"Gêmeos à Vista: O Papai CEO Não Me Deixa em Paz" Capítulo 67
Nenhuma delas ficou para trás
Lara apertou o mecanismo do brinco. Sentiu o pequeno relevo ceder sob o dedo enquanto mantinha os olhos em Sérgio. Não houve som que lhe dissesse se o aviso saíra. Ao lado dela, a mão de Isabela estava gelada.
"O Mauro está esperando", disse. "Nós vamos embora."
Sérgio olhou para Mirela, que já tinha o telefone levantado. Um segundo homem surgiu pela porta lateral e segurou o aparelho antes que ela conseguisse completar a chamada. Bianca se virou para pedir ajuda, mas parou quando Sérgio afastou o casaco e mostrou a arma presa junto ao corpo.
"Sem gritar."
O mundo pareceu se estreitar até aquele pedaço de metal. Lara ouviu a chuva batendo na cobertura, vozes distantes da loja, um carrinho passando em algum lugar. Havia pessoas perto. Perto demais para que aquilo parecesse possível e longe demais para perceberem o que estava acontecendo.
"Você ainda pode parar", disse ela.
Ele segurou seu braço. "Você sempre acha que pode mandar em mim."
Isabela tentou se colocar entre os dois, mas Lara apertou seus dedos, pedindo que não avançasse. Um veículo aguardava junto ao acesso de serviço. O outro homem apontou a porta aberta. Bianca segurou a sacola contra o corpo e fez uma pergunta alta sobre o carro, tentando chamar atenção sem transformar o corredor num confronto.
Sérgio a empurrou na direção da saída. Tudo aconteceu depressa depois disso: a passagem estreita, o cheiro úmido do banco, os telefones recolhidos, Mirela tentando permanecer perto de Lara. A porta correu no trilho e apagou a luz do fim da tarde.
Lara ficou espremida entre as amigas. Manteve os braços junto ao ventre, respirando pelo nariz para conter o enjoo. A bolsa fora jogada no chão, perto dos pés. Lá dentro estava o módulo. Se o primeiro aviso tivesse passado, Rafael saberia que alguma coisa estava errada. Se não tivesse passado, ela precisaria tentar outra vez.
"Não encosta nela", disse Mirela quando o homem tentou mudar Lara de lugar.
"Ela fica aí", determinou Sérgio, impaciente. "Vocês vão fazer exatamente o que eu mandar."
Bianca encontrou o joelho de Lara com o seu. Um contato curto, deliberado. Isabela estava diante delas, tão pálida que os olhos pareciam maiores. Nenhuma perguntou se as outras tinham medo. O medo ocupava todo o espaço disponível.
Na casa dos Valença, o aviso chegou quando Rafael ajudava Leo a limpar molho da mesa. O som diferente o fez pegar o telefone imediatamente. A tela mostrava o pedido de ajuda e uma localização próxima ao local de compras. Antes que conseguisse ligar para Lara, Mauro telefonou.
Ela não estava no ponto combinado. As mensagens permaneciam sem resposta. Uma funcionária ouvira uma frase estranha perto do corredor, mas só depois notara que as quatro mulheres tinham desaparecido juntas.
Rafael se levantou sem derrubar a cadeira. Foi o esforço que precisou fazer para isso que o assustou.
"Pai?", chamou Theo.
Ele se abaixou diante dos dois. "A mamãe pode precisar de ajuda. Eu vou verificar com o Mauro. A vovó vem ficar com vocês."
"O telefone dela quebrou?", perguntou Leo.
Rafael acariciou seu rosto. "Ainda não sei. Quando eu souber, vocês também vão saber."
Não prometeu uma volta imediata. Telefonou para Teresa, pediu que viesse com Antônio e acionou a polícia. Lucas recebeu a tarefa de reunir o aviso, as mensagens e as informações de Mauro, preservando os horários. O ponto no mapa não se moveu de forma contínua. Apareceu uma atualização breve numa via próxima, depois silêncio.
Lara não sabia quanto tempo passara quando o veículo parou. Haviam mudado de direção tantas vezes que desistira de imaginar ruas. A porta se abriu diante de um prédio baixo, com manchas de umidade junto ao telhado. Sérgio as fez entrar por uma passagem coberta, enquanto o motorista reclamava que aquilo não fazia parte do combinado.
A discussão dos homens deu às quatro segundos para se olharem. Bianca apontou com o queixo uma porta ao fundo. Estava fechada. Mirela manteve a mão no cotovelo de Lara, ajudando-a a atravessar o piso irregular sem tropeçar.
Foram deixadas num cômodo com caixas vazias e uma janela alta. Amarraram seus pulsos pela frente, apertando mais do que precisavam. Lara pediu que afrouxassem os de Isabela, cujos dedos começaram a perder a cor. Sérgio respondeu que ela deveria se preocupar consigo mesma.
"Eu estou preocupada com todo mundo", disse, antes de conseguir conter a frase.
Ele se aproximou o suficiente para que ela recuasse. Depois pareceu lembrar de outro objetivo e saiu para telefonar. O segundo homem permaneceu na porta.
Mirela conseguiu se sentar ao lado de Lara. "Você está sentindo alguma dor?"
"Estou enjoada."
"Olha para mim. Vamos respirar juntas."
Bianca pediu água. Precisou pedir duas vezes, mas um dos homens trouxe uma garrafa, irritado com a insistência. Ela a passou primeiro para Lara, sustentando-a com as mãos presas. Isabela se ajoelhou perto das duas, o cabelo caindo sobre o rosto.
"Eu vi parte da placa", murmurou Bianca. "Não sei se vou lembrar tudo."
"Você não precisa falar agora", respondeu Lara. "Guarda o que conseguir."
O zumbido de uma máquina chegava de fora, intermitente. Em algum momento, ouviram uma buzina longa. Lara procurou a bolsa com os olhos. Fora deixada junto às outras, num canto perto da janela. Estava longe demais para alcançar sem chamar atenção.
Sérgio voltou falando ao telefone. Exigia uma quantia que fez Bianca prender a respiração. Disse o nome das quatro mulheres, como se enumerasse mercadorias. Lara ergueu o rosto ao ouvir a voz de Rafael saindo do aparelho.
"Eu preciso falar com a Lara."
Sérgio lhe mostrou o telefone sem aproximá-lo.
"Ela está aqui. Todas estão. Você devia ter pensado nisso antes de me fechar as portas."
"Deixa eu ouvir a voz dela. Depois falamos do dinheiro."
Lara inclinou o corpo. "Rafael, eu estou aqui. Nós quatro estamos juntas."
A voz dele mudou, embora continuasse baixa. "Eu ouvi. Estou procurando vocês."
Sérgio encerrou a chamada antes que ela dissesse mais. A frase curta, porém, ficou dentro de Lara como uma mão firme. Ele ouvira. Sabia.
Na outra ponta, a polícia já reunia as imagens disponíveis do acesso e de estabelecimentos próximos. Uma câmera externa mostrara parte do veículo saindo. O fragmento de localização indicava a mesma direção. O registro de um posto ajudou a reduzir a busca. Rafael acompanhava as informações sem fingir que o mapa lhe dava uma certeza que não existia.
Eduardo chegou acompanhado de Marcelo. Daniel, Tiago e Diego também estavam informados, cada um tentando oferecer alguma coisa concreta em vez de repetir perguntas sem resposta. Teresa permaneceu com os meninos. Quando Leo começou a chorar, ela o abraçou sem dizer que ele precisava ser forte.
Theo pediu para ver a última fotografia da mãe. Antônio encontrou a imagem enviada durante o almoço e ficou sentado entre os dois enquanto a olhavam.
No cômodo, Lara conseguiu se mover quando Bianca pediu para ir ao banheiro. O homem da porta se afastou para discutir com Sérgio, e Mirela ajudou Lara a deslizar até o canto das bolsas. O módulo ainda estava ali. Ela puxou a alça com os dedos presos, aproximando-o do corpo, e apertou o brinco outra vez.
Não houve confirmação. A janela, porém, deixava entrar uma corrente de ar. Lara ergueu a bolsa o suficiente para apoiá-la sobre uma caixa e a manteve perto da abertura enquanto Isabela se colocava à sua frente, escondendo o movimento.
O homem voltou. Ela deixou os braços caírem sobre o colo e se concentrou em respirar.
Mais tarde, Rafael viu outro ponto aparecer. Era impreciso, abrangia várias construções e desapareceu logo depois. Ainda assim, combinado às imagens e ao trajeto, permitiu que a equipe verificasse uma área muito menor. Ele não foi sozinho. Esperou a orientação junto aos carros, as mãos fechadas, enquanto ouvia alguém pedir confirmação de um veículo atrás de um galpão.
Sérgio começou a perder a paciência antes que o primeiro ruído chegasse às mulheres. Tinha telefonado novamente, alterado as exigências e discutido com o próprio comparsa. Agora andava pelo cômodo dizendo que todos tentavam enganá-lo.
"Você precisa deixar a gente sair", disse Isabela.
Ele se virou. "Você devia estar do meu lado."
"Eu não vou ficar do lado de alguém que faz isso."
Lara viu a mudança no rosto dele. Puxou Isabela pelo pulso, pedindo que se aproximasse. Bianca começou a falar sobre água, sobre o calor do quarto, qualquer coisa que interrompesse aquela linha de raiva. Mirela ficou de joelhos, procurando um ângulo para alcançar a porta.
Um barulho veio do lado de fora. Sérgio recuou, olhou para a passagem e tirou uma faca do bolso. A arma que mostrara no corredor já não estava em sua cintura; Lara não sabia onde fora parar e não teve tempo de pensar nisso.
"Vocês chamaram alguém."
"Abaixa isso", pediu Lara. "Nós podemos sair daqui sem ninguém se machucar."
Ele avançou em sua direção. Mirela agarrou a barra da calça dele. Bianca gritou. Lara tentou se levantar, mas a bolsa prendeu em seus pés e a parede estava perto demais.
Isabela se moveu antes que ela pudesse dizer seu nome.
Houve um choque de corpos, um grito curto e o peso da jovem caindo contra seu peito. Lara a segurou com os braços presos, sentindo um calor úmido atravessar o tecido junto ao ombro.
"Isabela?"
O rosto diante do seu tinha perdido toda a cor. Do lado de fora, alguém ordenou que Sérgio largasse a faca.
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