"Gêmeos à Vista: O Papai CEO Não Me Deixa em Paz" Capítulo 63
Diante do mesmo espelho
A manhã começara no LARA Atelier, onde os primeiros pedidos próprios finalmente ocupavam a mesa. A abertura acontecera dias antes, depois de concluída a transição de seus compromissos com a Maison Vallon. Henrique conferira os números enquanto Lara apresentava a pequena equipe e explicava os prazos. Os meninos tinham levado uma placa desenhada à mão, e Rafael a ajudara a pendurá-la na sala de trabalho. Agora, ao fechar a pasta antes de sair para escolher o vestido, ela olhou outra vez para aquela placa. Havia felicidade em reconhecer o próprio nome numa porta que não dependia de casamento ou parentesco.
Bianca chegou à loja de vestidos carregando uma pasta que parecia preparada para uma reunião difícil. Mirela veio logo atrás, com uma garrafa de água e uma lista de perguntas práticas. Isabela apareceu por último, um pouco hesitante, até Lara lhe fazer sinal para se aproximar.
O convite fora simples. Lara queria provar alguns modelos e precisava de opiniões sinceras. Não prometera uma tarde sem desconfortos nem transformara a presença de Isabela num anúncio de reconciliação. Apenas lhe oferecera um lugar entre as mulheres que participariam daquela escolha.
"Eu trouxe referências", explicou Bianca, abrindo a pasta.
Mirela espiou a primeira folha. "Você organizou por quantidade de tecido ou capacidade de movimento?"
"Pelos dois. E retirei as opções que parecem exigir autorização para respirar."
Lara riu, mas sentiu um alívio real. Queria estar bonita no casamento. Também queria abraçar os filhos, dançar e terminar a noite ainda reconhecendo o próprio corpo dentro da roupa.
A consultora lhes ofereceu água e mostrou os modelos separados. Quando chamou uma funcionária para ajudar com as capas, Lara reconheceu o rosto antes de reconhecer a voz. A mulher parou junto ao cabideiro, com um vestido protegido nos braços.
Priscila estava mais magra. O cabelo preso e o crachá com o nome Luci demoraram um instante para se organizar numa imagem familiar. Lara sentiu o passado lhe tocar as costas antes de conseguir pensar no presente.
"Bom dia", disse a funcionária.
"Bom dia."
As amigas perceberam a mudança. Isabela olhou de uma para a outra sem entender. Priscila manteve os olhos no vestido, aguardando uma instrução profissional que lhe permitisse continuar.
A consultora pediu que ela levasse duas peças ao provador. Priscila obedeceu. Ninguém comentou o nome do crachá. Lara não tinha vindo à loja para expor uma história que a outra mulher, por qualquer razão, não apresentara ali.
Quando ficaram a sós por alguns segundos junto ao espelho, Priscila falou baixo.
"Eu trabalho aqui."
"Eu percebi."
"Não quero problema."
Lara encontrou seus olhos pelo reflexo. Não havia nada de simples naquele reencontro. Lembrou-se de palavras, de portas fechadas e de anos em que precisara medir o espaço que ocupava numa casa onde também deveria ter pertencido.
"Eu vim escolher um vestido."
Priscila assentiu depressa, mas não pareceu inteiramente tranquila. Lara também não. Continuaram com o atendimento, cada uma apoiada na tarefa concreta que havia entre elas.
O primeiro vestido tinha renda demais para o gosto de Lara. O segundo fazia Bianca inclinar a cabeça de um jeito que dispensava explicações. Mirela pediu que a noiva se sentasse antes de emitir qualquer opinião sobre o terceiro.
"Se você não consegue comer nele, a gente precisa saber agora."
Lara tentou e descobriu um problema imediato na cintura. Isabela segurou a ponta da saia para ajudá-la a levantar, sem puxar o tecido.
"Posso dizer uma coisa?"
"Foi para isso que convidei vocês."
"Parece bonito no cabide. Em você, parece que o vestido está pedindo toda a atenção."
Lara olhou outra vez para o espelho. Era exatamente a sensação que não conseguira nomear. Pediu que separassem outra opção, mais leve, com linhas que acompanhassem seu corpo sem esconder seus movimentos.
Priscila trouxe uma peça de tecido macio, com uma estrutura discreta no corpete. Explicou onde poderiam fazer ajustes e se afastou antes de Lara sair do provador. Sua voz tinha adquirido a objetividade de quem aprendera, na prática, que outra pessoa podia encerrar uma conversa.
Lara não sentiu satisfação com isso. Sentiu uma distância que ainda precisava preservar. Ser capaz de vê-la trabalhando não significava estar pronta para transformá-la em amiga ou irmã novamente.
O quarto vestido mudou o silêncio da sala. Bianca fechou a pasta. Mirela sorriu antes de falar qualquer coisa. Isabela levou a mão à boca, com uma surpresa que não pareceu ensaiada.
Lara girou devagar. O tecido se moveu com ela. Imaginou o vento de uma cerimônia ao ar livre, a mão de Rafael, dois meninos disputando uma posição perto da barra. Pela primeira vez naquela tarde, viu o casamento inteiro sem precisar imaginar que suportaria o vestido até o fim.
"Esse eu quero experimentar por mais alguns minutos", disse.
A consultora se afastou para buscar informações. Bianca tirou uma fotografia apenas depois de perguntar, prometendo guardá-la longe de qualquer telefone acessível a Diego ou Rafael. Mirela pediu outra com Lara sentada, por questões de fiscalização alimentar.
Foi nesse momento que duas clientes entraram no ambiente contíguo. Uma delas reconheceu Isabela e se aproximou com entusiasmo alto demais. Tinha participado de outros encontros em que Lara fora tratada como uma intrusa conveniente para conversas cruéis.
"Então é aqui que vocês estão? Eu vi as fotos da festa. Que confusão aquela história toda."
Isabela se levantou. Lara permaneceu diante do espelho, observando a expressão da visitante pelo reflexo.
"Foi um aniversário", respondeu Isabela.
A mulher baixou a voz, sem baixar o suficiente.
"Você é muito elegante de estar ajudando. Depois de tudo, ainda dividir vestido e família... tem gente que sabe entrar numa casa e ficar."
O silêncio que se seguiu foi tão claro que Priscila parou de dobrar uma capa. Lara sentiu o corpo inteiro se preparar para responder. Antes que o fizesse, Isabela deu um passo à frente.
"Você está falando da Lara?"
A mulher sorriu, esperando cumplicidade. "Ah, não leva assim."
"Então fala de outro jeito. Porque, desse jeito, você veio ofender uma pessoa que está comigo."
Bianca cruzou os braços. Mirela se aproximou de Lara sem fazer cena.
A visitante perdeu o sorriso. "Eu só achei que, depois de tudo que você me contou..."
"Eu contei muita coisa injusta. E você não precisa continuar repetindo só porque eu já repeti."
Isabela estava corada. Não parecia confortável, nem satisfeita consigo mesma. Lara percebeu o esforço na mão que ela mantinha fechada ao lado do corpo.
"Ela não tirou minha família de mim", continuou. "E eu não vou conversar sobre ela como se não estivesse aqui."
A mulher murmurou uma desculpa vaga e se afastou com a acompanhante. A consultora voltou, percebeu o clima e perguntou se precisavam de alguma coisa. Lara pediu apenas alguns minutos.
Isabela se virou para ela.
"Desculpa. Eu dei espaço para esse tipo de conversa antes."
Lara respirou devagar. "Obrigada por não dar agora."
Não acrescentou que tudo estava bem. Não precisava diminuir a importância daquele gesto fingindo que já o esperava. Agradeceu exatamente pelo que acontecera, e Isabela pareceu entender.
Quando decidiram sair para almoçar, Lara deixou o modelo reservado, sem fechar a compra naquele instante. Queria olhar as fotos com calma e conversar sobre o local da cerimônia. Ao recolher a bolsa, encontrou Priscila perto da porta do provador.
"Você vai contar para a gerente?", perguntou a mulher.
Lara levou um segundo para compreender o medo.
"Não tenho uma reclamação sobre o atendimento."
Priscila apertou a pasta que segurava. "Obrigada."
"Trabalhar aqui é uma coisa sua. O que aconteceu entre nós continua existindo."
A resposta deixou a outra sem palavras. Lara seguiu até as amigas sem oferecer uma crueldade nem uma absolvição que não sentia.
No restaurante, o assunto voltou ao vestido. Mirela defendia sapatos confortáveis com a intensidade de quem já assistira a noivas sofrerem em silêncio. Bianca insistia que Rafael não deveria receber nenhuma pista. Isabela, ainda quieta, se animou quando chegou uma mensagem de Tiago perguntando se escaparia da reunião de tecidos antes do fim do dia.
"Reunião de tecidos?", repetiu Lara ao ver a expressão dela.
"Foi o nome que ele deu. Disse que tem medo de descobrir quanto custa uma manga."
"Depende da manga", respondeu Lara, séria, antes de todas começarem a rir.
Ao voltar para casa, mostrou a Rafael uma fotografia apenas do arranjo de flores da loja. Ele fingiu indignação por ter sido excluído da parte relevante. Os meninos quiseram saber se a roupa tinha bolsos. Lara explicou que aquela era uma excelente pergunta e a anotou para o próximo encontro.
Naquela mesma noite, em outro ponto da cidade, Sérgio recebeu no telefone uma imagem encaminhada por um conhecido. A mensagem comentava o aniversário dos Monteiro e a descoberta da filha biológica. Ele abriu a fotografia sem grande interesse, até olhar de verdade para a mulher ao lado de Helena.
Isabela estava de perfil, sorrindo para alguém fora do enquadramento. Havia naquela linha do rosto uma semelhança que lhe trouxe Beatriz de volta com uma nitidez desagradável.
Sérgio ampliou a imagem. Leu a legenda outra vez. Procurou mais fotografias, juntou datas que antes lhe parecera inútil comparar e ficou imóvel, com o telefone preso entre os dedos.
Sua primeira pergunta não foi se aquela filha tinha sido feliz.
Foi quanto os Monteiro pagariam para que continuasse sendo.
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 1
Paixão proibida: Um romance da máfia
Lucien, o Rei da Máfia, conhecido como o Diabo. Heloísa, conhecida como anjo. Os dois são arranjados para se casar, forçados pelos pais, juntando-se às duas máfias. Mas Heloísa acaba descobrindo que até o diabo já foi um anjo.Romance1.3 mil palavras8 2 -
TerminadoCapítulo 5
Papai bilionário do bebê
Uma noite de amor que jamais seria esquecida. Ela dormiu com um bilionário. Apenas Jessica não sabia disso na época, outra coisa que ela não sabia é que, ao sair daquele apartamento de luxo, ela carregaria o herdeiro de uma empresa multibilionária.Moderno08 10 -
TerminadoCapítulo 4
Paixão e Domínio: Ex-esposa do CEO
Tudo o que pode levar é um escândalo para despedaçar uma história de amor de 15 anos. Conheça os Barnes. Angelina (Angel) e James Buchanan Barnes IV (Bucky). Seu romance antes de conto de fadas foi destruído. Mas quando a verdade vier à tona, eles serão capazes de reparar o estrago ou estará tão danificado que não poderá ser consertado?Moderno08 11 -
TerminadoCapítulo 2
Depois do falecimento do meu marido, eu enfrentei a amante com astúcia
Meu marido Joaquim sofreu um acidente de carro, ficou gravemente ferido e à beira da morte. O médico disse que salvá-lo teria pouco significado, então me preparei psicologicamente. Eu estava bem preparada e fiz um gesto com a mão: "Não vou dar mais problemas ao hospital, desistindo do tratamento." Obtive o atestado de óbito, encerrei a conta, levei-o ao crematório e, após seis horas, ele se tornou um monte de cinzas. Eu bato na urna de cinzas e digo: "Joaquim, oh Joaquim, você realmente era uma boa pessoa!" Joaquim tinha uma fortuna, partiu jovem e não deixou testamento. Recebi dois terços de toda a herança. Existe alguém mais atencioso do que Joaquim?Moderno08 4