicação de que podia se aproximar.
"Ela veio para a minha frente", disse Lara. "Eu não consegui segurar."
"Eu estou ouvindo. Agora deixa eles cuidarem dela."
Rafael não prometeu o que não sabia. Manteve a mão na nuca da esposa e acompanhou o movimento da maca com os olhos. Quando Tiago recebeu autorização para seguir, saiu sem desviar o rosto da mulher que levavam.
As quatro foram encaminhadas para avaliação. Lara insistiu em permanecer no mesmo hospital de Isabela, e Rafael organizou o trajeto sem transformar a insistência numa discussão. Bianca tinha uma marca no braço. Mirela sentia dor no punho. Nenhuma aceitou ir embora antes de saber para onde a amiga seria levada.
No hospital, Helena encontrou Lara ainda com o tecido manchado. Por um instante, as duas se olharam sem conseguir falar. Depois a mãe a abraçou, cuidadosamente, e Lara começou a chorar de novo.
"Ela está com os médicos", disse Helena, como se precisasse repetir para si mesma. "Agora estão cuidando dela."
Eduardo passou a mão pelos cabelos da filha e seguiu até Tiago. O rapaz estava sentado, os cotovelos nos joelhos, olhando para os próprios dedos. Quando Eduardo lhe tocou o ombro, ele levantou a cabeça.
"Eu não quero que ela acorde procurando alguém e não encontre."
"Vai encontrar", respondeu Eduardo. "Nós vamos estar aqui."
Lara também precisou ser examinada. O atendimento a afastou por algum tempo da porta que não queria perder de vista. Respondeu às perguntas, mostrou os pulsos, contou o enjoo e o susto. Rafael ficou ao seu lado, esperando que autorizasse sua presença em cada etapa.
Quando receberam a notícia de que, naquele momento, a avaliação não indicava uma intercorrência na gestação, Lara levou a mão ao ventre e fechou os olhos. O alívio não lhe deu imediatamente paz. Apenas abriu espaço para sentir o quanto estivera assustada.
"Eu achei que ia perder tudo", confessou.
Rafael encostou a testa na sua. "Você não precisa ficar segurando isso sozinha agora."
Ela agarrou sua camisa e chorou sem tentar falar direito. Ele permaneceu ali até sua respiração encontrar um ritmo menos doloroso. Depois lhe trouxe água e esperou que conseguisse beber, um gole de cada vez.
A notícia da cirurgia veio quando a noite já tornara as janelas escuras. Tinham controlado o sangramento e tratado a lesão perto do ombro de Isabela. Ela precisaria continuar em observação, mas o procedimento tinha terminado bem.
Tiago ficou de pé tão depressa que perdeu o equilíbrio por um instante. Eduardo segurou seu braço. Helena cobriu o rosto com as mãos, e Lara sentiu os joelhos cederem antes que Rafael a ajudasse a sentar.
Não era o fim de todo medo. Era, enfim, alguma coisa em que podiam se apoiar.
Mais tarde, Lara falou com os filhos por vídeo. Teresa atendera antes e explicara que eles precisavam ouvi-la, mesmo que a conversa fosse curta. Theo apareceu primeiro, tentando examinar cada parte do rosto da mãe.
"Você está no hospital?"
"Estou. Eu fui examinada e estou sendo cuidada. O papai está aqui."
Leo surgiu ao lado do irmão. "Você vai dormir aí?"
"Hoje ainda estamos vendo o que vai ser melhor. Eu ligo antes de vocês dormirem."
"A gente ficou esperando a foto do sapato", disse ele, com a voz trêmula.
A frase quase a fez perder o controle outra vez. Lara olhou para Rafael, recebeu de volta uma firmeza silenciosa e conseguiu sorrir para a tela.
"Eu vou mostrar. E vou abraçar vocês quando chegar. Não foi culpa de ninguém que estava me esperando em casa. Entenderam?"
Theo assentiu devagar. Leo pediu que ela não esquecesse de voltar a ligar. Lara prometeu apenas aquilo que podia cumprir e cumpriu pouco depois.
Isabela acordou ainda sonolenta, cercada pelos sons baixos do quarto. Tiago estava perto da cama. Helena e Eduardo tinham saído por alguns minutos para conversar com a equipe, e Lara aguardava no corredor quando ele abriu a porta e chamou seu nome.
Ela entrou com passos curtos. Isabela virou o rosto e tentou sorrir.
"Você está bem?"
Lara parou junto à cama. "Você acabou de acordar e está perguntando isso?"
"Eu lembro de você no chão."
A voz fraca obrigava todos a prestar atenção sem interromper. Lara puxou uma cadeira, aproximou-a do lado que não estava machucado e segurou a mão da jovem.
"Eu estou bem. O bebê foi avaliado também."
Isabela fechou os olhos por um instante. O alívio atravessou seu rosto de forma tão nítida que Lara precisou engolir o choro antes de continuar.
"Você podia ter morrido."
"Eu não pensei nisso. Eu vi ele indo na sua direção."
Lara baixou a cabeça. As lágrimas caíram sobre os dedos que segurava.
"Eu não sei como agradecer."
Isabela apertou sua mão com a força que tinha. "Você não precisa decidir isso agora."
Ficaram em silêncio até que ela falou outra vez.
"Eu não fiz para você esquecer as coisas."
Lara levantou o rosto.
"Eu sei."
"Eu não queria mais ser a pessoa que estava vendo acontecer e só pensava em si."
Lara aproximou a mão da bochecha dela, com cuidado para não puxar nenhum fio.
"Você não precisava se machucar para ter um lugar."
Isabela começou a chorar em silêncio. Tiago lhe ofereceu um lenço e permaneceu ao lado, sem ocupar a conversa. Quando Lara a abraçou, fez isso devagar, permitindo que a outra escolhesse quanto podia se mover.
Não havia uma dívida sendo quitada entre elas. Havia duas mulheres que tinham sido colocadas numa história antes de saberem seus próprios nomes e que agora podiam escolher o que fariam uma com a outra.
Nos dias seguintes, a recuperação trouxe tarefas pequenas e concretas. Ajustar a posição de um travesseiro. Ajudar a prender o cabelo sem erguer o braço ferido. Escolher uma comida que Isabela tivesse vontade de experimentar. Lara passou a visitá-la sem precisar preparar um assunto importante antes.
Uma tarde, encontrou Tiago tentando seguir instruções para fazer uma trança. O resultado tinha um lado mais alto que o outro. Isabela estava rindo, embora cada risada exigisse cuidado com o ombro.
"Ele diz que está melhorando."
Lara examinou o penteado. "A confiança dele já está pronta."
Tiago ergueu o pente. "Eu aceito uma aula."
Ela lhe mostrou um movimento mais simples, e Isabela ficou quieta enquanto os dois trabalhavam juntos. Quando Lara se despediu, ouviu a jovem chamá-la de irmã. A palavra veio baixa, quase como uma pergunta.
Lara voltou até a cama e beijou sua testa.
"Descansa. Amanhã eu volto."
Sérgio permaneceu sob custódia, e a apuração reuniu as armas apreendidas, os registros do veículo, as ameaças e os relatos das quatro vítimas. Lara prestou seu depoimento acompanhada, sem voltar a negociar com ele. Não recebeu a versão de que tudo fora um desentendimento familiar. O que acontecera seria tratado como crime, com as responsabilidades de cada envolvido examinadas no processo.
Na primeira noite de volta à própria casa, os meninos se aproximaram sem correr. Theo passou os braços pela cintura da mãe. Leo encostou o rosto em seu vestido e ficou assim por muito tempo.
Rafael se sentou no tapete com os três. Não tentou transformar o reencontro numa festa. Pediu comida, ouviu as perguntas e deixou a luz acesa no corredor quando foram dormir.
Mais adiante, as noites deixaram de terminar em sobressalto. Lara voltou ao ateliê aos poucos, manteve o acompanhamento combinado e retomou as escolhas da cerimônia. Não houve uma manhã em que acordasse sem nenhuma lembrança. Houve manhãs em que a lembrança deixou de ocupar tudo.
Numa delas, encontrou Rafael e os meninos cochichando diante de uma caixa de flores. Os três ficaram em silêncio ao vê-la.
"Eu devo me preocupar?"
Leo olhou para o pai. "Depende de quando é permitido responder."
Rafael fechou a caixa com uma expressão inocente demais. Lara cruzou os braços, curiosa. Pela primeira vez em muitas semanas, o segredo diante dela parecia feito apenas de uma felicidade impaciente para acontecer.
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 1
Paixão proibida: Um romance da máfia
Lucien, o Rei da Máfia, conhecido como o Diabo. Heloísa, conhecida como anjo. Os dois são arranjados para se casar, forçados pelos pais, juntando-se às duas máfias. Mas Heloísa acaba descobrindo que até o diabo já foi um anjo.Romance1.3 mil palavras8 2 -
TerminadoCapítulo 5
Papai bilionário do bebê
Uma noite de amor que jamais seria esquecida. Ela dormiu com um bilionário. Apenas Jessica não sabia disso na época, outra coisa que ela não sabia é que, ao sair daquele apartamento de luxo, ela carregaria o herdeiro de uma empresa multibilionária.Moderno08 10 -
TerminadoCapítulo 4
Paixão e Domínio: Ex-esposa do CEO
Tudo o que pode levar é um escândalo para despedaçar uma história de amor de 15 anos. Conheça os Barnes. Angelina (Angel) e James Buchanan Barnes IV (Bucky). Seu romance antes de conto de fadas foi destruído. Mas quando a verdade vier à tona, eles serão capazes de reparar o estrago ou estará tão danificado que não poderá ser consertado?Moderno08 11 -
TerminadoCapítulo 2
Depois do falecimento do meu marido, eu enfrentei a amante com astúcia
Meu marido Joaquim sofreu um acidente de carro, ficou gravemente ferido e à beira da morte. O médico disse que salvá-lo teria pouco significado, então me preparei psicologicamente. Eu estava bem preparada e fiz um gesto com a mão: "Não vou dar mais problemas ao hospital, desistindo do tratamento." Obtive o atestado de óbito, encerrei a conta, levei-o ao crematório e, após seis horas, ele se tornou um monte de cinzas. Eu bato na urna de cinzas e digo: "Joaquim, oh Joaquim, você realmente era uma boa pessoa!" Joaquim tinha uma fortuna, partiu jovem e não deixou testamento. Recebi dois terços de toda a herança. Existe alguém mais atencioso do que Joaquim?Moderno08 4