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"Gêmeos à Vista: O Papai CEO Não Me Deixa em Paz" Capítulo 64

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O preço que ele tentou cobrar

Isabela telefonou quando Lara estava conferindo uma amostra de tecido. A primeira chamada caiu antes que pudesse atender. Na segunda, ouviu uma respiração curta, depois a voz de Tiago pedindo que permanecesse na linha.

Estavam na saída de um cinema. Um homem se aproximara de Isabela, chamando-a pelo nome e dizendo que era seu pai. Quando ela tentara se afastar, segurara seu braço. Tiago conseguira colocá-la perto de um funcionário, mas o homem continuava falando alto o suficiente para atrair pessoas.

Lara soube quem era antes de ouvir o nome.

"Não levem ele para um lugar isolado", disse, sentindo o coração acelerar. "Fiquem perto dos funcionários. Vocês já chamaram alguém da segurança?"

Tiago confirmou. Rafael, percebendo seu rosto, se levantou da mesa e aguardou que ela cobrisse o telefone para explicar. Em poucos minutos, Eduardo também estava informado.

Do outro lado da linha, Sérgio dizia que uma filha não podia deixar o pai daquela maneira. As palavras chegaram distorcidas pelo barulho da rua, mas Lara reconheceu a cadência. Era a voz que transformava uma exigência em vergonha pública para obrigar a outra pessoa a ceder.

Isabela pegou o aparelho por um instante.

"Ele está falando para todo mundo que eu abandonei ele. Eu nunca vi esse homem."

"Você não precisa responder à rua inteira", disse Lara. "Fica com o Tiago. O papai está indo até vocês."

Ao ouvir a palavra, Isabela começou a chorar. Lara manteve a voz firme até que o responsável pela segurança confirmasse que ela estava numa sala de atendimento, acompanhada e fora do alcance de Sérgio.

Quando chegaram à casa dos Monteiro, a situação imediata já estava contida. Eduardo trouxera Isabela e Tiago. Sérgio recebera a informação de que só seria ouvido numa reunião organizada, sem acesso livre à família e com registro do que ocorrera no cinema.

Helena estava sentada ao lado da filha, olhando a marca avermelhada em seu braço. Marcelo andava perto da janela com o telefone na mão. Ao ver Lara, Isabela se levantou, mas parou no meio do movimento.

"Eu não sabia que ele era assim."

Lara colocou a bolsa numa cadeira. "Eu sei."

A frase não tinha triunfo. O rosto da jovem estava pálido, e Lara não precisava que ela sofresse para confirmar uma história que já era verdadeira.

Pouco depois, Sérgio entrou acompanhado por um funcionário. Havia nele uma tentativa de recuperar a postura antiga: a camisa ajeitada no colarinho, o sorriso preparado para homens que considerava mais importantes, o olhar que passava pelas pessoas procurando a mais fácil de dobrar.

Quando viu Lara, pareceu irritado por um instante. Depois escolheu um tom quase afetuoso.

"Então você também está aqui. Podia ter me avisado."

Rafael se moveu ao lado dela, mas Lara respondeu antes.

"Não era uma informação minha para usar desse jeito."

Sérgio franziu a testa. "Eu sou o pai dela. Tenho direito de saber."

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Eduardo indicou a cadeira reservada para ele. "O senhor pode falar sem tocar em ninguém e sem gritar."

A reunião não pretendeu resolver a filiação em uma tarde. Os documentos sobre a troca seriam analisados pelos caminhos adequados. Sérgio, porém, demonstrou pouco interesse neles quando percebeu que ninguém colocaria dinheiro em sua mão apenas por repetir a palavra pai.

Falou de dívidas, do nome da antiga empresa e de credores que, segundo ele, estavam sendo injustos. Pediu um investimento. Quando Rafael explicou que não havia um projeto viável apresentado, passou a pedir um empréstimo. Depois afirmou que bastava uma ajuda temporária.

Isabela o ouviu sem soltar os dedos de Helena. Tiago permaneceu do outro lado, discreto, sem responder por ela.

Lara percebeu Eduardo oscilando entre encerrar a conversa e encontrar alguma forma de impedir que aquilo recomeçasse na porta de outro lugar. Conhecia o apelo de uma solução imediata. Também conhecia o homem sentado diante deles.

"Pagar não vai mudar o jeito como ele pede", disse, com a voz baixa.

Sérgio se virou bruscamente. "Você sempre gostou de me colocar contra os outros."

A frase atingiu um lugar antigo. Lara sentiu a vontade automática de se explicar, de listar tudo que fizera para merecer uma resposta diferente. Rafael encontrou sua mão debaixo da mesa. Ela respirou e deixou a vontade passar.

"Eu não vou discutir minha infância nesta reunião."

O silêncio que veio depois lhe devolveu o próprio tamanho.

Ao fim, a família decidiu oferecer uma ajuda única e limitada para despesas imediatas comprovadas, paga diretamente aos destinatários, sem financiamento da empresa e sem acesso ao patrimônio de Isabela. Lara disse claramente que não considerava aquilo uma garantia de tranquilidade. Eduardo reconheceu o risco, mas preferiu tentar aquela medida enquanto organizava as respostas formais ao assédio.

Nenhum papel foi apresentado como compra de parentesco. Nenhuma assinatura apagaria uma relação biológica ou transformaria dinheiro em afeto. O limite era sobre pagamentos e contato: não haveria outras quantias negociadas por abordagens na rua, ameaças de escândalo ou telefonemas repetidos.

Sérgio concordou depressa demais. Sua facilidade em abandonar o tom ferido e perguntar quando seria feito o primeiro pagamento deixou Isabela imóvel.

"Você veio saber de mim ou veio pedir dinheiro?", perguntou ela.

Ele abriu a boca, mas a resposta demorou. Foi a demora que ela guardou.

Quando se levantou, Sérgio tentou lhe dar um beijo. Isabela recuou. Eduardo se colocou ao lado da filha sem fazer um gesto teatral, e o funcionário acompanhou o visitante até a saída.

A porta mal tinha fechado quando Isabela começou a chorar. Helena a abraçou. Tiago buscou água. Marcelo saiu para fazer uma ligação, deixando a sala menos cheia. Lara permaneceu onde estava, sentindo o peso do encontro se espalhar lentamente pelo corpo.

"Ele falava assim com você?", perguntou Isabela depois de algum tempo.

Lara pensou antes de responder. Não queria transformar aquela fragilidade numa oportunidade para obrigá-la a ouvir detalhes que ainda não conseguia contar.

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"Às vezes. Havia outras coisas também. Você não precisa passar por tudo para acreditar em mim."

Isabela limpou o rosto. "Eu devia ter acreditado antes."

Lara assentiu, aceitando a frase sem corrigi-la para aliviar o desconforto.

Mais tarde, ficaram as duas na varanda, enquanto os outros discutiam providências práticas. Isabela segurava um copo entre as mãos e não bebia.

"Eu achei que perder o sobrenome seria a pior coisa que podia acontecer. Hoje ele falou que era meu pai e eu só quis que ele se afastasse."

"Você pode querer distância de uma pessoa que acabou de conhecer. Não precisa decidir hoje o nome que vai dar a essa relação."

"E se ele voltar?"

"Você avisa. Não responde sozinha só porque ele diz que o assunto é de família."

Isabela olhou para ela por um longo momento. Havia vergonha naquele olhar, mas também uma compreensão que começava a deixar de ser abstrata.

Na volta para casa, Lara ficou em silêncio. Rafael não preencheu o caminho com perguntas. Quando pararam num sinal, ela apoiou a cabeça no banco e fechou os olhos.

"Eu ainda odeio perceber que meu corpo reage antes de eu pensar."

Ele segurou sua mão por um instante, devolvendo-a ao colo antes de o carro avançar.

"Você ficou. Falou o que quis falar. E foi embora comigo."

Lara abriu os olhos. Precisou ouvir aquela sequência para perceber que o encontro não terminara como os antigos. Não havia uma porta se fechando atrás dela enquanto ficava sozinha do lado de dentro.

Naquela noite, Lara encontrou os filhos montando uma pista perto do sofá. Theo levantou o rosto para perguntar se ela queria ver o trecho novo. Leo já segurava um carrinho para lhe emprestar. Ela se sentou no tapete e aceitou o veículo amarelo, deixando que explicassem as curvas sem apressá-los. Rafael apareceu com água e ficou perto, sem exigir que voltasse à conversa da tarde. Durante alguns minutos, Lara acompanhou duas crianças discutindo uma ponte de plástico. O barulho familiar foi devolvendo ao seu corpo a certeza de onde estava.

Nos dias seguintes, a ajuda combinada foi encaminhada conforme os comprovantes. Sérgio telefonou primeiro para agradecer. No mesmo telefonema, acrescentou uma dívida que não mencionara. Depois enviou outra mensagem, sugerindo que um valor maior evitaria transtornos.

Eduardo respondeu por escrito que não haveria novos pagamentos. As mensagens foram guardadas. A família reforçou orientações de acesso e combinou que ninguém faria encontros improvisados. Lara manteve o próprio telefone longe dele e se concentrou no trabalho que precisava terminar no ateliê.

Numa manhã, contudo, o cheiro de café a fez parar antes de alcançar a cozinha. Sentiu uma onda de enjoo e precisou se apoiar no batente. Célia perguntou se queria se sentar. Lara tentou responder que tinha passado, mas a tontura obrigou-a a aceitar a cadeira.

Rafael chegou minutos depois e a encontrou pálida, com a água ainda intocada.

"Desde quando?"

"Hoje ficou pior. Achei que fosse cansaço."

Ele se agachou à sua frente, esperando que o olhar dela se firmasse no seu.

"Vamos verificar."

Lara levou a mão ao próprio ventre sem perceber. Havia uma data que não conferira, uma sequência de dias ocupados demais e uma possibilidade que ainda não tinha coragem de dizer em voz alta.

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