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"Gêmeos à Vista: O Papai CEO Não Me Deixa em Paz" Capítulo 65

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Mais um lugar no abraço

Na sala de espera, Rafael segurava a bolsa de Lara com as duas mãos. A postura teria sido engraçada em outra circunstância. Ele não consultava o telefone, não andava de um lado para o outro e não perguntava repetidamente quanto tempo faltava. Estava quieto demais, com os olhos acompanhando cada movimento dela.

Lara encostou o joelho no dele.

"Eu estou aqui."

Rafael ergueu o rosto. O sorriso que tentou oferecer saiu incompleto.

"Eu sei."

A avaliação começou com perguntas sobre o enjoo, o cansaço e as datas do ciclo. Lara respondeu por si, enquanto o marido guardava as informações que ela pediu que anotasse. Quando a profissional perguntou sobre a possibilidade de gravidez, ela olhou para ele antes de confirmar que existia.

A palavra ficou entre os dois durante a coleta e a espera. Não era ainda uma notícia. Era uma possibilidade com o tamanho exato do silêncio que Rafael fez ao receber sua mão.

Quando o resultado confirmou a gestação, Lara levou alguns segundos para compreender a frase inteira. Sabia o que significava. Tinha vivido aquilo antes. Ainda assim, precisou olhar para o papel, depois para o rosto do marido, para que aquela vida deixasse de ser apenas uma hipótese no fim de uma manhã difícil.

Rafael não falou imediatamente. Os olhos se encheram antes de qualquer sorriso. Aproximou a mão do rosto dela e parou a um centímetro, como se temesse que até a felicidade pudesse ser brusca.

Lara puxou seus dedos para a própria bochecha.

"Pode encostar."

Ele riu com a voz quebrada e a beijou na testa. Depois no rosto, perto dos olhos. Quando finalmente encontrou sua boca, Lara sentiu que também estava chorando.

A consulta continuou. Receberam orientações, combinaram o acompanhamento e entenderam o que ainda seria avaliado nos exames das semanas seguintes. Não saíram sabendo tudo sobre o bebê. Saíram sabendo que ele existia e que, por enquanto, precisavam cuidar de Lara, do descanso possível e dos próximos passos.

No carro, Rafael colocou a mão sobre a dela, que descansava no ventre ainda igual ao de sempre.

"Você está feliz?", perguntou.

A pergunta, feita antes de telefonemas e anúncios, tocou Lara profundamente.

"Estou. Um pouco assustada também."

"Eu também."

Ela olhou para o homem que tantas vezes parecera encontrar respostas antes de todos.

"Você?"

"Eu sei administrar uma empresa. Não sei como é ser pai desde esse pedacinho."

Lara levou a mão dele aos lábios. "A gente aprende. Você já está aqui."

Decidiram contar primeiro aos meninos, em casa, sem uma plateia esperando a reação. Rafael buscou os filhos e conseguiu não anunciar nada no caminho, embora Leo tenha perguntado por que ele estava sorrindo para os semáforos.

Encontraram Lara no sofá. Theo se aproximou imediatamente, preocupado com o motivo da consulta. Ela abriu os braços e pediu que se sentassem perto, deixando espaço para Rafael.

"Eu estou bem", começou. "O enjoo tem um motivo. Tem um bebê crescendo na minha barriga."

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Os dois ficaram imóveis de maneiras diferentes. Theo olhou para o ventre da mãe, calculando alguma coisa. Leo abriu a boca e demorou a encontrar som.

"De verdade?"

"De verdade."

"Agora?"

Lara riu. "Agora ele está crescendo. Ainda vai demorar para nascer."

Leo colocou as mãos diante do próprio rosto e depois as estendeu, sem tocar.

"Eu posso?"

Ela assentiu. Os dedos pousaram com uma delicadeza tão cuidadosa que Lara sentiu outra vontade de chorar. Theo se aproximou do outro lado e encostou a palma logo acima da mão do irmão.

"Ele já escuta?"

"Ainda é bem no comecinho. Vamos descobrir muitas coisas nas consultas."

"Então a gente precisa apresentar a casa aos poucos", decidiu Leo. "Senão ele chega sem saber onde ficam os brinquedos."

Rafael passou o braço pelos dois. Theo, ainda sério, fez a pergunta que guardara desde a primeira frase.

"Você vai ficar muito cansada?"

Lara acariciou seus cabelos.

"Às vezes. E vocês vão continuar podendo precisar de mim. Não precisam virar adultos porque o bebê chegou."

O menino pareceu aliviado, embora tentasse disfarçar. Leo anunciou que seria responsável por ensinar as partes divertidas da vida. Theo pediu que a responsabilidade fosse supervisionada.

A discussão sobre irmão ou irmã começou três minutos depois. Leo tinha certeza de que seria uma menina porque, segundo ele, já havia meninos suficientes para formar times na sala. Theo considerou a justificativa pouco confiável. Rafael entrou na conversa sugerindo que a decisão não dependia de votação.

"Mas pode ter preferência?", quis saber Leo.

"Pode", respondeu Lara. "Só não pode tratar o bebê como se tivesse decepcionado alguém quando a gente descobrir."

Os dois concordaram. Em seguida, começaram uma lista de nomes que incluía um personagem de desenho e a palavra Pudim. Lara pediu que guardassem as sugestões para outro dia.

Contar aos avós exigiu um esforço maior de organização. Teresa atendeu à chamada de vídeo ao lado de Antônio e perguntou imediatamente se Lara estava se alimentando. Quando ouviu a notícia, esqueceu a pergunta no meio da frase. Antônio tirou os óculos, colocou-os outra vez e pediu que repetissem apenas para ter certeza.

Helena chorou em silêncio. Eduardo levou a mão ao peito, sorrindo de um jeito que o fazia parecer mais jovem. Marcelo perguntou o que poderia fazer e recebeu de Rafael a informação de que a prateleira do quarto dos meninos ainda seria uma excelente contribuição.

Na manhã seguinte, chegaram frutas suficientes para uma casa muito maior. Depois vieram almofadas, uma manta, dois livros e uma mensagem de Cecília perguntando se podia oferecer uma peça bordada sem decidir o enxoval inteiro.

Lara respondeu que sim à peça. Ao resto, foi respondendo com gratidão e limites cada vez mais claros.

"Eu não vou comer seis mamões para demonstrar que estou feliz", disse a Rafael, diante da bancada.

Ele olhou para a cesta. "Podemos distribuir."

"Podemos começar impedindo a segunda remessa."

A notícia trouxe uma alegria que ocupava a casa nos detalhes. Célia passou a perguntar quais cheiros incomodavam antes de preparar o almoço. Os meninos diminuíam a voz ao passar perto do sofá, até Lara explicar que o bebê não precisava que vivessem sussurrando. Rafael começou a aparecer no ateliê com lanches e desculpas cada vez menos convincentes sobre o trajeto que já faria.

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Numa tarde, Lara desejou um pastel específico de uma feira onde não ia havia meses. Comentou por acaso, enquanto tirava os sapatos. Rafael pegou o telefone com tamanha rapidez que ela precisou segurar seu pulso.

"Eu lembrei do gosto. Não declarei uma emergência."

"Posso resolver uma lembrança."

"A feira é amanhã."

Ele olhou para a tela, derrotado pelo calendário. Lara riu até o enjoo ameaçar voltar e o fez sentar ao seu lado. Acabaram dividindo torradas, com a promessa de que poderiam ir à feira no dia seguinte se ela continuasse com vontade.

Theo e Leo ouviram a conversa e organizaram uma expedição que envolvia levar água, conferir os sapatos da mãe e determinar quem carregaria os guardanapos. Lara distribuiu as funções com cuidado para não transformar a própria gravidez numa tarefa permanente para os filhos.

"Vocês podem me ajudar trazendo o que eu pedir", explicou. "Não precisam olhar para mim a cada cinco minutos."

"A cada dez?", negociou Leo.

"Podem brincar. Eu prometo chamar se precisar."

Rafael ouviu a mesma orientação sem receber uma versão especial para adultos. Sorriu quando percebeu que também estava incluído.

Alguns dias depois, ele lhe mostrou um par de brincos pequenos. Lara abriu a caixa esperando uma joia e encontrou, além deles, uma explicação pouco romântica que a fez erguer as sobrancelhas.

Um dos brincos incluía um botão discreto de pedido de ajuda, ligado a um pequeno módulo que ficaria na bolsa. O aparelho podia enviar um aviso e uma localização pelos meios disponíveis, mas dependia de bateria e sinal. Rafael apresentou as limitações antes que ela precisasse perguntar.

"Você quer me colocar um alarme?"

"Quero te oferecer uma forma de chamar sem procurar o telefone. Depois do que aconteceu com a Isabela, fiquei pensando nisso. Você decide se quer usar."

Lara examinou a peça. Os meninos entraram na sala naquele momento e Theo olhou para a caixa com um interesse rápido demais. Rafael lhes pediu que buscassem o desenho que tinham preparado para o bebê. Eles saíram, contrariados apenas pelo atraso na apresentação.

Lara experimentou o mecanismo de alerta, recebeu a confirmação no telefone do marido e fez as próprias perguntas. Não queria rastreamento contínuo sem saber, nem um objeto que passasse a funcionar como argumento para controlar seus passos. Rafael concordou, mostrou as configurações e deixou a caixa com ela.

"Se eu usar, é para ter mais liberdade", avisou.

"Entendi."

Naquela noite, contudo, ele tentou levar até o copo de água que estava ao alcance de sua mão. Lara segurou o copo antes dele e lhe lançou um olhar.

"Você entendeu a parte teórica."

Rafael baixou a cabeça, rindo. "Estou em treinamento."

Ela bebeu um gole e encostou-se nele. Amava ser cuidada. Também sentia falta de andar pela casa sem quatro olhos pequenos e dois adultos acompanhando cada movimento. Na manhã seguinte, quando Bianca propôs uma saída com as amigas, Lara respondeu antes que a dúvida encontrasse lugar.

Queria escolher uma roupa, sair pela porta e passar algumas horas sendo apenas ela mesma, com uma alegria nova guardada junto ao coração.

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